FACULDADE
TEOLOGICA BETEL
CURSO LIVRE
BÁSICO DE
TEOLOGIA COMPLETO
DISCIPLINAS:
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
01 - TEOLOGIA SISTEMÁTICA
02 -
TEOLOGIA: DOUTRINA DE DEUS
03 -
CRISTOLOGIA: DOUTRINA DE CRISTO
04 -
PARACLETOLOGIA: DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO
05 -
SOTERIOLOGIA: DOUTRINA DA SALVAÇÃO
06 - A
TRINDADE
07 -
ANGELOLOGIA: A DOUTRINA DOS ANJOS
08 -
BATALHA ESPIRITUAL
09 -
ESCATOLOGIA: A DOUTRINA DA ULTIMAS COISAS
10 - BIBLIOLOGIA:
A DOUTRINA DA BIBLIA
11 - QUESTIONÁRIO
11 - QUESTIONÁRIO
MATÉRIA 01 - TEOLOGIA SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO
O
termo teologia, segundo seus aspectos etimológicos, é composto de duas palavras
gregas: Theos (Deus) e logos (palavra, fala, expressão).
Tanto
Cristo, a Palavra Viva, como a Bíblia, a Palavra Escrita, são o Logos de Deus.
Eles são para Deus o que a expressão é para o pensamento e o que a fala é para
a razão.
A
teologia é, portanto, uma Theo-logia, isto é, uma palavra, uma fala ou
expressão sobre Deus; uma doutrina sobre Deus. É o estudo sobre a revelação de
Deus que é a expressão dos Seus pensamentos e, logo, é, também, o estudo sobre
Sua própria Pessoa. Portanto teologia é o estudo sobre Deus, sua obra e sua
revelação.
Embora
não encontremos nas Escrituras a palavra teologia, ela é bíblica em seu
caráter. Em Rm.3:2 encontramos ta logia tou Theou (os oráculos de Deus); em
1ªPe.4:11 encontramos logia Theou (oráculos de Deus), e em Lc.8:21 temos ton
Logon tou Theou (a Palavra de Deus).
TEOLOGIA
SISTEMÁTICA
Nenhuma
exposição sobre Deus seria completa se não contemplasse Suas obras e Seus
caminhos no universo que Ele criou, além de Sua Pessoa. Toda ciência provêm e
mantêm relação com o Criador de todas as coisas e com Seu propósito na criação.
E toda verdade é verdade de Deus, onde quer que ela seja encontrada. Deus se
revelou na criação e nas Escrituras, e a verdade achada pelas ciências naturais
e sociais, por cristãos ou profanos, não é verdade profana; é verdade sagrada
de Deus (Cl.2:3). Toda verdade, onde quer que seja encontrada, tem peso e valor
iguais como verdade, como qualquer outra verdade. Uma verdade pode ser mais
útil em dada circunstância, e uma outra em outra, mas ambas têm valor como
verdade.
Portanto
é perfeitamente lícito utilizar-se de outras fontes, enquanto verdade, para o
estudo da teologia. O estudo teológico que incorpora em seu escôpo o exame das
ciências naturais e sociais, é denominado teologia sistemática.
DIVERSAS
DEFINIÇÕES DE TEOLOGIA
A)
Chafer: Uma ciência que segue um esquema ou uma ordem humana de desenvolvimento
doutrinário e que tem o propósito de incorporar no seu sistema a verdade a
respeito de Deus e o Seu universo a partir de toda e qualquer fonte (Lewis
Sperry Chafer).
B)
Chafer: Teologia sistemática pode ser definida como a coleção, cientificamente
arrumada, comparada, exibida e defendida de todos os fatos de toda e qualquer
fonte referentes a Deus e às Suas obras. Ela é temática porque segue uma forma
de tese humanamente idealizada, e apresenta e verifica a verdade como verdade
(Lewis Sperry Chafer).
C)
Alexander: A ciência de Deus... Um resumo da verdade religiosa cientificamente
arranjada, ou uma coleção filosófica de todo o conhecimento religioso (W.
Lindsay Alexander).
D)
Hodge: A teologia sistemática tem por objetivo sistematizar os fatos da Bíblia,
e averiguar os princípios ou verdades gerais que tais fatos envolvem (Charles
Hodge).
E)
Strong: A ciência de Deus e dos relacionamentos de Deus com o universo (A. H.
Strong).
F)
Thomas: A ciência é a expressão técnica das leis da natureza; a teologia é a
expressão técnica da revelação de Deus. Faz parte da teologia examinar todos os
fatos espirituais da revelação, calcular o seu valor e arranjá-los em um corpo
de ensinamentos. A doutrina, assim, corresponde às generalizações da ciência
(W. H. Griffith Thomas)
G)
Shedd: Uma ciência que se preocupa com o infinito e o finito, com Deus e o
universo. O material, portanto, que abrange é mais vasto do que qualquer outra
ciência. Também é a mais necessária de todas as ciências (W. G. T. Shedd).
H)
Definições Inadequadas: Para definir teologia foram empregados alguns termos
enganadores e injustificados. Já se declarou que ela é "a ciência da
religião"; mas o termo religião de maneira nenhuma é um sinônimo da Pessoa
de Deus e de toda a Sua obra. Da mesma forma já se disse que ela é "o tratamento
científico daquelas verdades que se encontram na Bíblia; mas esta ciência,
embora extrai a porção maior do seu material das Escrituras, extrai também o
seu material de toda e qualquer fonte. A teologia sitemática também tem sido
definida como o arranjo ordeiro da doutrina cristã; mas como o cristianismo
representa apenas uma simples fração de todo o campo da verdade relativa à
Pessoa de Deus e o Seu universo, esta definição não é adequada.
OUTRAS
TEOLOGIAS
A)
Teologia Natural: Estuda fatos que se referem a Deus e Seu universo que se
encontra revelado na natureza.
B)
Teologia Exegética: Estuda o Texto Sagrado e assuntos relacionados, através do
estudo das línguas originais, da arqueologia bíblica, da hermenêutica bíblica e
da teologia bíblica.
C)
Teologia Bíblica: Investiga a verdade de Deus e o Seu universo no seu
desenvolvimento divinamente ordenado e no seu ambiente histórico conforme
apresentados nos diversos livros da Bíblia. A teologia bíblica é a exposição do
conteúdo doutrinário e ético da Bíblia, conforme originalmente revelada. A
teologia bíblica extrai o seu material exclusivamente da Bíblia.
D)
Teologia Histórica: Considera o desenvolvimento histórico da doutrina, mas
também investiga as variações sectárias e heréticas da verdade. Ela abrange
história bíblica, história da igreja, história das missões, história da
doutrina e história dos credos e confissões.
E)
Teologia Dogmática: É a sistematização e defesa das doutrinas expressas nos
símbolos da igreja. Assim temos "Dogmática Cristã", por H. Martensen,
com uma exposição e defesa da doutrina luterana; "Teologia
Dogmática", por Wm. G. T. Shedd, como uma exposição da Confissão de
Westminster e de outros símbolos presbiterianos; e "Teologia
Sistemática", por Louis Berkhof, como uma exposição da teologia reformada.
F)
Teologia Prática: Trata da aplicação da verdade aos corações dos homens. Ela
busca aplicar à vida prática os ensinamentos das outras teologias, para
edificação, educação, e aprimoramento do serviço dos homens. Ela abrange os
cursos de homilética, administração da igreja, liturgia, educação cristã e
missões.
MATÉRIA 02 - TEOLOGIA: DOUTRINA DE DEUS
I.
DEFINIÇÕES DE
DEUS:
A)
Definição Filosófica de Platão: Deus é o começo, o meio e o fim de todas as
coisas. Ele é a mente ou razão suprema; a causa eficiente de todas as coisas;
eterno, imutável, onisciente, onipotente; tudo permeia e tudo controla; é
justo, santo, sábio e bom; o absolutamente perfeito, o começo de toda a
verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e,
especialmente, a causa de todo o bem.
B)
Definição Cristã do Breve Catecismo: Deus é um Espírito, infinito, eterno e
imutável em Seu Ser,
sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
C)
Definição Combinada: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as
coisas tem sua origem, sustentação e fim (Jo.4:24; Ne.9:6; Ap.l:8; Is.48:12;
Ap.1:17).
D)
Definições Bíblicas: As expressões "Deus é Espírito" (Jo.4:24) e
"Deus é Luz " (IJo.1:5), são expressões da natureza essencial de
Deus, enquanto que a expressão "Deus é amor" (IJo.4:7) é expressão de
Sua personalidade. (ITm.6:16)
II.
ESSÊNCIA OU NATUREZA DE DEUS:
Quando
falamos em essência de Deus, queremos significar tudo o que é essencial ao Seu
Ser como Deus, isto é, substância e atributos.
A) Substância de Deus:
1)
Há duas substâncias: matéria e espírito.
2)
Deus é uma substância simples: A substância de Deus é puro espírito, sem
mistura com a matéria (Jo.4:24).
B)
Atributos de Deus:
Sua
substância é Espírito e Seus atributos são as qualidades ou propriedades dessa
substância. Atributos é a manifestação do Ser de Deus.
III.
CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS:
A)
Naturais e Morais: Também chamados de "intransitivos e transitivos",
"incomunicáveis e comunicáveis", "absolutos e relativos",
"negativos e positivos" ou "imanentes e emanentes".
B)
Atributos Naturais:
1)
Vida: Deus tem vida; Ele ouve, vê, sente e age, portanto é um Ser vivo
(Jo.10:10; Sl.94:9,l0; IICr.16:9; At.14:15; ITs.1:9). Quando a Bíblia fala do
olho, do ouvido, da mão de Deus, etc., fala metaforicamente. A isto se dá o
nome de antropomorfismo. Deus é vida (Jo.5:26; 14:26) e o princípio de vida
(At.17:25,28).
2)
Espiritualidade: Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância
material, sem partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as
limitações temporais (Jo.4:24; Dt.4:15-19,23; Hb.12:9; Is.40:25; Lc.24:39;
Cl.1:15; ITm.1:17; IICo.3:17)
3)
Personalidade: Existência dotada de autoconsciência e autodeterminação
(Ex.3:14; Is.46:11).
a)
Volição ou vontade = querer (Is.46:10; Ap.4:11).
b)
Razão ou intelecto = pensar (Is.14:24; Sl.92:5; Is.55:8).
c)
Emoção ou sensibilidade = sentir (Gn.6:6, IRs.11:9, Dt.6:15; Pv.6:16;
Tg.4:5)
4)
Tri-Unidade:
a)
Unidade de Ser: Há no Ser divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em
sua natureza constitucional. A palavra hebraica que significa um no sentido
absoluto é yacheed (Gn.22:2), isto é, uma unidade numérica simples. Essa
palavra não é empregada para expressar a unidade da divindade. A unidade da
divindade é ensinada nas palavras de Jesus: Eu e o Pai somos um. (Jo.10:30).
Jesus está falando da unidade da essência e não de unidade de propósito.
(Jo.17:11,21-23, IJo.5:7)
b)
Trindade de Personalidade: Há três Pessoas no Ser divino: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. A palavra hebraica que significa um no sentido de único é echad
que se refere a uma unidade composta. Esta palavra é empregada para expressar a
unidade da divindade. Esta palavra é usada em Dt.6:4; Gn.2:24 e Zc.14:9 (Veja
também Dt.4:35;32:39; ICr.29:1; Is.43:10;44:6;45:5; IRs.8:60; Mc.10:9;12:29;
ICo.8:5,6; ITm.2:5; Tg.2:19; Jo.17:3; Gl.3:20; Ef.4:6).
c)
Elohim: Este nome está no plural e não concorda com o verbo no singular quando
designativo de Deus (Gn.1:26;3:22; 11:6,7;20:13;48:15; Is.6:8)
d)
Há distinção de Pessoas na Divindade: Algumas passagens mostram uma das Pessoas
divinas se referindo à outra (Gn.19:24; Os.1:7; Zc.3:1,2; IITm.1:18; Sl.110:1;
Hb.1:9).
5)
Auto-Existência: Jerônimo disse: Deus é a origem de Si mesmo e a causa de Sua
própria substância. Jerônimo estava errado, pois Deus não tem causa de
existência, pois não criou a Si mesmo e não foi causado por outra coisa ou por
Si mesmo; Ele nunca teve início. Ele é o Eterno EU SOU (Ex.3:14), portanto Deus
é absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e
perpetuidade de Seu Ser. Deus é a razão de sua própria existência (Jo.5:26;
At.17:24-28; ITm.6:15,16).
6)
Infinidade ou Perfeição É o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer
limitação em seu Ser e em
seus atributos (Jó.11:7-10; Mt.5:48). A infinidade de Deus se contrasta com o
mundo finito em sua relação tempo-espaço.
a)
Eternidade: A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade.
Deus é Eterno (Sl.90:2; 102:12,24-27; Sl.93:2; Ap.1:8; Dt.33:27; Hb.1:12). A
eternidade de Deus não significa apenas duração prolongada, para frente e para
traz, mas sim que Deus transcende a todas as limitações temporais (IIPe.3:8)
existentes em sucessões de tempo. Deus preenche o tempo. Nossa vida se divide
em passado, presente e futuro. mas não há essa divisão na vida de Deus. Ele é o
Eterno EU SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a
sucessão de momentos, e tem a totalidade de sua existência num único presente
indivisível (Is.57:15).
b)
Imensidão: A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidão ou
imensidade. Deus é imenso (Grande ou Majestoso; Jó.36:5,26; Jó.37:22,23;
Jr.22:18; Sl.145:3). Imensidão é a perfeição de Deus pela qual Ele transcende
(ultrapassa) todas as limitações espaciais e, contudo está presente em todos os
pontos do espaço com todo o seu Ser PESSOAL (não é panteísmo). A imensidão de
Deus é intensiva e não extensiva, isto é, não significa extensão ilimitada no
espaço, como no panteísmo. A imensidão de Deus é transcendente no espaço
(intramundano ou imanente = dentro do mundo - Sl.139:7-12; Jr.23:23,24) e fora
do espaço (supramundano = acima do mundo; extramundano = além do mundo; emanente
= fora do mundo - IRs.8:27; Is.57:15).
c)
Onipresença: É quase sinônimo de imensidão: A imensidade denota a
transcendência no espaço enquanto que a onipresença denota a imanência no
espaço. Deus é imanente em todas as Suas criaturas e em toda a criação. A
imanência não deve ser confundida com o panteísmo (tudo é Deus) ou com o deísmo
que ensina que Deus está presente no mundo apenas com seu poder (per
portentiam) e não com a essência e natureza de ser (per essentiam et naturam) e
que age sobre o mundo à distância. Deus ocupa o espaço repletivamente porque
preenche todo o espaço e não está ausente em nenhuma parte dele, mas tampouco
está mais presente numa parte que noutra (Sl.139:11,12). Deus ocupa o espaço
variavelmente porque Ele não habita na terra do mesmo modo que habita no céu,
nem nos animais como habita nos homens, nem nos ímpios como habita nos
piedosos, nem na igreja como habita em Cristo (Is.66:1; At.17:27,28; Compare
Ef.1:23 com Cl.2:9).
7)
Imutabilidade É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus,
em sua natureza, em seus atributos e em seu conselho.
a)
A "base" para a imutabilidade de Deus: É Sua simplicidade,
eternidade, auto-existência e perfeição. Simplicidade porque sendo Deus uma
substância simples, indivisível, sem mistura, não está sujeito a variação
(Tg.1:17). Eternidade porque Deus não está sujeito às variações e
circunstâncias do tempo, por isso Ele não muda (Sl.102:26,27; Hb.1:12 e 13:8).
Auto-existência porque uma vez que Deus não é causado, mas existe em Si mesmo,
então Ele tem que existir da forma como existe, portanto sempre o mesmo
(Ex.3:14). E perfeição porque toda mudança tem que ser para melhor ou pior e
sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio, mais santo,
mais justo, mais misericordioso, e nem menos. Por isso Deus é imutável como a
rocha (Dt.32:4).
b)
Imutabilidade não significa imobilidade: Nosso Deus é um Deus de ação
(Is.43:13).
c)
Imutabilidade implica em não arrependimento: Alguns versículos falam de Deus
como se Ele se arrependesse (Ex.32:14, IISm.24:16, Jr.18:8; Jl.2:13). Trata-se
de antropomorfismo (Nm.23:19; Rm.11:29; ISm.15:29; Sl.110:4).
d)
Imutabilidade de Deus em Sua natureza: Deus é perfeito em sua natureza por isso
não muda nem para melhor nem para pior (Ml.3:6).
e)
Imutabilidade de Deus em Seus atributos: Deus é imutável em suas promessas
(IRs.8:56; IICo.1:20); em sua misericórdia (Sl.103:17; Is.54:10); em sua
justiça (Ez.8:18); em seu amor (Gn.18:25,26).
f)
Imutabilidade de Deus em Seu conselho: Deus planejou os fatos conforme a sua
vontade e decretou que este plano seja concretizado. Nada poderá se opor à sua
vontade. O próprio Deus jamais mudará de opinião, mas fará conforme seu plano
predeterminado (Is.46:9,10; Sl.33:11; Hb.6:17).
8)
Onisciência Atributo pelo qual Deus, de maneira inteiramente única, conhece-se
a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples.
O conhecimento de Deus tem suas características:
a)
É arquétipo: Deus conhece o universo como ele existe em Sua própria idéia
anterior à sua existência como realidade finita no tempo e no espaço; e este
conhecimento não é obtido de fora, como o nosso (Rm.11:33,34).
b)
É inato e imediato: Não resulta de observação ou de processo de raciocínio
(Jó.37:16)
c)
É simultâneo: Não é sucessivo, pois Deus conhece as coisas de uma vez em sua
totalidade, e não de forma fragmentada uma após outra (Is.40:28).
d)
É completo: Deus não conhece apenas parcialmente, mas plenamente consciente
(Sl.147:5).
e)
Conhecimento necessário: Conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as
coisas possíveis, um conhecimento que repousa na consciência de sua
onipotência. É chamado necessário porque não é determinado por uma ação da
vontade divina. (Por exemplo: O conhecimento do mal é um conhecimento
necessário porque não é da vontade de Deus que o mal lhe seja conhecido
(Hc.1:13) Deus não pode nem quer ver o mal, mas o conhece, não por experiência,
que envolve uma ação de Sua vontade, mas sim por simples inteligência, por ser
ato do intelecto divino (veja IICo.5:21 onde o termo grego ginosko é
usado).
f)
Conhecimento livre: É aquele que Deus tem de todas as coisas reais, isto é, das
coisas que existiram no passado, que existem no presente e existirão no futuro.
É também chamado visionis, isto é, conhecimento de vista.
g)
Presciência: Significa conhecimento prévio; conhecimento de antemão. Como Deus
pode conhecer previamente as ações livres dos homens? Deus decretou todas as
coisas, e as decretou com suas causas e condições na exata ordem em que
ocorrem, portanto sua presciência de coisas contingentes (ISm.23:12;
IIRs.13:19; Jr.38:17-20; Ez.3:6 e Mt.11:21) apoia-se em seu decreto. Deus não
originou o mal mas o conheceu nas ações livres do homem (conhecimento
necessário), o decretou e preconheceu os homens. Portanto a ordem é:
conhecimento necessário, decreto, presciência. A presciência de Deus é muito
mais do que saber o que vai acontecer no futuro, e seu uso no N.T. é empregado
como na LXX que inclui Sua escolha efetiva (Nm.16:5; Jz.9:6; Am.3:2). Veja
Rm.8:29; IPe.1:2; Gl.4:9. Como se processou o conhecimento necessário de Deus
nas livres ações dos homens antes mesmo que Ele as decretasse? A liberdade
humana não é uma coisa inteiramente indeterminada, solta no ar, que pende numa
ou noutra direção, mas é determinada por nossas próprias considerações
intelectuais e caráter (lubentia rationalis = autodeterminação racional).
Liberdade não é arbitrariedade e em toda ação racional há um por que, uma razão
que decide a ação. Portanto o homem verdadeiramente livre não é o homem incerto
e imprevisível, mas o homem seguro. A liberdade tem suas leis - leis
espirituais - e a Mente Onisciente sabe quais são (Jo.2:24,25). Em resumo, a
presciência é um conhecimento livre (scientia libera) e, logicamente procede do
decreto, "...segundo o decreto sua vontade" (Ef.1:11).
h)
Sabedoria: A sabedoria de Deus é a Sua inteligência como manifestada na
adaptação de meios e fins. Deus sempre busca os melhores fins e os melhores
meios possíveis para a consecução dos seus propósitos. H.B. Smith define a
sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz os melhores
resultados possíveis com os melhores meios possíveis. Uma definição ainda
melhor há de incluir a glorificação de Deus: Sabedoria é a perfeição de Deus
pela qual Ele aplica o seu conhecimento à consecução dos seus fins de um modo
que o glorifica o máximo (Rm.ll:33-36; Ef.1:11,12; Cl.1:16). Encontramos a
sabedoria de Deus na criação (Sl.19:1-7; Sl.104), na redenção (ICo.2:7; Ef.3:10)
. A sabedoria é personificada na Pessoa do Senhor Jesus (Pv.8 e ICo.1:30;
Jó.9:4; veja também Jó 12:13,16).
9)
Onipotência É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para
fazer qualquer coisa que Ele queira.
A
onipotência de Deus não significa o exercício para fazer aquilo que é
incoerente com a natureza das coisas, como, por exemplo, fazer que um fato do
passado não tenha acontecido, ou traçar entre dois pontos uma linha mais curta
do que uma reta. Deus possui todo o poder que é coerente com Sua perfeição
infinita, todo o poder para fazer tudo aquilo que é digno dEle. O poder de Deus
é distinguido de duas maneiras:
-
Potentia Dei absoluta = absoluto poder de Deus e potentia Dei ordinata = poder
ordenado de Deus.
-
Hodge e Shedd definem o poder absoluto de Deus como a eficiência divina,
exercida sem a intervenção de causas secundárias, e o poder ordenado como a
eficiência de Deus, exercida pela ordenada operação de causas secundárias.
-
Chanock define o poder absoluto como aquele pelo qual Deus é capaz de fazer o
que Ele não fará, mas que tem possibilidade de ser feito, e o poder ordenado
como o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer, isto é, o que Ele ordenou
ou marcou para ser posto em exercício; os quais não são poderes distintos, mas
um e o mesmo poder. O seu poder ordenado é parte do seu poder absoluto, pois se
Ele não tivesse poder para fazer tudo que pudesse desejar, não teria poder para
fazer tudo o que Ele deseja. Podemos, portanto, definir o poder ordenado de Deus
como a perfeição pela qual Ele, mediante o simples exercício de Sua vontade,
pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. E' óbvio,
porém, que Deus pode realizar coisas que a Sua vontade não desejou realizar
(Gn.18:14; Jr.32:27; Zc.8:6; Mt.3:9; Mt.26:53). Entretanto há muitas coisas que
Deus não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar-se a Si
mesmo (Nm.23:19; ISm.15:29; IITm.2:13; Hb.6:18; Tg.1:13,17; Hb.1:13; Tt.1:3),
isto porque não há poder absoluto em Deus, divorciado de Sua perfeições, e em
virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas contraditórias entre Si
(Jó.11:7). Deus faz somente aquilo que quer fazer (Sl.115:3; Sl.135:6).
a)
El-Shaddai: A onipotência de Deus se expressa no nome hebraico El-Shaddai
traduzido por Todo-Poderoso (Gn.17:1; Ex.6:3; Jó.37:23 etc).
b)
Em todas as coisas: A onipotência de Deus abrange todas as coisas (ICr.29:12),
o domínio sobre a natureza (Sl.107:25-29; Na.1:5,6; Sl.33:6-9; Is.40:26;
Mt.8:27; Jr.32:17; Rm.1:20), o domínio sobre a experiência humana (Sl.91:1;
Dn.4:19-37; Ex.7:1-5; Tg.4:12-15; Pv.21:1; Jó.9:12; Mt.19:26; Lc.1:37), o
domínio sobre as regiões celestiais (Dn.4:35; Hb.1:13,14; Jó.1:12; Jó
2:6).
c)
Na criação, na providência e na redenção: Deus manifestou o seu poder na
criação (Rm.4:17; Is.44:24), nas obras da providência (ICr.29:11,12) e na
redenção (Rm.1:16; ICo.1:24).
10)
Soberania ou Supremacia Atributo pelo qual Deus possui completa autoridade
sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn.14:19;
Ne.9:6; Ex.18:11; Dt.10:14,17; ICr.29:11; IICr.20:6; Jr.27:5; At.17:24-26;
Jd.4; Sl.22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).
a)
Vontade ou Autodeterminação: A perfeição de Deus pela qual Ele, num ato sumamente
simples, dirige-se à Si mesmo como o Sumo Bem (deleita-se em Si mesmo como tal)
e às Suas criaturas por amor do Seu nome (Is.48:9,11,14; Ez.20:9,14,22,44;
Ez.36:21-23).
A
vontade de Deus recebe variadas classificações, pois à ela são aplicadas diferentes
palavras hebraicas (chaphets, tsebhu, ratson) e gregas (boule, thelema).
-
Vontade Preceptiva: Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida
de Suas criaturas racionais. Esta vontade pode ser desobedecida com freqüência
(At.13:22; IJo.2:17; Dt.8:20).
-
Vontade Decretória: Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a
acontecer, quer pretenda realizá-lo causativamente, quer permita que venha a
ocorrer por meio da livre ação de suas criaturas (At.2:23; Is.46:9-11). A
vontade decretória é sempre obedecida. A vontade decretória e a vontade
preceptiva relacionam-se ao propósito em realizar algo.
-
Vontade de Eudokia: Na qual Deus deleita-se com prazer em realizar um fato e
com desejo de ver alguma coisa feita. Esta vontade, embora não se relacione com
o propósito de fazer algo, mas sim com o prazer de fazer algo, contudo
corresponde àquilo que será realizado com certeza, tal como acontece com a
vontade decretória (Sl.115:3; Is.44:28; Is.55:11).
-
Vontade de Eurestia: Na qual Deus deleita-se com prazer ao vê-la cumprida por
Suas criaturas. Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas
façam, mas que pode ser desobedecido, tal como acontece com a vontade
preceptiva (Is.65:12).
-
A vontade de eudokia não se refere somente ao bem, e nela não está sempre
presente o elemento de deleite (Mt.11:26). A vontade de eudokia e a vontade de
eurestia relacionam-se ao prazer em realizar algo.
-
Vontade de Beneplacitum: Também chamada Vontade Secreta. Abrange todo o
conselho secreto e oculto de Deus. Quando esta vontade nos é revelada, ela
torna-se na Vontade do Signum ou Vontade Revelada. A distinção entre a vontade
de beneplacitum e a vontade de signum encontra-se em Deuteronomio.29:29.
-
A vontade secreta é mencionada em Sl.115:3; Dn.4:17,25,32,35; Rm.9:18,19;
Rm.11:33,34; Ef.1:5,9,11, enquanto que a vontade revelada é mencionada em
Mt.7:21; Mt.12:50; Jo.4:34; Jo.7:17; Rm.12:2). Esta vontade está mui perto de
nós (Dt.30:14; Rm.10:8). A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas
que Ele quer efetuar ou permitir, tal como acontece na vontade decretória,
sendo portanto, absolutamente fixa e irrevogável.
b)
Liberdade: A perfeição de Deus no exercício de Sua vontade. Deus age necessária
e livremente. Assim como há conhecimento necessário e conhecimento livre, há
também uma voluntas necessária = vontade necessária e uma voluntas libera =
vontade livre. Na vontade necessária Deus não está sob nenhuma compulsão, mas
age de acordo com a lei do Seu Ser, pois Ele necessariamente quer a Si próprio
e quer a Sua natureza santa. Deus necessariamente se ama a Si próprio e Suas
perfeições. As Suas criaturas são objetos de Sua vontade livre, pois Deus
determina voluntariamente o que e quem Ele criará; e os tempos, lugares e
circunstâncias de suas vidas. Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas,
determina o seu destino e as utiliza para Seus propósitos (Jó.ll:10;
Jó.23:13,14; Jó.33:13. Pv.16:4; Pv.21:1; Is.10:15; Is.29:16; Is.45:9;
Mt.20:15; Ap.4:11;Rm.9:15-22; ICo.12:11).
C) Atributos Morais:
1)
Santidade: É a perfeição de Deus, em virtude da qual Ele eternamente quer
manter e mantém a Sua excelência moral, aborrece o pecado, e exige pureza moral
em suas criaturas. Ser Santo vem do hebraico qadash que significa cortar ou
separar. Neste sentido também o Novo testamento utiliza as palavras gregas
hagiazo e hagios.
A
santidade de Deus possui dois diferentes aspectos, podendo ser positiva ou
negativa (Hb.1:9;Am.5:15; Rm.12:9).
a)
Santidade Positiva: Expressa excelência moral de Deus na qual Ele é
absolutamente perfeito, puro e íntegro em Sua natureza e Seu caráter (IJo.1:5;
Is.57:15; IPe.1:15,16; Hc.1:13). A santidade positiva é amor ao bem.
b)
Santidade Negativa: Significa que Deus é inteiramente separado de tudo quanto é
mal e de tudo quanto o aborrece (Lv.11:43-45; Dt.23:14; Jó.34:10; Pv.15:9,26;
Is.59:1,2; Lc.20:26; Hc. 1:13; Pv.6:16-19; Dt.25:16; Sl.5:4-6). A santidade
negativa é ódio ao mal.
Além
de possuir dois aspectos a santidade de Deus possui também duas maneiras diferentes
de manifestar-se:
c)
Retidão: Também chamada justiça absoluta, é a retidão da natureza divina, em
virtude da qual Ele é infinitamente Reto em Si mesmo (santidade legislativa).
Sl.145:17; Jr.12:1; Jo.17:25; Sl.116:5; Ed.9:15.
d)
Justiça: Também chamada justiça relativa, é a execução da retidão ou a
expressão da justiça absoluta (santidade judicial). Strong a chama de santidade
transitiva. A retidão é a fonte da Santidade de Deus, a justiça é a
demonstração de Sua santidade.
A
justiça de Deus pode ser retributiva e remunerativa. A justiça retributiva se
divide em punitiva e corretiva. A justiça punitiva é aquela pela qual Deus pune
os pecadores pela transgressão de Suas leis. Esta justiça de Deus exige a
execução das penalidades impostas por Suas leis (Sl.3:5;11:4-7 Dt.32:4;
Dn.9:12,14; Ex.9:23-27;34:7). A justiça corretiva é aquela pela qual Deus
"pune" Seus filhos para corrigi-los (Hb.12:6,7). Aqueles que não são
Seus filhos, Deus pune como um Juiz Severo (Rm.11:22; Hb.10:31), mas aos Seus
filhos, Deus "pune" (corrige) como um Pai Amoroso
(Jr.10:24;30:11;46:28; Sl.89:30-33; ICr.21:13) A justiça remunerativa é aquela
pela qual Deus recompensa, com Suas bênçãos, aos homens pela obediência de Suas
leis (Hb.6:10; IITm.4:8; ICo.4:5;3:11-15; Rm.2:6-10; IIJo.8)
e)
Ira: Esta deve ser considerada como um aspecto negativo da santidade de Deus,
pois em Sua ira Deus aborrece o pecado e odeia tudo quanto contraria Sua
santidade (Dt.32:39-41; Rm.11:22; Sl.95:11; Dt.1:34-37; Sl.95:11). Podemos,
então, dizer que a ira é a manifestação da santidade negativa de Deus (Rm.1:18;
IITs.1:5-10; Rm.5:9 etc). A ira é também designada de severidade
(Rm.11:22).
2)
Bondade: É uma concepção genérica incluindo diversas variedades que se
distinguem de acordo com os seus objetos. Bondade é perfeição absoluta e
felicidade perfeita em Si mesmo (Mc.10:18; Lc.18:18,19; Sl.33:5; Sl.119:68;
Sl.107:8; Na.1:7).
A
bondade implica na disposição de transmitir felicidade.
a)
Benevolência: É a bondade de Deus para com Suas criaturas em geral. E' a perfeição de Deus que O leva a tratar benévola e
generosamente todas as Suas criaturas (Sl.145:9,15,16; Sl.36:6;104:21;
Mt.5:45;6:26; Lc.6:35; At.14:17).
Thiessen
define benevolência como a afeição que Deus sente e manifesta para com Suas
criaturas sensíveis e racionais. Ela resulta do fato de que a criatura é obra
Sua; Ele não pode odiar qualquer coisa que tenha feito (Jó.14:15) mas apenas
àquilo que foi acrescentado à Sua obra, que é o pecado (Ec.7:29).
b)
Beneficência: Enquanto que a benevolência é a bondade de Deus considerada em
sua intenção ou disposição, a beneficência é a bondade em ação, quando seus
atributos são conferidos.
c)
Complacência: É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que
aprova todas as Suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com
Ele (Sl.35:27; Sl.51:6; Is.42:1; Mt.3:17; Hb.13:16).
d)
Longanimidade ou Paciência: O hebraico emprega a palavra erek'aph que significa
grande de rosto e daí também lento para a ira. O grego emprega makrothymia que
significa ira longe. Portanto longanimidade é o aspecto da bondade de Deus em
virtude do qual Ele tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada
desobediência. A longanimidade revela-se no adiamento do merecido julgamento
(Ex.34:6; Sl.86:15; Rm.2:4; Rm.9:22; IPe.3:20; IIPe.3:15)
e)
Misericórdia: Também expressa pelos sinônimos compaixão, compassividade,
piedade, benignidade, clemência e generosidade. No hebraico usa-se as palavras
chesed e racham e no grego eleos. É a bondade de Deus demonstrada para com os
que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus méritos
(Dt.5:10; Sl.57:10; Sl.86:5; ICr.16:34; IICr.7:6; Sl.116:5; Sl.136; Ed.3:11;
Sl.145:9; Ez.18:23,32; Ex.33:11; Lc.6:35; Sl.143:12; Jó 6:14).
A
paciência difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto, pois
a misericórdia considera a criatura como infeliz, a paciência considera a
criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua
infelicidade, a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade. A
infelicidade e sofrimento deriva-se de um justo desagrado divino, portanto
exercer misericórdia é o ato divino de livrar o pecador do sofrimento pelo qual
ele justamente e merecidamente deveria passar, como conseqüência do desagrado
divino.
f)
Graça: É a bondade de Deus exercida em prol da pessoa indigna. Portanto graça é
o ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não
merece receber (Ex.33:19).
Na
misericórdia Deus suspende o sofrimento merecido, na graça Deus concede bênçãos
não merecidas. Todo pecador merece ir para o inferno; assim Deus exerce Sua
misericórdia livrando o pecador da condenação. Nenhum pecador merece ir para o
paraíso; assim Deus exerce a Sua graça doando ao pecador o privilégio de ir
gratuitamente para o paraíso.
Essa
diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não
caíram. Deus nunca exerceu misericórdia para com eles, posto que jamais tiveram
necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da
maldição. Todavia eles são objetos da livre e soberana graça de Deus pela qual
foram eleitos (ITm.5:21) e preservados eternamente de pecado e colocados em
posição de honra (Dn.7:10; IPe.3:22).
g)
Amor: A perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a
se comunicar. É, entretanto, não apenas um impulso emocional, mas uma afeição
racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício
da livre escolha. Este amor encontra seus objetos primários nas diversas
Pessoas da Trindade. Assim, o universo e o homem são desnecessários para o
exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição de Deus pela qual Ele
é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele ama a Si mesmo, Suas
virtudes, Sua obra e Seus dons.
3)
Verdade: É a consonância daquilo que é asseverado com o que pensa a Pessoa que
fez a asseveração. Neste sentido a verdade é um atributo exclusivamente divino,
pois com freqüência os homens erram nos testemunhos que prestam, simplesmente
por estarem equivocados a respeito dos fatos, ou então por pura incapacidade
fracassam em promessas que fizeram com honestas intenções. Mas a onisciência de
Deus impede que Ele chegue a cometer qualquer equívoco, e a Sua onipotência e
imutabilidade asseguram o cumprimento de Suas intenções (Dt.32:4; Sl.119:142;
Jo.8:26; Rm.3:4; Tt.1:2; Nm.23:19; Hb.6:18; Ap.3:7; Jo.17:3; IJo.5:20;
Jr.10:10; Jo.3:33; ITs.1:9; Ap.6:10; Sl.31:5; Jr.5:3; Is.25:1). Ao exercê-la
para com a criatura, a verdade de Deus é conhecida como sua veracidade e
fidelidade.
a)
Veracidade: Consiste nas declarações que Deus faz a respeito das coisas,
conforme elas são, e se relaciona com o que Ele revelou sobre Si mesmo. A
veracidade fundamenta-se na onisciência de Deus.
b)
Fidelidade: Consiste no exato cumprimento de Suas promessas ou ameaças. A
fidelidade fundamenta-se na Sua onipotência e imutabilidade (Dt.7:9; Sl.36:5;
ICo.1:9; Hb.10:23; Dt.4:24; IITm.2:13; Sl.89:8; Lm.3:23; Sl.119:138; Sl.119:75;
Sl.89:32,33; ITs.5:24; IPe.4:19; Hb.10:23).
MATÉRIA 03 - CRISTOLOGIA: DOUTRINA DE
CRISTO
Lemos em Jo.1:14 que o Verbo se fez carne. Não
devemos entender com isso que o Verbo foi transformado em carne ou misturado
com carne, e sim que escolheu para Si mesmo um templo formado pelo ventre de
uma virgem, no qual habitar; e que Aquele que era o Filho de Deus ficou sendo o
Filho do Homem, não pela confusão da substância mas sim pela unidade de pessoa.
A
NATUREZA HUMANA DE CRISTO
A) NATUREZA HUMANA
1)
Feito de Mulher (Gl.4:4; Mt.1:8).
2)
Feito da Semente (esperma) de Davi:
a)
Sem (Gn.9:27).
b)
Abraão (Gn.12:1-3).
c)
Isaque (Gn.26:2-5).
d)
Jacó (Gn.28:13-15).
e)
Judá (Gn.49:10).
f)
Davi (IISm.7:12-16).
B)
Crescimento e Desenvolvimento Naturais:
1)
Vigor Físico (Lc.2:52).
2)
Faculdades Mentais (Lc.2:40).
C)
Aparência Pessoal (Jo.4:9).
D)
Natureza Humana Completa:
1)
Corpo (Mt.26:12).
2)
Alma (Mt.26:38).
3)
Espirito (Lc.23:46).
E)
Limitações Humanas:
1)
Limitações Físicas:
a)
Fadiga (Jo.4:6; Is.40:28).
b)
Sono (Mt.8:24; Sl.121:4,5).
c)
Fome (Mt.21:18).
d)
Sede (Jo.19:28).
e)
Sofrimento e Dor (Lc.22:44).
f)
Sujeição à Morte (ICo.15:3).
2)
Limitações Intelectuais:
a)
Precisava Crescer em Conhecimento (Lc.2:52).
b)
Precisava Adquirir Conhecimento pela Observação (Mc.11:13).
c)
Possuía Conhecimento Limitado (Mc.13:32).
3)
Limitações Morais (Hb.2:18;4:15).
4)
Limitações Espirituais:
a)
Dependia das Oraçes (Mc.1:35).
b)
Dependia do Espirito Santo (At.10:38; Mt.12:28).
F)
Nomes Humanos:
1)
Jesus (Mt.1:21).
2)
Filho do Homem (Lc.19:10).
3)
O Nazareno (At.2:22).
4)
O Profeta (Mt.21:11).
5)
O Carpinteiro (Mc.6:3).
6)
O Homem (Jo.19:5; ITm.2:5).
G)
Relação Humana com Deus:
1)
Como Mediador e Sacerdote; Como representante da humanidade Jesus falava com
Deus (Mc.15:34).
2)
Kenosis: Auto esvaziamento de Jesus Cristo, uma auto renúncia dos atributos
divinos. Jesus pôs de lado a forma de Deus, mas ao fazê-lo não se despiu de Sua
natureza divina; não houve auto extinção. Também o Ser divino não se tornou
humano; Sua personalidade continuou a mesma, e reteve a consciência de ser Deus
(Jo.3:13). O propósito da kenosis foi a redenção. Na kenosis Jesus deixou o uso
independente do Seu poder para depender do Espirito Santo.
A
NATUREZA DIVINA DE CRISTO
A)
Nomes Divinos:
1)
Deus (Jo.1:1; Jo.1:18(ARA); Jo.20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8).
2)
Filho de Deus (Mt.8:29;16:16;27:40; Mc.14:61,62; Jo.5:25;10:36;
3)
Alfa e Ômega (Ap.1:8,17;22:13; Is.44:6).
4)
O Santo (At.3:14; Is.41:14; Os.11:9).
5)
Pai da Eternidade e Maravilhoso (Is.9:6; Jz.13:18).
6)
Deus Forte (Is.9:6; Is.10:21).
7)
Senhor da Glória (ICo.2:8; Tg.1:21; Sl.24:8-10).
8) Senhor (At.9:17;16:31;
Lc.2:11; Rm.10:9; Fp.2:11). O termo
"Senhor" em grego é Kúrios, e significa Chefe superior, Mestre, e
como tal era empregado à pessoas humanas, aos imperadores de Roma. Entretanto
eles eram considerados deuses, e somente à eles era permitido aplicar este
título, no sentido de divindade (At.2:36; IICo.4:5; Ef.4:5; IIPe.2:1;
Ap.19:16).
B)
Pelo culto divino que Lhe é atribuído:
1)
Somente Deus pode ser adorado (Mt.4:10).
2)
Jesus aceitou e não impediu Sua adoração (Mt.14:33; Lc.5:8;24:52).
3)
O Pai deseja que o Filho seja adorado (Hb.1:6; Jo.5:22,23; compare Is.45:21-23
com Fp.2:10,11).
4)
A Igreja primitiva o adorou e orava Ele (At.7:59,60; IICo.12:8-10).
C)
Pelos ofícios divinos que Lhe foram atribuídos:
1)
Criador (Jo.1:3; Hb.1:8-10; Cl.1:16).
2)
Preservador (Cl.1:17).
3)
Perdoador de pecados (Mc.2:5,7,11; Lc.7:49).
4)
Jesus é Jeová Encarnado (Compare Is.40:3,4 com Jo.1:23; Is.8:13,14 com
IPe.2:7,8 e At.4:11; IPe.2:6 com Is.28:16 e Sl.118:22; Nm.21:6,7 com
ICo.10:9(ARA = Senhor; ARC = Cristo; no grego = Criston); Sl.102:22-27 com
Hb.1:10-12; Is.60:19 com Lc.2:32; Zc.3:1,2).
D)
Pela associação de Jesus, o Filho, com o nome de Deus Pai (IICo.13:14;
ICo.12:4-6; ITs.3:11; Rm.1:7; Tg.1:1; IIPe.1:1; Ap.7:10; Cl.2:2; Jo.17:3;
Mt.28:19).
E)
Atributos divinos Lhe são atribuídos:
1)
Atributos Naturais:
a)
Onisciência (Jo.1:47-51;4:16-19,29;6:64;16:30;8:55; Jo.10:15;21:6,17;
Mt.11:27;12:25;17:27; Cl.2:3).
b)
Onipresença (Jo.3:13;14:23 Mt.18:20;28:20; Ef.1:23).
c)
Onipotência (Mt.8:26,27;28:28; Hb.1:3; Ap.1:8).
d)
Eternidade (Jo.8:58;17:5,24; Cl.1:17; Hb.1:8;13:8; Ap.1:8; Is.9:6;
Mq.5:2).
e)
Vida (Jo.10:17,18;11:25;14:6).
f)
Imutabilidade (Hb.1:11;13:8; Sl.102:26,27).
g)
Auto-Existência (Jo.1:1,2).
h)
Espiritualidade (IICo.3:17,18).
2)
Atributos Morais:
a)
Santidade (At.3:14;4:27Jo.8:12; Lc.1:35; Hb.7:26; IJo.1:5; Ap.3:7;15:4;
Dn.9:24).
b)
Bondade (Jo.10:11,14; IPe.2:3; IICo.10:1).
c)
Verdade (Mt.22:16; Jo.1:14;14:6; Ap.19:11;3:7; IJo.5:20).
F)
Títulos dados igualmente a Deus Pai e a Jesus Cristo:
1)
Deus: Deus Pai (Dt.4:39; IISm.7:22; IRs.8:60; IIRs.19:15; ICr.17:20; Sl.86:10;
Is.45:6;46:9; Mc.12:32), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Jo.1:23 e 3:28;
Sl.45:6,7 com Hb.1:8,9; Jo.1:1; Rm.9:5; Tt.2:13; IJo.5:20).
2)
Único Deus Verdadeiro: Deus Pai (Jo.17:3), Jesus Cristo (IJo.5:20).
3)
Deus Forte: Deus Pai (Ne.9:32), Jesus Cristo (Is.9:6).
4)
Deus Salvador: Deus Pai (Is.45:15,21; Lc.1:47: Tt.3:4), Jesus Cristo (IIPe.1:1;
Tt.2:13; Jd.25).
5)
Jeová: Deus Pai (Ex.3:15), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Mt.3:3 e
Jo.1:23).
6)
Jeová dos Exércitos: (ICr.17:24; Sl.84:3; Is.51:15; Jr.32:18;46:18), Jesus
Cristo (Compare Sl.24:10 e Is.6:1-5 com Jo.12:41; Is.54:5).
7)
Senhor: Deus Pai (Mt.11:25;21:9;22:37; Mc.11:9;12:29; Rm.10:12; Ap.11:15),
Jesus Cristo (Lc.2:11; Jo.20:28; At.10:36; ICo.2:8;8:6;12:3,5; Fp.2:11;
Ef.4:5).
8)
Único Senhor: Deus Pai (Mc.12:29; Dt.6:4), Jesus Cristo (ICo.8:6; Ef.4:5).
9)
Jeová e Salvador, Senhor e Salvador: Deus Pai (Is.43:11;60:16; Os.13:4), Jesus
Cristo (IIPe.1:11;2:20;3:18).
10)
Salvador: Deus Pai (Is.43:3,11;60:16; ITm.1:1;2:3; Tt.1:3;2:10;3:4; Jd.25),
Jesus Cristo (Lc.1:69;2:11; At.5:31; Ef.5:23; Fp.3:20; IITm.1:10;
Tt.1:4;3:6).
11)
Único Salvador: Deus Pai (Is.43:11; Os.13:4), Jesus Cristo (At.4:12;
ITm.2:5,6).
12)
Salvador de todos os homens e do mundo: Deus Pai (ITm.4:10), Jesus Cristo
(IJo.4:14).
13)
O Santo de Israel: Deus Pai (Sl.71:22;89:18; Is.1:4; Is.45:11), Jesus Cristo
(Is.41:14;43:3;47:4;54:5).
14)
Rei dos reis, Senhor dos senhores: Deus Pai (Dt.10:17; ITm.6:15,16), Jesus Cristo
(Ap.17:14;19:16).
15)
Eu Sou: Deus Pai (Ex.3:14), Jesus Cristo (Jo.8:58).
16)
O Primeiro e O Último: Deus Pai (Is.41:4;44:6;48:12) Jesus Cristo
(Ap.1:11,17;2:8;22:13).
17)
O Esposo de Israel e da Igreja: Deus Pai (Is.54:5;62:5; Jr.3:14; Os.2:16),
Jesus Cristo (Jo.3:9; IICo.11:2;; Ap.19:7;21:9).
18)
O Pastor: Deus Pai (Sl.23:1), Jesus Cristo (Jo.10:11,14; Hb.13:20).
G)
Obras atribuídas igualmente a Deus e a Jesus Cristo:
1)
Criou o mundo e todas as coisas: Deus Pai (Ne.9:6; Sl.146:6; Is.44:24; Jr.27:5;
At.14:15;17:24), Jesus Cristo (Sl.33:6; Jo.1:3,10; ICo.8:6; Ef.3:9; Cl.1:16;
Hb.1:2,10).
2)
Sustenta e preserva todas as coisas: Deus Pai (Sl.104:5-9; Jr.5:22;31:35),
Jesus Cristo (Cl.1:17; Hb.1:3; Jd.1)
3)
Ressuscitou Cristo: Deus Pai (At.2:24; Ef.1:20), Jesus Cristo
(Jo.2:19;10:18).
4)
Ressuscitou mortos: Deus Pai (Rm.4:17; ICo.6:14; IICo.1:9;4:14), Jesus Cristo
(Jo.5:21,28,29;6:39,40,44,54;11:25; Fp.3:20,21).
5)
É o Autor da regeneração: Deus Pai (IJo.5:18), Jesus Cristo (IJo.2:29).
A
UNIPERSONALIDADE DE JESUS CRISTO
Ficou
provado que Jesus Cristo possui duas naturezas, a divina e a humana. No
entanto, embora tenha duas naturezas, Ele não possui duas personalidades ou
Pessoas, sendo uma Pessoa divina e outra humana, mas uma só e apenas uma. Jesus
Cristo é uma só Pessoa em duas naturezas distintas, porém unidas.
MATÉRIA 04 - PARACLETOLOGIA: DOUTRINA DO ESPÍRITO
SANTO
1. DEFINIÇÃO DE PARACLETOLOGIA
Paracletologia é uma palavra formada por duas
palavras gregas: paracletos (que significa. Ajudador, Consolador, advogado) e
Logia (que significa estudo, doutrina). A Paracletologia estuda de uma forma
sistemática tudo o que se refere ao Espírito Santo (chamado por Jesus de
Consolador). A Paracletologia também é conhecida como Pnematologia.
A Paracletologia divide-se, na Bíblia em dois
períodos: o do Antigo e do Novo Testamento. No AT, as atividades e as
manifestações do Espírito Santo eram esporádicas, específicas e em tempos
distintos. No N.T., começa no dia de Pentecostes, quando suas atividades se
concretizam de maneira direta e contínua através da Igreja. No AT, Ele se
manifestava em circunstâncias especiais. No N.T., veio para morar nos corações
dos crentes e enche-los do seu poder.
2. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO
2.1 O ESPÍRITO SANTO É DEUS:
Esta declaração é comprovada na Bíblia e na
experiência humana. Ele não é um deus entre os outros. As escrituras relatam um
episódio nos primeiros dias da igreja, em Jerusalém, quando Ananias e Safira
tentaram enganá-lo. Ele revelou ao apóstolo Pedro que o casal mentia, conforme
registra Atos 5.3: "Por que encheu Satanás o teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo? Não mentistes aos homens, mas a Deus".
A deidade do Espírito Santo está implícita na do Pai
e do Filho. Ela é a mesma nas três pessoas. Não se separa, mas pertence a mesma
essência divina do único Deus.
2.2 ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO
Há três atributos pertencentes a deidade de cada uma
das pessoas da Trindade que são: Onipotência, Onisciência e Onipresença. Estes
atributos não foram conferidos a anjos nem aos homens.
a) Onipotência
Por onipotência se entende que todo o poder que há
no Universo físico ou espiritual, tem sua origem em Deus.
O poder do Pai é o mesmo existente no Filho e no
Espírito Santo. Então em sua onipotência, o Espírito Santo faz o que lhe apraz,
realizando milagres e prodígios (Rm 15.19 por força de sinais e prodígios, pelo
poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças
até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo),
b) Onisciência
Onisciência vem de duas palavras latinas:
"OMINES" que significa TUDO e "SCIENTIA" que quer dizer
CIÊNCIA. O Espírito Santo, do mesmo modo que o Pai e o Filho, tem total
conhecimento de todas as coisas. Sua sabedoria é infinita, singular e
indescritível. Ele sabe tudo acerca de si mesmo e do que criou Sl 139.2,11, 13
(SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me
levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o
meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à
língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda). Conhece os homens profundamente 1 Rs
8.39 (ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um
segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque tu, só
tu, és conhecedor do coração de todos os filhos dos homens;). Ninguém pode
esconder dele coisa alguma. Nem um só pensamento nosso passa despercebido do
Espírito Santo Jr 16.17 (Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos;
ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniqüidade aos meus
olhos).
c) Onipresença
O Espírito Santo penetra em todas as coisas e
perscruta o nosso entendimento, pois ele está presente em toda a parte. Ele não
se divide em várias manifestações, porque sua presença é total em cada lugar
onde estiver:
Sl 139.7-10 ( Para onde me ausentarei do teu
Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a
minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da
alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua
mão, e a tua destra me susterá.
3. ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA
3.1
A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
Um dos atributos da deidade é a personalidade que
cada uma das três pessoas divinas possui. Às vezes atribuímos à personalidade
uma forma corpórea. Entretanto, Deus é Espírito, sem necessidade de corpo
material. Identifica-se como pessoa alguém que manifeste qualidades, como o
falar, o sentir e o fazer alguma coisa racional.
3.2 PRONOMES CONFERIDOS AO ESPÍRITO SANTO
Em João 16.8,13, 14 encontramos algumas vezes o
pronome ele, aquele (no grego ekeinos) que indicam a pessoa do Espírito Santo.
Em João 14.16, encontra-se a expressão "outro Consolador". Ela, mais
uma vez, identifica a personalidade do Espírito Santo. A palavra
"outro", usada por Jesus, no grego "ALLOS", significa
"outro do mesmo tipo". O Filho de Deus revelou-se como pessoa, mas
falou de outra que Ele enviaria após sua subida para o céu.
Consolador no grego é "Paracleto" que
significa:
1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, .
convocado a ajudar alguém
1a) alguém que pleiteia a causa de outro diante de
um juiz, intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado
1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém,
intercessor
1b1) Cristo em sua exaltação \a mão direita de Deus,
súplica a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados
1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador,
assistente, alguém que presta socorro
1c1) É Nome dado Santo Espírito, destinado a tomar o
lugar de Cristo com os apóstolos (depois de sua ascensão ao Pai), a conduzi-los
a um conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar-lhes a força
divina necessária para capacitá-los a sofrer tentações e perseguições como
representantes do reino divino
3.3 ATRIBUTOS PESSOAIS DO ESPÍRITO SANTO
Através da Bíblia, o Espírito Santo é revelado como
Pessoa, com sua própria individualidade. Ele é uma Pessoa divina como o Pai e o
Filho. O Espírito Santo não é mera influência ou poder. Ele tem atributos
pessoais, a saber:
a) O Espírito Santo Pensa (Rm 8.27) E aquele que
examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo
Deus intercede pelos santos.
b) O Espírito Santo tem Vontade Própria (1Co 12.11)
Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como
lhe apraz, a cada um, individualmente.
c) O Espírito Santo Sente Tristeza (Ef 4.30) E não
entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.
d) O Espírito Santo Intercede (Rm 8.23) Também o
Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos
orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com
gemidos inexprimíveis.
e) O Espírito Santo Ensina (Jo 14.26), mas o
Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos
ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.
f) Espírito Santo Fala (Ap 2.7) Quem tem ouvidos,
ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente
da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
g) Espírito Santo Comanda (At 16.6,7) E, percorrendo
a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a
palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de
Jesus não o permitiu.
Espirito Santo é suscetível de trato pessoal:
a) Alguém pode mentir para o Espírito Santo (At 5.3)
Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?
b) Pode-se Blasfemar contra o Espírito Santo (Mt
12.31) Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos
homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
4. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO
Os nomes do Espírito Santo nos revelam muita coisa a
respeito de quem ele é. Embora o nome Espírito Santo não ocorra no Antigo
Testamento, vários títulos equivalentes são usados. Os principais nomes do
Espírito Santo são:
a) Espírito de Deus de Yahweh (hb. Ruach YHWH), ou,
conforme consta nas Bíblias em português, "o Espírito do Senhor".
Yahweh significa aquele que faz existir. O título Senhor dos Exércitos é melhor
traduzido como "aquele que cria as hostes", tanto as hostes
celestiais (as estrelas, os anjos) quanto as hostes do povo de Deus. O Espírito
de Yahweh estava ativo na criação, conforme revela Gênesis 1.2, com referência
ao "Espírito de Deus" (hb. ruach 'elohîm).
b) O Espírito de Cristo. Com esse título é acentuada
a união do Espírito Santo com Cristo. Como tal ele é a vida Rm 8.9 (Vós, porém,
não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em
vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele), traz
frutos de Cristo (Fl. 1.11). Revela os mistérios de Cristo (Jo 14.16) e toma o
lugar dos arrebatados na terra (Jo 14.16-18). Toda e qualquer operação do
Espírito Santo enfim, é para glorificação de Jesus Cristo.
c) Espírito da Vida. O Espírito da vida Deus dá a
cada crente ao nascer de novo, vida nova e eterna. Ele substitui a lei reinante
do pecado e da morte com a lei da vida (Rm 8.2 ( Porque a lei do Espírito da
vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do
pecado e da morte). O que estava morto em ofensas e pecados (Ef 2.1; 2 Co
5.17), Ele vivifica no novo nascimento.
d) Espírito da Adoção de Filhos Rm 8.15 (Porque não
recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados,
mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.). O
conceito bíblico de filiação perdeu-se totalmente nos nossos dias, por causa da
idéia de "adoção". Isto não quer dizer que um estranho será acolhido
como criança numa família e usa a seguir o nome da família. É antes uma
transferência legal de uma criança na condição de um filho adulto ou uma filha
que alcançou a maioridade. O termo melhor hoje seria a parceria. Nós fomos
acolhidos na família divina, enchidos pelo Seu Espírito e dotados com nova e
eterna vida.
e) Espírito da Graça. Hb 10.29 (De quanto maior
castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e
tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer
agravo ao Espírito da graça?). A Bíblia qualifica como pecadores obstinados
estes, que pisam com os pés o Espírito da Graça. Pelo Espírito da graça é oferecida
livremente a todos os homens a dádiva da graça divina. Por isso qualquer
acréscimo humano, justiça por obras e melhoramentos adâmicos são abominação
para o Espírito Santo.
f) Espírito da Glória 1 Pe 4.14 (14 Se, pelo nome de
Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o
Espírito da glória e de Deus.). Glória nesse caso tem a ver com adoração,
honra, estima, elogio e dedicação que são despertados no crente pelo Espírito
Santo. Somente podemos adorar e chegar a glória de Deus, conforme o Espírito
Santo nos capacita para isto. Os demais é adoração imitada, não é revelação do
Espírito da Glória. Quando Ele se manifesta numa reunião, percebe-se sem
chamara a atenção.
5. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
Os símbolos oferecem quadros concretos de coisas
abstratas. Os símbolos do Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura
arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias épocas e culturas.
Em todos os lugares, o vento representa forças poderosas, porém invisíveis; a
água límpida que flui representa o poder e o refrigério sustentador da vida a
todos que têm sede, física e espiritual; o fogo representa uma força
purificadora (como a purificação de minérios) ou destruidora (freqüentemente
citada no juízo. Tais símbolos representam qualidades intangíveis porém
genuínas.
a) Vento. A palavra hebraica ruach pode significar
"sopro", "espírito" "ou vento". É empregada
paralela com nephesh. O significado básico de nephesh é "ser
vivente", ou seja, tudo que têm fôlego. A partir daí seu alcance semântico
desenvolveu-se a tal ponto de referir-se a quase todos os aspectos emocionais e
espirituais do ser humano vivente. A palavra grega pneuma tem um alcance
semântico quase idêntico ao de ruach. O vento, como símbolo, fala da natureza
invisível do Espírito Santo, conforme revela João 3.8 (O vento sopra onde quer,
ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que
é nascido do Espírito). Podemos ver e sentir os efeitos do vento, mas ele
próprio não é visto.
b) Água. A água, assim como o fôlego, é necessária
ao sustento da vida. O fôlego e a água, tão vitais nas necessidades físicas
humanas, são igualmente vitais no âmbito do espírito. Sem o fôlego vivificante
e as águas vivas do Espírito Santo, nossa vida espiritual não demoraria murchar
e ficar sufocada. O Espírito Santo flui da palavra como águas vivas Jo 7.38, 39
(Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água
viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele
cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não
havia sido ainda glorificado) que sustentam e refrigeram o crente.
c) Fogo. O aspecto purificador do fogo é refletido
claramente em Atos 2. No dia de Pentecostes são "línguas de fogo" que
marcam a vinda do Espírito (At 2.3). Esse símbolo é empregado uma só vez para
retratar o batismo no Espírito Santo. O aspecto mais amplo do fogo como
elemento purificador encontra-se no pronunciamento de João Batista: "Ele vos
batizará com o Espírito Santo e com fogo..." (Mt 3.11,12; Lc 3.16,17). As
palavras de João Batista referiam-se mais diretamente a separação entre o povo
de Deus e os que têm rejeitado o Messias. Por outro lado, o fogo ardente e
purificador do Espírito da Santidade também operam no crente (1 Ts 5.19).
d) Óleo. Zc 4.2-6 (e me perguntou: Que vês?
Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima
com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão
em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de
azeite, e a outra à sua esquerda. Então, perguntei ao anjo que falava comigo:
meu senhor, que é isto? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Não sabes tu que
é isto? Respondi: não, meu senhor. Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra
do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz
o SENHOR dos Exércitos.). Desde os primórdios o azeite é usado primeiramente
para ungir os sacerdotes de Yahweh, e depois, os reis e os profetas. O azeite é
o símbolo da consagração divina do crente para o serviço no Reino de Deus.
e) Pomba. Mt 3.16,17 (Batizado Jesus, saiu logo da
água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como
pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo). O Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de
uma pomba. A pomba é o arquétipo de mansidão e de paz. Ele é manso nas
tempestades da nossa vida produzindo paz.
f) Selo. Ef 1.13 (em quem também vós, depois que
ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também
crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa) Nos dias bíblicos
usava-se um selo de cera como sinal de promessa e acordo. Atualmente a nossa
assinatura na compra e venda pode ser comparada a isto. Na ocasião do novo
nascimento o Espírito Santo põe sobre nós o seu selo de direito de propriedade.
Isto é, ao mesmo tempo, uma promessa, que o selado tem parte na consumada obra
da salvação. O Espírito Santo garante assim a partir desse momento, o seu apoio
e ajuda.
6. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO.
a) O Espírito Santo é o agente da salvação.
Nisto Ele convence-nos do pecado (Jo 16.7,8 Mas eu
vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador
não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele
vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo) revela-nos a verdade
a respeito de Jesus (Jo 14.26 ), realiza o novo nascimento (Jo 3.3-6), e faz-nos
membros do corpo de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo,
recebemos o Espírito Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co-participantes da
natureza divina (2Pe 1.4);
b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação
Na conversão, o Espírito passa a habitar no crente,
que começa a viver sob sua influência santificadora (Rm 8.9; 1Co 6.19). Note
algumas das coisas que o Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica, i.e., purifica, dirige e leva-nos a
uma vida santa, libertando-nos da escravidão ao pecado. Ele testifica que somos
filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda-nos na adoração a Deus e na nossa vida de
oração, e intercede por nós quando clamamos a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em
nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23).
c) O Espírito Santo é o agente divino para o serviço
do Senhor,
Revestindo os crentes de poder para realizar a obra
do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo relaciona-se com o
batismo ou com a plenitude do Espírito. Quando somos batizados no Espírito,
recebemos poder para testemunhar de Cristo e trabalhar de modo eficaz na igreja
e diante do mundo (At 1.8). Recebemos a mesma unção divina que desceu sobre
Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (At 2.4), e que nos capacita a
proclamar a Palavra de Deus (At 1.8; 4.31) e a operar milagres (At 2.43; 3.2-8;
5.15; 6.8; 10.38). Para realizar o trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga
dons espirituais aos fiéis da igreja para edificação e fortalecimento do corpo
de Cristo (1Co 12—14). Estes dons são uma manifestação do Espírito através dos
santos, visando ao bem de todos (1Co 12.7-11).
7. O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
a) Ser Cheio do Espírito
Todo o cristão recebe o Espírito Santo no momento da
conversão e pode ser cheio dele sem ser batizado no Espírito Santo
O Espírito Santo nos convence do Pecado Jo 16.8 (E,
quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo).
O Espírito Santo habita em nós 1 Co 6.19 (Ou não
sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?)
Nós fomos selados com o Espírito Santo Ef 1.13,14
(em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da
vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da
promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em
louvor da sua glória); 2 Co 1.21,22 (Mas aquele que nos confirma convosco em
Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito
em nosso coração); Ef 4.30 (E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual
fostes selados para o dia da redenção)
Devemos buscar ser cheios Ef 5.18 (E não vos
embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito)
Exemplo de pessoas que foram cheias do Espírito
Santo e não eram batizadas:
Isabel Lc 1.41 (E aconteceu que, ao ouvir Isabel a
saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do
Espírito Santo)
Zacarias Lc 1.67 (E Zacarias, seu pai, foi cheio do
Espírito Santo e profetizou, dizendo:)
Simeão Lc 2.25 (Havia em Jerusalém um homem chamado
Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o
Espírito Santo estava sobre ele.)
João Batista Lc 1.15 (porque será grande diante do
Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo,
já desde o ventre de sua mãe.)
b) Ser batizado no Espírito Santo
At 1.5 "Porque, na verdade, João batizou com
água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes
dias."
A respeito do batismo no Espírito Santo, a Palavra
de Deus ensina o seguinte:
Jesus ordenou aos discípulos que não começarem a
testemunhar até que fossem batizados no Espírito Santo e revestidos do poder do
alto Lc 24.49 (E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém,
na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.) At 1.4,5,8
(E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas
que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na
verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo,
não muito depois destes dias. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que
há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
O batismo no Espírito Santo é uma obra distinta e à
parte da regeneração, também por Ele efetuada. No mesmo dia em que Jesus ressuscitou, Ele assoprou sobre seus discípulos e
disse: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.22), indicando que a
regeneração e a nova vida estavam-lhes sendo concedidas. Depois, Ele lhes disse
que também deviam ser "revestidos de poder" pelo Espírito Santo (Lc
24.49; cf. At 1.5,8).
O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente
ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e
ter eficácia no seu testemunho e pregação At 1.8 (Mas recebereis a virtude do
Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. At 4.31;
33 (Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram
cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. Com
grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e
em todos eles havia abundante graça).
O livro de Atos descreve o falar noutras línguas
como o sinal inicial do batismo no Espírito Santo. No dia de Pentecostes At 2.4
(Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas,
segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Na casa de Cornélio At 10.44-46
(E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os
que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham
vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse
também sobre os gentios. Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus.
Os cristãos de Éfeso At 19.6 (E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o
Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam).
Esse poder não se trata de uma força impessoal, mas
de uma manifestação do Espírito Santo, na qual a presença, a glória e a
operação de Jesus estão presentes com seu povo (Jo 14.16-18; 16.14; 1Co 12.7).
8. OS DONS ESPIRITUAIS
Uma das maneiras do Espírito Santo manifestar-se é
através de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes (12.7-11).
Essas manifestações do Espírito visam à edificação e à santificação da igreja
(12.7; ver 14.26 nota). Esses dons e ministérios não são os mesmos de Rm 12.6-8
e Ef 4.11, mediante os quais o crente recebe poder e capacidade para servir na
igreja de modo mais permanente. A lista em 12.8-10 não é completa. Os dons aí
tratados podem operar em conjunto, de diferentes maneiras.
As manifestações do Espírito dão-se de acordo com a
vontade do Espírito (12.11), ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo
do crente na busca dos dons (12.31; 14.1)
Certos dons podem operar num crente de modo regular,
e um crente pode receber mais de um dom para atendimento de necessidades
específicas. O crente deve desejar "dons", e não apenas um dom
(12.31; 14.1).
É antibíblico e insensato se pensar que quem tem um
dom de operação exteriorizada (mais visível) é mais espiritual do que quem tem
dons de operação mais interiorizada, i.e., menos visível. Também, quando uma
pessoa possui um dom espiritual, isso não significa que Deus aprova tudo quanto
ela faz ou ensina. Não se deve confundir dons do Espírito, com o fruto do
Espírito, o qual se relaciona mais diretamente com o caráter e a santificação
do crente (Gl 5.22,23).
Satanás pode imitar a manifestação dos dons do
Espírito, ou falsos crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o
mesmo (Mt 7.21-23; 24.11, 24; 2Co 11.13-15; 2Ts 2.8-10). O crente não deve dar
crédito a qualquer manifestação espiritual, mas deve "provar se os
espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no
mundo" (1Jo 4.1; cf. 1Ts 5.20,21; ver o estudo
8.1 RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS
Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da
sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro,
pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e
a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de
discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a
interpretação das línguas.
Em 1Co 12.8-10, o apóstolo Paulo apresenta uma
diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes. Nesta passagem,
ele não descreve as características desses dons, mas noutros trechos das
Escrituras temos ensino sobre os mesmos.
8.1.1 DONS DE REVELAÇÃO
a) Dom da Palavra da Sabedoria (12.8)
Trata-se de uma mensagem vocal sábia, enunciada
mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a
revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou
problema específico
Ex.: At 6.10 Não podiam resistir a sabedoria com que
Estevão falava;
Não se trata aqui da sabedoria comum de Deus, para o
viver diário, que se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus
e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6).
b) Dom da Palavra do Conhecimento (12.8)
Trata-se de uma mensagem vocal, inspirada pelo
Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de
circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Freqüentemente, este dom tem estreito
relacionamento com o de profecia.
Ex.: (At 5.1-10) Pedro obteve o conhecimento do que
Ananias e Safira haviam feito
c) Dom de Discernimento de Espíritos (12.10)
Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito,
para o portador do dom discernir e julgar corretamente as profecias e
distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não (1Jo 4.1 Amados, não
deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.).
8.1.2 DONS DE PODER
a) Dom da Fé (12.9)
Não se trata da fé para salvação, mas de uma fé
sobrenatural especial, comunicada pelo Espírito Santo, capacitando o crente a
crer em Deus para a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé
que remove montanhas (Mc 11.22-24) e que freqüentemente opera em conjunto com
outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres.
b) Dons de Curas (12.9)
Esses dons são concedidos à igreja para a
restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais.
Ex.: At 3.6-8 A cura de um coxo na porta
do templo.
O plural ("dons") indica curas de
diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de
Deus. Os dons de curas não são concedidos a todos os membros do corpo de Cristo
(cf. 12.11,30 "11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas,
repartindo particularmente a cada um como quer"; 30"Têm todos o dom
de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?"), todavia,
todos eles podem orar pelos enfermos. Havendo fé, os enfermos serão curados.
Pode também haver cura em obediência ao ensino
bíblico de Tg 5.14-16 (ver Tg 5.15 notas).
c) Dom de Operação de Milagres (12.10)
Trata-se de atos sobrenaturais de poder, que
intervêm nas leis da natureza. Incluem atos divinos em que se manifesta o reino
de Deus contra Satanás e os espíritos malignos
Ex.: Mt 8.26,27 E ele disse-lhes: Por que temeis,
homens de pequena fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e
seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que
homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
8.1.3 DONS DE INSPIRAÇÃO
a) Dom de Profecia (12.10)
É preciso distinguir a profecia aqui mencionada,
como manifestação momentânea do Espírito da profecia como dom ministerial na
igreja, mencionado em Ef 4.11. Como dom de ministério, a profecia é concedida a
apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como
manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo
cristão cheio dEle (At 2.16-18). Quanto à profecia, como manifestação do
Espírito, observe o seguinte:
Trata-se de um dom que capacita o crente a
transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do
Espírito Santo (14.24,25, 29-31)
Tanto no AT, como no N.T., profetizar não é
primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e
levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência. A mensagem profética
pode desmascarar a condição do coração de uma pessoa (1 Co 14.25 tornam-se-lhe
manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra,
adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós), ou
prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1 Co 14.3 Mas
o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando
A igreja não deve ter como infalível toda profecia
deste tipo, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1Jo 4.1). Daí,
toda profecia deve ser julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1Ts
5.20,21 Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é
bom). Ela deverá enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), contribuir para a
santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por alguém que de fato vive
submisso e obediente a Cristo (12.3).
O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de
Deus e não a do homem. Não há no N.T. um só texto mostrando que a igreja de
então buscava revelação ou orientação através dos profetas. A mensagem
profética ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso.
b) Dom de Variedades de Línguas (12.10)
No tocante às "línguas" (gr. glossa, que
significa língua) como manifestação sobrenatural do Espírito, notemos os
seguintes fatos:
Essas línguas podem ser humanas como as que os
discípulos falaram no dia de Pentecostes (At 2.4-6), ou uma língua desconhecida
na terra, entendida somente por Deus (1 Co 14.2 Pois quem fala em outra língua
não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito
fala mistérios).
A língua falada através deste dom não é aprendida, e
quase sempre não é entendida, tanto por quem fala como pelos ouvintes (1 Co
14.14,16 Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a
minha mente fica infrutífera. 16 E, se tu bendisseres apenas em espírito, como
dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que
dizes;)
O falar noutras línguas como dom abrange o espírito
do homem e o Espírito de Deus, que entrando em mútua comunhão, faculta ao
crente a comunicação direta com Deus (i.e., na oração, no louvor, no bendizer,
na ação de graças e na oração),
Línguas estranhas faladas no culto devem ser
seguidas de sua interpretação, também pelo Espírito, para que a congregação
conheça o conteúdo e o significado da mensagem (1 Co 14., 27,28. No caso de
alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito
três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo
intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.) Deve
haver ordem quanto ao falar em línguas em voz alta durante o culto. Quem fala
em línguas pelo Espírito, nunca fica em "êxtase" ou "fora de controle".
c) Dom de Interpretação de Línguas (12.10)
Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito
Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma
mensagem dada em línguas. Tal mensagem interpretada para
a igreja reunida, pode conter ensino sobre a adoração e a oração, ou pode ser
uma profecia. Toda a congregação pode assim desfrutar dessa revelação vinda do
Espírito Santo. A interpretação de uma mensagem em línguas pode ser um meio de
edificação da congregação inteira, pois toda ela recebe a mensagem. A
interpretação pode vir através de quem deu a mensagem em línguas, ou de outra
pessoa. Quem fala em línguas deve orar para que possa interpretá-las (1 Co
14.13 Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa
interpretar)
9. O FRUTO DO ESPÍRITO
Em contraste com as obras da carne, temos o modo de
viver íntegro e honesto que a Bíblia chama "o fruto do Espírito".
Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o
Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente)
subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão
com Deus (ver Rm 8.5-14 nota; 8.14 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl
3.12-15; 2Pe 1.4-9). O fruto do Espírito inclui:
a) ÁGAPE – AMOR
“Caridade” (gr. ágape), i.e., o interesse e a busca
do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (1 Co 13.4-8 O amor é
paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se
ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses,
não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas
regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O
amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, passará)
O amor é o solo onde são cultivadas todas as demais
virtudes espirituais.
O amor é a prova da espiritualidade e tem inicio na
regeneração (1 Jo 4.7-8). Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor
procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.
O amor consiste em querer para os outros aquilo que
queremos par nos mesmos. É a dedicação ao próximo. Mateus 7:12 Portanto, tudo o
que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a
lei e os profetas.
b) CHARA – ALEGRIA
Trata-se da felicidade do Espírito, qualidade de
vida que é graciosa e bondosa caracterizada pela boa vontade, generosa nas
dádivas aos outros, por causa de uma correta relação com Deus.
Deus não aprecia a duvida e o desânimo. Também o
abomina a doutrina ousada, o pensamento melancólico e tristonho. Deus gosta de
corações animados. (2Co 6.10 “entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas
enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo”.)
A alegria cristã, entretanto não é uma emoção
artificial. Antes é uma ação do Espírito de Deus no espírito humano é a
sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na
presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo 1 Pe
1.8 Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora,
mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,
c) EIRENE – PAZ
A queda do homem no pecado destruiu a paz, a paz com
Deus, com os outros, com o próprio ser e com a própria consciência.
Foi através da instrumentalidade da cruz que Deus
estabeleceu a paz. Portanto, a paz envolve muito mais do que uma tranqüilidade
intima que prevalece a respeito das tempestades externas. Antes, trata-se de
uma qualidade espiritual de origem cósmica e pessoal produzida pela
reconciliação e pelo perdão dos pecados.
A paz é o contrario do ódio, da contenda, da inveja
dos excessos de tudo o que são obras da carne.
Paz é a quietude de coração e mente, baseada na
convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Fp 4.7 E a
paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa
mente em Cristo Jesus.
d) MAKROTHUMIA – LONGANIMIDADE
Quando é uma qualidade atribuída a Deus, significa
que ele tolera pacientemente todas as iniquidades do homem, não deixando
arrebatar por explosões de ira.
A longanimidade é a paciência que nos permite
subjugar a ira e o sendo de contenda, tolerando as injúrias.
Longanimidade é a perseverança, paciência, ser
tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.1,2 Rogo-vos, pois, eu, o
prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes
chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos
uns aos outros em amor).
e) CHRESTOTES – BENIGNIDADE
Significa gentileza, bondade. Esse termo grego
significa também excelência de caráter, honestidade. O crente que a possui esse
é gracioso e gentil para com seu semelhante não se mostrando ser inflexível e
exigente.
Ser Benigno é não querer magoar ninguém, nem lhe
provocar dor (Ef 4.32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou).
f) AGATHOSUNE – BONDADE
Uma pessoa bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles
que têm necessidade.
Podemos observar a vida terrena inteira de Jesus de
Nazaré, vivida em meio a atos de bondade para com os outros. Ora, para que o
crente se mostre supremamente bondoso, precisa contar com auxílio do Espírito
Santo.
Bondade é a expressão máxima do amor cristão. No
grego, Agathosune refere-se ao homem bom, cuja generosidade brota do coração.
Ela é a verdadeira prática do bem. É o amor em ação (Gl 6.10 Por isso, enquanto
tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família
da fé).
g) PISTIS – FÉ
Significa tanto confiança como fidelidade. A fé de
parceria com o arrependimento, forma a conversão. A entrega da alma, as mãos de
Cristo alicerçado sobre o conhecimento espiritual.
A fé vitalizada pelo amor, pois do contrário, não
será a verdadeira fé sob hipótese alguma.
Fé é lealdade constante e inabalável a alguém com
quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade.
h) PRAUTES – MANSIDÃO
Para Aristóteles, essa característica era um vicio
de deficiência, e não uma virtude. Aristóteles encarava tal realidade, como uma
auto-depreciação.
Na verdade mansidão trata-se de uma submissão do
homem para com Deus e, em seguida para com o homem. A mansidão é o resultado da
verdadeira humildade por causa do reconhecimento alheio, com a recusa de nos
considerarmos superiores.
Mansidão é moderação, associada à força e à coragem;
descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também
humildemente submeter-se quando for preciso (Jesus em Mt 11.23 repreende
duramente Carfanaum "Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu?
Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres
que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje "e no v. 29
diz que devemos ser mansos como ele Mt 11.29 2Tomai sobre vós o meu jugo e
aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso
para a vossa alma.
i) EGKRATEIA - TEMPERANÇA - DOMÍNIO PRÓPRIO
Temperança é o controle ou domínio sobre nossos
próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também
a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
Na passagem de 1 Co 7.9 essa palavra é usada em
relação ao controle do impulso sexual ( Caso, porém, não se dominem, que se casem;
porque é melhor casar do que viver abrasado.
. Mas em 1 Co 9.25 refere-se a toda forma de
autodisciplina ( Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma
coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Parece que Paulo se utiliza
dessa palavra, neste contesto, dando a entender aquele autocontrole que obtém
sobre os vícios alistados em Gl 5.19-21.
Os filósofos estóicos percebiam claramente a verdade
expressa por essa virtude de domínio próprio. Eles procuravam fazer com que a
razão dominasse a vida inteira, controlando as paixões e firmando a lama.
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é
que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente
pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá
uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.
MATÉRIA 05 - SOTERIOLOGIA: DOUTRINA DE CRISTO
1. Graça: É o poder dinâmico de
Deus que provêm imerecidamente para capacitar o homem a desejar e fazer a Sua
vontade (Fp.2:13; Ico.1:4,5; IITm.1:9; Tg.1:18; IICo.3:5; Hb.13:21; Is.26:12;
Jr.10:23; Pv.16:9; 20:24; ICo.15:10).
2. Predestinação: É o conselho ou
decreto de Deus concernente aos homens decaídos, incluindo a eleição soberana
de uns e a justa reprovação dos restantes (Rm.8:29,30; 9:11-24; Ef.1:5,11).
Os dois aspectos da predestinação são:
(a) Eleição: É o ato eterno de
Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum
mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a
graça especial e a salvação eterna.
(b) Reprovação: É o decreto
eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar a um certo número de
homens as operações de sua graça especial, e puní-los por seus pecados, para a
manifestação da sua justiça. Os dois aspectos da reprovação são preterição e
condenação.
PENSAMENTO: A soberania divina e a
soberania humana certamente são contraditórias entre si, mas a soberania divina
e a responsabilidade humana, não. (F.H. Klooster)
3. Vocação: Vocação ou chamada é o
ato de graça pelo qual Deus convida os homens, através de Sua Palavra, a
aceitarem pela fé a salvação providenciada por Cristo. (ICo.1:9; ITs.2:12; IPe.5:10; Mt.11:28; Lc.5:32; Jo.7:37; At.2:39;
Rm.8:30; ICo.1:24,26;7:15; Gl.1:15; Ef.4:1;4:4; IITs.2:14; IITm.1:9;
Ipe.2:9;5:10).
4. União: É a ligação íntima, vital
e espiritual entre Cristo e o Seu povo, em razão da qual Ele é a fonte da sua
vida e poder, da sua bem-aventurança e salvação (Ef.5:32; Cl.1:27).
5. Regeneração: É o ato de Deus
pelo qual o princípio de uma nova vida é implantado no homem, e a disposição
dominante de sua alma é tornada santa. É a comunicação de vida divina à alma,
que implica numa completa mudança de coração (Ez.11;19; 18:31; 36:26; Jr.24:7;
Rm.6:4; Ef.2:6; Cl.2:12; Jo.5:21; Jo.6:63; 10:10,28; Rm.6:11,13; IJo.5:11,12;
Ef.2:1,5; Cl.2:13; IIPe.1:4; Jo.1:12; 3:3,5; IJo.3:1).
6. Conversão: É o ato exterior,
visível e prático da salvação operada na vida do pecador regenerado (Lc.22:32).
Os dois aspectos da conversão são:
(a)
arrependimento: é o aspecto negativo da conversão, porque implica no abandono
do pecado e em dizer não para as coisas pecaminosas.
(b) fé: é o
aspecto positivo da conversão, porque implica em voltar em direção a Deus e em
dizer sim para a sua palavra.
7. Arrependimento: É a mudança
voluntária e consciente, produzida na vida do pecador, efetuada pelo Espírito
Santo, a qual atinge sua mente, seus sentimentos e conduz o pecador ao abandono
voluntário do pecado (Mt.21:28-30; IICo.7:9,10).
8. Fé: É um firme e seguro
conhecimento do favor de Deus, para conosco, fundado na verdade de uma promessa
gratuita em Cristo, e revelada às nossas mentes e seladas em nossos corações
pelo Espirito Santo (As Institutas, III, 2,7, Calvino).
9. Justificação: É um ato judicial
de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as
reivindicações da lei estão satisfeitas a favor do pecador (At.13:39; Rm.5:1,9;
8:30-33; Ico.6:11; Gl.2:16; Gl.3:11). Na justificação estão incluídos o perdão,
a adoção, a substituição vicária e a imputação.
Os dois aspectos da justificação são:
(a) Remissão ou
Perdão (aspecto negativo/a dívida é anulada): É o resultado da morte de Cristo
e se dá por meio da substituição, na qual, Cristo nosso Cordeiro Pascal se
oferece para morrer em nosso lugar.
(b) Adoção
(aspecto positivo/o crédito é imputado): É o resultado da ressurreição de
Cristo e se dá por meio da imputação, na qual a justiça de Cristo, que dá o
direito legal à adoção, é imputada ao crente. A regeneração opera uma filiação
moral enquanto que a adoção opera uma filiação legal.
10. Remissão ou Perdão: É o aspecto
negativo da justificação, pois quando Adão pecou, ele foi condenado pelo que
fez de errado (iniqüidade), como também pelo que deixou de fazer de certo,
errando o alvo (pecado). Adão, então pecou por ação (iniqüidade = pecado
consciente, voluntário, transgressão) e omissão (pecado, leia IJo.3:4). Cristo
em sua obra vicária corrigiu os erros de Adão, obedecendo passiva e ativamente,
negativa e positivamente os mandamentos de Deus, pois a lei inclui mandamentos
negativos (não adulterarás, etc) e mandamentos positivos (amarás a Deus, etc).
O perdão é, portanto o ato judicial de Deus pelo qual ele concede ao pecador,
na cruz, os benefícios resultantes da obediência passiva de Cristo. O perdão é
resultado da morte de Cristo enquanto que a adoção (o aspecto positivo da
justificação) é resultado da ressurreição de Cristo (Rm.4:25). Na morte Cristo
aniquilou o pecado, na ressurreição trouxe justiça. O perdão é operado mediante
a substituição, a justiça é concedida por meio da imputação. O perdão é
concedido na cruz. A justiça é imputada no tribunal de Deus (IPe.3:18).
NOTA: Remissão não é o mesmo que redenção.
Veja redenção no item 17.
11. Adoção: É o ato judicial de
Deus, resultado prático da regeneração, pelo qual Ele declara seus filhos
emancipados e herdeiros da vida eterna (Tt.3:7). Adoção não deve ser confundida
com regeneração, pois na adoção Deus coloca o pecador que já é seu filho
regenerado na posição de filho adulto. Na adoção não há transformação interior
(moral). A adoção não muda o interior do pecador, muda a sua posição perante
Deus. Deus não adota pecadores não regenerados, Deus só adota aqueles que já
são seus filhos.
12. Imputação: É o ato de Deus pelo
qual Ele debita meritoriamente na conta da humanidade o pecado de Adão, e
judicialmente na conta de Cristo o pecado da humanidade, e gratuitamente na
conta da humanidade a justiça de Cristo. Imputação significa
"debitar", "atribuir responsabilidade" ou "lançar na
conta de alguém". Paulo ensina esta doutrina quando assume a dívida de
Onésimo. Do mesmo modo Jesus Cristo tomou a nossa dívida (Fm.18,19).
13. Substituição: É o ato judicial
de Deus pelo qual Ele pune os pecadores pelos seus pecados, provendo um
substituto qualificado, sobre o qual recaiu todo o pecado e a culpa imputados à
humanidade por causa do pecado de Adão (Is.53:4-7; Ico.5:7).
Um substituto qualificado deveria possuir:
(a) Perfeita
Encarnação: deveria ter natureza humana completa para poder representar
adequadamente a humanidade (Hb.2:14-17; 5:1; Jo.1:14).
(b) Perfeita
Identificação: deveria ter uma profunda identificação com o sofrimento
humano (Hb.4:15; Hb.2:18; Hb.5:2,3). A nossa identificação com Cristo é tão perfeita
que somos identificados com Ele na sua morte (Rm.6:3; Cl.2:12).
(c) Perfeita
Santidade: Um homem comum não seria um bom representante da raça humana. O
substituto deveria ser santo, inocente, sem mácula, separado dos pecadores
(Hb.7:23-27). Um mortal comum não poderia salvar ninguém, pois sendo mortal,
não se salvaria nem a si mesmo.
14. Santificação: É a graciosa e
contínua operação do Espirito Santo pela qual Ele liberta o pecador justificado
da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o
capacita a praticar boas obras.
ESQUEMA DA SALVAÇÃO
Espírito Alma Corpo
Tempo Passado Presente Futuro
Em relação ao pecado
Penalidade
(Jo.5:24)
Poder (Rm.6:14)
Presença (ICo.15:54,57)
Em relação ao pecador
Justificação
Regeneração (Rm.1:4; Ipe.1:2; Rm.5:16;IITs.2:13)
Santificação
(Tg.1:21,22; IITm.3:15)
Redenção
(Fp.3:21)
Ocasião
Morte e
ressurreição de Cristo
Do novo
nascimento até o encontro com Cristo (Fp.1:6)
Arrebatamento ou 2ª
Vinda de Cristo (ICo.15:52,53)
15. Perseverança: É a contínua
operação do Espirito Santo no crente, pela qual a obra da graça divina, inciada
no coração, tem prosseguimento e se completa, levando os salvos à permanecerem
em Cristo e perseverarem firmes na fé. A perseverança representa o lado humano
(Jr.32:40; Sl.86:11; 37:28-31).
16. Segurança: É a garantia eterna
e imutável da salvação, iniciada e completada por Deus, no coração dos
regenerados. A segurança representa o lado divino (Sl.89:28-37).
17. Redenção: É o ato gracioso de
Deus pelo qual Ele liberta o pecador da escravidão da lei do pecado e da morte
(Rm.8:1,2), mediante o pagamento de um resgate (Rm.6:20-22; Ico.6:19,20;
IPe.1:18,19; Ap.1:5; 5:9; Gl.4:1-7).
(a) A Necessidade
da Redenção: Todas as criaturas humanas da terra pertencem a Deus (ICo.10:26;
Sl.50:12) mas não são todas de Cristo (Rm.8:9). O homem só se torna propriedade
exclusiva de Cristo mediante a obra da redenção (ICo.6:19,20; Hb.2:13-15). O
mundo (sistema) é de Satanás (Lc.4:6; Ijo.5:19) e as criaturas humanas que
estão no mundo pertencem à ele (At.26:18; Mt.12:30; Mc.9:40; Lc.11:23), por
isso era necessária a redenção, para que através de Cristo Deus resgatasse
(comprasse) do mundo os que viriam a crer nele, para que através da redenção
passassem a pertencer a Cristo (Jo.15:19; 17:14; 18:36; Cl.1:13). Se um homem
ainda não foi redimido, embora sendo criatura de Deus, continua sendo filho do
Diabo, do qual é ele escravo (Jo.8:44). Somente os filhos de Deus são
verdadeiramente livres (Gl.2:4; 5:1; Rm.8:21; IICo.3:17).
(b) A Natureza do
Redentor:
Deveria ser
parente próximo da vítima: Era ele, o redentor (goel no hebraico) quem deveria
resgatar o sangue da vítima assassinada (Nm.35:19-34; Js.20:3-5); era ele quem
deveria resgatar a possessão da família que fora vendida (Lv.25:24,26,51,52;
Lv.27:13,15,19,20,31; Jr.32:7); era ele quem deveria resgatar a pessoa cujo
empobrecimento forçou-a a se vender a um não judeu (Lv.25:47-49). Em Ezequiel
11:15 a expressão "os homens do teu parentesco" significa "os
homens da tua redenção".
O Redentor
deveria preencher certos requisitos: (1) deveria ter parentesco do escravo a
ser resgatado (Rt.2:20; 3:9,12; 4:1,3,6,14); (2) deveria ter meios com que
pagar o resgate (Rt.4:6; Sl.49:7-9); (3) deveria querer efetuar o resgate
(Rt.4:4; Rt.3:13; Rm.5:7); (4) deveria ser livre e não podia ser um escravo, um
escravo não podia
resgatar outro escravo.
(c) Cristo é o
Nosso Redentor:
(1) Ele se fez nosso parente próximo
(Hb.2:14,15; Fp.2:7);
(2) Ele pagou com seu sangue (At.20:28;
IPe.1:18; ICo.6:20);
(3) Ele nos resgatou voluntariamente
(Jo.10:17,18);
(4) Ele não tinha pecado (Hb.5:15;
IICo.5:21).
18. Reconciliação: É a operação
graciosa de Deus pela qual Ele reconcilia os pecadores consigo mesmo, por meio
da morte de Jesus Cristo, removendo a inimizade (IICo.5:18-21; Cl.1:20-22). O
termo usado no antigo Testamento para reconciliação é expiação.
Os dois aspectos da reconciliação são:
(a) Expiação: A reconciliação (no grego =
katallagê) tem seu aspecto negativo na expiação, que enfatiza a morte de Cristo
para o perdão dos pecados em relação ao homem. (A justificação possui aspectos
semelhantes a reconciliação:
É negativa e
positivamente considerada: (a) Perdão e (b) Adoção). A expiação é a remoção da
causa da inimizade do homem (Rm.5:10). Na expiação a fraqueza, a impiedade e o
pecado (mencionados em Rm.5:6-8), fatores causadores da inimizade são
removidos. Portanto expiação é o cancelamento da fraqueza (Rm.5:6), da impiedade
(Rm.5:6) e especialmente do pecado (Rm.5:8; Ijo.1:29; At.3:19). Na expiação a
ação se dirige para aquilo que provocou o rompimento no relacionamento, e se
ocupa com a anulação do ato ofensivo.
(b) Propiciação: É a reconciliação em seu
aspecto positivo, e por isso vai além da expiação, pois enfatiza a morte de
Cristo em relação a Deus. Na propiciação a ação se dirige para Deus, a pessoa
ofendida. O propósito da propiciação é alterar a atitude de Deus, da ira para a
boa vontade e favor. Na propiciação é a ira que é removida (Rm.5:9,10) e a
amizade de Deus é restaurada. Não é o caso de Deus mudar, mas sim de que sua
ira é desviada (Sl.78:38; 79:8; Em Ex.32:14 o termo arrepender é wayyinnahem,
no hebraico, e hilaskomai, no grego, que significa "ser propício". É
também usado em Lm.3:42; Dn.9:19; IIRs.24:4. É claro que se trata de linguagem
poética, pois há passagens em que se diz que Deus se arrependeu de fazer o bem,
como em Jr.18:10, como se o bem fosse causa para arrependimento).
Na expiação
Cristo ofereceu-se pelos os homens, na propiciação Ele ofereceu-se à Deus
(Hb.9:13,14; IPe.3:18). A expiação extingue o pecado (a inimizade contra Deus),
a propiciação extingue a penalidade do pecado (a ira de Deus) que é desviado
para a cruz de Cristo (Rm.3;25; Rm.1:18,24,26).
19.Renovação: É a operação graciosa
de Deus que inclui todos aqueles processos de forças espirituais subseqüentes
ao novo nascimento e decorrentes dele (Sl.51:10;103:5; Is.40:31;41:1; Cl.3:10).
20. Glorificação ou Ressurreição:
É a operação divina pela qual o crente regenerado há de ressuscitar
corporalmente, tendo seu corpo abatido, transformado à semelhança do corpo
glorioso do Senhor Jesus (Fp.3:21; ITs.4:13-17; IJo.3:2).
Conclusão: não foram
apresentados todos os aspectos envolvidos em cada um dos 20 itens aqui
descritos. O assunto é vasto e interminável, na teologia sistemática,
principalmente na soteriologia, por isso apresentei um resumo do que considerei
mais importante sobre o assunto. Outros aspectos poderão ser encontrados por
um.
MATÉRIA 06 - A TRINDADE
Marcos
1.11 "E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: TU ÉS O MEU FILHO AMADO, em
quem me comprazo".
As
três divinas pessoas da Trindade estão presentes no batismo de Jesus. Deus é
revelado nas Escrituras como um só Deus, existente como Pai, Filho e Espírito
Santo (cf. Mt 3.16,17; 28.19; Mc 1.9-11; 2 Co 13.14; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2; Jd
20,21). Esta é a doutrina da Trindade,expressando a verdade de que dentro da
essência una de Deus, subsistem três Pessoas distintas, compartilhando uma só
natureza divina comum. Assim, segundo as Escrituras, Deus é singular (uma
unidade) num sentido, e plural (trina), noutro.
(1)
As Escrituras declaram que Deus é um só uma união perfeita de uma só natureza,
substância e essência (Dt 6.4; Mc 12.29; Gl 3.20). Das pessoas da deidade,
nenhuma é Deus sem as outras, e cada uma, juntamente com as outras, é Deus. (2)
O Deus único existe numa pluralidade de três pessoas identificáveis, distintas;
mas não separadas. As três não são três deuses, nem três partes ou expressões
de Deus, mas são três pessoas tão perfeitamente unidas que constituem o único
Deus verdadeiro e eterno. O Filho e também o Espírito Santo possuem atributos
que somente Deus possui (ver Jo 20.28; 1.1,14; 5.18; 14.16; 16.8,13; Gn 1.2; Is
61.1; At 5.3,4; 1 Co 2.10,11; Rm 8.2,26,27; 2 Ts 2.13; Hb 9.14). Nem o Pai, nem
o Filho, nem o Espírito Santo, foram feitos ou criados em tempo algum, mas cada
um é igual ao outro em essência, atributos, poder e glória. (3) O Deus único,
existente em três pessoas, torna possível desde toda a eternidade o amor
recíproco, a comunhão, o exercício dos atributos divinos, a mútua comunhão no
conhecimento e o inter-relacionamento dentro da deidade (cf. Jo 10.15; 11.27;
17.24; 1 Co 2.10)
1.13
TENTADO POR SATANÁS. Ver Mt 4.1.
1.14
O EVANGELHO. Ver Mc 14.9 .
1.15
O REINO DE DEUS. A proclamação e a concretização do reino de Deus foi o
propósito da obra de Cristo. Foi o tema de sua mensagem na terra (Mt 4.17).
Quanto à forma de manifestação do reino, existem: (1) O reino de Deus em Israel. No AT, o reino visava preparar o caminho da salvação da
humanidade. Devido à rejeição de Jesus, o Messias de Israel, o reino foi tirado
desta nação (ver Mt 21.43 nota); (2) O reino de Deus em Cristo. O reino esteve presente na pessoa e na obra de Jesus,
o Rei (Lc 11.20); (3) O reino de Deus na igreja. Trata-se da manifestação atual
do reino de Deus nos corações e nas vidas de todos aqueles que se arrependem e
crêem no evangelho (Jo 3.3,5; Rm 14.17; Cl 1.13). Sua presença manifesta-se com
grande poder contra o império de Satanás. Não se trata de um reino político,
material, mas de uma poderosa e eficaz presença e operação de Deus entre o seu
povo (ver 1.27, 9.1); (4) O reino de Deus na consumação da História. Trata-se
do Reino Messiânico, predito pelos profetas (Sl 89.36,37; Is 11.1-9; Dn
7.13,14). Cristo reinará na terra durante mil anos (Ap 20.4-6). A igreja
reinará juntamente com Ele, sobre as nações (2 Tm 2.12; 1 Co 6.2,3; Ap 2.26,27;
ver Ap 20.4 nota); (5) O reino de Deus na eternidade. O reino messiânico durará
mil anos, dando lugar ao reino eterno de Deus, que será estabelecido na nova
terra (Ap 21.1-4). O centro da nova terra é a Cidade Santa, a Nova Jerusalém
(Ap 21.9-11). Os habitantes são os redimidos do AT (Ap 21.12) e do NT (Ap
21.14). Sua maior bênção é "verão o seu rosto" (Ap 22.4; ver Ap 21.1)
Quem
é Deus?
OS
ATRIBUTOS DE DEUS
Sl
139.7,8 “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face”?
Se subir ao
céu,
tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também”.
A
Bíblia não procura comprovar que Deus existe. Em vez disso, ela declara a sua
existência e apresenta numerosos atributos seus. Muitos desses atributos são
exclusivos dEle, como Deus; outros existem em parte no ser humano, pelo fato de
ter sido criado à imagem de Deus.
ATRIBUTOS
EXCLUSIVOS DE DEUS.
(1)
Deus é onipresente — Ele está presente em todos os lugares a um só tempo. O
salmista afirma que, não importa para onde formos, Deus está ali (Sl 139.7-12;
cf. Jr 23.23,24; At 17.27,28); Deus observa tudo quanto fazemos.
(2)
Deus é onisciente — Ele sabe todas as coisas (Sl 139.1-6; 147.5). Ele conhece,
não somente nosso procedimento, mas também nossos próprios pensamentos (1Sm
16.7; 1 Rs 8.39; Sl 44.21; Jr 17.9,10). Quando a Bíblia fala da presciência de
Deus (Is 42.9; At 2.23; 1Pe 1.2), significa que Ele conhece com precisão a
condição de todas as coisas e de todos os acontecimentos exeqüíveis, reais,
possíveis, futuros, passados ou predestinados (1Sm 23.10-13; Jr 38.17-20). A
presciência de Deus não subentende determinismo filosófico. Deus é plenamente
soberano para tomar decisões e alterar seus propósitos no tempo e na história,
segundo sua própria vontade e sabedoria. Noutras palavras, Deus não é limitado
à sua própria presciência (ver Nm 14.11-20; 2Rs 20.1-7).
(3)
Deus é onipotente — Ele é o Todo-poderoso e detém a autoridade total sobre
todas as coisas e sobre todas as criaturas (Sl 147.13-18; Jr 32.17; Mt 19.26;
Lc 1.37). Isso não quer dizer, jamais, que Deus empregue todo o seu poder e
autoridade em todos os momentos. Por exemplo, Deus tem poder para exterminar
totalmente o pecado, mas optou por não fazer assim até o final da história
humana (ver 1Jo 5.19 nota). Em muitos casos, Deus limita o seu poder, quando o
emprega através do seu povo (2Co 12.7-10); em casos assim, o seu poder depende
do nosso grau de entrega e de submissão a Ele (ver Ef 3.20).
(4)
Deus é transcendente — Ele é diferente e independente da sua criação (ver Êx
24.9-18; Is 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9). Seu ser e sua existência são
infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Rs 8.27;
Is 66.1,2; At 17.24,25). Ele subsiste de modo absolutamente perfeito e puro,
muito além daquilo que Ele criou. Ele mesmo é incriado e existe à parte da
criação (ver 1Tm 6.16 nota).
A
transcendência de Deus não significa, porém, que Ele não possa estar entre o
seu povo como seu Deus (Lv 26.11,12; Ez 37.27; 43.7; 2Co 6.16).
(5)
Deus é eterno — Ele é de eternidade à eternidade (Sl 90.1,2; 102.12; Is 57.12).
Nunca houve nem haverá um tempo, nem no passado nem no futuro, em que Deus não existisse ou que não existirá; Ele não está
limitado pelo tempo humano (cf. Sl 90.4; 2Pe 3.8), e é, portanto, melhor
descrito como “EU SOU” (cf. Êx 3.14; Jo 8.58).
(6)
Deus é imutável — Ele é inalterável nos seus atributos, nas suas perfeições e
nos seus propósitos para a raça humana (Nm 23.19; Sl 102.26-28; Is 41.4; Ml
3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17). Isso não significa, porém, que Deus nunca altere
seus propósitos temporários ante o proceder humano. Ele pode, por exemplo,
alterar suas decisões de castigo por causa do arrependimento sincero dos
pecadores (cf. Jn 3.6-10). Além disso, Ele é livre para atender as necessidades
do ser humano e às orações do seu povo. Em vários casos a Bíblia fala de Deus
mudando uma decisão como resultado das orações perseverantes dos justos (e.g.,
Nm 14.1-20; 2Rs 20.2-6; Is 38.2-6; Lc 18.1-8).
(7)
Deus é perfeito e santo — Ele é absolutamente isento de pecado e perfeitamente
justo (Lv 11.44,45; Sl 85.13; 145.17; Mt 5.48). Adão e Eva foram criados sem
pecado (cf. Gn 1.31), mas com a possibilidade de pecarem. Deus, no entanto, não
pode pecar (Nm 23.19; 2Tm 2.13; Tt 1.2; Hb 6.18). Sua santidade inclui, também,
sua dedicação à realização dos seus propósitos e planos.
(8)
Deus é trino e uno — Ele é um só Deus (Dt 6.4; Is 45.21; 1Co 8.5,6; Ef 4.6; 1Tm
2.5), manifesto em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo (e.g., Mt 28.19;
2Co 13.14; 1Pe 1.2). Cada pessoa é plenamente divina, igual às duas outras; mas
não são três deuses, e sim um só Deus (ver Mt 3.17 nota; Mc 1.11 nota).
ATRIBUTOS
MORAIS DE DEUS. Muitas características do Deus único e verdadeiro,
especialmente seus atributos morais, têm certa similitude com as qualidades
humanas; sendo, porém, evidente que todos os seus atributos existem em grau
infinitamente superior aos humanos. Por exemplo, embora Deus e o ser humano
possuam a capacidade de amar, nenhum ser humano é capaz de amar com o mesmo
grau de intensidade como Deus ama. Além disso, devemos ressaltar que a
capacidade humana de ter essas características vem do fato de sermos criados à
imagem de Deus (Gn 1.26,27); noutras palavras, temos a sua semelhança, mas Ele
não tem a nossa; Ele não é como nós.
(1)
Deus é bom (Sl 25.8; 106.1; Mc 10.18). Tudo quanto Deus criou originalmente era
bom, era uma extensão da sua própria natureza (Gn 1.4,10,12,18,21,25,31). Ele
continua sendo bom para sua criação, ao sustentá-la, para o bem de todas as
suas criaturas (Sl 104.10-28; 145.9); Ele cuida até dos ímpios (Mt 5.45; At
14.17). Deus é bom, principalmente para os seus, que o invocam em verdade (Sl
145.18-20).
(2)
Deus é amor (1Jo 4.8). Seu amor é altruísta, pois abraça o mundo inteiro,
composto de humanidade pecadora (Jo 3.16; Rm 5.8). A manifestação principal
desse seu amor foi a de enviar seu único Filho, Jesus, para morrer em lugar dos
pecadores (1Jo 4.9,10). Além disso, Deus tem amor paternal especial àqueles que
estão reconciliados com Ele por meio de Jesus (ver Jo 16.27 ).
(3)
Deus é misericordioso e clemente (Êx 34.6; Dt 4.31; 2Cr 30.9; 'Sl 103.8; 145.8;
Jl 2.13); Ele não extermina o ser humano conforme merecemos devido aos nossos
pecados (Sl 103.10), mas nos outorga o seu perdão como dom gratuito a ser
recebido pela fé em Jesus Cristo.
(4)
Deus é compassivo (2Rs 13.23; Sl 86.15; 111.4). Ser compassivo significa sentir
tristeza pelo sofrimento doutra pessoa, com desejo de ajudar. Deus, por sua
compaixão pela humanidade, proveu-lhe perdão e salvação (cf. Sl 78.38).
Semelhantemente, Jesus, o Filho de Deus, demonstrou compaixão pelas multidões
ao pregar o evangelho aos pobres, proclamar libertação aos cativos, dar vista
aos cegos e pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4.18; cf. Mt 9.36; 14.14; 15.32;
20.34; Mc 1.41; ver Mc 6.34).
(5)
Deus é paciente e lento em irar-se (Êx 34.6; Nm 14.18; Rm 2.4; 1Tm 1.16). Deus
expressou esta característica pela primeira vez no jardim do Éden após o pecado
de Adão e Eva, quando deixou de destruir a raça humana conforme era seu direito
(cf. Gn 2.16,17). Deus também foi paciente nos dias de Noé, enquanto a arca
estava sendo construída (1Pe 3.20). E Deus continua demonstrando paciência com
a raça humana pecadora; Ele não julga na devida ocasião, pois destruiria os
pecadores, mas na sua paciência concede a todos a oportunidade de se
arrependerem e serem salvos (2Pe 3.9).
(6)
Deus é a verdade (Dt 32.4; Sl 31.5; Is 65.16; Jo 3.33). Jesus chamou-se a si
mesmo “a verdade” (Jo 14.6), e o Espírito é chamado o “Espírito da verdade” (Jo
14.17; cf. 1Jo 5.6). Porque Deus é absolutamente fidedigno e verdadeiro em tudo
quanto diz e faz, a sua Palavra também é chamada a verdade (2Sm 7.28; Sl
119.43; Is 45.19; Jo 17.17). Em harmonia com este fato, a Bíblia deixa claro
que Deus não tolera a mentira nem falsidade alguma (Nm 23.19; Tt 1.2; Hb 6.18).
(7)
Deus é fiel (Êx 34.6; Dt 7.9; Is 49.7; Lm 3.23; Hb 10.23). Deus fará aquilo que
Ele tem revelado na sua Palavra; Ele cumprirá tanto as suas promessas, quanto
as suas advertências (Nm 14.32-35; 2 Sm 7.28; Jó 34.12; At 13.23,32,33; ver 2Tm
2.13 nota). A fidelidade de Deus é de consolo inexprimível para o crente, e
grande medo de condenação para todos aqueles que não se arrependerem nem crerem
no Senhor Jesus (Hb 6.4-8; 10.26-31).
(8)
Finalmente, Deus é justo (Dt 32.4; 1Jo 1.9). Ser justo significa que Deus
mantém a ordem moral do universo, é reto e sem pecado na sua maneira de tratar
a humanidade (Ne 9.33; Dn 9.14). A decisão de Deus de castigar com a morte os
pecadores (Rm 5.12), procede da sua justiça (Rm 6.23; cf. Gn 2.16,17); sua ira
contra o pecado decorre do seu amor à justiça (Rm 3.5,6; ver Jz 10.7). Ele
revela a sua ira contra todas as formas da iniqüidade (Rm 1.18), principalmente
a idolatria (1Rs 14.9,15,22), a incredulidade (Sl 78.21,22; Jn 3.36) e o
tratamento injusto com o próximo (Is 10.1-4;Am 2.6,7). Jesus Cristo, que é
chamado o “Justo” (At 7.52; 22.14; cf. At 3.14), também ama a justiça e abomina
o mal (ver Mc 3.5; Rm 1.18 nota; Hb 1.9 ). Note que a justiça de Deus não se
opõe ao seu amor. Pelo contrário, foi para satisfazer a sua justiça que Ele
enviou Jesus a este mundo, como sua dádiva de amor (Jo 3.16; 1Jo 4.9,10) e como
seu sacrifício pelo pecado em lugar do ser humano (Is 53.5,6; Rm 4.25; 1Pe
3.18), a fim de nos reconciliar consigo mesmo (ver 2Co 5.18-21, notas). A
revelação final que Deus fez de si mesmo está em Jesus Cristo (cf. Jo 1.18; Hb 1.1-4); noutras palavras, se
quisermos entender completamente a pessoa de Deus, devemos olhar para Cristo,
porque nEle habita toda a plenitude da divindade (Cl 2.9).
Jesus
Cristo
Quem
é Jesus Cristo?
I.
A PRÉ-EXISTÊNCIA DE JESUS
A.
Assim como Deus é eterno, Jesus também o é:
Jo
1.1; Cl 1.17; Mq 5.2; Jo 17.3; Jo 8.58.
B.
Antes da fundação do mundo, Jesus planejou junto com o seu Pai, a salvação da
humanidade.
Deus
na sua onisciência viu, desde a eternidade, que o homem a ser criado, cairia em
pecado, sujeito à perdição eterna. Ele então preparou um caminho de salvação,
por meio do sacrifício de seu próprio Filho. Jesus participou e concordou e
desde então já estava disposto a dar a sua vida por nós. Por isto a Bíblia se
expressa: "O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo", Ap
13.8. A vida eterna é assim prometida "antes dos tempos dos séculos",
Tt 1.2, quando Deus nos elegeu para em Jesus sermos santos e irrepreensíveis,
Ef 1.4.
C.
Jesus participou da criação do mundo.
"
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se
fez", Jo1.3. "Todas as coisas subsistem por ele", Cl 1.17.
II.
A ENCARNAÇÃO DE JESUS
"Jesus,
Deus bendito eternamente", Rm 9.5, fez-se homem. Esse mistério chama-se
"encarnação". A Bíblia diz: "Grande é o mistério da piedade:
Aquele que se manifestou em carne", 1 Tm 3.16. A doutrina da encarnação de
Jesus excede tudo que o entendimento humano possa compreender, porém deste
milagre depende a substância do evangelho da salvação e a doutrina da redenção.
A.
Jesus se encarnou por meio duma virgem, através de concepção sobrenatural.
Quando
Deus, no dia da queda, prometeu um Redentor, revelou também de que maneira ele
viria ao mundo. Ele disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a
mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça,
e tu lhe ferireis o calcanhar", Gn 3.15. O profeta Isaías profetizou:
"Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e será o seu nome
Emanuel", Is 7.14. Quando, na plenitude dos tempos, Gl 4.4, o arcanjo
Gabriel comunicou a Maria que ela seria o instrumento da encarnação de Jesus,
disse-lhe: "em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o
nome de Jesus", Lc 1.31. Maria respondeu: "Como se fará isto, visto
que não conheço varão?", Lc 1.34. E Gabriel lhe revelou como este milagre
aconteceria. Ele disse: "Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do
Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, pelo que também o Santo que de ti há de
nascer será chamado Filho de Deus", Lc 1.35. Com a palavra: "Eis aqui
a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a sua palavra", Lc 1.38, Maria
aceitou, e o milagre aconteceu! Ela estava grávida!
É
impossível explicar este milagre em termos biológicos. O médico Lucas registrou
este milagre no seu evangelho com fé e convicção, sem deixar uma sombra de
dúvida. "Pela fé entendemos" Hb 11.13.
B.
Jesus veio a este mundo por meio dum nascimento natural.
Ele
nasceu exatamente 9 meses após Maria haver concebido de modo sobrenatural,
"quando se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz", Lc 2.6.
Jesus nasceu, conforme a profecia, em Belém, Mq 5.2, e para isto Deus
providenciou que o alistamento decretado pelo imperador Augusto obrigasse José
e Maria a locomoverem-se de Nazaré na Galiléia até Belém, exatamente na época
de Maria dar à luz. Jesus nasceu como os demais homens nasceram. Houve, porém,
uma manifestação sobrenatural: Uma multidão de anjos cantaram, diante de um
grupo de pastores de ovelhas, louvores ao Messias que havia nascido, Lc 2.8-14.
C.
O verdadeiro Deus havia vindo ao mundo como um verdadeiro homem.
Foi
por meio deste milagre que "verbo se fez carne", Jo 1.14, e
"Deus introduziu no mundo o primogênito", Hb 1.6, e Jesus veio em
semelhança de carne, Rm 8.3, e "participou da carne e do sangue", Hb
2.14, "em tudo semelhante aos irmãos", Hb 2.17. Foi assim que ele
desceu do céu, Jo 6.33, 38, 38, 41, 42, 51, 58, e Deus lhe preparou um corpo,
Hb 10.5. A encarnação deu a Jesus condições de ser o Mediador entre Deus e
homens, 1 Tm 2.5, e ser misericordioso e fiel sumo sacerdote, para expiar o
pecado do povo, Hb 2.17. Sendo homem, podia fazer reconciliação pelos homens.
Sendo Deus a sua reconciliação fica com um inédito valor.
III.
JESUS - O VERDADEIRO DEUS
Não
é somente desde a eternidade, que Jesus é Deus, Jo1.1-3. Ainda depois que ele
"aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo", Fp 2.7, ele
continua sendo Deus verdadeiro, revelando "a glória do Unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade", Jo 1.14. As sagradas escrituras, que
incontestavelmente provam a sua deidade, foram escritas para que todos creiam
que "Jesus é o Cristo, e o Filho de Deus", Jo 20.36; 1 Jo 5.10. Vamos
mencionar algumas evidências que provam que Jesus é Deus verdadeiro.
A.
Jesus é chamado "Deus"
Deus,
Pai, o chamou "Deus"! "Do Filho diz: Ó Deus, o teu trono
subsiste", Hb 1.8. Duas vezes ele o chamou: "Meu Filho amado" Mt
3.17; Mc 9.7. Todo aquele, pois que nega que Jesus é o Filho de Deus, faz o
próprio Deus mentiroso, "porquanto não creu no testemunho que Deus de seu
Filho deu", 1 Jo 5.10.
O
anjo, enviado por Deus, chamou a Jesus "Filho de Deus", Lc 1.35.
"Chamá-lo-ão pelo nome Emanuel, que traduzido é Deus conosco", Mt
1.23. Quando Jesus havia nascido, os anjos cantaram louvores a
"Cristo-Senhor", Lc 2.11.
O
próprio Jesus se chamou "Deus". Quando os seus inimigos lhe
perguntaram: "És tu o Cristo, Filho de Deus bendito?", ele respondeu:
Eu o sou. Mc 14.61, 62. Ele chamou Deus de meu Pai, Mt 10.32; Jo 2.16; 10.37;
15.24 etc. Ele se chamou também "o Filho unigênito que está no seio do
Pai", Jo 1.18 e disse; "Quem me vê, vê o Pai", Jo 14.9; 12.45.
Para a mulher samaritana ele disse que era Messias, Jo 4.25, 26, notícia que se
espalhou em toda a cidade, Jo 4.29. Ele se chamou: Alfa e Ômega, o Princípio e
o Fim, o primeiro e o derradeiro, Ap 22.13, e "Eu sou", Jo 8.24, 28,
58; 13.59 (Comp. Êx 3.14).
Aquele
que nega a deidade de Jesus rejeita o próprio testemunho de Jesus e mostra
assim que é inspirado pelo espírito de Anticristo, 1 Jo 2.22, 23. Se Jesus
fosse, como os teólogos modernistas afirmam um produto da união entre Maria e
José ou com qualquer outro homem, o mundo não teria nenhum Salvador, e Jesus
seria um homem desacreditável, porque ele afirmou ser o Filho de Deus. Mas
glória a Jesus! Ele é Deus bendito eternamente, Rm 9.5.
O
ESPÍRITO SANTO
Quem
é o Espírito Santo?
A
DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO
At
5.3,4 “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para
que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?
Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que
formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”
É
essencial que as pessoas reconheçam a importância do Espírito Santo no plano
divino da redenção. Sem a presença do Espírito Santo neste mundo, não haveria a
criação, o universo, nem a raça humana (Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; Sl 104.30). Sem
o Espírito Santo, não teríamos a Bíblia (2Pe 1.21), nem o NT (Jo 14.26, 1Co
2.10) e nenhum poder para proclamar o evangelho (1.8). Sem o Espírito Santo,
não haveria fé, nem novo nascimento, nem santidade e nenhum cristão neste
mundo. Este estudo examina alguns dos ensinamentos básicos a respeito do
Espírito Santo.
A
PESSOA DO ESPÍRITO SANTO. Através da Bíblia, o Espírito Santo é revelado como
Pessoa, com sua própria individualidade (2Co 3.17,18; Hb 9.14; 1Pe 1.2). Ele é
uma Pessoa divina como o Pai e o Filho (5.3,4). O Espírito Santo não é mera
influência ou poder. Ele tem atributos pessoais, a saber: Ele pensa (Rm 8.27),
sente (Rm 15.30), determina (1Co 12.11) e tem a faculdade de amar e de
deleitar-se na comunhão. Foi enviado pelo Pai para levar os crentes à íntima
presença e comunhão com Jesus (Jo 14.16-18,26; ). À luz destas verdades,
devemos tratá-lo como pessoa, que é, e considerá-lo Deus vivo e infinito em
nosso coração, digno da nossa adoração, amor e dedicação (ver Mc 1.11,).
A
OBRA DO ESPÍRITO SANTO. (1) A revelação do Espírito Santo no AT. Para uma
exposição da operação do Espírito Santo no AT. (2) A revelação do Espírito
Santo no NT. (a) O Espírito Santo é o agente da salvação. Nisto Ele
convence-nos do pecado (Jo 16.7,8), revela-nos a verdade a respeito de Jesus
(Jo 14.16,26), realiza o novo nascimento (Jo 3.3-6), e faz-nos membros do corpo
de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo, recebemos o
Espírito Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co-participantes da natureza
divina (2Pe 1.4). (b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação. Na
conversão, o Espírito passa a habitar no crente, que começa a viver sob sua
influência santificadora (Rm 8.9; 1Co 6.19). Note algumas das coisas que o
Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica i.e., purifica, dirige e leva-nos a
uma vida santa, libertando-nos da escravidão ao pecado (Rm 8.2-4; Gl 5.16,17;
2Ts 2.13). Ele testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda-nos na
adoração a Deus (At 10.45,46; Rm 8.26,27) e na nossa vida de oração, e
intercede por nós quando clamamos a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em nós as
qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23; 1Pe 1.2). Ele é
o nosso mestre divino, que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13; 14.26; 1Co
2.10-16) e também nos revela Jesus e nos guia em estreita comunhão e união com
Ele (Jo 14.16-18; 16.14). Continuamente, Ele nos comunica o amor de Deus (Rm
5.5) e nos alegra, consola e ajuda (Jo 14.16; 1Ts 1.6). (c) O Espírito Santo é
o agente divino para o serviço do Senhor, revestindo os crentes de poder para
realizar a obra do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo
relaciona-se com o batismo ou com a plenitude do Espírito. Quando somos
batizados no Espírito, recebemos poder para testemunhar de Cristo e trabalhar
de modo eficaz na igreja e diante do mundo (1.8). Recebemos a mesma unção
divina que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (2.4; ver
1.5), e que nos capacita a proclamar a Palavra de Deus (1.8; 4.31) e a operar
milagres (2.43; 3.2-8; 5.15; 6.8; 10.38). O plano de Deus é que todos os
cristãos atuais recebam o batismo no Espírito Santo (At 2.39). Para realizar o
trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga dons espirituais aos fiéis da
igreja para edificação e fortalecimento do corpo de Cristo (1Co 12—14). Estes
dons são uma manifestação do Espírito através dos santos, visando ao bem de
todos (1Co 12.7-11).
(d)
O Espírito Santo é o agente divino que batiza ou implanta os crentes no corpo
único de Cristo, que é sua igreja (1Co 12.13) e que permanece nela (1Co 3.16),
edificando-a (Ef 2.22), e nela inspirando a adoração a Deus (Fp 3.3), dirigindo
a sua missão (13.2,4), escolhendo seus obreiros (20.28) e concedendo-lhe dons
(1Co 12.4-11), escolhendo seus pregadores (2.4; 1Co 2.4), resguardando o
evangelho contra os erros (2Tm 1.14) e efetuando a sua retidão (Jo 16.8; 1Co
3.16; 1Pe 1.2).
(3)
As diversas operações do Espírito são complementares entre si, e não
contraditórias. Ao mesmo tempo, essas atividades do Espírito Santo formam um
todo, não havendo plena separação entre elas. Alguém não pode ter (a) a nova
vida total em Cristo, (b) um santo viver, (c) o poder para testemunhar do
Senhor ou (d) a comunhão no seu corpo, sem exercitar estas quatro coisas. Por
exemplo: uma pessoa não pode conservar o batismo no Espírito Santo se não vive
uma vida de retidão, produzida pelo mesmo Espírito, que também quer conduzir
esta mesma pessoa no conhecimento das verdades bíblicas e sua obediência às
mesmas.
MATÉRIA 07 - ANGELOLOGIA: A DOUTRINA
DOS ANJOS
1.
Introdução - Ao nosso redor há um mundo espiritual poderoso, populoso e de
recursos superiores ao nosso mundo visível. Bons e Maus espíritos passam em
nosso meio, de um lugar para o outro, com grande rapidez e movimentos
imperceptíveis. Alguns desses espíritos se interessam pelo nosso bem estar,
outros, porém, estão empenhados em fazer-nos o mal. Muitas pessoas questionam
se existem realmente tais espíritos ou seres, quem são, onde se encontram e o
que fazem.
A
palavra de Deus é a única fonte de informação que merece confiança, e que
possui respostas para estas perguntas. Ela deixa claro que há outra classe de
seres superiores ao homem. Esses seres habitam nos céus e formam os exércitos
celestiais, a inumerável companhia dos servos invisíveis de Deus. Esses são os
anjos de Deus, os quais estão sujeitos ao governo divino, e o importante papel
que têm desempenhado na história da humanidade torna-os merecedores de
referência especial. Existem também aqueles, pertencentes a mesma classe de
seres, que anteriormente foram servos de Deus mas que agora se encontram em
atitude de rebelião contra seu governo.
A
doutrina dos anjos segue logicamente a doutrina de Deus, pois os anjos são
fundamentalmente os ministros da providência de Deus. Essa doutrina permite-nos
conhecer a origem, existência, natureza, queda, classificação, obra e destino
dos anjos.
2. A origem dos anjos - A época de sua criação não é
indicada com precisão em parte alguma, mas é provável que tenha se dado
juntamente com a criação dos céus (Gn 1:1 ). Pode ser que tenham sido criados
por Deus imediatamente após a criação dos céus e antes da criação da terra,
pois de acordo com Jó 38:4-7, rejubilavam todos os filhos de Deus quando Ele
lançava os fundamentos da terra. Que os anjos não existem desde a eternidade é
mostrado pelos versículos que falam de sua criação ( Ne 9:6 , Sl 148:2,5; Cl
1:16 ). Embora não seja citado número definido na Bíblia, acredita-se que a
quantidade de anjos é muito grande ( Dn 7:10; Mt 26:53; Hb 12:22 ).
3. A natureza dos anjos
3.1-
São seres espirituais e incorpóreos. - Os anjos são descritos espíritos, porque
diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e
físicas. Aparecem e desaparecem, e movimenta-se com uma rapidez imperceptível
sem usar meios naturais. Apesar de serem espíritos, têm o poder de assumir a
forma de corpos humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do
homem (Gn 19:1-3).
Que
os anjos são incorpóreos está claro em Ef 6.12, onde Paulo diz que "a
nossa luta não é contra a carne nem sangue, e sim contra os principados e
potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes". Outras referências: Sl 104:4;
Hb 1:7,14; At 19:12; Lc 7:21; 8:2; 11:26; Mt 8:16; 12.45. Não têm carne nem
ossos e são invisíveis ( Cl 1:16).
3.2-
São um exército e não uma raça. As Escrituras ensinam que o casamento não é da
ordem ou do plano de Deus para os anjos (Mt 22:30; Lc 20:34 -36 ), portanto não
se caracteriza uma raça. No Velho Testamento por cinco vezes os anjos são
chamados de "filhos de Deus" ( Gn 6:2,4; Jó 1:6; 2:1; 38:7 ) mas
nunca lemos a respeito dos "filhos dos anjos". Os anjos sempre são
descritos como varões, porém na realidade não tem sexo, não propagam sua
espécie ( Lc 20:34-35 ).
Várias
passagens das Escrituras indicam que há um número muito grande de anjos (Dn
7:10; Mt 26:53; Sl 68:17; Lc 2:13; Hb 12:22 ), e são repetidamente mencionados
como exércitos do céus ou de Deus. No Getsêmani, Jesus disse a um discípulo que
queria defendê-los dos que vieram prendê-lo: "Acaso pensas que não posso
rogar ao meu pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de
anjos"? ( Mt 26:53 ). Portanto, seu criador e mestre é descrito como
"Senhor dos Exércitos".
É
evidente que eles são criaturas e portanto limitados e finitos. Apesar de terem
mais livre relação com o espaço e o tempo do que os homens, não podem estar em
dois ou mais lugares simultaneamente.
3.3-
São seres racionais morais e imortais. Aos anjos são atribuídas características
pessoais; são inteligentes dotados de vontade e atividade. O fato de que são
seres inteligentes parece inferir-se imediatamente do fato de que são espíritos
(2 Sm 14:20; Mt 24:36 , Ef 3:10; 1 Pe 1:12; 2 Pe 2:11). Embora não sejam
oniscientes, são superiores aos homens em conhecimento (Mt 24:36) e por ter
natureza moral estão sob obrigação moral; são recompensados pela obediência e
punidos pela desobediência.
A
Bíblia fala dos anjos que permanecerem leais como "santos anjos" ( Mt
25:31; Mc 8:38; Lc 9:26; At 10:22; Ap 14:10) e retrata os que caíram como
mentirosos e pecadores (Jo 8:44; 1 Jo 3:8-10).
A
imortalidade dos anjos está ligada ao sentido de que os anjos bons não estão
sujeitos a morte (Lc 20:35-36), além de serem dotados de poder formando o
exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, sempre prontos para fazer o
que o Senhor mandar ( Sl 103:20; Cl 1:16; Ef. 1:21; 3:10; Hb 1:14) enquanto que
os anjos maus formam o exército de Satanás empenhados em destruir a obra do
Senhor (Lc 11:21; 2 Ts 2:9; 1 Pe 5:8 ).
Ilustrações
do poder de um anjo são encontradas na libertação dos apóstolos da prisão ( At
5:19; 12:7) e no rolar da pedra de mais de 4 toneladas que fechou o túmulo de
Cristo (Mt 28:2 )
4. A classificação dos anjos
4.1-
Anjos bons e anjos maus - Há pouca informação sobre o estado original dos
anjos. Porém no dia de sua obra criadora Deus viu tudo quanto fizera, e eis que
era muito bom. Pressupõe-se que todos os anjos tiveram um boa condição original
(Jo 8:44; 2 Pe 2:4; Jd 6). Os anjos bons são chamados "anjos eleitos"
(1 Tm 5:21) e evidentemente receberam graça suficiente para habilitá-los a
manter sua posição de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição
e agora são incapazes de pecar . São chamados também de "santos anjos ou anjos
de luz" (2Co 11:14). Sempre contemplam a face Deus (Lc 9:26), e tem vida
imortal ( Lc 20:36 ). Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus ( Ne 9:6;
Fp 2:9-11; Hb 1:6; Jó 38:7; Is 6:3; Sl 103:20; 148:2 Ap 5:11).
4.2-
Quatro tipos de anjos bons:
1.
Anjos: Tanto no grego quanto no hebraico a palavra "anjo" significa
"mensageiro". São exércitos como seres alados (Dn 9:21; Ap 14:6) para
nos favorecer. Desde a entrada do pecado no mundo, eles são enviados para dar
assistência aos herdeiros da salvação (Hb 1:14). Eles se regozijam com a
conversão de um pecador (Lc 15:10), exercem vigilância protetora sobre os
crentes (Sl 34:7; 91:11), protegem os pequeninos (Mt 18:10), estão presentes na
igreja (1 Tm 5:21) recebem aprendizagem das multiformes riquezas da graça de
Deus (Ef 3:10; 1 Pe 1:12) e encaminham os crentes ao seio de Abraão (Lc
16:22,23). A idéia de que alguns deles servem de anjos da guarda de crentes
individuais não tem apoio nas Escrituras. A declaração de Mt 18:10 é geral
demais, embora pareça indicar que há um grupo de anjos particularmente
encarregado de cuidar das criancinhas. At 12:15 tampouco o prova, pois esta
passagem mostra apenas que, naquele período primitivo havia alguns, mesmo entre
discípulos, que acreditavam em anjos guardiões.
Embora
os anjos não constituam um organismo, evidentemente são organizados de algum
modo. Isto ocorre do fato de que ao lado do nome geral "anjo", a
Bíblia emprega certos nomes específicos para indicar classe de anjos. O termo
grego "angelos" (anjos = mensageiros ) também e freqüentemente
aplicado a homens (Mt 11:10; Mc 1:2; Lc 7:24; 9:52; Gl 4:14). Não há nas
Escrituras um nome geral, especificamente distintivo, para todos os seres
espirituais. Eles são chamados filhos de Deus, (Jó 1:6; 2:1) espíritos (Hb
1:14), santos (Sl 89:5,7; Zc 14:5; Dn 8:13 ), vigilantes (Dn 4:13,17). Contudo,
há nomes específicos que indicam diferentes classes de anjos.
2.
Querubins: São responsáveis pela guarda da entrada do paraíso (Gn 3:24),
observam o propiciatório (Ex 25:18,20; Sl 80:1; 99:1; Is 37:16; Hb 9:5) e
constituem a carruagem de que Deus se serve para descer à terra (2 Sm 22:11; Sl
18:10). Como demonstração do seu poder de majestade, em Ez 1º e Ap 4º são
representados simbolicamente como seres vivos em várias formas. Mais do que
outras criaturas, eles foram destinados a revelar o poder, a majestade e a
glória de Deus, e a defender a santidade de Deus no jardim do Éden, no
tabernáculo, no templo e na descida de Deus à terra.
3.
Serafins: Mencionados somente em Is 6:2,6, constituem uma classe de anjos muito
próxima dos querubins. São representados simbolicamente em forma humana com
seis asas cobrindo o rosto, os pés e duas prontas para execução das ordens do
Senhor. Permanecem servidores em torno do trono do Deus poderoso, cantam
louvores a Ele e são considerados os nobres entre os anjos.
4.
Arcanjos: O termo arcanjo só ocorre duas vezes nas escrituras (1 Ts 4:16; Jd
9), mas há outras referências para ao menos um arcanjo, Miguel. Ele é o único a
ser chamado de arcanjo e aparece comandando seus próprios anjos (Ap 12.7) e
como príncipe do povo de Israel (Dn 10:13,21; 12.1). A maneira pela qual
Gabriel é mencionado também indica que ele é de uma classe muito elevada. Ele
está diante da presença de Deus (Lc 1:19) e a ele são confiadas as mensagens de
mais elevada importância com relações ao reino de Deus (Dn 8:16; 9:21).
Principados,
potestades, tronos e domínios: A Bíblia menciona certas classes de anjos que
ocupam lugares de autoridades no mundo angélico, como principados e potestades
(Ef 3:10; Cl 2:10), tronos (Cl 1:16), domínios (Ef 1:21; Cl 1:16 ) e poderes
(Ef 1:21 , 1 Pe 3:22). Estes nomes não indicam espécies de anjos, mas
diferenças de classe ou de dignidade entre eles. Embora em Ef 1:21 a referência
parece incluir tanto anjos bons quanto os maus, nas outras passagens essa
terminologia se refere definitivamente apenas aos anjos maus (Rm 8:38; Ef 6:12;
Cl 2:15).
Anjos
Maus
Os
anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e como o homem dotado de livre
escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora do céu
(2 Pe 2:4; Jd 6). O pecado, no qual eles e seu chefe caíram foi o orgulho.
Alguns tem pensado que a ocasião de rebelião dos anjos foi a revelação da
futura encarnação do Filho de Deus e a obrigação deles o adorarem.
Segundo
as Escrituras, os anjos maus passam o tempo no inferno (2 Pe 2:4) e no mundo,
especialmente nos ares que nos rodeiam. (Jo 12:31; 14:30; 2 Co 4:4; Ap
12:4,7-9). Enganando os homens por meio do pecado, exercem grande poder sobre
eles (2 Co 4:3,4; Ef 2:2; 6:11,12); este poder está aniquilado para aqueles que
são fieis a Cristo, pela redenção que ele consumou (Ap 5:9; 7:13,14).
Os
anjos não são contemplados no plano da redenção (1 Pe 1:12), mas no inferno foi
preparado o eterno castigo dos anjos maus (Mt 25:41).
Os
anjos maus são empregados na execução dos propósitos de Satanás, que são
opostos aos propósitos de Deus, e estão envolvidos nos obstáculos e danos
contra a vida espiritual e o bem estar do povo de Deus.
5. A queda dos anjos
5.1-
O fato da sua queda - Tudo nos leva a crer que os anjos foram criados em estado
de perfeição. No capitulo 1º de Gênesis, lemos sete vezes que o que Deus havia
feito era bom. No ultimo versículo deste capitulo lemos "Viu Deus tudo o
quanto fizera, e eis que era muito bom". Isso certamente inclui a
perfeição dos anjos em santidade quando originalmente criados. Algumas pessoas
acham que Ez 28:15 se refere a Satanás. Se for assim, ele é definitivamente
mostrado como tendo sido criado perfeito. Mas diversas passagens mostram alguns
dos anjos como maus (Sl 78:49; Mt 25:41; Ap 9:11; Ap 12:7-9). Isto se deve ao
fato de terem deixado seu próprio principado e habitação apropriada (Jd 6) e
pecado (2 Pe 2:4). Não há duvida que Satanás tenha sido o chefe da apostasia.
Is 14:12 e Ez 28:15-17 parece lamentar a sua queda.
5.2-
A época de sua queda - Nas Escrituras não há referência de quando ocorreu a
queda dos anjos, mas deixa claro que se deu antes da queda do homem, já que
Satanás entrou no jardim na forma de serpente e induziu Eva a pecar (Gn 3).
5.3-
A causa de sua queda. - De acordo com as Escrituras o universo e a criatura
eram originalmente perfeitos. A criatura tinha originalmente a capacidade de
pecar ou não. Ela foi colocada na posição de poder fazer qualquer uma das duas
coisas sem ser obrigada a optar por uma delas. Em outras palavras, sua vontade
era autônoma.
Portanto,
conclui-se que a queda dos anjos se deu devido a sua revolta deliberada e auto
determinada contra Deus. Grande prosperidade e beleza parecem ser apontadas
como possíveis causas. Em Ez 28:11-19, o rei de Tiro parece simbolizar Satanás
e diz-se que ele caiu devido a essas coisas.
Ambição
desmedida e o desejo de ser mais que Deus parecem ser outra causa. O rei da
Babilônia é acusado de ter essa ambição, ele também parece simbolizar Satanás
(Is 14.13-14).
Em
qualquer um dos casos o egoísmo, descontentamento com aquilo que tinha e o
desejo de ter tudo o que os outros tinham, foi a causa da queda de Satanás e de
outros anjos que o seguiram.
5.4-
O resultado de sua queda - Todos eles perderam a sua santidade original e se
tornaram corruptos em natureza e conduta (Mt 10:1; Ef 6:11-12; Ap 12:9);
Alguns
deles foram lançados no inferno e estão acorrentados até o dia do julgamento (2
Pe 2:4);
Alguns
deles permanecem em liberdade e trabalham em definida oposição à obra dos anjos
bons (Ap 12:7-9; Dn 10:12,13,20,21; Jd 9);
Pode
também ter havido um efeito sobre a criação original. A terra foi amaldiçoada
ao pecado de Adão (Gn 3:17-19) e a criação está gemendo por causa da queda (Rm
8:19-22). Não é improvável, portanto, que o pecado dos anjos tenha tido algo a
ver com a ruína da criação original no capítulo 1º de Gênesis;
Eles
serão, no futuro, atirados para a terra (Ap 12:8-9), e após seu julgamento (1
Co 6:3), no lago de fogo e enxofre (Mt 25:41; 2 Pe 2:4; Jd 6).
6.
Os demônios - As Escrituras não descrevem a origem dos demônios. Essa questão
parece ser parte do mistério que rodeia a origem do mal. Porém, as Escrituras
dão claro testemunho da sua existência real e de sua posição (Mt 12:26-28). Nos
Evangelhos aparecem os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas
pessoas, das quais se diz que têm demônios. Os efeitos desta possessão se
evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas
principalmente com o sistema mental e nervoso (Mt 9:33; 12:22; Mc 5:4,5). O
indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o espírito
fala através de seus lábios ou emudece à sua vontade; leva-o aonde quer e geralmente
o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força sobrenatural.
Quando
examinam as Escrituras, algumas pessoas ficam em dúvida se os demônios devem
ser classificados juntamente com os anjos ou não; mas não há dúvida de que na
Bíblia, há ensino positivo concernente a cada um dos dois grupos.
Ainda
que alguns falem em "diabos", como se houvesse muitos de sua espécie,
tal expressão é incorreta. Há muitos "demônios", mas existe um único
"diabo". Diabo é a transliteração do vocábulo grego "diabolos",
nome que significa "acusador" e é aplicado nas Escrituras
exclusivamente a Satanás. "Demônio" é a transliteração de
"daimon" ou "daimonion".
6.1-
A natureza dos demônios - São seres inteligentes (Mt 8:29,31; 1 Tm 4:1-3; 1 Jo
4:1 e Tg 2:19), possuem características de ações pessoais o que demonstra que
possuem personalidade (Mc 1:24; Mc 5:6,7; Mc 8:16; Lc 8:18-31);
São
seres espirituais (Lc 9:38,39,42; Hb 1:13,14; Hb 2:16; Mt 8:16; Lc 10:17,20);
São
reputados idênticos aos espíritos imundos, no Novo Testamento;
São
seres numerosos (Mc 5:9) de tal modo que tornam Satanás praticamente ubíquo por
meio desses seus representantes;
São
seres vis e perversos - baixos em conduta (Lc 9:39; Mc 1:27; 1 Tm 4:1; Mt 4:3);
São
servis e obsequiosos (Mt 12:24-27). São seres de baixa ordem moral, degenerados
em sua condição, ignóbeis em suas ações, e sujeitos a Satanás.
6.2-
As atividades dos demônios - Apossam-se dos corpos dos seres humanos e dos
irracionais (Mc 5:8, 11-13);
Afligem
aos homens mental e fisicamente (Mt 12:22; Mc 5:4,5);
Produzem
impureza moral (Mc 5:2; Ef 2:2);
7.
Satanás
7.1-
Sua origem - Alguns afirmam que Satanás não existe, mas observando-se o mal que
existe no mundo, é lógico que se pergunte: "Quem continua a fazer a obra
de Satanás durante a sua ausência, se é que ele não existe?"
Satanás
aparece nas Escrituras como reconhecido chefe dos anjos decaídos. Ele era
originalmente um dos poderosos príncipes do mundo angélico, e veio a ser o
líder dos que se revoltaram contra Deus e caíram. De acordo com as Escrituras,
Satanás era originalmente Lúcifer ("o que leva a luz"), o mais
glorioso dos anjos. Mas ele orgulhosamente aspirou a ser "como o
Altíssimo" e caiu "na condenação (Ez 28:12,19; Is 14:12-15). O nome "Satanás"
revela-o como "o adversário", não do homem em primeiro lugar, mas de
Deus. Ele investe contra Adão como a coroa da produção de Deus, forja a
destruição, razão pela qual é chamado Apolion (destruidor), Ap 9:11, e ataca
Jesus, quando Este empreende a obra de restauração. Depois da entrada do pecado
no mundo ele se tornou "diabolos" (acusador), acusando continuamente
o povo de Deus, Ap 12:10. Ele é apresentado nas Escrituras como o originador do
pecado (Gn 3:1,4; Jo 8:44; 2 Co 11:3; 1 Jo 3:8; Ap 12:9; 20:2,10) e aparece
como reconhecido chefe dos que caíram (Mt 25:41; 9:34; Ef 2:2). Ele continua
sendo o líder das hostes angélicas que arrastou consigo em sua queda, e as
emprega numa desesperada resistência a Cristo ao seu reino. É também chamado
"príncipe deste mundo" (Jo 12:31; 14:30; 16:11) e até mesmo
"deus deste século" (2 Co 4:4). Não significa que ele detém o
controle do mundo, pois Deus é quem o detém, e Ele deu toda autoridade a
Cristo, mas o sentido é que Satanás tem sob controle este mundo mau, o mundo
naquilo em que está separado de Deus (Ef 2:2).
Ele
é mais que humano, mas não é divino; tem poder, mas não é onipotente; exerce
influência em grande escala, mas restrita (Mt 12:29; Ap 20:2), e está destinado
a ser lançado no abismo (Ap 20:10).
7.2-
Seu caráter:
Presunçoso
(Mt 4:4,5);
Orgulhoso
(1 Tm 3:6; Ez 28:17);
Poderoso
(Ef 2:2);
Maligno
(Jó 2:4);
Astuto
(Gn 3:1; 2 Co 11:3);
Enganador
(Ef 6:11);
Feroz
e cruel (1 Pe 5:8).
7.3-
Suas atividades:
1. A natureza das atividades:
Perturbar
a obra de Deus (1 Ts 2:18);
Opor-se
ao Evangelho (Mt 13:19; 2 Co 4:4);
Dominar,
cegar, enganar e laçar os ímpios (Lc 22:3; 2 Co 4:4; Ap 20:7,8; 1 Tm 3:7);
Afligir
e tentar os santos de Deus (1 Ts 3:5).
2.
O motivo de suas atividades: Ele odeia até a natureza humana com a qual se
revestiu o Filho de Deus. Intenta destruir a igreja porque ele sabe que uma vez
perdendo o sal da terra o seu sabor, o homem torna-se vítima em suas mãos
inescrupulosas.
3.
Suas atividades são restritas: Ao mesmo tempo em que reconhecemos que Satanás é
forte, devemos ter cuidado de não exagerar o seu poder. Para aqueles que crêem
em Cristo, ele já é um inimigo derrotado (Jo 12:31), e é forte somente para
aqueles que cedem à tentação. Apesar de rugir furiosamente ele é covarde (Tg
4:7). Não pode tentar (Mt 4:1), afligir (1 Ts 3:5), matar (Jó 2:6), nem tocar
no crente sem a permissão de Deus.
7.4-
Sua atuação - Não limita suas operações aos ímpios e depravados. Muitas vezes
age nos círculos mais elevados como "um anjo de luz" (2 Co 11:14).
Deveras, até assiste às reuniões religiosas, o que é indicado pela sua presença
no ajuntamento dos anjos (Jó 1:6), e pelo uso dos termos "doutrina de
demônios" (1 Tm 4:1) e "a sinagoga de Satanás" (Ap 2:9).
Freqüentemente seus agentes se fazem passar como "ministros de justiça"
(2 Co 11:15).
7.5-
Sua derrota: Deus decretou sua derrota (Gn 3:14,15). No princípio foi expulso
do céu; durante a grande tribulação será lançado da esfera celeste à terra (Ap
12:7-9); durante o milênio será aprisionado no abismo (Ap 20:1-3), e depois de
mil anos será lançado no lago de fogo (Ap 20:10). Dessa maneira a Palavra de
Deus nos assegura a derrota final do mal.
MATÉRIA 08 - BATALHA ESPIRITUAL
Introdução:
"Há
dois erros iguais e contrários em que nossa raça pode cair com respeito aos
diabos. Um é não acreditar na sua existência. O outro é acreditar e sentir um
interesse excessivo e insalubre neles." (C.S. Lewis, Screwtape Letters,
p.3)
Creio
que hoje mais do que nunca se cumprem estas palavras de C.S. Lewis, temos
igrejas que nem acreditam no diabo e por outro lado temos igrejas que acreditam
demais no diabo. Você está em guerra, não estamos vivendo uma vida de
Disneylândia espiritual, esta guerra acontece 24 horas por dia, Satanás não
descansa, não tira férias, não passa mais tarde.
Hoje
a Igreja vive uma diferente perseguição de Satanás, pois hoje ele está agindo
dentro da Igreja. Durante muitos anos ele agiu fora da Igreja, mandando matar
os cristãos, mas hoje ele está matando os cristãos com as mais variadas
heresias. Pastores estão exorcizando cidades, crentes estão sendo possuídos por
demônios.
“Para
que Satanás não alcance vantagem sobre nós”,
pois
não lhe ignoramos os desígnios." (2 Co 2:11)
I
- QUEM É O INIMIGO: Satanás e seus anjos
A.)
Terminologia bíblica: Satanás é achado em 7 livros do A.T., e por cada autor do
N.T.:
Satanás:
a.)
A.T. hb. satan, "adversário" do verbo "ficar em emboscada (como
inimigo); opor-se"; satã é usado 15 de 23 vezes para a pessoa de Satanás.
b.)
N.T. gg. satanás é quase sempre o grande adversário de Deus e do homem - o
Diabo; das 36 vezes, só três não se referem absolutamente à pessoa de Satanás.
(Mt 16:23; Mc 8:33: Jo 6:70).
Diabo:
gg. diábolos, 33 vezes, "caluniador, difamador".
Outros
nomes de Satanás: Nos nomes vemos o caráter de Satanás:
“O
grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás”,
"O
sedutor de todo mundo" Ap. 12:9;
"Acusador
dos nossos irmãos, Ap.12:10:
"Lúcifer"
ou "a estrela da manhã" Is.14:12 (cf. 2 Co 11:14: anjo de luz)
"Belzebu"
maioral dos demônios - Mt 12:24
"Maligno"
Mt 13:38
"Belial"
- "sem lei; anárquico; desordenado" 2 Co 6:15
"Tentador"
- Mt 4:3; 1 Ts 3:5
"Inimigo"
Mt 13:28,29
"Homicida"
Jo 8:44
"O
Pai da mentira" Jo 8:44
"O
deus deste século" - 2 Co 4:4
"O
Príncipe da potestade do ar" Ef. 2:2
"O
Príncipe deste mundo" Jo 14:30; 16:11
"O
Abadom" (Hb); "Apoliom" (gg) Ap. 9:11
destruidor;
exterminador" (Abadom = sheol ou hades 3 vezes; a morte 2 vezes;
provavelmente aqui "o anjo do abismo", o rei dos demônios.
Demônios,
gg. daímon 5 vezes: daimónion 60 vezes vb. daimonízomai 13 vezes: fora de 10
vezes, todos os usos ficam nos Evangelhos. Geralmente = seres espirituais e
maus (às vezes, deuses dos pagãos); provavelmente os demônios sãos os anjos de
Satanás que caíram com ele.
Os
demônios tem personalidade; inteligência (2 Co 11:3); vontade (2 Tm 2:26);
emoções (Ap 12:17)
Eles
sabem da sua condenação (Mt 8:29; Lc 8:28-31)
Alguns
já estão encarcerados no abismo e alguns destes serão libertados na grande
tribulação (2 Pe 2:4; Jd 6; Ap 9:14; 16:14: Lc 8:31, etc.)
Eles
conhecem a Jesus (Mt 8:29: Mc 1:24)
Eles
tem suas doutrinas e promovem doutrinas falsas (1Tm 4:1-3)
Podem
habitar em homens e animais (Mc 4:24; 5:13)
Eles
podem causar doenças (Mt 9:33; cf. Jo 2:7)
Alguns
poderosos enganam as nações (Dn 10:13; Ap 16:13,14; Is 24:21)
B.
Caráter e Atividade de Satanás:
1.)
A pessoa de Satanás (Ez 28:12,17; Is 14:12-15)
No
mundo antigo, um rei freqüentemente foi deificado e visto como o mediador entre
a sua cidade-país (i.é., Tiro, Babilônia, Roma) e o deus nacional. Nestas
passagens, os profetas falam não somente ao rei, mas ao deus-espírito atrás do
rei.
Satanás
foi criado “querubim da guarda ungido, o sinete da perfeição, formoso,
poderoso, mas finito”.
Ele
caiu por causa do orgulho (Is. 14:12-14; Ez 28:15-17 cf.. I Tm 3:6)
O
que Satanás tem, é dado, permitido e limitado pelo Deus soberano.
"O
Diabo acha que ele está livre; mas ele tem um freio na boca e Deus segura as
rédeas"(B.B. Warfield).
2.)
Posição de Satanás:
Ele
ainda tem acesso ao trono de Deus.
(Jo
1:6; 2:1; Zc 3:1-6; Lc 22:31; Ap 12:7-10)
Ele
reina sobre a hierarquia dos demônios.
(Mt
25:4; Ef 6:12: Ap 12:7)
Ele
reina sobre este mundo.
(Lc
4:5,6; 2 Co 4:3;4; Ef 2:1-3; I Jo 5:19-20)
3.)
Atividade do Diabo e seus anjos:
Tentar: (Gn 3:1; Mt 4:11;
16:23; Lc 22:31; At 5:3; I Co 7:5; I Tm 3:6,7; I Jo 2:16)
Confundir,
enganar, contrafazer, imitar ( I Co 10:20; 2 Co 4:3,4; 11:13-15 (anjo de luz);
2 Ts 2:9; Ap 16:13s; 20:3)
Destruir
- (Lc 8:12 (tirar a Palavra); I Pe 5:8; Ap 12:13-17)
Habitação:
"possessão demoníaca" não comunica bem o conceito do gg.
daimonizomenos (Mt 15:22) = "endemoninhado", que é um estado de
passividade humana causada pelos demônios; o controle de alguma forma dum
demônio (cf. Mt 12:22-28, 43-45)
Especificamente
contra os cristãos: tenta-os a mentir (At 5:3); à imoralidade (1 Co 7:5);
semeia o joio para enganar e atrapalhar (Mt 13:38s; 1 Ts 2:18); perseguição (Ap
2:10); difamação e calúnia (Ap 12:10); cria problemas físicos (2 Co 12:7-10)
Qual
a diferença entre Opressão Satânica e Possessão Demoníaca?
Possessão
é Demoníaca e Opressão é Satânica:
Na
Possessão a vítima é dominada pelo demônio, corpo, alma e espírito.
O
crente que estiver andando com Deus em fé e obediência não pode ser possuído de
um espírito demoníaco, cf: (Ap 3:20; Rm 12:1;2; II Co 5:17; Jo 3:3-5; Ef
1:13-14; Jo 14:23-30; Jo 14:16; II Co 2:16: 12-13; 1 Co 3:16-18; 1 Co 6:19-20;
Rm 8:9-10; 1 Jo 5:19; Jo 14:30).
Opressão
- todos os cristãos são alvos de Satanás para cairmos numa vida de pecado, por
isso muitos cristãos podem sofrer, cf. (E 6:13; Tg 4:7)
Obsessão
demoníaca - é um ataque mais intenso de ataque demoníaco (II Co 12:7-10).
II
- QUEM É O VENCEDOR? O poder do Sangue de Cristo
A.)
O que Cristo fez na cruz: 17 cumprimentos
"Porque
Jesus Cristo é Deus e homem, a Sua morte na cruz tem valor infinito para todos
que crêem" (F.Schaeffer)
Substituição:
Ele morreu no nosso lugar (Lv 1:4; Mt 20:28; Tm 5:6-8; 2 Co 5:15-21; 1 Pe 3:18)
Redenção:
pagou o preço para libertar-nos (At 20:28; Rm 3:24; Ef 1:7; 1 Pe 1:18-19)
Propiciação:
satisfez a ira santa de Deus contra os pecados (Rm 3:25; Hb 2:17; 1 Jo 2:2)
Reconciliação:
o homem pode ser amigo de Deus (Rm 5:10,11; 2 Co 5:18-21; Ef 1:10; 2:16)
Justificação:
a justiça de Cristo é imputada a nós (At 13:39; Rm 3:19-26; 5:9; 8:30,31; 2 Co
5:21; Ef 1:4)
Base
do perdão dos pecados antes da cruz (Rm 3:25; Hb 9:15; 10:1-14)
O
fim da lei Mosaica; agora há "a lei de Cristo", a lei do Espírito. Rm
3:19-28; 6:14; 8:2-4; 10:4; 13:8s; 2 Co 3:6-17: Gl 3:19-25; Fp 3:3; Cl 2:14; I
Jo 3:23)
Base
da adoção como filhos e herdeiros maduros - Rm 8:14-17; Gl 3:23-26; 4:1-7.
Base
da obra do Espírito Santo em nós - Jo 3:1-7; 16:8-11; I Co 12:13; Ef 1:13-14;
4:30; 5:18)
Base
da santificação - posicional e experimental - I Co 1:2; 6:11; Ef 5:26-27; I Ts
4:3; I Pe 1:15-16.
O
juízo da natureza pecaminosa: quebrou o poder controlador do pecado; podemos
viver vidas que agradam a Deus. Rm 6:1-14; Gl 5:13-25.
Base
do perdão dos pecados do crente: filhos que caem da comunhão com Deus devido ao
pecado. Rm 8:1s; I Jo 1:7; 2:2.
Jesus
é o primogênito do processo da morte, ressurreição, ascensão e glorificação que
nós seguiremos (I Co 15:12-23; Cl 1:18; I Ts 4:13-17: Hb 2:9-15; I Jo 3:1,2.)
Base
da redenção da natureza. Rm 8:18-22; Is 65:17-25; Ap 21:1s.
Base
da purificação das coisas no céu - Hb 9:22-24 (cf. 8:1-5; 9:11)
A
cruz é a base do juízo dos incrédulos - o dom da salvação rejeitado - Jo
16:8-11, cf. Jo 3:14-18,36; 2 Ts 1:6-11; Ap 20:11-15.
Na
cruz, o pecado, a morte e Satanás foram vencidos:
o
pecado - I Jo 5:18-19; cf. n.11 acima
a
morte - Jo 5:24-27; I Co 15:55-57; Hb 2:14-15; Ap 20:14
Satanás
e os demônios - Jo 12:31-33; Hb 2:14,15; Ap 20:10
B.
Os Juízos de Satanás e seus anjos:
Satanás
e os anjos perderam sua posição no céu (Ez 28:16)
Ele
foi julgado profeticamente no jardim do Éden
(Gn
3:16)
Cristo
veio a primeira vez para destruir as obras do maligno. (I Jo 3:8; 5:18; Cl
2:14,15)
Quando
Cristo voltar, Satanás receberá um castigo temporário dum mil anos no abismo
(Ap 20:1-3)
No
fim do milênio, no juízo final, Satanás e os seus anjos serão lançados no lago
de fogo e enxofre para eternidade. (Ap 20:10)
III
- COMO DEVEMOS LUTAR?
Três
passos à vitória
A.
Observações Iniciais:
1..
Satanás é feroz: "A razão pela qual muitos cristãos falham por toda vida é
esta: eles sub-estimam o poder do inimigo. Temos um inimigo terrível com quem
temos que lutar. Não deixa Satanás nos enganar. Pois assim estaremos mortos!
Isto é guerra. Quase tudo que nos rodeia (neste mundo) nos desvia de Deus. Não
saltamos do Egito ao trono de Deus num pulo só. Há um deserto, uma viagem, e há
inimigos na terra." (D.L.Moody, cf. I Pe 5:8)
2..
Satanás é finito: não é onipotente, onipresente ou onisciente. Geralmente, no
sentido direto, o diabo e os seus demônios não nos tentam diariamente. Claro, o
mundo está controlado espiritual e moralmente por satanás. Mas tentação vem
principalmente da nossa própria carne: cobiça, orgulho, concupiscência, falta
de autocontrole, etc. (Tg 1:13-16; 4:1-8)
3..
Satanás e os demônios são limitados por Deus. O Senhor os permitem ser ativos,
mas a graça que restrita não deixa-os fazer tudo que quiserem (Jó 1:6 , 2:7; Lc
22:31; 2 Co 12:7-9). Em qualquer situação. “... Deus é fiel, e não permitirá
que sejais tentados além das vossas forças... (mas) com a tentação vos proverá
livramento..." (I Co 10:13). Cristo, nosso Sumo-Sacerdote, constantemente
intercede por nós - Jo 17:15; Hb 7:25: I Jo 2:1-2.
Passo
Um: Pureza
1.
Cristo adquiriu nossa pureza na cruz. Apesar de falhas nas nossas vidas - das
quais satanás gosta de nos acusar (Zc 3:1-5; Ap 12:10) - somos posicionalmente
puros, vestidos na justiça de Jesus Cristo. Satanás não pode tocar nossa
salvação, nem nos separar do amor de Deus (Rm 8:38,39); temos uma posição de
aceitação e autoridade em Jesus Cristo. (Rm 8:1; Ef 1:6)
2..
Mas devemos buscar a santidade, experimentalmente realizando Sua chamada alta.
O pecado na vida nos destrói, abrindo a porta para opressão.
Seja
santificado pela Palavra - Jo 17:17: 2 Tm 3:16
Confessar
e renunciar tudo na nossa vida contra Deus - Ef 4:27; I Ts 4:3 cf. Êx 20:4-6.
Nada
disponhais para a carne - Rm 13:12-14
Chegai-vos
a Deus - Tg 4:8
Passo
dois: As armas de Deus
1..
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, cada peça tem propósito para lutar, e
sugere como satanás ataca.
O
largo cinto da verdade
A
couraça da justiça
Calçai
os pés com a preparação do evangelho
O
escudo da fé
O
capacete da salvação
2. A espada do Espírito = a Palavra de Deus (Mt 4:4)
3.
O poder conquistador da oração:
No
nome de Jesus - Jo 14:13,14'; 15:7;16; 16:23-27
Com
consciência pura - Tg 4:2,3; 5:16; I Jo 3:21s.
Poder
do Espírito Santo - Rm 8:26s; Ef 6:18; Jd 20s
Com
fé - Hb 11:1-6; Mc 11:22-24; Tg 1:5-8; 5:14,15
Com
perseverança - Ef 6:18; Cl 4:2; Lc 11:5-10
Às
vezes com jejum - At 13:2-3; 14:23; Mc 9:29
Passo
três: Como Vencer Satanás e os demônios
1..
Seja sempre sóbrio e vigilante - 1 Pe 5:8-9a
2..
Quando você confrontar a presença satânica, não seja tolo. Tome cuidado - Jd 9;
2 Pe 2:10s; At 19:12-17
3..
Reconheça a sua autoridade em Jesus Cristo - Lc 9:1; 10:1-20; At 5:16; 8:7; 16:16-18; I Jo 4:4;
Mc 16:17.
4..
Também; os demônios crêem e tremem - Tg 2:19
5..
Imediatamente, no nome de Jesus, peça que o Senhor quebre os poderes de Satanás
e os demônios e limpe a situação. Lembre-se que o Sangue de Cristo é a prova
que Satanás foi conquistado na cruz, e que o seu juízo foi selado.
6.
Em casos graves, ache outros irmãos logo que possível. Junte-se com eles para
orar e resistir ao maligno. Não tente exorcizar ou confrontar sozinho um
demônio, exceto quando é difícil de achar ajuda. Nos casos de habitação
demoníaca, seria sábio em procurar líderes cristãos que tem experiência nisso.
Entretanto, você, bem preparado, pode exorcizar sozinho.
7.
"Sujeitai-vos pois à Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós"(Tg
4:7)
"Eles,
pois o (Acusador) venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da
palavra do testemunho que deram, e mesmo em face de morte, não amaram a própria
vida". (Ap 12:11)
MATÉRIA 09 - ESCATOLOGIA: A DOUTRINA DA
ULTIMAS COISAS
Escatologia
significa Doutrina das Últimas Coisas e, portanto, tem como escopo o estudo das
profecias concernentes ao fim desta era e a volta de Cristo.
I.
A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
A)
Sua Realidade: Já no tempo dos apóstolos a segunda vinda de Cristo era negada
(IIPe.3:4), e ainda hoje encontramos pessoas que negam a realidade desta
doutrina. Por isso é necessário demonstrar, pelas Escrituras, a sua realidade.
Ela é estabelecida por vários testemunhos bíblicos:
1) Pelo Testemunho dos Profetas
(Zc.14:3-5; Ml.3:1; Ez.21:26,27).
2) Pelo Testemunho de João Batista
(Lc.3:3-6).
3) Pelo Testemunho de Cristo
(Jo.14:2,3).
4) Pelo Testemunho dos Anjos
(At.1:11).
5)
Pelo Testemunho dos Apóstolos (Mc.13:26; Lc.21:27; IJo.3:1-3; Tg.5:7;
IPe.1:7,13; ITs.4:13-18; Hb.9:27).
B) A Natureza da Segunda Vinda:
1) Não é Espiritual:
a) Como a vinda do
Espirito Santo no Pentecostes.
b) Como na conversão do
pecador.
c) Como na conversão do
mundo, pela expansão do cristianismo (Lc.18:8; IITs.2:13-12; ITm.4:1;
Lc.17:26-30).
2) É Literal:
a)
Pessoal e Corporal: A parousia indica presença pessoal (At.1:11; ITs.4:14-17).
A palavra parousia é usada nas seguintes passagens: (Mt.24:3,27,37,39;
ICo.1:8;15:23; ITs.2:19; ITs.3:13;4:15;5:23; IITs.2:1; Tg.5:7;
IIPe.1:16;3:4,12; IJo.2:28; e nas seguintes passagens referindo-se a homens:
(ICo.16:17; Fp.2:12; IICo.10:10).
b) Visível: A
apokalupsis indica a visibilidade da vinda do Senhor
(Ap.1:7,9-11;
Mt.24:26, 27,30; Lc.21:27; Tt.2:13; IJo.3:2,3; Is.52:8; Os.5:15).
O termo apokalupsis é usado nas seguintes passagens:
(Rm.8:19; IITs.1:7; IPe.1:7,13;4:13).
Obs.: O termo
epiphaneia (aparição, manifestação) é usado tanto para o primeiro advento (IITm.1:10), como para o segundo
(IITs.2:8; ITm.6:14; IITm.4:1,8; Tt.2:13).
3) É Súbita (Ap.22:7,12,20;
Mt.24:27).
4) É Iminente, do ponto de vista
profético (Tt.2:13; Hb.9:28; ITs.1:9,10; Rm.13:11).
5) É Próxima, do ponto de vista
histórico (Lc.21:28; Mt.16:3;24:33;24:3).
6) Em duas Fases (Sf.2:3).
a) A primeira fase: O
arrebatamento da igreja, nos ares (ITs.4:16,17; Jo.14:3); a parousia..
b) A segunda fase: A
revelação ao mundo, na terra (IITs.1:7-9;2:7,8; Cl.3:4; Ap.1:7; Jl.3:11; ITs.3:11;
Zc.14:4,5; Jd.14).
7) Analogias: Há na Bíblia algumas
analogias interessantes a estes dois aspectos da segunda vinda.
a)
Davi: A volta de Davi da outra banda do Jordão depois de Abraão e seus
seguidores terem sido derrotados, a ida de Judá ao seu encontro, e a volta dos
dois juntos para Jesuralém (IISm.19:10-15,40; IISm.20:1-3).
b)
Joiada: A revelação particular de Joiada aos capitães e aos cários, e sua
revelação pública um pouco mais tarde (IIRs.11:4-12).
c)
Pedro: O encontro de Pedro com Jesus, andando sobre as águas. Pedro foi até
Ele, e os dois voltaram juntos para o barco (Mt.14:22-34).
d)
Paulo: Quando Paulo aproximou-se de Roma, os irmãos foram ao seu encontro e
todos voltaram juntos para a capital (At.18:15,16).
e)
Isaque: O encontro de Isaque com Rebeca (Gn.24). Neste trecho Abraão é um tipo
de um Rei que faria o casamento de seu Filho (Mt.22:2). O Servo anônimo um tipo
do Espirito Santo, que não fala de si mesmo, mas das coisas do Noivo para
conquistar a noiva (Jo.16:13,14), e que enriquece a noiva com presentes do
Noivo (ICo.12:7-11; Gl.5:22-23), e que traz a noiva ao encontro do Noivo (At.13:4;16:6-7;
Rm.8:11; ITs.4:14-17). Rebeca é um tipo da igreja, a virgem noiva de Cristo
(Gn.24:16; IICo.11:2; Ef.5:25-32). Isaque, um tipo do Noivo, a quem não havendo
visto, a noiva ama através do testemunho do Servo anônimo (IPe.1:8), e que sai
ao encontro de Sua noiva para recebê-la (Gn.24:63; ITs.4:14-17). Estes
incidentes não provam a teoria, mas ilustram a dupla natureza da volta de
Cristo.
8)
Pré-Tribulacional: A primeira fase (Ap.3:10).
9)
Pré-Milenista: A primeira e segunda fase (IITm.2:12).
C)
Os Sinais Precedentes da Segunda Vinda:
1)
Sinais nos Céus (Lc.21:25a).
2)
Sinais na Terra (Lc.21:25b; Mt.19:28;24:6-8).
a)
Terremotos (Mt.24:7).
b)
Pestes (Mt.24:7).
c)
Guerras e fome (Mt.24:7).
d)
Progresso científico (Dn.12:4; Na.2:4).
e)
Apostasia (ITm.4:1; IITm.4:1-4; IIPe.2:1,2).
f)
Tempos difíceis (IITm.3:1-5; Tg.5:1-8).
II. A TRIBULAÇÃO - Imediatamente após o
arrebatamento da igreja inicia-se um período de tempo, na terra, que a Bíblia
chama de tribulação.
A)
Tipos de Tribulação: Os teólogos se dividem em três diferentes correntes
1)
Mid-Tribulacionistas: Os defensores desta opinião acreditam que a igreja vai
passar pela primeira metade da tribulação, e será arrebatada no meio (mid) dos
dois períodos de três anos e meio cada. Seus defensores citam At.14:22 para
fundamentar esta opinião.
2)
pós-tribulacionistas: Estes acreditam que a igreja passará por todo o período
da tribulação, e será arrebatada apenas após a tribulação, por ocasião da
segunda vinda de Cristo. Eles não distinguem a segunda vinda em duas
fases.
3)
Pré-Tribulacionistas: Os defensores desta doutrina acreditam que a igreja não
passará pela tribulação, pois será arrebatada antes que ela se inicie(Ap.3:10;
Rm.5:9; ITs.1:10;5:9)
B)
O Período da Tribulação: Segundo as Escrituras o período da tribulação é de
sete anos, um período que será abreviado por causa dos eleitos (Mt.24:22).
1) Identificado com a 70 semana: A
tribulação é também chamada de septuagésima semana de Daniel. Deus revelou a
Daniel que 70 semanas de anos (Ez.4:5,6; Gn.29:27; Lv.25:8; Dn.9:2,24) estavam
determinada sobre Israel. Estas 70 semanas inciaram-se com a volta de Neemias e
com a reconstrução dos muros e da cidade de Jerusalém (Dn.9:25; Ne.2:1-8). O
sacrifício de Cristo na cruz ocorreu depois da 69 semanas (Dn.9:25), bem como a
destruição de Jerusalém em 70 d.C. A última semana, ou seja a septuagésima,
mencionada em Dn.9:27, ainda não se cumpriu, demonstrando que há uma quebra na
sucessão das semanas, por um período de tempo indeterminado, entre a 69 e a 70
semana, período este reservado para os gentios (Lc.21:24).
2)
Dividido em dois Períodos: Esta última semana divide-se em dois períodos de
três anos e meio cada um.
a)
Anos: A expressão "um tempo, tempos e metade de um tempo"
(Dn.7:25;12:7; Ap.12:14) se refere a "um ano, dois anos e metade de um
ano", o que eqüivale a "três anos e meio".
b)
Meses: Este período de três anos e meio eqüivale ao período de "quarenta e
dois meses" mencionado na Bíblia (Ap.11:2;13:5).
c)
Dias: O mesmo período também identificado na Bíblia por dias: "1.260
dias" (Ap.11:3;12:6; Dn.12:11,12).
3)
A Primeira Metade da Tribulação:
a)
Aliança de Israel com o Anticristo (Dn.9:27; Jo.5:43; Is.28:14-18).
b)
As duas testemunhas (Ap.11;3).
4)
A Segunda Metade da Tribulação: Chamada de grande tribulação ou angústia de
Jacó (Mt.24:21; Jr.30:7; Dn.12:1).
a)
Perseguição aos judeus (Ap.11:2;12:6,14).
b)
Perseguição aos convertidos (Ap.7:13,14).
c)
A besta política, o Anticristo (Ap.13:1-10).
d)
A besta religiosa, o Falso Profeta (Ap.13:11-18).
e)
Os 144.000 judeus (Ap.7:4-8;14:1-5).
f)
Abominação desoladora (Dn.9:27;12:11; Mt.24:15; Ap.13:14,15; IITs.2:9).
III. O MILÊNIO
Depois
da tribulação Cristo voltará à terra com Seus santos e inaugurará o reino
milenial (Ap.20:2-7). A palavra millennium vem do latim mille e annus que
significa mil anos. O termo grego usado na Bíblia é chiliasm (quiliasmo).
A)
Tipos de Milênio:
1)
Amilenistas: Os que defendem esta posição não crêem na literalidade do reino
milenial. Para eles o milênio é uma realidade puramente espiritual, que se
estende do primeiro advento ao segundo advento de Cristo, período este que já
se completou quase 2.000 anos, e que culminará na grande tribulação para
restauração da igreja e o progresso do testemunho do evangelho.
2)
Pós-Milenistas: Tal como os amilenistas, os pós-milenistas colocam a segunda
vinda e o arrebatamento da igreja depois do milênio e da tribulação. eles
identificam a tribulação com a revolta de Gogue e Magogue (Ap.20:8,9). Os
pós-milenistas
acreditam que a história avança em direção à cristianização do mundo pela
igreja, e que haverá um milênio futuro de duração indeterminada.
3)
Pré-Milenistas: Para estes o milênio é futuro e literal de mil anos na terra,
que vem precedido pela tribulação, e é posterior a segunda vinda. Há dois tipos
de pré-milenismo, a saber:
a)
Pré-Milenismo Histórico: Colocam o milênio depois da tribulação, mas crêem que
a tribulação será um período breve e indeterminado de aflição.
b)
Pré-Milenismo Dispensacionalista: Estes vinculam a tribulação à 70 semana de
Daniel, e, assim, baseado nela, consideram a sua duração por um período de sete
anos.
B)
A Natureza do Milênio:
1)
Cristo Reinará (Zc.14:9).
2)
Davi Reinará (Ez.34:23,24;37:24; IICr.13:5; At.15:16).
3)
Os Crentes Reinarão (Dn.7:18; Ap.5:10).
4)
Haverá Justiça (Is.32:1; Sl.66:3;81:15; Zc.14:17-19).
5)
Haverá Conhecimento de Deus (Is.11:9; Jr.31:34).
6)
Haverá Paz (Is.2:4;9:6,7).
7)
Haverá Prosperidade (Is.35:1,2;51:3; Am.9:13).
8)
Haverá Longevidade de Vida (Is.65:20;33:24).
IV.
AS RESSUREIÇÕES
A) Ensinada pelo Antigo Testamento (Jó
19:25-27; Sl.16:9-11;17:15; Is.26:19; Os.13:14; IIRs.4:32-35;13:20,21
IRs.17:17-24; Dn.12:2).
B) Ensinada pelo Novo Testamento
(Jo.5:21,28,29; IPe.1:3 At.26:8,22,23;23:6-8; Jo.6:39,40,44,54;
Lc.14:13,14;20:35,36; ICo.15:22,23; ITs.4:14-16; Fp.3:11; Ap.20:4-6,13,14;
Jo.11:41-44; Lc.7:12-15;8:41,42,49-56; Mt.27:52,53; Mt.28; Jo.20).
C) A Natureza da Ressurreição:
1)
Universal (Jo.5:28,29).
2)
Dupla (Dn.12:2; Ap.20:4,5).
a)
A primeira ressurreição: Em cinco etapas:
-
Cristo: as primícias (ICo.15:23a; Mt.27:52,53).
-
Igreja: pré-tribulacionista (talvez representada por Enoque Hb.11:5;ICo.15:23b;
ITs.4:13-15).
-
Duas testemunhas: mid-tribulacionista (Ap.11:11).
-
Mártires da grande tribulação e santos do Antigo Testamento:
pós-tribulacionista (Dn.12:1; Is.26:19; Ez.37:12-14; Ap.20:4).
-
Salvos do milênio: pós-milenista.
b)
A segunda ressurreição (Jo.5:29b; Ap.20:5a,12-14).
D)
Características do Corpo Ressuscitado:
1)
Do Crente:
a)
Identificado com o corpo sepultado (Jó 19:25-27; Lc.24:31; At.7:55,56).
b)
Semelhante ao de Cristo (IJo.3:2).
c)
Real (Lc.24:39).
d)
Livre de limitações terrenas (Jo.20:19).
2)
Do Incrédulo: Mortal e corrupto (Mt.5:29;10:28; Ap.20:12,13;21:8; Gl.6:7,8).
V.
OS JULGAMENTOS:
A)
O Juiz:
1) Deus
(Rm.1:32;2:2,3,5,6;14:12; Sl.9:7,8;96:13).
2) Cristo (Rm.2:16;14:10-12;
At.17:31; Jo.5:22,23,27; IICo.5:10; At.10:42; IITm.4:1).
3)
Os Santos como Auxiliares (Sl.149:9; Ap.2:26;3:21; ICo.6:2,3).
B)
Natureza do Julgamento:
1)
Bema = Tribunal (ICo.4:5; Ap.22:12; ICo.3:13-15; Jo.5:24; IICo.5:10).
2)
Israel (Sl.50:1-7; Is.1:2,24,26; Ez.20:30-44; Jl.3:2; Ml.3:1,17; Mt.25:31,32;
Zc.14:1,2).
3)
Gentios (Sl.9:7,8;96:12,13; Zc.14:1,2; Mt.25:31,32).
4)
Besta e Falso Profeta (Ap.19:20).
5)
Anjos (Mt.25:41; ICo.6:3; Jd.6; IIPe.2:4).
6)
Satanás (Ap.20:10).
7)
Juízo Final = Trono branco (Ap.20:5a,11; At.24:14; Jo.5:29;
Ap.20:12,13,15;21:8; ICo.4:5;15:28; Hb.9:27; Rm.2:5,6; Mt.12:36; IICo.5:10).
MATÉRIA 10 - BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DA
BIBLIA
I.
REVELAÇÃO: É a operação divina que comunica ao homem fatos que a razão humana é
insuficiente para conhecer. É, portanto, a operação divina que comunica a
verdade de Deus ao homem (ICo.2:10).
A)
Provas da Revelação: O diabo foi o primeiro ser a pôr em dúvida a existência da
revelação: "É assim que Deus disse?" (Gn.3:1). Mas a Bíblia é a
Palavra de Deus. Vejamos alguns argumentos:
1)
A Indestrutibilidade da Bíblia: Uma porcentagem muito pequena de livros
sobrevive além de um quarto de século, e uma porcentagem ainda menor dura um
século, e uma porção quase insignificante dura mil anos. A Bíblia, porém, tem
sobrevivido em circunstâncias adversas. Em 303 a.D. o imperador Dioclécio decretou que todos os
exemplares da Bíblia fossem queimados. A Bíblia é hoje encontrada em mais de
mil línguas e ainda é o livro mais lido do mundo.
2)
A Natureza da Bíblia:
a)
Ela é superior: Ela é superior a qualquer outro livro do mundo. O mundo, com
sua sabedoria e vasto acúmulo de conhecimento nunca foi capaz de produzir um
livro que chegue perto de se comparar a Bíblia.
b)
É um livro honesto: Pois revela fatos sobre a corrupção humana, fatos que a
natureza humana teria interesse em acobertar.
c)
É um livro harmonioso: Pois embora tenha sido escrito por uns quarenta autores
diferentes, por um período de 1.600 anos, ela revela ser um livro único que
expressa um só sistema doutrinário e um só padrão moral, coerentes e sem
contradições.
3)
A Influência da Bíblia: O Alcorão, o Livro dos Mórmons, o Zenda Avesta, os
Clássicos de Confúcio, todos tiveram influência no mundo. Estes, porém,
conduziram a uma idéia apagada de Deus e do pecado, ao ponto de ignorá-los. A
Bíblia, porém, tem produzido altos resultados em todas as esferas da vida: na
arte, na arquitetura, na literatura, na música, na política, na ciência etc.
4)
Argumento da Analogia: Os animais inferiores expressam com suas vozes seus
diferentes sentimentos. Entre os racionais existe uma presença correspondente,
existe comunicação direta de um para o outro, uma revelação de pensamentos e
sentimentos. Conseqüentemente é de se esperar que exista, por analogia da natureza,
uma revelação direta de Deus para com o homem. Sendo o homem criado à Sua
imagem, é natural supor que o Criador sustente relação pessoal com Suas
criaturas racionais.
5)
Argumento da Experiência: O homem é incapaz por sua própria força descobrir
que:
a)
Precisa ser salvo.
b)
Pode ser salvo.
c)
Como pode ser salvo.
d)
Se há salvação.
Somente
a revelação pode desvendar estes mistérios eternos. A experiência do homem tem
demonstrado que a tendência da natureza humana é degenerar-se e seu caminho
ascendente se sustêm unicamente quando é voltado para cima em comunicação
direta com a revelação de Deus.
6)
Argumento da Profecia Cumprida: Muitas profecias a respeito de Cristo se
cumpriram integralmente, sendo que a mais próxima do primeiro advento foi pronunciada
165 anos antes de seu cumprimento. As profecias a respeito da dispersão de
Israel também, se cumpriram (Dt.28; Jr.15:4;l6:13; Os.3:4 etc); da conquista de
Samaria e preservação de Judá (Is.7:6-8; Os.1:6,7; IRs.14:15); do cativeiro
babilônico sobre Judá e Jerusalém (Is.39:6; Jr.25:9-12); sobre a destruição
final de Samaria (Mq.1:6-9); sobre a restauração de Jerusalém (Jr.29:10-14),
etc.
7)
Reivindicações da Própria Escritura: A própria Bíblia expressa sua
infalibilidade, reivindicando autoridade. Nenhum outro livro ousa fazê-lo.
Encontramos essa reivindicação nas seguintes expressões: "Disse o Senhor a
Moisés" (Ex.14:1,15,26;16:4;25:1; Lv.1:1;4:1;11:1; Nm.4:1;13:1; Dt.32:48)
"O Senhor é quem fala" (Is.1:2); "Disse o Senhor a Isaías"
(Is.7:3); "Assim diz o Senhor" (Is.43:1). Outras expressões
semelhantes são encontradas: "Palavra que veio a Jeremias da parte do
Senhor" (Jr.11:1); "Veio expressamente a Palavra do Senhor a
Ezequiel" (Ez.1:3); "Palavra do Senhor que foi dirigida a
Oséias" (Os.1:1); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel"
(Jl.1:1), etc. Expressões como estas são encontradas mais de 3.800 vezes no
Velho Testamento. Portanto o A.T. afirma ser a revelação de Deus, e essa mesma
reivindicação faz o Novo Testamento (ICo.14:37; ITs.2:13; IJo.5:10; IIPe.3:2).
B)
Natureza da Revelação: Deus se revelou de sete modos:
1)
Através da Natureza: (Sl.19:1-6; Rm.l:19-23).
2)
Através da Providência: A providência é a execução do programa de Deus das
dispensações em todos os seus detalhes (Gn.48:15;50:20; Rm.8:28; Sm.57:2;
Jr.30:11; Is.54:17).
3)
Através da Preservação: (Cl.1:17; Hb.1:3; At.17:25,28).
4)
Através de Milagres: (Ex.4:1-9).
5)
Através da Comunicação Direta: (Nm.12:8; Dt.34:10).
6)
Através da Encarnação: (Hb.1:1; Jo.8:26;15:15).
7)
Através das Escrituras: A Bíblia é a revelação escrita de Deus e, como tal,
abrange importantes aspectos:
a)
Ela é variada: Variada em seus temas, pois abrange aquilo que é doutrinário,
devocional, histórico, profético e prático.
b)
Ela é parcial: (Dt.29:29).
c)
Ela é completa: Naquilo que já foi revelado (Cl.2:9,10);
d)
Ela é progressiva: (Mc.4:28).
e)
Ela é definitiva: (Jd.3).
II.
INSPIRAÇÃO: É a operação divina que influenciou os escritores bíblicos,
capacitando-os a receber a mensagem divina, e que os moveu a transcrevê-la com
exatidão, impedindo-os de cometerem erros e omissões, de modo que ela recebeu
autoridade divina e infalível, garantindo a exata transferência da verdade
revelada de Deus para a linguagem humana inteligível (ICo.10:13; IITm.3:16;
IIPe.1:20,21).
A)
Autoria Dual: Com este termo indicamos dois fatos:
1)
Autoria Divina: Do lado divino as Escrituras são a Palavra de Deus no sentido
de que se originaram Nele e são a expressão de Sua mente. Em IITm.3:16
encontramos a referência a Deus: "Toda Escritura é divinamente
inspirada" (theopneustos = soprada ou expirada por Deus) . A referência
aqui é ao escrito.
2)
Autoria Humana: Do lado humano, certos homens foram escolhidos por Deus para a
responsabilidade de receber a Palavra e passá-la para a forma escrita. Em
IIPe.1:21 encontramos a referência aos homens: "Homens santos de Deus
falaram movidos pelo Espírito Santo" (pherô = movidos ou conduzidos). A
referência aqui é ao escritor.
B)
Inspiração ou Expiração? A palavra inspiração vem do latim, e significa
respirar para dentro. Ela é usada pela ARC. (Almeida Revista e Corrigida)
somente duas vezes no N.T. (IITm.3:16; IIPe.1:21). Este vocábulo, embora
consagrado pelo uso, e, portanto, pela teologia, não é um termo adequado, pois
pode parecer que Deus tenha soprado alguma espécie de vida divina em palavras
humanas. Em IITm.3:16 encontramos o vocábulo grego theopneustos que significa
soprado por Deus. Portanto podemos afirmar que toda a Escritura é soprada ou
expirada por Deus, e não inspirada como expressa a ARC. As Escrituras são o
próprio sopro de Deus, é o próprio Deus falando (IISm.23:2). Em IIPe.1:21 este
vocábulo se torna mais inadequado ainda, pois a tradução da ARC. transmite a
idéia de que os homens santos foram inspirados pelo Espírito Santo. O fato é
que o homem não é inspirado, mas a Palavra de Deus é que é expirada (Compare
Jó.32:8; 33:4; com Ez.36:27; 37:9). A ARA. (Almeida Revista e Atualizada),
porém, apesar de utilizar o termo inspiração em IITm.3:16, usa, com acerto, o
verbo mover em IIPe.1:21, como tradução do vocábulo grego pherô, que significa
exatamente mover ou conduzir.
Considerada
esta ressalva, não devemos pender para o extremo, excluindo a autoria humana da
compilação das Escrituras. Ela própria reconhece a autoria dual no registro
bíblico. Em Mt.15:4 está escrito que Deus ordenou enquanto que em Mc.7:10 diz
que foi Moisés quem ordenou. E muitas outras passagens há semelhantes a esta
(Compare Sl.110:1 com Mc.12:36; Ex.3:6,15 com Mt.22:31; Lc.20:37 com Mc.12:26;
Is.6:9,10; At.28:25 com Jo.12:39-41; Mt.1:22;2:15; At.l:16;4:25; Hb.3:7-11;
Hb.9:8;10:15) Deus opera de modo misterioso usando e não anulando a vontade
humana, sem que o homem perceba que está sendo divinamente conduzido, sendo que
neste fenômeno, o homem faz pleno uso de sua liberdade (Pv.16:1;19:21;
Sl.33:15;105:25; Ap.17:17). Desse mesmo modo Deus também usa Satanás (Compare
ICr.21:1 com IISm.24:1; IRs.22:20-23), mas não retira a responsabilidade do
homem (At.5:3,4), como também o faz na obra da salvação (Dt.30:19; Sl.65:4;
Jo.6:44).
C)
O Termo Logos: Este termo grego foi utilizado no N.T. cerca de 200 vezes para
indicar a Palavra de Deus Escrita, e sete vezes para indicar o Filho de Deus
(Jo.1:1,14; IJo.1:1;5:7; Ap.19:13). Eles são para Deus o que a expressão é para
o pensamento e o que a fala é para a razão, portanto o Logos de Deus é a
expressão de Deus, quer seja na forma escrita ou viva (Compare Jo.14:6 com
Jo.17:17).
1)
Cristo é a Palavra Viva: Cristo é o Logos, isto é, a fala, a expressão de Deus.
2)
A Bíblia é a Palavra Escrita: A Bíblia também é o Logos de Deus, e assim como
em Cristo há dois elementos (duas naturezas), divino e humano, igualmente na
Palavra de Deus estes dois elementos aparecem unidos sobrenaturalmente.
D)
Provas da Inspiração: Somos acusados de provar a inspiração pela Bíblia e de
provar a verdade da Bíblia pela inspiração, e, assim, de argumentar num círculo
vicioso. Mas o processo parte de uma prova que todos aceitam: a evidência.
Esta, primeiro prova a veracidade ou credibilidade da testemunha, e então
aceita o seu testemunho. A veracidade das Escrituras é estabelecida de vários
modos, e, tendo constatado a sua veracidade, ou a validade do seu testemunho,
bem podemos aceitar o que elas dizem de si mesmas. As Escrituras afirmam que
são inspiradas, e elas ou devem ser cridas neste particular ou rejeitadas em
tudo mais.
1)
O A.T. afirma sua Inspiração: (Dt.4:2,5; IISm.23:2; Is.1:10; Jr.1:2,9;
Ez.3:1,4; Os.1:1; Jl.l:1; Am.1:3;3:1; Ob.1:1; Mq.1:1).
2)
O N.T. afirma sua Inspiração: (Mt.10:19; Jo.14:26;15:26,27; Jo.16:13;
At.2:33;15:28; ITs.1:5; ICo.2:13; IICo.13:3; IIPe.3:16; ITs.2:13; ICo.14:37).
3)
O N.T. afirma a Inspiração do A.T.: (Lc.1:70; At.4:25; Hb.1:1, IItm.3:16;
IPe.1:11; IIPe.1:21).
4)
A Bíblia faz declarações científicas descobertas posteriormente: (Jó.26:7;
Sl.135:7; Ec.1:7; Is.40:22).
E)
Teorias da Inspiração: Podemos ter revelação sem inspiração (Ap.10:3,4), e
podemos ter inspiração sem revelação, como quando os escritores registram o que
viram com seus próprios olhos e descobriram pela pesquisa (IJo.1:1-4;
Lc.1:1-4). Aqui nós temos a forma e o resultado da inspiração. A forma é o
método que Deus empregou na inspiração, enquanto que o resultado indica a
conseqüência da inspiração. Portanto, as chamadas teorias da intuição, da
iluminação, a dinâmica e a do ditado, todas descrevem a forma de inspiração,
enquanto que a teoria verbal plenária indica o resultado.
1)
Teoria da Inspiração Dinâmica: Afirma que Deus forneceu a capacidade necessária
para a confiável transmissão da verdade que os escritores das Escrituras
receberam ordem de comunicar. Isto os tornou infalíveis em questões de fé e
prática, mas não nas coisas que não são de natureza imediatamente religiosa,
isto é, a inspiração atinge apenas os ensinamentos e preceitos doutrinários, as
verdades desconhecidas dos autores humanos. Esta teoria tem muitas falhas: Ela
não explica como os escritores bíblicos poderiam mesclar seus conhecimentos
sobrenaturais ao registrarem uma sentença, e serem rebaixados a um nível
inferior ao relatarem um fato de modo natural. Ela não fornece a psicologia
daquele estado de espírito que deveria envolver os escritores bíblicos ao se
pronunciarem infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto se desviam a
respeito dos fatos mais simples da história. Ela não analisa a relação
existente entre as mentes divina e humana, que produz tais resultados. Ela não
distingue entre coisas que são essenciais à fé e à pratica e àquelas que não
são. Erasmo, Grotius, Baxter, Paley, Doellinger e Strong compartilham desta
teoria.
2)
Teoria do Ditado ou Mecânica: Afirma que os escritores bíblicos foram meros
instrumentos (amanuenses), não seres cujas personalidades foram preservadas. Se
Deus tivesse ditado as Escrituras, o seu estilo seria uniforme. Teria a dicção
e o vocabulário do divino Autor, livre das idiossincrasias dos homens
(Rm.9:1-3; IIPe.3:15,16). Na verdade o autor humano recebeu plena liberdade de
ação para a sua autoria, escrevendo com seus próprios sentimentos, estilo e
vocabulário, mas garantiu a exatidão da mensagem suprema com tanta perfeição
como se ela tivesse sido ditada por Deus. Não há nenhuma insinuação de que Deus
tenha ditado qualquer mensagem a um homem além daquela que Moisés transcreveu
no monte santo, pois Deus usa e não anula as suas vontades. Esta teoria,
portanto, enfatiza sobremaneira a autoria divina ao ponto de excluir a autoria
humana.
3)
Teoria da Inspiração Natural ou Intuição: Afirma que a inspiração é
simplesmente um discernimento superior das verdades moral e religiosa por parte
do homem natural. Assim como tem havido artistas, músicos e poetas
excepcionais, que produziram obras de arte que nunca foram superadas, também em
relação às Escrituras houve homens excepcionais com visão espiritual que, por
causa de seus dons naturais, foram capazes de escrever as Escrituras. Esta é a
noção mais baixa de inspiração, pois enfatiza a autoria humana a ponto de
excluir a autoria divina. Esta teoria foi defendida pelos pelagianos e
unitarianos.
4)
Teoria da Inspiração Mística ou Iluminação: Afirma que inspiração é
simplesmente uma intensificação e elevação das percepções religiosas do crente.
Cada crente tem sua iluminação até certo ponto, mas alguns têm mais do que
outros. Se esta teoria fosse verdadeira, qualquer cristão em qualquer tempo,
através da energia divina especial, poderia escrever as Escrituras.
Schleiermacher foi quem disseminou esta teoria. Para ele inspiração é "um
despertamento e excitamento da consciência religiosa, diferente em grau e não
em espécie da inspiração piedosa ou sentimentos intuitivos dos homens
santos". Lutero, Neander, Tholuck, Cremer, F.W.Robertson, J.F.Clarke e
G.T.Ladd defendiam esta teoria, segundo Strong.
5)
Inspiração dos Conceitos e não das Palavras: Esta teoria pressupõe pensamentos
à parte das palavras, através da qual Deus teria transmitido idéias, mas deixou
o autor humano livre para expressá-las em sua própria linguagem. Mas idéias não
são transferíveis por nenhum outro modo além das palavras. Esta teoria ignora a
importância das palavras em qualquer mensagem. Muitas passagens bíblicas
dependem de uma das palavras usadas para a sua força e valor. O estudo
exegético das Escrituras nas línguas originais é um estudo de palavras, para
que o conceito possa ser alcançado através das palavras, e não para que
palavras sem importância representem um conceito. A Bíblia sempre enfatiza suas
palavras e não um simples conceito (ICo.2:13; Jo.6:63;17:8; Ex.20:1; Gl.3:16).
6)
Graus de Inspiração: Afirma que há inspiração em três graus. Sugestão, direção,
elevação, superintendência, orientação e revelação direta, são palavras usadas
para classificar estes graus. Esta teoria alega que algumas partes da Bíblia
são mais inspiradas do que outras. Embora ela reconheça as duas autorias, dá
margem a especulação fantasiosa.
7)
Inspiração Verbal Plenária: É o poder inexplicado do Espírito Santo agindo
sobre os escritores das Sagradas Escrituras, para orientá-los (conduzi-los) na
transcrição do registro bíblico, quer seja através de observações pessoais,
fontes orais ou verbais, ou através de revelação divina direta, preservando-os
de erros e omissões, abrangendo as palavras em gênero, número, tempo, modo e
voz, preservando, desse modo, a inerrância das Escrituras, e dando à ela
autoridade divina.
a)
Observação Pessoal: (IJo.1:1-4).
b)
Fonte Oral: (Lc.l:1-4).
c)
Fonte Verbal: (At.17:18; Tt.1:12; Hb.1:1).
d)
Revelação Divina Direta: ( Ap.1:1-ll; Gl.1:12).
e)
Gênero: (Gn.3:15).
f)
Número: (Gl.3:16).
g)
Tempo: (Ef.4:30; Cl.3:13).
h)
Modo: (Ef.4:30; Cl.3:13).
i)
Voz: (Ef.5:18)
j)
Explicação dos itens e, f, g, h, i: A inspiração verbal plenária fica assim
estabelecida. Em Gn.3:15 o pronome hebraico está no gênero masculino, pois se
refere exclusivamente a Cristo (Ele te ferirá a cabeça...). Em Gl. 3:16 Paulo
faz citação de um substantivo hebraico que está no singular, fazendo, também,
referência exclusiva a Cristo. Em Ef.4:30 e Cl.3:13 o verbo perdoar
encontra-se, no grego, no modo particípio e no tempo presente, o que significa
que o perdão judicial de Deus realizado no passado, quando aceitamos a Cristo,
estende-se por toda a nossa vida, abrangendo o perdão dos pecados do passado,
do presente, e do futuro (IJo.1:9 trata do perdão do pecado doméstico e não do
judicial). Jesus Cristo reconheceu a inspiração verbal plenária quando declarou
que nem um til (a menor letra do alfabeto hebraico) seria omitido da
lei(Mt.5:18 e Lc.16:l7).
C)
O Termo Logos - Este termo grego foi
utilizado no N.T. cerca de 200 vezes para indicar a Palavra de Deus Escrita, e
7 vezes para indicar o Filho de Deus (Jo.1:1,14; IJo.1:1;5:7; Ap.19:13). Eles
são para Deus o que a expressão é para o pensamento e o que a fala é para a
razão, portanto o Logos de Deus é a expressão de Deus, quer seja na forma
escrita ou viva (Compare Jo.14:6 com Jo.17:17).
1) Cristo é a Palavra Viva: Cristo é o
Logos, isto é, a fala, a expressão de Deus.
2)
A Bíblia é a Palavra Escrita: A Bíblia
também é o Logos de Deus, e assim como em Cristo há dois elementos (duas
naturezas), divino e humano, igualmente na Palavra de Deus estes dois elementos
aparecem unidos sobrenaturalmente.
III.
ILUMINAÇÃO: É a influência ou ministério do Espírito Santo que capacita todos
os que estão num relacionamento correto com Deus para entender as Escrituras (I
Cor.2:12; Lc.24:32,45; IJo.2:27).
A
iluminação não inclui a responsabilidade de acrescentar algo às Escrituras
(revelação) e nem inclui uma transmissão infalível na linguagem (inspiração)
daquele que o Espírito Santo ensina.
A
iluminação é diferenciada da revelação e da inspiração no fato de ser prometida
a todos os crentes, pois não depende de escolha soberana, mas de ajustamento
pessoal ao Espírito Santo. Além disso, a iluminação admite graus podendo
aumentar ou diminuir (Ef.1:16-18; 4:23; Cl.1:9).
A
iluminação não se limita a questões comuns, mas pode atingir as coisas
profundas de Deus (ICo.2:10) porque o Mestre Divino está no coração do crente
e, portanto, ele não houve uma voz falando de fora e em determinados momentos,
mas a mente e o coração são sobrenaturalmente despertados de dentro (ICo.2:16).
Este despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito
que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (ICo.2:15), ao passo
que aquele que é carnal não pode receber as verdades mais profundas de Deus que
são comparadas ao alimento sólido (ICo.2:15;3:1-3; Hb.5:12-14).
A
iluminação, a inspiração e a revelação estão estritamente ligadas, porém podem
ser independentes, pois há inspiração sem revelação (Lc. 1:1-3; IJo.1:1-4);
inspiração com revelação (Ap.1:1-11); inspiração sem iluminação (IPe.1:10-12);
iluminação sem inspiração (Ef.1:18) e sem revelação (ICo.2:12; Jd.3); revelação
sem iluminação (IPe.1:10-12) e sem inspiração (Ap.10:3,4; Ex.20:1-22). E’ digno
de nota que encontramos estes três ministérios do Espírito Santo mencionados em
uma só passagem (ICo.2:9-13); a revelação no versículo 10; a iluminação no
versículo 12 e a inspiração no versículo 13.
IV.
AUTORIDADE: Dizemos que a bíblia é um livro que tem autoridade porque ela tem
influência, prestígio e credibilidade (quanto a pureza na transcrição ou
tradução), por isso deve ser obedecida porque procede de fonte infalível e
autorizada.
A
autoridade está vinculada a inspiração, canonicidade e credibilidade, sem os
quais a autoridade da Bíblia não se estabeleceria. Assim, por ser inspirado,
determinado trecho bíblico possui autoridade; por ser canônico, determinado
livro bíblico possui autoridade, e por ter credibilidade, determinadas
informações bíblicas possuem autoridade, sejam históricas, geográficas ou
científicas.
Entretanto,
nem tudo aquilo que é inspirado é autorizado, pois a autoridade de um livro
trata de sua procedência, de sua autoria, e, portanto, de sua veracidade. Deus
é o Autor da Bíblia, e como tal ela possui autoridade, mas nem tudo que está
registrado na Bíblia procedeu da boca de Deus. Por exemplo, o que Satanás disse
para Eva foi registrado por inspiração, mas não é a verdade (Gn.3:4,5); o
conselho que Pedro deu a Cristo (Mt.16:22); as acusações que Elifaz fez contra
Jó (Jó.22:5-11), etc. Nenhuma dessas declarações representam o pensamento de
Deus ou procedem dEle (procedem apenas por inspiração), e por isso não têm
autoridade. Um texto também perde sua autoridade quando é retirado de seu
contexto e lhe é atribuído um significado totalmente diferente daquele que tem
quando inserido no contexto. As palavras ainda são inspiradas, mas o novo
significado não tem autoridade.
VI.
INERRÂNCIA OU INFALIBILIDADE: Inerrância significa que a verdade é transmitida
em palavras que, entendidas no sentido em que foram empregadas, entendidas no
sentido que realmente se destinavam a ter, não expressam erro algum.
A
inspiração garante a inerrância da Bíblia. Inerrância não significa que os
escritores não tinham faltas na vida, mas que foram preservados de erros os
seus ensinos. Eles podem ter tido concepções errôneas acerca de muitas coisas,
mas não as ensinaram; por exemplo, quanto à terra, às estrelas, às leis
naturais, à geografia, à vida política e social etc.
Também
não significa que não se possa interpretar erroneamente o texto ou que ele não
possa ser mal compreendido.
A
inerrância não nega a flexibilidade da linguagem como veículo de comunicação. É
muitas vezes difícil transmitir com exatidão um pensamento por causa desta
flexibilidade de linguagem ou por causa de possível variação no sentido das
palavras.
A
Bíblia vem de Deus. Será que Deus nos deu um livro de instrução religiosa
repleto de erros? Se ele possui erros sob a forma de uma pretensa revelação,
perpetua os erros e as trevas que professa remover. Pode-se admitir que um Deus
Santo adicione a sanção do seu nome a algo que não seja a expressão exata da
verdade?
Diz-se
que a Bíblia é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa. Se for
parcialmente falsa, como se explica que Deus tenha posto o seu selo sobre toda
ela? Se ela é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa, então a vida e a
morte estão a depender de um processo de separação entre o certo e o errado,
que o homem não pode realizar.
Cristo
declara que a incredulidade é ofensa digna de castigo. Isto implica na
veracidade daquilo que tem de ser crido, porque Deus não pode castigar o homem
por descrer no que não é verdadeiro (Sl. 119:140,142; Mt.5:18; Jo.10:35;
Jo.17:17). Aqueles que negam a infalibilidade da Bíblia, geralmente estão
prontos a confiar na falibilidade de suas próprias opiniões. Como exemplo de
opinião falível encontramos aqueles que atribuem erro à passagem de I Rs.7:23
onde lemos que o mar de fundição tinha dez côvados de diâmetro de uma borda até
a outra, ao passo que um cordão de trinta côvados o cingia em redor. Sendo assim, tem-se dito que a Bíblia faz o valor do Pi
ser 3 em vez de 3,1416. Mas uma vez que não sabemos se a linha em redor era na
extremidade da borda ou debaixo da mesma, como parece sugerir o versículo
seguinte (v.24) não podemos chegar a uma conclusão definitiva, e devemos ser
cautelosos ao atribuir erro ao escritor.
Outro
exemplo utilizado para contrariar a inerrância da Bíblia, encontra-se em I Co. 10:8 onde lemos que 23.000 homens morreram no deserto,
enquanto que Nm. 25:9 diz que morreram 24.000. Acontece que em Números nós
temos o número total dos mortos, ao passo que em I aos Coríntios nós temos o
número parcial que somado ao restante dos homens relacionados nos versículos 9
e 10, deverá contabilizar o total de 24.000.
A
inerrância não abrange as cópias dos manuscritos, mas atinge somente os
autógrafos, isto é, os originais. Desse modo encontramos os seguintes tipos de
erros nos manuscritos:
A)
Erros Involuntários: Cometidos pelos escribas do N.T. devido a sua falta ou
defeito de visão, defeitos de audição ou falhas mentais.
1)
Falhas de Visão: Em Rm.6:5 muitos manuscritos (MSS) tem ama (juntos), mas há
alguns que trazem alla (porém). Os dois lambdas juntos deram ao copista a idéia
de um mi. Em At.15:40 onde há eplexamenoc (tendo escolhido) aparece no Códice
Beza epdexamenoc (tendo recebido) onde o lambda maiúsculo é confundido com um
delta maiúsculo.
Há
também confusão de sílabas, como é o caso de I Tm.3:16 onde o manuscrito D traz
homologoumen ôs (nós confessamos que) em vez de homologoumenôs (sem dúvida).
O
erro visual chamado parablopse (um olhar ao lado) é facilitado pelo
homoioteleuton, que é o final igual de duas linhas, levando o escriba a saltar
uma delas, ou pelo homoioarchon, que são duas linhas com o mesmo início.
O
Códice Vaticano, em Jo. 17:15, não contém as palavras entre parênteses:
"Não rogo que os tires do (mundo, mas que os guardes do) maligno".
Consultando o N.T. grego veremos que as duas linhas terminavam de maneira
idêntica, em autos ek tou, no manuscrito que o escriba de B copiava.
Lc.
18:39 não aparece nos manuscritos 33, 57, 103 e b, devido a um final de frase
igual na sentença anterior no manuscrito do qual eles se derivam.
O
Códice Laudiano tem um exemplo no versículo 4 do Capítulo 2 do livro de Atos:
"Et repleti sunt et repleti sunt omnes spiritu sancto", sendo este em
caso de adição, chamado ditografia, que é a repetição de uma letra, sílaba ou
palavras.
2)
Falhas de Audição: Era de costume muitos escribas se reunirem numa sala
enquanto um leitor lhes ditava o texto sagrado. Desse modo o ouvido traía o
escriba até mesmo quando o copista solitário ditava a si próprio. Em Rm. 5:1
encontramos um destes casos, onde as variantes echômen e echomen foram
confundidas. I Pe.2:3 também apresenta um caso semelhante com as variantes
cristos (Cristo) e crestos (gentil), esta última encontrada nos manuscritos K e
L.
No
grego coinê as vogais e ditongos pronunciavam-se de modo igual dentro das
respectivas classes. É o caso de ICo.15:54 onde o termo nikos (vitória), foi
confundido por neikos (conflito), sendo que aparece em P46 e B como
"tragada foi a morte no conflito".
Em
Ap.15:6 onde se lê “vestido de linho puro” a palavra grega linon é substituída
por lithon nos manuscritos A e C "vestidos de pedra pura". Desse modo
uma só letra que o ouvido menos apurado não entendeu direito e que produziu
completa mudança de sentido, torna-se erro grosseiro e hilariante.
3)
Falhas da Mente: Quando a mente do escriba o traía, chegava a cometer erros que
variavam desde a substituição de sinônimos, como o caso da preposição ek por
apo, até a transposição de letras dentro de uma palavra, como o caso de
Jo.5:39, onde Jesus disse "porque elas dão testemunho de mim" (ai
marturousai) e o escriba do manuscrito D escreveu "porque elas pecam a
respeito de mim" (hamartanousai).
B)
Erros Intencionais: Erros que não se originaram de negligência ou distração dos
escribas, mas antes de suspeita de alteração, principalmente doutrinária.
1)
Harmonização: Ao copiar os sinópticos, o escriba era levado a harmonizar
passagens paralelas. E’ o caso de Mt.12:13 onde se lê "...estende a tua
mão. E ele estendeu; e ela foi restaurada como a outra". Em alguns
manuscritos de Marcos o texto pára em "restaurada", sendo que em
outros o escriba acrescentou as palavras "como a outra" para
harmonizá-lo com Mateus.
Outro
tipo de harmonização ocorre quando os escribas faziam o texto do N.T.
conformar-se com o A.T. Por exemplo, em Mc. 1:1 os escribas do W e Bizantinos
mudaram "no profeta Isaias" para "nos profetas" porque
verificaram que a citação não é só de Isaias.
2)
Correções Doutrinárias: Certo escriba, copiando Mt. 24:36 omitiu as palavras
"nem o Filho", pois o escriba sabia que Jesus era onisciente, e
deduziu que alguém havia cometido erro (Alefe, W, Bizantino).
Os
manuscritos da Velha Latina e da Versão Gótica apresentam como acréscimo, em
Lc. 1:3, a frase "e ao Espírito Santo" como "empréstimo" de
At.15:28.
3)
Correções Exegéticas: Passagens de difícil interpretação eram alvos dos
escribas que tentavam completar o seu sentido através de interpolação e
supressões.
Um
caso de interpolação encontra-se em Mt. 26:15 onde as palavras "trinta
moedas de prata" foram alteradas para "trinta estateres" nos MSS
D, a e b, afim de definir o tipo de moeda mencionada. Mais tarde outros
escribas (dos manuscritos 1, 209 e h) que conheciam os dois textos, juntaram-no
produzindo a frase "trinta estateres de prata".
4)
Acréscimos Naturais ou de Notas Marginais: Determinado leitor do Códice 1518
anotou nas margens de Tg. 1:5 a expressão êgeumatikês kai ouk anthrôpines
(espiritual e não humana). Quando este Códice foi copiado, o escriba dos
manuscritos 603 incluiu esta expressão no texto: "Se alguém de vós tem
falta de sabedoria espiritual e não humana, peça-a a Deus...".
XI.
INTERPRETAÇÃO: É a elucidação ou explicação do sentido das palavras ou frases
de um texto, para torná-los compreensivos.
A
ciência da interpretação é designada hermenêutica, e, em razão de sua
abrangência, requer um estudo especial separado da Bibliologia.
QUER
RECEBER O CERTIFICADO DE CONCLUSÃO DO CURSO?

BASTA
SEGUIR AS ORIENTAÇÕES ABAIXO:
11 - QUESTIONÁRIO
Responda e envie-nos o
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Perguntas.
1.
Como você avalia (Avaliar) a importância do que foi aprendido
nesta Disciplina?
2.
Em que este conhecimento poderá lhe beneficiar (Benefício) em seu ministério?
3.
Fale sobre um exemplo em que o conhecimento obtido
nesta matéria modificou seu pensamento em relação a alguma narrativa bíblica.
4.
Dos assuntos tratados nesta disciplina, escolha um e
faça uma boa explicação, comentário, sermão, estudo, apologia, ou qualquer
outro estilo literário que desejar e enviar junto com as respostas das
perguntas acima.
Envie este trabalho em anexo para o e-mail: falecom@faculdadeteologicabetel.com.br
Atenciosamente,
Departamento
Acadêmico da Faculdade Teológica Betel
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