FACULDADE
TEOLOGICA BETEL
CURSO LIVRE
DISCIPLINAS:
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
01 - TEOLOGIA SISTEMÁTICA
02 -
TEOLOGIA: DOUTRINA DE DEUS
03 -
CRISTOLOGIA: DOUTRINA DE CRISTO
04 -
PARACLETOLOGIA: DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO
05 -
SOTERIOLOGIA: DOUTRINA DA SALVAÇÃO
06 - A
TRINDADE
07 -
ANGELOLOGIA: A DOUTRINA DOS ANJOS
08 -
BATALHA ESPIRITUAL
09 -
ESCATOLOGIA: A DOUTRINA DA ULTIMAS COISAS
10 - BIBLIOLOGIA:
A DOUTRINA DA BIBLIA
11 – HERMENÊUTICA
12 - GEOGRAFIA DE ISRAEL
13 - ARQUEOLOGIA BÍBLICA
14 - SEITAS E HERESIAS
15 - O CULTO BÍBLICO
16 - HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ
17 - FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
18 - MINISTÉRIOS ECLESIÁSTICOS
19 - A ESCOLA BIBLICA DOMINICAL
20 - DISCIPULADO
MATÉRIA 01 - TEOLOGIA SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO
O
termo teologia, segundo seus aspectos etimológicos, é composto de duas palavras
gregas: Theos (Deus) e logos (palavra, fala, expressão).
Tanto
Cristo, a Palavra Viva, como a Bíblia, a Palavra Escrita, são o Logos de Deus.
Eles são para Deus o que a expressão é para o pensamento e o que a fala é para
a razão.
A
teologia é, portanto, uma Theo-logia, isto é, uma palavra, uma fala ou
expressão sobre Deus; uma doutrina sobre Deus. É o estudo sobre a revelação de
Deus que é a expressão dos Seus pensamentos e, logo, é, também, o estudo sobre
Sua própria Pessoa. Portanto teologia é o estudo sobre Deus, sua obra e sua
revelação.
Embora
não encontremos nas Escrituras a palavra teologia, ela é bíblica em seu
caráter. Em Rm.3:2 encontramos ta logia tou Theou (os oráculos de Deus); em
1ªPe.4:11 encontramos logia Theou (oráculos de Deus), e em Lc.8:21 temos ton
Logon tou Theou (a Palavra de Deus).
TEOLOGIA
SISTEMÁTICA
Nenhuma
exposição sobre Deus seria completa se não contemplasse Suas obras e Seus
caminhos no universo que Ele criou, além de Sua Pessoa. Toda ciência provêm e
mantêm relação com o Criador de todas as coisas e com Seu propósito na criação.
E toda verdade é verdade de Deus, onde quer que ela seja encontrada. Deus se
revelou na criação e nas Escrituras, e a verdade achada pelas ciências naturais
e sociais, por cristãos ou profanos, não é verdade profana; é verdade sagrada
de Deus (Cl.2:3). Toda verdade, onde quer que seja encontrada, tem peso e valor
iguais como verdade, como qualquer outra verdade. Uma verdade pode ser mais
útil em dada circunstância, e uma outra em outra, mas ambas têm valor como
verdade.
Portanto
é perfeitamente lícito utilizar-se de outras fontes, enquanto verdade, para o
estudo da teologia. O estudo teológico que incorpora em seu escôpo o exame das
ciências naturais e sociais, é denominado teologia sistemática.
DIVERSAS
DEFINIÇÕES DE TEOLOGIA
A)
Chafer: Uma ciência que segue um esquema ou uma ordem humana de desenvolvimento
doutrinário e que tem o propósito de incorporar no seu sistema a verdade a
respeito de Deus e o Seu universo a partir de toda e qualquer fonte (Lewis
Sperry Chafer).
B)
Chafer: Teologia sistemática pode ser definida como a coleção, cientificamente
arrumada, comparada, exibida e defendida de todos os fatos de toda e qualquer
fonte referentes a Deus e às Suas obras. Ela é temática porque segue uma forma
de tese humanamente idealizada, e apresenta e verifica a verdade como verdade
(Lewis Sperry Chafer).
C)
Alexander: A ciência de Deus... Um resumo da verdade religiosa cientificamente
arranjada, ou uma coleção filosófica de todo o conhecimento religioso (W.
Lindsay Alexander).
D)
Hodge: A teologia sistemática tem por objetivo sistematizar os fatos da Bíblia,
e averiguar os princípios ou verdades gerais que tais fatos envolvem (Charles
Hodge).
E)
Strong: A ciência de Deus e dos relacionamentos de Deus com o universo (A. H.
Strong).
F)
Thomas: A ciência é a expressão técnica das leis da natureza; a teologia é a
expressão técnica da revelação de Deus. Faz parte da teologia examinar todos os
fatos espirituais da revelação, calcular o seu valor e arranjá-los em um corpo
de ensinamentos. A doutrina, assim, corresponde às generalizações da ciência
(W. H. Griffith Thomas)
G)
Shedd: Uma ciência que se preocupa com o infinito e o finito, com Deus e o
universo. O material, portanto, que abrange é mais vasto do que qualquer outra
ciência. Também é a mais necessária de todas as ciências (W. G. T. Shedd).
H)
Definições Inadequadas: Para definir teologia foram empregados alguns termos
enganadores e injustificados. Já se declarou que ela é "a ciência da
religião"; mas o termo religião de maneira nenhuma é um sinônimo da Pessoa
de Deus e de toda a Sua obra. Da mesma forma já se disse que ela é "o tratamento
científico daquelas verdades que se encontram na Bíblia; mas esta ciência,
embora extrai a porção maior do seu material das Escrituras, extrai também o
seu material de toda e qualquer fonte. A teologia sitemática também tem sido
definida como o arranjo ordeiro da doutrina cristã; mas como o cristianismo
representa apenas uma simples fração de todo o campo da verdade relativa à
Pessoa de Deus e o Seu universo, esta definição não é adequada.
OUTRAS
TEOLOGIAS
A)
Teologia Natural: Estuda fatos que se referem a Deus e Seu universo que se
encontra revelado na natureza.
B)
Teologia Exegética: Estuda o Texto Sagrado e assuntos relacionados, através do
estudo das línguas originais, da arqueologia bíblica, da hermenêutica bíblica e
da teologia bíblica.
C)
Teologia Bíblica: Investiga a verdade de Deus e o Seu universo no seu
desenvolvimento divinamente ordenado e no seu ambiente histórico conforme
apresentados nos diversos livros da Bíblia. A teologia bíblica é a exposição do
conteúdo doutrinário e ético da Bíblia, conforme originalmente revelada. A
teologia bíblica extrai o seu material exclusivamente da Bíblia.
D)
Teologia Histórica: Considera o desenvolvimento histórico da doutrina, mas
também investiga as variações sectárias e heréticas da verdade. Ela abrange
história bíblica, história da igreja, história das missões, história da
doutrina e história dos credos e confissões.
E)
Teologia Dogmática: É a sistematização e defesa das doutrinas expressas nos
símbolos da igreja. Assim temos "Dogmática Cristã", por H. Martensen,
com uma exposição e defesa da doutrina luterana; "Teologia
Dogmática", por Wm. G. T. Shedd, como uma exposição da Confissão de
Westminster e de outros símbolos presbiterianos; e "Teologia
Sistemática", por Louis Berkhof, como uma exposição da teologia reformada.
F)
Teologia Prática: Trata da aplicação da verdade aos corações dos homens. Ela
busca aplicar à vida prática os ensinamentos das outras teologias, para
edificação, educação, e aprimoramento do serviço dos homens. Ela abrange os
cursos de homilética, administração da igreja, liturgia, educação cristã e
missões.
MATÉRIA 02 - TEOLOGIA: DOUTRINA DE DEUS
I.
DEFINIÇÕES DE
DEUS:
A)
Definição Filosófica de Platão: Deus é o começo, o meio e o fim de todas as
coisas. Ele é a mente ou razão suprema; a causa eficiente de todas as coisas;
eterno, imutável, onisciente, onipotente; tudo permeia e tudo controla; é
justo, santo, sábio e bom; o absolutamente perfeito, o começo de toda a
verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e,
especialmente, a causa de todo o bem.
B)
Definição Cristã do Breve Catecismo: Deus é um Espírito, infinito, eterno e
imutável em Seu Ser,
sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
C)
Definição Combinada: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as
coisas tem sua origem, sustentação e fim (Jo.4:24; Ne.9:6; Ap.l:8; Is.48:12;
Ap.1:17).
D)
Definições Bíblicas: As expressões "Deus é Espírito" (Jo.4:24) e
"Deus é Luz " (IJo.1:5), são expressões da natureza essencial de
Deus, enquanto que a expressão "Deus é amor" (IJo.4:7) é expressão de
Sua personalidade. (ITm.6:16)
II.
ESSÊNCIA OU NATUREZA DE DEUS:
Quando
falamos em essência de Deus, queremos significar tudo o que é essencial ao Seu
Ser como Deus, isto é, substância e atributos.
A) Substância de Deus:
1)
Há duas substâncias: matéria e espírito.
2)
Deus é uma substância simples: A substância de Deus é puro espírito, sem
mistura com a matéria (Jo.4:24).
B)
Atributos de Deus:
Sua
substância é Espírito e Seus atributos são as qualidades ou propriedades dessa
substância. Atributos é a manifestação do Ser de Deus.
III.
CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS:
A)
Naturais e Morais: Também chamados de "intransitivos e transitivos",
"incomunicáveis e comunicáveis", "absolutos e relativos",
"negativos e positivos" ou "imanentes e emanentes".
B)
Atributos Naturais:
1)
Vida: Deus tem vida; Ele ouve, vê, sente e age, portanto é um Ser vivo
(Jo.10:10; Sl.94:9,l0; IICr.16:9; At.14:15; ITs.1:9). Quando a Bíblia fala do
olho, do ouvido, da mão de Deus, etc., fala metaforicamente. A isto se dá o
nome de antropomorfismo. Deus é vida (Jo.5:26; 14:26) e o princípio de vida
(At.17:25,28).
2)
Espiritualidade: Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância
material, sem partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as
limitações temporais (Jo.4:24; Dt.4:15-19,23; Hb.12:9; Is.40:25; Lc.24:39;
Cl.1:15; ITm.1:17; IICo.3:17)
3)
Personalidade: Existência dotada de autoconsciência e autodeterminação
(Ex.3:14; Is.46:11).
a)
Volição ou vontade = querer (Is.46:10; Ap.4:11).
b)
Razão ou intelecto = pensar (Is.14:24; Sl.92:5; Is.55:8).
c)
Emoção ou sensibilidade = sentir (Gn.6:6, IRs.11:9, Dt.6:15; Pv.6:16;
Tg.4:5)
4)
Tri-Unidade:
a)
Unidade de Ser: Há no Ser divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em
sua natureza constitucional. A palavra hebraica que significa um no sentido
absoluto é yacheed (Gn.22:2), isto é, uma unidade numérica simples. Essa
palavra não é empregada para expressar a unidade da divindade. A unidade da
divindade é ensinada nas palavras de Jesus: Eu e o Pai somos um. (Jo.10:30).
Jesus está falando da unidade da essência e não de unidade de propósito.
(Jo.17:11,21-23, IJo.5:7)
b)
Trindade de Personalidade: Há três Pessoas no Ser divino: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. A palavra hebraica que significa um no sentido de único é echad
que se refere a uma unidade composta. Esta palavra é empregada para expressar a
unidade da divindade. Esta palavra é usada em Dt.6:4; Gn.2:24 e Zc.14:9 (Veja
também Dt.4:35;32:39; ICr.29:1; Is.43:10;44:6;45:5; IRs.8:60; Mc.10:9;12:29;
ICo.8:5,6; ITm.2:5; Tg.2:19; Jo.17:3; Gl.3:20; Ef.4:6).
c)
Elohim: Este nome está no plural e não concorda com o verbo no singular quando
designativo de Deus (Gn.1:26;3:22; 11:6,7;20:13;48:15; Is.6:8)
d)
Há distinção de Pessoas na Divindade: Algumas passagens mostram uma das Pessoas
divinas se referindo à outra (Gn.19:24; Os.1:7; Zc.3:1,2; IITm.1:18; Sl.110:1;
Hb.1:9).
5)
Auto-Existência: Jerônimo disse: Deus é a origem de Si mesmo e a causa de Sua
própria substância. Jerônimo estava errado, pois Deus não tem causa de
existência, pois não criou a Si mesmo e não foi causado por outra coisa ou por
Si mesmo; Ele nunca teve início. Ele é o Eterno EU SOU (Ex.3:14), portanto Deus
é absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e
perpetuidade de Seu Ser. Deus é a razão de sua própria existência (Jo.5:26;
At.17:24-28; ITm.6:15,16).
6)
Infinidade ou Perfeição É o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer
limitação em seu Ser e em
seus atributos (Jó.11:7-10; Mt.5:48). A infinidade de Deus se contrasta com o
mundo finito em sua relação tempo-espaço.
a)
Eternidade: A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade.
Deus é Eterno (Sl.90:2; 102:12,24-27; Sl.93:2; Ap.1:8; Dt.33:27; Hb.1:12). A
eternidade de Deus não significa apenas duração prolongada, para frente e para
traz, mas sim que Deus transcende a todas as limitações temporais (IIPe.3:8)
existentes em sucessões de tempo. Deus preenche o tempo. Nossa vida se divide
em passado, presente e futuro. mas não há essa divisão na vida de Deus. Ele é o
Eterno EU SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a
sucessão de momentos, e tem a totalidade de sua existência num único presente
indivisível (Is.57:15).
b)
Imensidão: A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidão ou
imensidade. Deus é imenso (Grande ou Majestoso; Jó.36:5,26; Jó.37:22,23;
Jr.22:18; Sl.145:3). Imensidão é a perfeição de Deus pela qual Ele transcende
(ultrapassa) todas as limitações espaciais e, contudo está presente em todos os
pontos do espaço com todo o seu Ser PESSOAL (não é panteísmo). A imensidão de
Deus é intensiva e não extensiva, isto é, não significa extensão ilimitada no
espaço, como no panteísmo. A imensidão de Deus é transcendente no espaço
(intramundano ou imanente = dentro do mundo - Sl.139:7-12; Jr.23:23,24) e fora
do espaço (supramundano = acima do mundo; extramundano = além do mundo; emanente
= fora do mundo - IRs.8:27; Is.57:15).
c)
Onipresença: É quase sinônimo de imensidão: A imensidade denota a
transcendência no espaço enquanto que a onipresença denota a imanência no
espaço. Deus é imanente em todas as Suas criaturas e em toda a criação. A
imanência não deve ser confundida com o panteísmo (tudo é Deus) ou com o deísmo
que ensina que Deus está presente no mundo apenas com seu poder (per
portentiam) e não com a essência e natureza de ser (per essentiam et naturam) e
que age sobre o mundo à distância. Deus ocupa o espaço repletivamente porque
preenche todo o espaço e não está ausente em nenhuma parte dele, mas tampouco
está mais presente numa parte que noutra (Sl.139:11,12). Deus ocupa o espaço
variavelmente porque Ele não habita na terra do mesmo modo que habita no céu,
nem nos animais como habita nos homens, nem nos ímpios como habita nos
piedosos, nem na igreja como habita em Cristo (Is.66:1; At.17:27,28; Compare
Ef.1:23 com Cl.2:9).
7)
Imutabilidade É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus,
em sua natureza, em seus atributos e em seu conselho.
a)
A "base" para a imutabilidade de Deus: É Sua simplicidade,
eternidade, auto-existência e perfeição. Simplicidade porque sendo Deus uma
substância simples, indivisível, sem mistura, não está sujeito a variação
(Tg.1:17). Eternidade porque Deus não está sujeito às variações e
circunstâncias do tempo, por isso Ele não muda (Sl.102:26,27; Hb.1:12 e 13:8).
Auto-existência porque uma vez que Deus não é causado, mas existe em Si mesmo,
então Ele tem que existir da forma como existe, portanto sempre o mesmo
(Ex.3:14). E perfeição porque toda mudança tem que ser para melhor ou pior e
sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio, mais santo,
mais justo, mais misericordioso, e nem menos. Por isso Deus é imutável como a
rocha (Dt.32:4).
b)
Imutabilidade não significa imobilidade: Nosso Deus é um Deus de ação
(Is.43:13).
c)
Imutabilidade implica em não arrependimento: Alguns versículos falam de Deus
como se Ele se arrependesse (Ex.32:14, IISm.24:16, Jr.18:8; Jl.2:13). Trata-se
de antropomorfismo (Nm.23:19; Rm.11:29; ISm.15:29; Sl.110:4).
d)
Imutabilidade de Deus em Sua natureza: Deus é perfeito em sua natureza por isso
não muda nem para melhor nem para pior (Ml.3:6).
e)
Imutabilidade de Deus em Seus atributos: Deus é imutável em suas promessas
(IRs.8:56; IICo.1:20); em sua misericórdia (Sl.103:17; Is.54:10); em sua
justiça (Ez.8:18); em seu amor (Gn.18:25,26).
f)
Imutabilidade de Deus em Seu conselho: Deus planejou os fatos conforme a sua
vontade e decretou que este plano seja concretizado. Nada poderá se opor à sua
vontade. O próprio Deus jamais mudará de opinião, mas fará conforme seu plano
predeterminado (Is.46:9,10; Sl.33:11; Hb.6:17).
8)
Onisciência Atributo pelo qual Deus, de maneira inteiramente única, conhece-se
a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples.
O conhecimento de Deus tem suas características:
a)
É arquétipo: Deus conhece o universo como ele existe em Sua própria idéia
anterior à sua existência como realidade finita no tempo e no espaço; e este
conhecimento não é obtido de fora, como o nosso (Rm.11:33,34).
b)
É inato e imediato: Não resulta de observação ou de processo de raciocínio
(Jó.37:16)
c)
É simultâneo: Não é sucessivo, pois Deus conhece as coisas de uma vez em sua
totalidade, e não de forma fragmentada uma após outra (Is.40:28).
d)
É completo: Deus não conhece apenas parcialmente, mas plenamente consciente
(Sl.147:5).
e)
Conhecimento necessário: Conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as
coisas possíveis, um conhecimento que repousa na consciência de sua
onipotência. É chamado necessário porque não é determinado por uma ação da
vontade divina. (Por exemplo: O conhecimento do mal é um conhecimento
necessário porque não é da vontade de Deus que o mal lhe seja conhecido
(Hc.1:13) Deus não pode nem quer ver o mal, mas o conhece, não por experiência,
que envolve uma ação de Sua vontade, mas sim por simples inteligência, por ser
ato do intelecto divino (veja IICo.5:21 onde o termo grego ginosko é
usado).
f)
Conhecimento livre: É aquele que Deus tem de todas as coisas reais, isto é, das
coisas que existiram no passado, que existem no presente e existirão no futuro.
É também chamado visionis, isto é, conhecimento de vista.
g)
Presciência: Significa conhecimento prévio; conhecimento de antemão. Como Deus
pode conhecer previamente as ações livres dos homens? Deus decretou todas as
coisas, e as decretou com suas causas e condições na exata ordem em que
ocorrem, portanto sua presciência de coisas contingentes (ISm.23:12;
IIRs.13:19; Jr.38:17-20; Ez.3:6 e Mt.11:21) apoia-se em seu decreto. Deus não
originou o mal mas o conheceu nas ações livres do homem (conhecimento
necessário), o decretou e preconheceu os homens. Portanto a ordem é:
conhecimento necessário, decreto, presciência. A presciência de Deus é muito
mais do que saber o que vai acontecer no futuro, e seu uso no N.T. é empregado
como na LXX que inclui Sua escolha efetiva (Nm.16:5; Jz.9:6; Am.3:2). Veja
Rm.8:29; IPe.1:2; Gl.4:9. Como se processou o conhecimento necessário de Deus
nas livres ações dos homens antes mesmo que Ele as decretasse? A liberdade
humana não é uma coisa inteiramente indeterminada, solta no ar, que pende numa
ou noutra direção, mas é determinada por nossas próprias considerações
intelectuais e caráter (lubentia rationalis = autodeterminação racional).
Liberdade não é arbitrariedade e em toda ação racional há um por que, uma razão
que decide a ação. Portanto o homem verdadeiramente livre não é o homem incerto
e imprevisível, mas o homem seguro. A liberdade tem suas leis - leis
espirituais - e a Mente Onisciente sabe quais são (Jo.2:24,25). Em resumo, a
presciência é um conhecimento livre (scientia libera) e, logicamente procede do
decreto, "...segundo o decreto sua vontade" (Ef.1:11).
h)
Sabedoria: A sabedoria de Deus é a Sua inteligência como manifestada na
adaptação de meios e fins. Deus sempre busca os melhores fins e os melhores
meios possíveis para a consecução dos seus propósitos. H.B. Smith define a
sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz os melhores
resultados possíveis com os melhores meios possíveis. Uma definição ainda
melhor há de incluir a glorificação de Deus: Sabedoria é a perfeição de Deus
pela qual Ele aplica o seu conhecimento à consecução dos seus fins de um modo
que o glorifica o máximo (Rm.ll:33-36; Ef.1:11,12; Cl.1:16). Encontramos a
sabedoria de Deus na criação (Sl.19:1-7; Sl.104), na redenção (ICo.2:7; Ef.3:10)
. A sabedoria é personificada na Pessoa do Senhor Jesus (Pv.8 e ICo.1:30;
Jó.9:4; veja também Jó 12:13,16).
9)
Onipotência É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para
fazer qualquer coisa que Ele queira.
A
onipotência de Deus não significa o exercício para fazer aquilo que é
incoerente com a natureza das coisas, como, por exemplo, fazer que um fato do
passado não tenha acontecido, ou traçar entre dois pontos uma linha mais curta
do que uma reta. Deus possui todo o poder que é coerente com Sua perfeição
infinita, todo o poder para fazer tudo aquilo que é digno dEle. O poder de Deus
é distinguido de duas maneiras:
-
Potentia Dei absoluta = absoluto poder de Deus e potentia Dei ordinata = poder
ordenado de Deus.
-
Hodge e Shedd definem o poder absoluto de Deus como a eficiência divina,
exercida sem a intervenção de causas secundárias, e o poder ordenado como a
eficiência de Deus, exercida pela ordenada operação de causas secundárias.
-
Chanock define o poder absoluto como aquele pelo qual Deus é capaz de fazer o
que Ele não fará, mas que tem possibilidade de ser feito, e o poder ordenado
como o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer, isto é, o que Ele ordenou
ou marcou para ser posto em exercício; os quais não são poderes distintos, mas
um e o mesmo poder. O seu poder ordenado é parte do seu poder absoluto, pois se
Ele não tivesse poder para fazer tudo que pudesse desejar, não teria poder para
fazer tudo o que Ele deseja. Podemos, portanto, definir o poder ordenado de Deus
como a perfeição pela qual Ele, mediante o simples exercício de Sua vontade,
pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. E' óbvio,
porém, que Deus pode realizar coisas que a Sua vontade não desejou realizar
(Gn.18:14; Jr.32:27; Zc.8:6; Mt.3:9; Mt.26:53). Entretanto há muitas coisas que
Deus não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar-se a Si
mesmo (Nm.23:19; ISm.15:29; IITm.2:13; Hb.6:18; Tg.1:13,17; Hb.1:13; Tt.1:3),
isto porque não há poder absoluto em Deus, divorciado de Sua perfeições, e em
virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas contraditórias entre Si
(Jó.11:7). Deus faz somente aquilo que quer fazer (Sl.115:3; Sl.135:6).
a)
El-Shaddai: A onipotência de Deus se expressa no nome hebraico El-Shaddai
traduzido por Todo-Poderoso (Gn.17:1; Ex.6:3; Jó.37:23 etc).
b)
Em todas as coisas: A onipotência de Deus abrange todas as coisas (ICr.29:12),
o domínio sobre a natureza (Sl.107:25-29; Na.1:5,6; Sl.33:6-9; Is.40:26;
Mt.8:27; Jr.32:17; Rm.1:20), o domínio sobre a experiência humana (Sl.91:1;
Dn.4:19-37; Ex.7:1-5; Tg.4:12-15; Pv.21:1; Jó.9:12; Mt.19:26; Lc.1:37), o
domínio sobre as regiões celestiais (Dn.4:35; Hb.1:13,14; Jó.1:12; Jó
2:6).
c)
Na criação, na providência e na redenção: Deus manifestou o seu poder na
criação (Rm.4:17; Is.44:24), nas obras da providência (ICr.29:11,12) e na
redenção (Rm.1:16; ICo.1:24).
10)
Soberania ou Supremacia Atributo pelo qual Deus possui completa autoridade
sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn.14:19;
Ne.9:6; Ex.18:11; Dt.10:14,17; ICr.29:11; IICr.20:6; Jr.27:5; At.17:24-26;
Jd.4; Sl.22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).
a)
Vontade ou Autodeterminação: A perfeição de Deus pela qual Ele, num ato sumamente
simples, dirige-se à Si mesmo como o Sumo Bem (deleita-se em Si mesmo como tal)
e às Suas criaturas por amor do Seu nome (Is.48:9,11,14; Ez.20:9,14,22,44;
Ez.36:21-23).
A
vontade de Deus recebe variadas classificações, pois à ela são aplicadas diferentes
palavras hebraicas (chaphets, tsebhu, ratson) e gregas (boule, thelema).
-
Vontade Preceptiva: Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida
de Suas criaturas racionais. Esta vontade pode ser desobedecida com freqüência
(At.13:22; IJo.2:17; Dt.8:20).
-
Vontade Decretória: Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a
acontecer, quer pretenda realizá-lo causativamente, quer permita que venha a
ocorrer por meio da livre ação de suas criaturas (At.2:23; Is.46:9-11). A
vontade decretória é sempre obedecida. A vontade decretória e a vontade
preceptiva relacionam-se ao propósito em realizar algo.
-
Vontade de Eudokia: Na qual Deus deleita-se com prazer em realizar um fato e
com desejo de ver alguma coisa feita. Esta vontade, embora não se relacione com
o propósito de fazer algo, mas sim com o prazer de fazer algo, contudo
corresponde àquilo que será realizado com certeza, tal como acontece com a
vontade decretória (Sl.115:3; Is.44:28; Is.55:11).
-
Vontade de Eurestia: Na qual Deus deleita-se com prazer ao vê-la cumprida por
Suas criaturas. Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas
façam, mas que pode ser desobedecido, tal como acontece com a vontade
preceptiva (Is.65:12).
-
A vontade de eudokia não se refere somente ao bem, e nela não está sempre
presente o elemento de deleite (Mt.11:26). A vontade de eudokia e a vontade de
eurestia relacionam-se ao prazer em realizar algo.
-
Vontade de Beneplacitum: Também chamada Vontade Secreta. Abrange todo o
conselho secreto e oculto de Deus. Quando esta vontade nos é revelada, ela
torna-se na Vontade do Signum ou Vontade Revelada. A distinção entre a vontade
de beneplacitum e a vontade de signum encontra-se em Deuteronomio.29:29.
-
A vontade secreta é mencionada em Sl.115:3; Dn.4:17,25,32,35; Rm.9:18,19;
Rm.11:33,34; Ef.1:5,9,11, enquanto que a vontade revelada é mencionada em
Mt.7:21; Mt.12:50; Jo.4:34; Jo.7:17; Rm.12:2). Esta vontade está mui perto de
nós (Dt.30:14; Rm.10:8). A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas
que Ele quer efetuar ou permitir, tal como acontece na vontade decretória,
sendo portanto, absolutamente fixa e irrevogável.
b)
Liberdade: A perfeição de Deus no exercício de Sua vontade. Deus age necessária
e livremente. Assim como há conhecimento necessário e conhecimento livre, há
também uma voluntas necessária = vontade necessária e uma voluntas libera =
vontade livre. Na vontade necessária Deus não está sob nenhuma compulsão, mas
age de acordo com a lei do Seu Ser, pois Ele necessariamente quer a Si próprio
e quer a Sua natureza santa. Deus necessariamente se ama a Si próprio e Suas
perfeições. As Suas criaturas são objetos de Sua vontade livre, pois Deus
determina voluntariamente o que e quem Ele criará; e os tempos, lugares e
circunstâncias de suas vidas. Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas,
determina o seu destino e as utiliza para Seus propósitos (Jó.ll:10;
Jó.23:13,14; Jó.33:13. Pv.16:4; Pv.21:1; Is.10:15; Is.29:16; Is.45:9;
Mt.20:15; Ap.4:11;Rm.9:15-22; ICo.12:11).
C) Atributos Morais:
1)
Santidade: É a perfeição de Deus, em virtude da qual Ele eternamente quer
manter e mantém a Sua excelência moral, aborrece o pecado, e exige pureza moral
em suas criaturas. Ser Santo vem do hebraico qadash que significa cortar ou
separar. Neste sentido também o Novo testamento utiliza as palavras gregas
hagiazo e hagios.
A
santidade de Deus possui dois diferentes aspectos, podendo ser positiva ou
negativa (Hb.1:9;Am.5:15; Rm.12:9).
a)
Santidade Positiva: Expressa excelência moral de Deus na qual Ele é
absolutamente perfeito, puro e íntegro em Sua natureza e Seu caráter (IJo.1:5;
Is.57:15; IPe.1:15,16; Hc.1:13). A santidade positiva é amor ao bem.
b)
Santidade Negativa: Significa que Deus é inteiramente separado de tudo quanto é
mal e de tudo quanto o aborrece (Lv.11:43-45; Dt.23:14; Jó.34:10; Pv.15:9,26;
Is.59:1,2; Lc.20:26; Hc. 1:13; Pv.6:16-19; Dt.25:16; Sl.5:4-6). A santidade
negativa é ódio ao mal.
Além
de possuir dois aspectos a santidade de Deus possui também duas maneiras diferentes
de manifestar-se:
c)
Retidão: Também chamada justiça absoluta, é a retidão da natureza divina, em
virtude da qual Ele é infinitamente Reto em Si mesmo (santidade legislativa).
Sl.145:17; Jr.12:1; Jo.17:25; Sl.116:5; Ed.9:15.
d)
Justiça: Também chamada justiça relativa, é a execução da retidão ou a
expressão da justiça absoluta (santidade judicial). Strong a chama de santidade
transitiva. A retidão é a fonte da Santidade de Deus, a justiça é a
demonstração de Sua santidade.
A
justiça de Deus pode ser retributiva e remunerativa. A justiça retributiva se
divide em punitiva e corretiva. A justiça punitiva é aquela pela qual Deus pune
os pecadores pela transgressão de Suas leis. Esta justiça de Deus exige a
execução das penalidades impostas por Suas leis (Sl.3:5;11:4-7 Dt.32:4;
Dn.9:12,14; Ex.9:23-27;34:7). A justiça corretiva é aquela pela qual Deus
"pune" Seus filhos para corrigi-los (Hb.12:6,7). Aqueles que não são
Seus filhos, Deus pune como um Juiz Severo (Rm.11:22; Hb.10:31), mas aos Seus
filhos, Deus "pune" (corrige) como um Pai Amoroso
(Jr.10:24;30:11;46:28; Sl.89:30-33; ICr.21:13) A justiça remunerativa é aquela
pela qual Deus recompensa, com Suas bênçãos, aos homens pela obediência de Suas
leis (Hb.6:10; IITm.4:8; ICo.4:5;3:11-15; Rm.2:6-10; IIJo.8)
e)
Ira: Esta deve ser considerada como um aspecto negativo da santidade de Deus,
pois em Sua ira Deus aborrece o pecado e odeia tudo quanto contraria Sua
santidade (Dt.32:39-41; Rm.11:22; Sl.95:11; Dt.1:34-37; Sl.95:11). Podemos,
então, dizer que a ira é a manifestação da santidade negativa de Deus (Rm.1:18;
IITs.1:5-10; Rm.5:9 etc). A ira é também designada de severidade
(Rm.11:22).
2)
Bondade: É uma concepção genérica incluindo diversas variedades que se
distinguem de acordo com os seus objetos. Bondade é perfeição absoluta e
felicidade perfeita em Si mesmo (Mc.10:18; Lc.18:18,19; Sl.33:5; Sl.119:68;
Sl.107:8; Na.1:7).
A
bondade implica na disposição de transmitir felicidade.
a)
Benevolência: É a bondade de Deus para com Suas criaturas em geral. E' a perfeição de Deus que O leva a tratar benévola e
generosamente todas as Suas criaturas (Sl.145:9,15,16; Sl.36:6;104:21;
Mt.5:45;6:26; Lc.6:35; At.14:17).
Thiessen
define benevolência como a afeição que Deus sente e manifesta para com Suas
criaturas sensíveis e racionais. Ela resulta do fato de que a criatura é obra
Sua; Ele não pode odiar qualquer coisa que tenha feito (Jó.14:15) mas apenas
àquilo que foi acrescentado à Sua obra, que é o pecado (Ec.7:29).
b)
Beneficência: Enquanto que a benevolência é a bondade de Deus considerada em
sua intenção ou disposição, a beneficência é a bondade em ação, quando seus
atributos são conferidos.
c)
Complacência: É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que
aprova todas as Suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com
Ele (Sl.35:27; Sl.51:6; Is.42:1; Mt.3:17; Hb.13:16).
d)
Longanimidade ou Paciência: O hebraico emprega a palavra erek'aph que significa
grande de rosto e daí também lento para a ira. O grego emprega makrothymia que
significa ira longe. Portanto longanimidade é o aspecto da bondade de Deus em
virtude do qual Ele tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada
desobediência. A longanimidade revela-se no adiamento do merecido julgamento
(Ex.34:6; Sl.86:15; Rm.2:4; Rm.9:22; IPe.3:20; IIPe.3:15)
e)
Misericórdia: Também expressa pelos sinônimos compaixão, compassividade,
piedade, benignidade, clemência e generosidade. No hebraico usa-se as palavras
chesed e racham e no grego eleos. É a bondade de Deus demonstrada para com os
que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus méritos
(Dt.5:10; Sl.57:10; Sl.86:5; ICr.16:34; IICr.7:6; Sl.116:5; Sl.136; Ed.3:11;
Sl.145:9; Ez.18:23,32; Ex.33:11; Lc.6:35; Sl.143:12; Jó 6:14).
A
paciência difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto, pois
a misericórdia considera a criatura como infeliz, a paciência considera a
criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua
infelicidade, a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade. A
infelicidade e sofrimento deriva-se de um justo desagrado divino, portanto
exercer misericórdia é o ato divino de livrar o pecador do sofrimento pelo qual
ele justamente e merecidamente deveria passar, como conseqüência do desagrado
divino.
f)
Graça: É a bondade de Deus exercida em prol da pessoa indigna. Portanto graça é
o ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não
merece receber (Ex.33:19).
Na
misericórdia Deus suspende o sofrimento merecido, na graça Deus concede bênçãos
não merecidas. Todo pecador merece ir para o inferno; assim Deus exerce Sua
misericórdia livrando o pecador da condenação. Nenhum pecador merece ir para o
paraíso; assim Deus exerce a Sua graça doando ao pecador o privilégio de ir
gratuitamente para o paraíso.
Essa
diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não
caíram. Deus nunca exerceu misericórdia para com eles, posto que jamais tiveram
necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da
maldição. Todavia eles são objetos da livre e soberana graça de Deus pela qual
foram eleitos (ITm.5:21) e preservados eternamente de pecado e colocados em
posição de honra (Dn.7:10; IPe.3:22).
g)
Amor: A perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a
se comunicar. É, entretanto, não apenas um impulso emocional, mas uma afeição
racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício
da livre escolha. Este amor encontra seus objetos primários nas diversas
Pessoas da Trindade. Assim, o universo e o homem são desnecessários para o
exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição de Deus pela qual Ele
é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele ama a Si mesmo, Suas
virtudes, Sua obra e Seus dons.
3)
Verdade: É a consonância daquilo que é asseverado com o que pensa a Pessoa que
fez a asseveração. Neste sentido a verdade é um atributo exclusivamente divino,
pois com freqüência os homens erram nos testemunhos que prestam, simplesmente
por estarem equivocados a respeito dos fatos, ou então por pura incapacidade
fracassam em promessas que fizeram com honestas intenções. Mas a onisciência de
Deus impede que Ele chegue a cometer qualquer equívoco, e a Sua onipotência e
imutabilidade asseguram o cumprimento de Suas intenções (Dt.32:4; Sl.119:142;
Jo.8:26; Rm.3:4; Tt.1:2; Nm.23:19; Hb.6:18; Ap.3:7; Jo.17:3; IJo.5:20;
Jr.10:10; Jo.3:33; ITs.1:9; Ap.6:10; Sl.31:5; Jr.5:3; Is.25:1). Ao exercê-la
para com a criatura, a verdade de Deus é conhecida como sua veracidade e
fidelidade.
a)
Veracidade: Consiste nas declarações que Deus faz a respeito das coisas,
conforme elas são, e se relaciona com o que Ele revelou sobre Si mesmo. A
veracidade fundamenta-se na onisciência de Deus.
b)
Fidelidade: Consiste no exato cumprimento de Suas promessas ou ameaças. A
fidelidade fundamenta-se na Sua onipotência e imutabilidade (Dt.7:9; Sl.36:5;
ICo.1:9; Hb.10:23; Dt.4:24; IITm.2:13; Sl.89:8; Lm.3:23; Sl.119:138; Sl.119:75;
Sl.89:32,33; ITs.5:24; IPe.4:19; Hb.10:23).
MATÉRIA 03 - CRISTOLOGIA: DOUTRINA DE
CRISTO
Lemos em Jo.1:14 que o Verbo se fez carne. Não
devemos entender com isso que o Verbo foi transformado em carne ou misturado
com carne, e sim que escolheu para Si mesmo um templo formado pelo ventre de
uma virgem, no qual habitar; e que Aquele que era o Filho de Deus ficou sendo o
Filho do Homem, não pela confusão da substância mas sim pela unidade de pessoa.
A
NATUREZA HUMANA DE CRISTO
A) NATUREZA HUMANA
1)
Feito de Mulher (Gl.4:4; Mt.1:8).
2)
Feito da Semente (esperma) de Davi:
a)
Sem (Gn.9:27).
b)
Abraão (Gn.12:1-3).
c)
Isaque (Gn.26:2-5).
d)
Jacó (Gn.28:13-15).
e)
Judá (Gn.49:10).
f)
Davi (IISm.7:12-16).
B)
Crescimento e Desenvolvimento Naturais:
1)
Vigor Físico (Lc.2:52).
2)
Faculdades Mentais (Lc.2:40).
C)
Aparência Pessoal (Jo.4:9).
D)
Natureza Humana Completa:
1)
Corpo (Mt.26:12).
2)
Alma (Mt.26:38).
3)
Espirito (Lc.23:46).
E)
Limitações Humanas:
1)
Limitações Físicas:
a)
Fadiga (Jo.4:6; Is.40:28).
b)
Sono (Mt.8:24; Sl.121:4,5).
c)
Fome (Mt.21:18).
d)
Sede (Jo.19:28).
e)
Sofrimento e Dor (Lc.22:44).
f)
Sujeição à Morte (ICo.15:3).
2)
Limitações Intelectuais:
a)
Precisava Crescer em Conhecimento (Lc.2:52).
b)
Precisava Adquirir Conhecimento pela Observação (Mc.11:13).
c)
Possuía Conhecimento Limitado (Mc.13:32).
3)
Limitações Morais (Hb.2:18;4:15).
4)
Limitações Espirituais:
a)
Dependia das Oraçes (Mc.1:35).
b)
Dependia do Espirito Santo (At.10:38; Mt.12:28).
F)
Nomes Humanos:
1)
Jesus (Mt.1:21).
2)
Filho do Homem (Lc.19:10).
3)
O Nazareno (At.2:22).
4)
O Profeta (Mt.21:11).
5)
O Carpinteiro (Mc.6:3).
6)
O Homem (Jo.19:5; ITm.2:5).
G)
Relação Humana com Deus:
1)
Como Mediador e Sacerdote; Como representante da humanidade Jesus falava com
Deus (Mc.15:34).
2)
Kenosis: Auto esvaziamento de Jesus Cristo, uma auto renúncia dos atributos
divinos. Jesus pôs de lado a forma de Deus, mas ao fazê-lo não se despiu de Sua
natureza divina; não houve auto extinção. Também o Ser divino não se tornou
humano; Sua personalidade continuou a mesma, e reteve a consciência de ser Deus
(Jo.3:13). O propósito da kenosis foi a redenção. Na kenosis Jesus deixou o uso
independente do Seu poder para depender do Espirito Santo.
A
NATUREZA DIVINA DE CRISTO
A)
Nomes Divinos:
1)
Deus (Jo.1:1; Jo.1:18(ARA); Jo.20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8).
2)
Filho de Deus (Mt.8:29;16:16;27:40; Mc.14:61,62; Jo.5:25;10:36;
3)
Alfa e Ômega (Ap.1:8,17;22:13; Is.44:6).
4)
O Santo (At.3:14; Is.41:14; Os.11:9).
5)
Pai da Eternidade e Maravilhoso (Is.9:6; Jz.13:18).
6)
Deus Forte (Is.9:6; Is.10:21).
7)
Senhor da Glória (ICo.2:8; Tg.1:21; Sl.24:8-10).
8) Senhor (At.9:17;16:31;
Lc.2:11; Rm.10:9; Fp.2:11). O termo
"Senhor" em grego é Kúrios, e significa Chefe superior, Mestre, e
como tal era empregado à pessoas humanas, aos imperadores de Roma. Entretanto
eles eram considerados deuses, e somente à eles era permitido aplicar este
título, no sentido de divindade (At.2:36; IICo.4:5; Ef.4:5; IIPe.2:1;
Ap.19:16).
B)
Pelo culto divino que Lhe é atribuído:
1)
Somente Deus pode ser adorado (Mt.4:10).
2)
Jesus aceitou e não impediu Sua adoração (Mt.14:33; Lc.5:8;24:52).
3)
O Pai deseja que o Filho seja adorado (Hb.1:6; Jo.5:22,23; compare Is.45:21-23
com Fp.2:10,11).
4)
A Igreja primitiva o adorou e orava Ele (At.7:59,60; IICo.12:8-10).
C)
Pelos ofícios divinos que Lhe foram atribuídos:
1)
Criador (Jo.1:3; Hb.1:8-10; Cl.1:16).
2)
Preservador (Cl.1:17).
3)
Perdoador de pecados (Mc.2:5,7,11; Lc.7:49).
4)
Jesus é Jeová Encarnado (Compare Is.40:3,4 com Jo.1:23; Is.8:13,14 com
IPe.2:7,8 e At.4:11; IPe.2:6 com Is.28:16 e Sl.118:22; Nm.21:6,7 com
ICo.10:9(ARA = Senhor; ARC = Cristo; no grego = Criston); Sl.102:22-27 com
Hb.1:10-12; Is.60:19 com Lc.2:32; Zc.3:1,2).
D)
Pela associação de Jesus, o Filho, com o nome de Deus Pai (IICo.13:14;
ICo.12:4-6; ITs.3:11; Rm.1:7; Tg.1:1; IIPe.1:1; Ap.7:10; Cl.2:2; Jo.17:3;
Mt.28:19).
E)
Atributos divinos Lhe são atribuídos:
1)
Atributos Naturais:
a)
Onisciência (Jo.1:47-51;4:16-19,29;6:64;16:30;8:55; Jo.10:15;21:6,17;
Mt.11:27;12:25;17:27; Cl.2:3).
b)
Onipresença (Jo.3:13;14:23 Mt.18:20;28:20; Ef.1:23).
c)
Onipotência (Mt.8:26,27;28:28; Hb.1:3; Ap.1:8).
d)
Eternidade (Jo.8:58;17:5,24; Cl.1:17; Hb.1:8;13:8; Ap.1:8; Is.9:6;
Mq.5:2).
e)
Vida (Jo.10:17,18;11:25;14:6).
f)
Imutabilidade (Hb.1:11;13:8; Sl.102:26,27).
g)
Auto-Existência (Jo.1:1,2).
h)
Espiritualidade (IICo.3:17,18).
2)
Atributos Morais:
a)
Santidade (At.3:14;4:27Jo.8:12; Lc.1:35; Hb.7:26; IJo.1:5; Ap.3:7;15:4;
Dn.9:24).
b)
Bondade (Jo.10:11,14; IPe.2:3; IICo.10:1).
c)
Verdade (Mt.22:16; Jo.1:14;14:6; Ap.19:11;3:7; IJo.5:20).
F)
Títulos dados igualmente a Deus Pai e a Jesus Cristo:
1)
Deus: Deus Pai (Dt.4:39; IISm.7:22; IRs.8:60; IIRs.19:15; ICr.17:20; Sl.86:10;
Is.45:6;46:9; Mc.12:32), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Jo.1:23 e 3:28;
Sl.45:6,7 com Hb.1:8,9; Jo.1:1; Rm.9:5; Tt.2:13; IJo.5:20).
2)
Único Deus Verdadeiro: Deus Pai (Jo.17:3), Jesus Cristo (IJo.5:20).
3)
Deus Forte: Deus Pai (Ne.9:32), Jesus Cristo (Is.9:6).
4)
Deus Salvador: Deus Pai (Is.45:15,21; Lc.1:47: Tt.3:4), Jesus Cristo (IIPe.1:1;
Tt.2:13; Jd.25).
5)
Jeová: Deus Pai (Ex.3:15), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Mt.3:3 e
Jo.1:23).
6)
Jeová dos Exércitos: (ICr.17:24; Sl.84:3; Is.51:15; Jr.32:18;46:18), Jesus
Cristo (Compare Sl.24:10 e Is.6:1-5 com Jo.12:41; Is.54:5).
7)
Senhor: Deus Pai (Mt.11:25;21:9;22:37; Mc.11:9;12:29; Rm.10:12; Ap.11:15),
Jesus Cristo (Lc.2:11; Jo.20:28; At.10:36; ICo.2:8;8:6;12:3,5; Fp.2:11;
Ef.4:5).
8)
Único Senhor: Deus Pai (Mc.12:29; Dt.6:4), Jesus Cristo (ICo.8:6; Ef.4:5).
9)
Jeová e Salvador, Senhor e Salvador: Deus Pai (Is.43:11;60:16; Os.13:4), Jesus
Cristo (IIPe.1:11;2:20;3:18).
10)
Salvador: Deus Pai (Is.43:3,11;60:16; ITm.1:1;2:3; Tt.1:3;2:10;3:4; Jd.25),
Jesus Cristo (Lc.1:69;2:11; At.5:31; Ef.5:23; Fp.3:20; IITm.1:10;
Tt.1:4;3:6).
11)
Único Salvador: Deus Pai (Is.43:11; Os.13:4), Jesus Cristo (At.4:12;
ITm.2:5,6).
12)
Salvador de todos os homens e do mundo: Deus Pai (ITm.4:10), Jesus Cristo
(IJo.4:14).
13)
O Santo de Israel: Deus Pai (Sl.71:22;89:18; Is.1:4; Is.45:11), Jesus Cristo
(Is.41:14;43:3;47:4;54:5).
14)
Rei dos reis, Senhor dos senhores: Deus Pai (Dt.10:17; ITm.6:15,16), Jesus Cristo
(Ap.17:14;19:16).
15)
Eu Sou: Deus Pai (Ex.3:14), Jesus Cristo (Jo.8:58).
16)
O Primeiro e O Último: Deus Pai (Is.41:4;44:6;48:12) Jesus Cristo
(Ap.1:11,17;2:8;22:13).
17)
O Esposo de Israel e da Igreja: Deus Pai (Is.54:5;62:5; Jr.3:14; Os.2:16),
Jesus Cristo (Jo.3:9; IICo.11:2;; Ap.19:7;21:9).
18)
O Pastor: Deus Pai (Sl.23:1), Jesus Cristo (Jo.10:11,14; Hb.13:20).
G)
Obras atribuídas igualmente a Deus e a Jesus Cristo:
1)
Criou o mundo e todas as coisas: Deus Pai (Ne.9:6; Sl.146:6; Is.44:24; Jr.27:5;
At.14:15;17:24), Jesus Cristo (Sl.33:6; Jo.1:3,10; ICo.8:6; Ef.3:9; Cl.1:16;
Hb.1:2,10).
2)
Sustenta e preserva todas as coisas: Deus Pai (Sl.104:5-9; Jr.5:22;31:35),
Jesus Cristo (Cl.1:17; Hb.1:3; Jd.1)
3)
Ressuscitou Cristo: Deus Pai (At.2:24; Ef.1:20), Jesus Cristo
(Jo.2:19;10:18).
4)
Ressuscitou mortos: Deus Pai (Rm.4:17; ICo.6:14; IICo.1:9;4:14), Jesus Cristo
(Jo.5:21,28,29;6:39,40,44,54;11:25; Fp.3:20,21).
5)
É o Autor da regeneração: Deus Pai (IJo.5:18), Jesus Cristo (IJo.2:29).
A
UNIPERSONALIDADE DE JESUS CRISTO
Ficou
provado que Jesus Cristo possui duas naturezas, a divina e a humana. No
entanto, embora tenha duas naturezas, Ele não possui duas personalidades ou
Pessoas, sendo uma Pessoa divina e outra humana, mas uma só e apenas uma. Jesus
Cristo é uma só Pessoa em duas naturezas distintas, porém unidas.
MATÉRIA 04 - PARACLETOLOGIA: DOUTRINA DO ESPÍRITO
SANTO
1. DEFINIÇÃO DE PARACLETOLOGIA
Paracletologia é uma palavra formada por duas
palavras gregas: paracletos (que significa. Ajudador, Consolador, advogado) e
Logia (que significa estudo, doutrina). A Paracletologia estuda de uma forma
sistemática tudo o que se refere ao Espírito Santo (chamado por Jesus de
Consolador). A Paracletologia também é conhecida como Pnematologia.
A Paracletologia divide-se, na Bíblia em dois
períodos: o do Antigo e do Novo Testamento. No AT, as atividades e as
manifestações do Espírito Santo eram esporádicas, específicas e em tempos
distintos. No N.T., começa no dia de Pentecostes, quando suas atividades se
concretizam de maneira direta e contínua através da Igreja. No AT, Ele se
manifestava em circunstâncias especiais. No N.T., veio para morar nos corações
dos crentes e enche-los do seu poder.
2. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO
2.1 O ESPÍRITO SANTO É DEUS:
Esta declaração é comprovada na Bíblia e na
experiência humana. Ele não é um deus entre os outros. As escrituras relatam um
episódio nos primeiros dias da igreja, em Jerusalém, quando Ananias e Safira
tentaram enganá-lo. Ele revelou ao apóstolo Pedro que o casal mentia, conforme
registra Atos 5.3: "Por que encheu Satanás o teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo? Não mentistes aos homens, mas a Deus".
A deidade do Espírito Santo está implícita na do Pai
e do Filho. Ela é a mesma nas três pessoas. Não se separa, mas pertence a mesma
essência divina do único Deus.
2.2 ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO
Há três atributos pertencentes a deidade de cada uma
das pessoas da Trindade que são: Onipotência, Onisciência e Onipresença. Estes
atributos não foram conferidos a anjos nem aos homens.
a) Onipotência
Por onipotência se entende que todo o poder que há
no Universo físico ou espiritual, tem sua origem em Deus.
O poder do Pai é o mesmo existente no Filho e no
Espírito Santo. Então em sua onipotência, o Espírito Santo faz o que lhe apraz,
realizando milagres e prodígios (Rm 15.19 por força de sinais e prodígios, pelo
poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças
até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo),
b) Onisciência
Onisciência vem de duas palavras latinas:
"OMINES" que significa TUDO e "SCIENTIA" que quer dizer
CIÊNCIA. O Espírito Santo, do mesmo modo que o Pai e o Filho, tem total
conhecimento de todas as coisas. Sua sabedoria é infinita, singular e
indescritível. Ele sabe tudo acerca de si mesmo e do que criou Sl 139.2,11, 13
(SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me
levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o
meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à
língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda). Conhece os homens profundamente 1 Rs
8.39 (ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um
segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque tu, só
tu, és conhecedor do coração de todos os filhos dos homens;). Ninguém pode
esconder dele coisa alguma. Nem um só pensamento nosso passa despercebido do
Espírito Santo Jr 16.17 (Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos;
ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniqüidade aos meus
olhos).
c) Onipresença
O Espírito Santo penetra em todas as coisas e
perscruta o nosso entendimento, pois ele está presente em toda a parte. Ele não
se divide em várias manifestações, porque sua presença é total em cada lugar
onde estiver:
Sl 139.7-10 ( Para onde me ausentarei do teu
Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a
minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da
alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua
mão, e a tua destra me susterá.
3. ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA
3.1
A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
Um dos atributos da deidade é a personalidade que
cada uma das três pessoas divinas possui. Às vezes atribuímos à personalidade
uma forma corpórea. Entretanto, Deus é Espírito, sem necessidade de corpo
material. Identifica-se como pessoa alguém que manifeste qualidades, como o
falar, o sentir e o fazer alguma coisa racional.
3.2 PRONOMES CONFERIDOS AO ESPÍRITO SANTO
Em João 16.8,13, 14 encontramos algumas vezes o
pronome ele, aquele (no grego ekeinos) que indicam a pessoa do Espírito Santo.
Em João 14.16, encontra-se a expressão "outro Consolador". Ela, mais
uma vez, identifica a personalidade do Espírito Santo. A palavra
"outro", usada por Jesus, no grego "ALLOS", significa
"outro do mesmo tipo". O Filho de Deus revelou-se como pessoa, mas
falou de outra que Ele enviaria após sua subida para o céu.
Consolador no grego é "Paracleto" que
significa:
1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, .
convocado a ajudar alguém
1a) alguém que pleiteia a causa de outro diante de
um juiz, intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado
1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém,
intercessor
1b1) Cristo em sua exaltação \a mão direita de Deus,
súplica a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados
1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador,
assistente, alguém que presta socorro
1c1) É Nome dado Santo Espírito, destinado a tomar o
lugar de Cristo com os apóstolos (depois de sua ascensão ao Pai), a conduzi-los
a um conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar-lhes a força
divina necessária para capacitá-los a sofrer tentações e perseguições como representantes
do reino divino
3.3 ATRIBUTOS PESSOAIS DO ESPÍRITO SANTO
Através da Bíblia, o Espírito Santo é revelado como
Pessoa, com sua própria individualidade. Ele é uma Pessoa divina como o Pai e o
Filho. O Espírito Santo não é mera influência ou poder. Ele tem atributos
pessoais, a saber:
a) O Espírito Santo Pensa (Rm 8.27) E aquele que
examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo
Deus intercede pelos santos.
b) O Espírito Santo tem Vontade Própria (1Co 12.11)
Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como
lhe apraz, a cada um, individualmente.
c) O Espírito Santo Sente Tristeza (Ef 4.30) E não
entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.
d) O Espírito Santo Intercede (Rm 8.23) Também o
Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos
orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com
gemidos inexprimíveis.
e) O Espírito Santo Ensina (Jo 14.26), mas o Consolador,
o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as
coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.
f) Espírito Santo Fala (Ap 2.7) Quem tem ouvidos,
ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente
da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
g) Espírito Santo Comanda (At 16.6,7) E, percorrendo
a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a
palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de
Jesus não o permitiu.
Espirito Santo é suscetível de trato pessoal:
a) Alguém pode mentir para o Espírito Santo (At 5.3)
Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?
b) Pode-se Blasfemar contra o Espírito Santo (Mt
12.31) Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos
homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
4. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO
Os nomes do Espírito Santo nos revelam muita coisa a
respeito de quem ele é. Embora o nome Espírito Santo não ocorra no Antigo
Testamento, vários títulos equivalentes são usados. Os principais nomes do
Espírito Santo são:
a) Espírito de Deus de Yahweh (hb. Ruach YHWH), ou,
conforme consta nas Bíblias em português, "o Espírito do Senhor".
Yahweh significa aquele que faz existir. O título Senhor dos Exércitos é melhor
traduzido como "aquele que cria as hostes", tanto as hostes
celestiais (as estrelas, os anjos) quanto as hostes do povo de Deus. O Espírito
de Yahweh estava ativo na criação, conforme revela Gênesis 1.2, com referência
ao "Espírito de Deus" (hb. ruach 'elohîm).
b) O Espírito de Cristo. Com esse título é acentuada
a união do Espírito Santo com Cristo. Como tal ele é a vida Rm 8.9 (Vós, porém,
não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em
vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele), traz
frutos de Cristo (Fl. 1.11). Revela os mistérios de Cristo (Jo 14.16) e toma o
lugar dos arrebatados na terra (Jo 14.16-18). Toda e qualquer operação do
Espírito Santo enfim, é para glorificação de Jesus Cristo.
c) Espírito da Vida. O Espírito da vida Deus dá a
cada crente ao nascer de novo, vida nova e eterna. Ele substitui a lei reinante
do pecado e da morte com a lei da vida (Rm 8.2 ( Porque a lei do Espírito da
vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do
pecado e da morte). O que estava morto em ofensas e pecados (Ef 2.1; 2 Co
5.17), Ele vivifica no novo nascimento.
d) Espírito da Adoção de Filhos Rm 8.15 (Porque não
recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados,
mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.). O
conceito bíblico de filiação perdeu-se totalmente nos nossos dias, por causa da
idéia de "adoção". Isto não quer dizer que um estranho será acolhido
como criança numa família e usa a seguir o nome da família. É antes uma
transferência legal de uma criança na condição de um filho adulto ou uma filha
que alcançou a maioridade. O termo melhor hoje seria a parceria. Nós fomos
acolhidos na família divina, enchidos pelo Seu Espírito e dotados com nova e
eterna vida.
e) Espírito da Graça. Hb 10.29 (De quanto maior
castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e
tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer
agravo ao Espírito da graça?). A Bíblia qualifica como pecadores obstinados
estes, que pisam com os pés o Espírito da Graça. Pelo Espírito da graça é oferecida
livremente a todos os homens a dádiva da graça divina. Por isso qualquer
acréscimo humano, justiça por obras e melhoramentos adâmicos são abominação
para o Espírito Santo.
f) Espírito da Glória 1 Pe 4.14 (14 Se, pelo nome de
Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o
Espírito da glória e de Deus.). Glória nesse caso tem a ver com adoração,
honra, estima, elogio e dedicação que são despertados no crente pelo Espírito
Santo. Somente podemos adorar e chegar a glória de Deus, conforme o Espírito
Santo nos capacita para isto. Os demais é adoração imitada, não é revelação do
Espírito da Glória. Quando Ele se manifesta numa reunião, percebe-se sem
chamara a atenção.
5. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
Os símbolos oferecem quadros concretos de coisas
abstratas. Os símbolos do Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura
arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias épocas e culturas.
Em todos os lugares, o vento representa forças poderosas, porém invisíveis; a água
límpida que flui representa o poder e o refrigério sustentador da vida a todos
que têm sede, física e espiritual; o fogo representa uma força purificadora
(como a purificação de minérios) ou destruidora (freqüentemente citada no
juízo. Tais símbolos representam qualidades intangíveis porém genuínas.
a) Vento. A palavra hebraica ruach pode significar
"sopro", "espírito" "ou vento". É empregada
paralela com nephesh. O significado básico de nephesh é "ser
vivente", ou seja, tudo que têm fôlego. A partir daí seu alcance semântico
desenvolveu-se a tal ponto de referir-se a quase todos os aspectos emocionais e
espirituais do ser humano vivente. A palavra grega pneuma tem um alcance
semântico quase idêntico ao de ruach. O vento, como símbolo, fala da natureza invisível
do Espírito Santo, conforme revela João 3.8 (O vento sopra onde quer, ouves a
sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é
nascido do Espírito). Podemos ver e sentir os efeitos do vento, mas ele próprio
não é visto.
b) Água. A água, assim como o fôlego, é necessária
ao sustento da vida. O fôlego e a água, tão vitais nas necessidades físicas
humanas, são igualmente vitais no âmbito do espírito. Sem o fôlego vivificante
e as águas vivas do Espírito Santo, nossa vida espiritual não demoraria murchar
e ficar sufocada. O Espírito Santo flui da palavra como águas vivas Jo 7.38, 39
(Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água
viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele
cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não
havia sido ainda glorificado) que sustentam e refrigeram o crente.
c) Fogo. O aspecto purificador do fogo é refletido
claramente em Atos 2. No dia de Pentecostes são "línguas de fogo" que
marcam a vinda do Espírito (At 2.3). Esse símbolo é empregado uma só vez para
retratar o batismo no Espírito Santo. O aspecto mais amplo do fogo como
elemento purificador encontra-se no pronunciamento de João Batista: "Ele
vos batizará com o Espírito Santo e com fogo..." (Mt 3.11,12; Lc 3.16,17).
As palavras de João Batista referiam-se mais diretamente a separação entre o
povo de Deus e os que têm rejeitado o Messias. Por outro lado, o fogo ardente e
purificador do Espírito da Santidade também operam no crente (1 Ts 5.19).
d) Óleo. Zc 4.2-6 (e me perguntou: Que vês?
Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima
com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão
em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de
azeite, e a outra à sua esquerda. Então, perguntei ao anjo que falava comigo:
meu senhor, que é isto? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Não sabes tu que
é isto? Respondi: não, meu senhor. Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra
do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz
o SENHOR dos Exércitos.). Desde os primórdios o azeite é usado primeiramente
para ungir os sacerdotes de Yahweh, e depois, os reis e os profetas. O azeite é
o símbolo da consagração divina do crente para o serviço no Reino de Deus.
e) Pomba. Mt 3.16,17 (Batizado Jesus, saiu logo da
água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como
pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo). O Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de
uma pomba. A pomba é o arquétipo de mansidão e de paz. Ele é manso nas
tempestades da nossa vida produzindo paz.
f) Selo. Ef 1.13 (em quem também vós, depois que
ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também
crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa) Nos dias bíblicos
usava-se um selo de cera como sinal de promessa e acordo. Atualmente a nossa
assinatura na compra e venda pode ser comparada a isto. Na ocasião do novo
nascimento o Espírito Santo põe sobre nós o seu selo de direito de propriedade.
Isto é, ao mesmo tempo, uma promessa, que o selado tem parte na consumada obra
da salvação. O Espírito Santo garante assim a partir desse momento, o seu apoio
e ajuda.
6. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO.
a) O Espírito Santo é o agente da salvação.
Nisto Ele convence-nos do pecado (Jo 16.7,8 Mas eu
vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador
não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele
vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo) revela-nos a verdade
a respeito de Jesus (Jo 14.26 ), realiza o novo nascimento (Jo 3.3-6), e faz-nos
membros do corpo de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo,
recebemos o Espírito Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co-participantes da
natureza divina (2Pe 1.4);
b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação
Na conversão, o Espírito passa a habitar no crente,
que começa a viver sob sua influência santificadora (Rm 8.9; 1Co 6.19). Note
algumas das coisas que o Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica, i.e., purifica, dirige e leva-nos a
uma vida santa, libertando-nos da escravidão ao pecado. Ele testifica que somos
filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda-nos na adoração a Deus e na nossa vida de
oração, e intercede por nós quando clamamos a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em
nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23).
c) O Espírito Santo é o agente divino para o serviço
do Senhor,
Revestindo os crentes de poder para realizar a obra
do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo relaciona-se com o
batismo ou com a plenitude do Espírito. Quando somos batizados no Espírito,
recebemos poder para testemunhar de Cristo e trabalhar de modo eficaz na igreja
e diante do mundo (At 1.8). Recebemos a mesma unção divina que desceu sobre
Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (At 2.4), e que nos capacita a
proclamar a Palavra de Deus (At 1.8; 4.31) e a operar milagres (At 2.43; 3.2-8;
5.15; 6.8; 10.38). Para realizar o trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga
dons espirituais aos fiéis da igreja para edificação e fortalecimento do corpo
de Cristo (1Co 12—14). Estes dons são uma manifestação do Espírito através dos
santos, visando ao bem de todos (1Co 12.7-11).
7. O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
a) Ser Cheio do Espírito
Todo o cristão recebe o Espírito Santo no momento da
conversão e pode ser cheio dele sem ser batizado no Espírito Santo
O Espírito Santo nos convence do Pecado Jo 16.8 (E,
quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo).
O Espírito Santo habita em nós 1 Co 6.19 (Ou não
sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?)
Nós fomos selados com o Espírito Santo Ef 1.13,14
(em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da
vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da
promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em
louvor da sua glória); 2 Co 1.21,22 (Mas aquele que nos confirma convosco em
Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito
em nosso coração); Ef 4.30 (E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual
fostes selados para o dia da redenção)
Devemos buscar ser cheios Ef 5.18 (E não vos
embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito)
Exemplo de pessoas que foram cheias do Espírito
Santo e não eram batizadas:
Isabel Lc 1.41 (E aconteceu que, ao ouvir Isabel a
saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do
Espírito Santo)
Zacarias Lc 1.67 (E Zacarias, seu pai, foi cheio do
Espírito Santo e profetizou, dizendo:)
Simeão Lc 2.25 (Havia em Jerusalém um homem chamado
Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o
Espírito Santo estava sobre ele.)
João Batista Lc 1.15 (porque será grande diante do
Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo,
já desde o ventre de sua mãe.)
b) Ser batizado no Espírito Santo
At 1.5 "Porque, na verdade, João batizou com
água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes
dias."
A respeito do batismo no Espírito Santo, a Palavra
de Deus ensina o seguinte:
Jesus ordenou aos discípulos que não começarem a
testemunhar até que fossem batizados no Espírito Santo e revestidos do poder do
alto Lc 24.49 (E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém,
na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.) At 1.4,5,8
(E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas
que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na
verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo,
não muito depois destes dias. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que
há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
O batismo no Espírito Santo é uma obra distinta e à
parte da regeneração, também por Ele efetuada. No mesmo dia em que Jesus ressuscitou, Ele assoprou sobre seus discípulos e
disse: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.22), indicando que a
regeneração e a nova vida estavam-lhes sendo concedidas. Depois, Ele lhes disse
que também deviam ser "revestidos de poder" pelo Espírito Santo (Lc
24.49; cf. At 1.5,8).
O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente
ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e
ter eficácia no seu testemunho e pregação At 1.8 (Mas recebereis a virtude do
Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. At 4.31;
33 (Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram
cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. Com
grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e
em todos eles havia abundante graça).
O livro de Atos descreve o falar noutras línguas
como o sinal inicial do batismo no Espírito Santo. No dia de Pentecostes At 2.4
(Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas,
segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Na casa de Cornélio At 10.44-46
(E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os
que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham
vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse
também sobre os gentios. Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus.
Os cristãos de Éfeso At 19.6 (E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o
Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam).
Esse poder não se trata de uma força impessoal, mas
de uma manifestação do Espírito Santo, na qual a presença, a glória e a
operação de Jesus estão presentes com seu povo (Jo 14.16-18; 16.14; 1Co 12.7).
8. OS DONS ESPIRITUAIS
Uma das maneiras do Espírito Santo manifestar-se é
através de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes (12.7-11).
Essas manifestações do Espírito visam à edificação e à santificação da igreja
(12.7; ver 14.26 nota). Esses dons e ministérios não são os mesmos de Rm 12.6-8
e Ef 4.11, mediante os quais o crente recebe poder e capacidade para servir na
igreja de modo mais permanente. A lista em 12.8-10 não é completa. Os dons aí
tratados podem operar em conjunto, de diferentes maneiras.
As manifestações do Espírito dão-se de acordo com a
vontade do Espírito (12.11), ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo
do crente na busca dos dons (12.31; 14.1)
Certos dons podem operar num crente de modo regular,
e um crente pode receber mais de um dom para atendimento de necessidades
específicas. O crente deve desejar "dons", e não apenas um dom
(12.31; 14.1).
É antibíblico e insensato se pensar que quem tem um
dom de operação exteriorizada (mais visível) é mais espiritual do que quem tem
dons de operação mais interiorizada, i.e., menos visível. Também, quando uma
pessoa possui um dom espiritual, isso não significa que Deus aprova tudo quanto
ela faz ou ensina. Não se deve confundir dons do Espírito, com o fruto do
Espírito, o qual se relaciona mais diretamente com o caráter e a santificação
do crente (Gl 5.22,23).
Satanás pode imitar a manifestação dos dons do
Espírito, ou falsos crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o
mesmo (Mt 7.21-23; 24.11, 24; 2Co 11.13-15; 2Ts 2.8-10). O crente não deve dar
crédito a qualquer manifestação espiritual, mas deve "provar se os
espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no
mundo" (1Jo 4.1; cf. 1Ts 5.20,21; ver o estudo
8.1 RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS
Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da
sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro,
pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e
a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de
discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a
interpretação das línguas.
Em 1Co 12.8-10, o apóstolo Paulo apresenta uma
diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes. Nesta passagem,
ele não descreve as características desses dons, mas noutros trechos das
Escrituras temos ensino sobre os mesmos.
8.1.1 DONS DE REVELAÇÃO
a) Dom da Palavra da Sabedoria (12.8)
Trata-se de uma mensagem vocal sábia, enunciada
mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a
revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou
problema específico
Ex.: At 6.10 Não podiam resistir a sabedoria com que
Estevão falava;
Não se trata aqui da sabedoria comum de Deus, para o
viver diário, que se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus
e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6).
b) Dom da Palavra do Conhecimento (12.8)
Trata-se de uma mensagem vocal, inspirada pelo
Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de
circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Freqüentemente, este dom tem estreito
relacionamento com o de profecia.
Ex.: (At 5.1-10) Pedro obteve o conhecimento do que
Ananias e Safira haviam feito
c) Dom de Discernimento de Espíritos (12.10)
Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito,
para o portador do dom discernir e julgar corretamente as profecias e
distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não (1Jo 4.1 Amados, não
deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.).
8.1.2 DONS DE PODER
a) Dom da Fé (12.9)
Não se trata da fé para salvação, mas de uma fé
sobrenatural especial, comunicada pelo Espírito Santo, capacitando o crente a
crer em Deus para a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé
que remove montanhas (Mc 11.22-24) e que freqüentemente opera em conjunto com
outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres.
b) Dons de Curas (12.9)
Esses dons são concedidos à igreja para a
restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais.
Ex.: At 3.6-8 A cura de um coxo na porta
do templo.
O plural ("dons") indica curas de
diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de
Deus. Os dons de curas não são concedidos a todos os membros do corpo de Cristo
(cf. 12.11,30 "11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas,
repartindo particularmente a cada um como quer"; 30"Têm todos o dom
de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?"), todavia,
todos eles podem orar pelos enfermos. Havendo fé, os enfermos serão curados.
Pode também haver cura em obediência ao ensino
bíblico de Tg 5.14-16 (ver Tg 5.15 notas).
c) Dom de Operação de Milagres (12.10)
Trata-se de atos sobrenaturais de poder, que
intervêm nas leis da natureza. Incluem atos divinos em que se manifesta o reino
de Deus contra Satanás e os espíritos malignos
Ex.: Mt 8.26,27 E ele disse-lhes: Por que temeis,
homens de pequena fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e
seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que
homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
8.1.3 DONS DE INSPIRAÇÃO
a) Dom de Profecia (12.10)
É preciso distinguir a profecia aqui mencionada,
como manifestação momentânea do Espírito da profecia como dom ministerial na
igreja, mencionado em Ef 4.11. Como dom de ministério, a profecia é concedida a
apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como
manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo
cristão cheio dEle (At 2.16-18). Quanto à profecia, como manifestação do
Espírito, observe o seguinte:
Trata-se de um dom que capacita o crente a
transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do
Espírito Santo (14.24,25, 29-31)
Tanto no AT, como no N.T., profetizar não é
primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e
levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência. A mensagem profética
pode desmascarar a condição do coração de uma pessoa (1 Co 14.25 tornam-se-lhe
manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra,
adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós), ou
prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1 Co 14.3 Mas
o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando
A igreja não deve ter como infalível toda profecia
deste tipo, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1Jo 4.1). Daí,
toda profecia deve ser julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1Ts
5.20,21 Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é
bom). Ela deverá enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), contribuir para a
santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por alguém que de fato vive
submisso e obediente a Cristo (12.3).
O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de
Deus e não a do homem. Não há no N.T. um só texto mostrando que a igreja de
então buscava revelação ou orientação através dos profetas. A mensagem
profética ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso.
b) Dom de Variedades de Línguas (12.10)
No tocante às "línguas" (gr. glossa, que
significa língua) como manifestação sobrenatural do Espírito, notemos os
seguintes fatos:
Essas línguas podem ser humanas como as que os
discípulos falaram no dia de Pentecostes (At 2.4-6), ou uma língua desconhecida
na terra, entendida somente por Deus (1 Co 14.2 Pois quem fala em outra língua
não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito
fala mistérios).
A língua falada através deste dom não é aprendida, e
quase sempre não é entendida, tanto por quem fala como pelos ouvintes (1 Co
14.14,16 Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a
minha mente fica infrutífera. 16 E, se tu bendisseres apenas em espírito, como
dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que
dizes;)
O falar noutras línguas como dom abrange o espírito
do homem e o Espírito de Deus, que entrando em mútua comunhão, faculta ao
crente a comunicação direta com Deus (i.e., na oração, no louvor, no bendizer,
na ação de graças e na oração),
Línguas estranhas faladas no culto devem ser
seguidas de sua interpretação, também pelo Espírito, para que a congregação
conheça o conteúdo e o significado da mensagem (1 Co 14., 27,28. No caso de
alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito
três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo
intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.) Deve
haver ordem quanto ao falar em línguas em voz alta durante o culto. Quem fala
em línguas pelo Espírito, nunca fica em "êxtase" ou "fora de
controle".
c) Dom de Interpretação de Línguas (12.10)
Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito
Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma
mensagem dada em línguas. Tal mensagem interpretada para
a igreja reunida, pode conter ensino sobre a adoração e a oração, ou pode ser
uma profecia. Toda a congregação pode assim desfrutar dessa revelação vinda do
Espírito Santo. A interpretação de uma mensagem em línguas pode ser um meio de
edificação da congregação inteira, pois toda ela recebe a mensagem. A
interpretação pode vir através de quem deu a mensagem em línguas, ou de outra
pessoa. Quem fala em línguas deve orar para que possa interpretá-las (1 Co
14.13 Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa
interpretar)
9. O FRUTO DO ESPÍRITO
Em contraste com as obras da carne, temos o modo de
viver íntegro e honesto que a Bíblia chama "o fruto do Espírito".
Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o
Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente)
subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão
com Deus (ver Rm 8.5-14 nota; 8.14 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl
3.12-15; 2Pe 1.4-9). O fruto do Espírito inclui:
a) ÁGAPE – AMOR
“Caridade” (gr. ágape), i.e., o interesse e a busca
do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (1 Co 13.4-8 O amor é
paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se
ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses,
não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas
regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O
amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, passará)
O amor é o solo onde são cultivadas todas as demais
virtudes espirituais.
O amor é a prova da espiritualidade e tem inicio na
regeneração (1 Jo 4.7-8). Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor
procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.
O amor consiste em querer para os outros aquilo que
queremos par nos mesmos. É a dedicação ao próximo. Mateus 7:12 Portanto, tudo o
que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a
lei e os profetas.
b) CHARA – ALEGRIA
Trata-se da felicidade do Espírito, qualidade de
vida que é graciosa e bondosa caracterizada pela boa vontade, generosa nas
dádivas aos outros, por causa de uma correta relação com Deus.
Deus não aprecia a duvida e o desânimo. Também o
abomina a doutrina ousada, o pensamento melancólico e tristonho. Deus gosta de
corações animados. (2Co 6.10 “entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas
enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo”.)
A alegria cristã, entretanto não é uma emoção
artificial. Antes é uma ação do Espírito de Deus no espírito humano é a
sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na
presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo 1 Pe
1.8 Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora,
mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,
c) EIRENE – PAZ
A queda do homem no pecado destruiu a paz, a paz com
Deus, com os outros, com o próprio ser e com a própria consciência.
Foi através da instrumentalidade da cruz que Deus
estabeleceu a paz. Portanto, a paz envolve muito mais do que uma tranqüilidade
intima que prevalece a respeito das tempestades externas. Antes, trata-se de
uma qualidade espiritual de origem cósmica e pessoal produzida pela
reconciliação e pelo perdão dos pecados.
A paz é o contrario do ódio, da contenda, da inveja
dos excessos de tudo o que são obras da carne.
Paz é a quietude de coração e mente, baseada na
convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Fp 4.7 E a
paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa
mente em Cristo Jesus.
d) MAKROTHUMIA – LONGANIMIDADE
Quando é uma qualidade atribuída a Deus, significa
que ele tolera pacientemente todas as iniquidades do homem, não deixando
arrebatar por explosões de ira.
A longanimidade é a paciência que nos permite
subjugar a ira e o sendo de contenda, tolerando as injúrias.
Longanimidade é a perseverança, paciência, ser
tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.1,2 Rogo-vos, pois, eu, o
prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes
chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos
uns aos outros em amor).
e) CHRESTOTES – BENIGNIDADE
Significa gentileza, bondade. Esse termo grego
significa também excelência de caráter, honestidade. O crente que a possui esse
é gracioso e gentil para com seu semelhante não se mostrando ser inflexível e
exigente.
Ser Benigno é não querer magoar ninguém, nem lhe
provocar dor (Ef 4.32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou).
f) AGATHOSUNE – BONDADE
Uma pessoa bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles
que têm necessidade.
Podemos observar a vida terrena inteira de Jesus de
Nazaré, vivida em meio a atos de bondade para com os outros. Ora, para que o
crente se mostre supremamente bondoso, precisa contar com auxílio do Espírito
Santo.
Bondade é a expressão máxima do amor cristão. No
grego, Agathosune refere-se ao homem bom, cuja generosidade brota do coração.
Ela é a verdadeira prática do bem. É o amor em ação (Gl 6.10 Por isso, enquanto
tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família
da fé).
g) PISTIS – FÉ
Significa tanto confiança como fidelidade. A fé de
parceria com o arrependimento, forma a conversão. A entrega da alma, as mãos de
Cristo alicerçado sobre o conhecimento espiritual.
A fé vitalizada pelo amor, pois do contrário, não
será a verdadeira fé sob hipótese alguma.
Fé é lealdade constante e inabalável a alguém com
quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade.
h) PRAUTES – MANSIDÃO
Para Aristóteles, essa característica era um vicio
de deficiência, e não uma virtude. Aristóteles encarava tal realidade, como uma
auto-depreciação.
Na verdade mansidão trata-se de uma submissão do
homem para com Deus e, em seguida para com o homem. A mansidão é o resultado da
verdadeira humildade por causa do reconhecimento alheio, com a recusa de nos
considerarmos superiores.
Mansidão é moderação, associada à força e à coragem;
descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também
humildemente submeter-se quando for preciso (Jesus em Mt 11.23 repreende
duramente Carfanaum "Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu?
Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres
que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje "e no v. 29
diz que devemos ser mansos como ele Mt 11.29 2Tomai sobre vós o meu jugo e
aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso
para a vossa alma.
i) EGKRATEIA - TEMPERANÇA - DOMÍNIO PRÓPRIO
Temperança é o controle ou domínio sobre nossos
próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também
a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
Na passagem de 1 Co 7.9 essa palavra é usada em
relação ao controle do impulso sexual ( Caso, porém, não se dominem, que se
casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.
. Mas em 1 Co 9.25 refere-se a toda forma de
autodisciplina ( Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma
coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Parece que Paulo se utiliza
dessa palavra, neste contesto, dando a entender aquele autocontrole que obtém
sobre os vícios alistados em Gl 5.19-21.
Os filósofos estóicos percebiam claramente a verdade
expressa por essa virtude de domínio próprio. Eles procuravam fazer com que a
razão dominasse a vida inteira, controlando as paixões e firmando a lama.
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é
que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente
pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá
uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.
MATÉRIA 05 - SOTERIOLOGIA: DOUTRINA DE CRISTO
1. Graça: É o poder dinâmico de
Deus que provêm imerecidamente para capacitar o homem a desejar e fazer a Sua
vontade (Fp.2:13; Ico.1:4,5; IITm.1:9; Tg.1:18; IICo.3:5; Hb.13:21; Is.26:12;
Jr.10:23; Pv.16:9; 20:24; ICo.15:10).
2. Predestinação: É o conselho ou
decreto de Deus concernente aos homens decaídos, incluindo a eleição soberana
de uns e a justa reprovação dos restantes (Rm.8:29,30; 9:11-24; Ef.1:5,11).
Os dois aspectos da predestinação são:
(a) Eleição: É o ato eterno de
Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum
mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a
graça especial e a salvação eterna.
(b) Reprovação: É o decreto
eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar a um certo número de
homens as operações de sua graça especial, e puní-los por seus pecados, para a
manifestação da sua justiça. Os dois aspectos da reprovação são preterição e
condenação.
PENSAMENTO: A soberania divina e a
soberania humana certamente são contraditórias entre si, mas a soberania divina
e a responsabilidade humana, não. (F.H. Klooster)
3. Vocação: Vocação ou chamada é o
ato de graça pelo qual Deus convida os homens, através de Sua Palavra, a
aceitarem pela fé a salvação providenciada por Cristo. (ICo.1:9; ITs.2:12; IPe.5:10; Mt.11:28; Lc.5:32; Jo.7:37; At.2:39;
Rm.8:30; ICo.1:24,26;7:15; Gl.1:15; Ef.4:1;4:4; IITs.2:14; IITm.1:9;
Ipe.2:9;5:10).
4. União: É a ligação íntima, vital
e espiritual entre Cristo e o Seu povo, em razão da qual Ele é a fonte da sua
vida e poder, da sua bem-aventurança e salvação (Ef.5:32; Cl.1:27).
5. Regeneração: É o ato de Deus pelo
qual o princípio de uma nova vida é implantado no homem, e a disposição
dominante de sua alma é tornada santa. É a comunicação de vida divina à alma,
que implica numa completa mudança de coração (Ez.11;19; 18:31; 36:26; Jr.24:7;
Rm.6:4; Ef.2:6; Cl.2:12; Jo.5:21; Jo.6:63; 10:10,28; Rm.6:11,13; IJo.5:11,12;
Ef.2:1,5; Cl.2:13; IIPe.1:4; Jo.1:12; 3:3,5; IJo.3:1).
6. Conversão: É o ato exterior,
visível e prático da salvação operada na vida do pecador regenerado (Lc.22:32).
Os dois aspectos da conversão são:
(a)
arrependimento: é o aspecto negativo da conversão, porque implica no abandono
do pecado e em dizer não para as coisas pecaminosas.
(b) fé: é o
aspecto positivo da conversão, porque implica em voltar em direção a Deus e em
dizer sim para a sua palavra.
7. Arrependimento: É a mudança
voluntária e consciente, produzida na vida do pecador, efetuada pelo Espírito
Santo, a qual atinge sua mente, seus sentimentos e conduz o pecador ao abandono
voluntário do pecado (Mt.21:28-30; IICo.7:9,10).
8. Fé: É um firme e seguro
conhecimento do favor de Deus, para conosco, fundado na verdade de uma promessa
gratuita em Cristo, e revelada às nossas mentes e seladas em nossos corações
pelo Espirito Santo (As Institutas, III, 2,7, Calvino).
9. Justificação: É um ato judicial
de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as
reivindicações da lei estão satisfeitas a favor do pecador (At.13:39; Rm.5:1,9;
8:30-33; Ico.6:11; Gl.2:16; Gl.3:11). Na justificação estão incluídos o perdão,
a adoção, a substituição vicária e a imputação.
Os dois aspectos da justificação são:
(a) Remissão ou
Perdão (aspecto negativo/a dívida é anulada): É o resultado da morte de Cristo
e se dá por meio da substituição, na qual, Cristo nosso Cordeiro Pascal se
oferece para morrer em nosso lugar.
(b) Adoção
(aspecto positivo/o crédito é imputado): É o resultado da ressurreição de
Cristo e se dá por meio da imputação, na qual a justiça de Cristo, que dá o
direito legal à adoção, é imputada ao crente. A regeneração opera uma filiação
moral enquanto que a adoção opera uma filiação legal.
10. Remissão ou Perdão: É o aspecto
negativo da justificação, pois quando Adão pecou, ele foi condenado pelo que
fez de errado (iniqüidade), como também pelo que deixou de fazer de certo,
errando o alvo (pecado). Adão, então pecou por ação (iniqüidade = pecado
consciente, voluntário, transgressão) e omissão (pecado, leia IJo.3:4). Cristo
em sua obra vicária corrigiu os erros de Adão, obedecendo passiva e ativamente,
negativa e positivamente os mandamentos de Deus, pois a lei inclui mandamentos
negativos (não adulterarás, etc) e mandamentos positivos (amarás a Deus, etc).
O perdão é, portanto o ato judicial de Deus pelo qual ele concede ao pecador,
na cruz, os benefícios resultantes da obediência passiva de Cristo. O perdão é
resultado da morte de Cristo enquanto que a adoção (o aspecto positivo da
justificação) é resultado da ressurreição de Cristo (Rm.4:25). Na morte Cristo
aniquilou o pecado, na ressurreição trouxe justiça. O perdão é operado mediante
a substituição, a justiça é concedida por meio da imputação. O perdão é
concedido na cruz. A justiça é imputada no tribunal de Deus (IPe.3:18).
NOTA: Remissão não é o mesmo que redenção.
Veja redenção no item 17.
11. Adoção: É o ato judicial de
Deus, resultado prático da regeneração, pelo qual Ele declara seus filhos
emancipados e herdeiros da vida eterna (Tt.3:7). Adoção não deve ser confundida
com regeneração, pois na adoção Deus coloca o pecador que já é seu filho
regenerado na posição de filho adulto. Na adoção não há transformação interior
(moral). A adoção não muda o interior do pecador, muda a sua posição perante
Deus. Deus não adota pecadores não regenerados, Deus só adota aqueles que já
são seus filhos.
12. Imputação: É o ato de Deus pelo
qual Ele debita meritoriamente na conta da humanidade o pecado de Adão, e
judicialmente na conta de Cristo o pecado da humanidade, e gratuitamente na
conta da humanidade a justiça de Cristo. Imputação significa
"debitar", "atribuir responsabilidade" ou "lançar na
conta de alguém". Paulo ensina esta doutrina quando assume a dívida de
Onésimo. Do mesmo modo Jesus Cristo tomou a nossa dívida (Fm.18,19).
13. Substituição: É o ato judicial
de Deus pelo qual Ele pune os pecadores pelos seus pecados, provendo um
substituto qualificado, sobre o qual recaiu todo o pecado e a culpa imputados à
humanidade por causa do pecado de Adão (Is.53:4-7; Ico.5:7).
Um substituto qualificado deveria possuir:
(a) Perfeita
Encarnação: deveria ter natureza humana completa para poder representar
adequadamente a humanidade (Hb.2:14-17; 5:1; Jo.1:14).
(b) Perfeita
Identificação: deveria ter uma profunda identificação com o sofrimento
humano (Hb.4:15; Hb.2:18; Hb.5:2,3). A nossa identificação com Cristo é tão perfeita
que somos identificados com Ele na sua morte (Rm.6:3; Cl.2:12).
(c) Perfeita
Santidade: Um homem comum não seria um bom representante da raça humana. O
substituto deveria ser santo, inocente, sem mácula, separado dos pecadores
(Hb.7:23-27). Um mortal comum não poderia salvar ninguém, pois sendo mortal,
não se salvaria nem a si mesmo.
14. Santificação: É a graciosa e
contínua operação do Espirito Santo pela qual Ele liberta o pecador justificado
da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o
capacita a praticar boas obras.
ESQUEMA DA SALVAÇÃO
Espírito Alma Corpo
Tempo Passado Presente Futuro
Em relação ao pecado
Penalidade
(Jo.5:24)
Poder (Rm.6:14)
Presença (ICo.15:54,57)
Em relação ao pecador
Justificação
Regeneração (Rm.1:4; Ipe.1:2; Rm.5:16;IITs.2:13)
Santificação
(Tg.1:21,22; IITm.3:15)
Redenção
(Fp.3:21)
Ocasião
Morte e
ressurreição de Cristo
Do novo
nascimento até o encontro com Cristo (Fp.1:6)
Arrebatamento ou
2ª Vinda de Cristo (ICo.15:52,53)
15. Perseverança: É a contínua
operação do Espirito Santo no crente, pela qual a obra da graça divina, inciada
no coração, tem prosseguimento e se completa, levando os salvos à permanecerem
em Cristo e perseverarem firmes na fé. A perseverança representa o lado humano
(Jr.32:40; Sl.86:11; 37:28-31).
16. Segurança: É a garantia eterna
e imutável da salvação, iniciada e completada por Deus, no coração dos
regenerados. A segurança representa o lado divino (Sl.89:28-37).
17. Redenção: É o ato gracioso de
Deus pelo qual Ele liberta o pecador da escravidão da lei do pecado e da morte
(Rm.8:1,2), mediante o pagamento de um resgate (Rm.6:20-22; Ico.6:19,20;
IPe.1:18,19; Ap.1:5; 5:9; Gl.4:1-7).
(a) A Necessidade
da Redenção: Todas as criaturas humanas da terra pertencem a Deus (ICo.10:26;
Sl.50:12) mas não são todas de Cristo (Rm.8:9). O homem só se torna propriedade
exclusiva de Cristo mediante a obra da redenção (ICo.6:19,20; Hb.2:13-15). O
mundo (sistema) é de Satanás (Lc.4:6; Ijo.5:19) e as criaturas humanas que
estão no mundo pertencem à ele (At.26:18; Mt.12:30; Mc.9:40; Lc.11:23), por
isso era necessária a redenção, para que através de Cristo Deus resgatasse
(comprasse) do mundo os que viriam a crer nele, para que através da redenção
passassem a pertencer a Cristo (Jo.15:19; 17:14; 18:36; Cl.1:13). Se um homem
ainda não foi redimido, embora sendo criatura de Deus, continua sendo filho do
Diabo, do qual é ele escravo (Jo.8:44). Somente os filhos de Deus são
verdadeiramente livres (Gl.2:4; 5:1; Rm.8:21; IICo.3:17).
(b) A Natureza do
Redentor:
Deveria ser
parente próximo da vítima: Era ele, o redentor (goel no hebraico) quem deveria
resgatar o sangue da vítima assassinada (Nm.35:19-34; Js.20:3-5); era ele quem
deveria resgatar a possessão da família que fora vendida (Lv.25:24,26,51,52;
Lv.27:13,15,19,20,31; Jr.32:7); era ele quem deveria resgatar a pessoa cujo
empobrecimento forçou-a a se vender a um não judeu (Lv.25:47-49). Em Ezequiel
11:15 a expressão "os homens do teu parentesco" significa "os
homens da tua redenção".
O Redentor
deveria preencher certos requisitos: (1) deveria ter parentesco do escravo a
ser resgatado (Rt.2:20; 3:9,12; 4:1,3,6,14); (2) deveria ter meios com que
pagar o resgate (Rt.4:6; Sl.49:7-9); (3) deveria querer efetuar o resgate
(Rt.4:4; Rt.3:13; Rm.5:7); (4) deveria ser livre e não podia ser um escravo, um
escravo não podia
resgatar outro escravo.
(c) Cristo é o
Nosso Redentor:
(1) Ele se fez nosso parente próximo
(Hb.2:14,15; Fp.2:7);
(2) Ele pagou com seu sangue (At.20:28;
IPe.1:18; ICo.6:20);
(3) Ele nos resgatou voluntariamente
(Jo.10:17,18);
(4) Ele não tinha pecado (Hb.5:15;
IICo.5:21).
18. Reconciliação: É a operação
graciosa de Deus pela qual Ele reconcilia os pecadores consigo mesmo, por meio
da morte de Jesus Cristo, removendo a inimizade (IICo.5:18-21; Cl.1:20-22). O
termo usado no antigo Testamento para reconciliação é expiação.
Os dois aspectos da reconciliação são:
(a) Expiação: A reconciliação (no grego =
katallagê) tem seu aspecto negativo na expiação, que enfatiza a morte de Cristo
para o perdão dos pecados em relação ao homem. (A justificação possui aspectos
semelhantes a reconciliação:
É negativa e
positivamente considerada: (a) Perdão e (b) Adoção). A expiação é a remoção da
causa da inimizade do homem (Rm.5:10). Na expiação a fraqueza, a impiedade e o
pecado (mencionados em Rm.5:6-8), fatores causadores da inimizade são
removidos. Portanto expiação é o cancelamento da fraqueza (Rm.5:6), da impiedade
(Rm.5:6) e especialmente do pecado (Rm.5:8; Ijo.1:29; At.3:19). Na expiação a
ação se dirige para aquilo que provocou o rompimento no relacionamento, e se
ocupa com a anulação do ato ofensivo.
(b) Propiciação: É a reconciliação em seu
aspecto positivo, e por isso vai além da expiação, pois enfatiza a morte de
Cristo em relação a Deus. Na propiciação a ação se dirige para Deus, a pessoa
ofendida. O propósito da propiciação é alterar a atitude de Deus, da ira para a
boa vontade e favor. Na propiciação é a ira que é removida (Rm.5:9,10) e a
amizade de Deus é restaurada. Não é o caso de Deus mudar, mas sim de que sua
ira é desviada (Sl.78:38; 79:8; Em Ex.32:14 o termo arrepender é wayyinnahem,
no hebraico, e hilaskomai, no grego, que significa "ser propício". É
também usado em Lm.3:42; Dn.9:19; IIRs.24:4. É claro que se trata de linguagem
poética, pois há passagens em que se diz que Deus se arrependeu de fazer o bem,
como em Jr.18:10, como se o bem fosse causa para arrependimento).
Na expiação
Cristo ofereceu-se pelos os homens, na propiciação Ele ofereceu-se à Deus
(Hb.9:13,14; IPe.3:18). A expiação extingue o pecado (a inimizade contra Deus),
a propiciação extingue a penalidade do pecado (a ira de Deus) que é desviado
para a cruz de Cristo (Rm.3;25; Rm.1:18,24,26).
19.Renovação: É a operação graciosa
de Deus que inclui todos aqueles processos de forças espirituais subseqüentes
ao novo nascimento e decorrentes dele (Sl.51:10;103:5; Is.40:31;41:1; Cl.3:10).
20. Glorificação ou Ressurreição:
É a operação divina pela qual o crente regenerado há de ressuscitar
corporalmente, tendo seu corpo abatido, transformado à semelhança do corpo
glorioso do Senhor Jesus (Fp.3:21; ITs.4:13-17; IJo.3:2).
Conclusão: não foram
apresentados todos os aspectos envolvidos em cada um dos 20 itens aqui
descritos. O assunto é vasto e interminável, na teologia sistemática,
principalmente na soteriologia, por isso apresentei um resumo do que considerei
mais importante sobre o assunto. Outros aspectos poderão ser encontrados por
um.
MATÉRIA 06 - A TRINDADE
Marcos
1.11 "E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: TU ÉS O MEU FILHO AMADO, em
quem me comprazo".
As
três divinas pessoas da Trindade estão presentes no batismo de Jesus. Deus é
revelado nas Escrituras como um só Deus, existente como Pai, Filho e Espírito
Santo (cf. Mt 3.16,17; 28.19; Mc 1.9-11; 2 Co 13.14; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2; Jd
20,21). Esta é a doutrina da Trindade,expressando a verdade de que dentro da
essência una de Deus, subsistem três Pessoas distintas, compartilhando uma só
natureza divina comum. Assim, segundo as Escrituras, Deus é singular (uma
unidade) num sentido, e plural (trina), noutro.
(1)
As Escrituras declaram que Deus é um só uma união perfeita de uma só natureza,
substância e essência (Dt 6.4; Mc 12.29; Gl 3.20). Das pessoas da deidade,
nenhuma é Deus sem as outras, e cada uma, juntamente com as outras, é Deus. (2)
O Deus único existe numa pluralidade de três pessoas identificáveis, distintas;
mas não separadas. As três não são três deuses, nem três partes ou expressões
de Deus, mas são três pessoas tão perfeitamente unidas que constituem o único
Deus verdadeiro e eterno. O Filho e também o Espírito Santo possuem atributos
que somente Deus possui (ver Jo 20.28; 1.1,14; 5.18; 14.16; 16.8,13; Gn 1.2; Is
61.1; At 5.3,4; 1 Co 2.10,11; Rm 8.2,26,27; 2 Ts 2.13; Hb 9.14). Nem o Pai, nem
o Filho, nem o Espírito Santo, foram feitos ou criados em tempo algum, mas cada
um é igual ao outro em essência, atributos, poder e glória. (3) O Deus único, existente
em três pessoas, torna possível desde toda a eternidade o amor recíproco, a
comunhão, o exercício dos atributos divinos, a mútua comunhão no conhecimento e
o inter-relacionamento dentro da deidade (cf. Jo 10.15; 11.27; 17.24; 1 Co
2.10)
1.13
TENTADO POR SATANÁS. Ver Mt 4.1.
1.14
O EVANGELHO. Ver Mc 14.9 .
1.15
O REINO DE DEUS. A proclamação e a concretização do reino de Deus foi o
propósito da obra de Cristo. Foi o tema de sua mensagem na terra (Mt 4.17).
Quanto à forma de manifestação do reino, existem: (1) O reino de Deus em Israel. No AT, o reino visava preparar o caminho da salvação da
humanidade. Devido à rejeição de Jesus, o Messias de Israel, o reino foi tirado
desta nação (ver Mt 21.43 nota); (2) O reino de Deus em Cristo. O reino esteve presente na pessoa e na obra de Jesus,
o Rei (Lc 11.20); (3) O reino de Deus na igreja. Trata-se da manifestação atual
do reino de Deus nos corações e nas vidas de todos aqueles que se arrependem e
crêem no evangelho (Jo 3.3,5; Rm 14.17; Cl 1.13). Sua presença manifesta-se com
grande poder contra o império de Satanás. Não se trata de um reino político,
material, mas de uma poderosa e eficaz presença e operação de Deus entre o seu
povo (ver 1.27, 9.1); (4) O reino de Deus na consumação da História. Trata-se do
Reino Messiânico, predito pelos profetas (Sl 89.36,37; Is 11.1-9; Dn 7.13,14).
Cristo reinará na terra durante mil anos (Ap 20.4-6). A igreja reinará
juntamente com Ele, sobre as nações (2 Tm 2.12; 1 Co 6.2,3; Ap 2.26,27; ver Ap
20.4 nota); (5) O reino de Deus na eternidade. O reino messiânico durará mil
anos, dando lugar ao reino eterno de Deus, que será estabelecido na nova terra
(Ap 21.1-4). O centro da nova terra é a Cidade Santa, a Nova Jerusalém (Ap
21.9-11). Os habitantes são os redimidos do AT (Ap 21.12) e do NT (Ap 21.14).
Sua maior bênção é "verão o seu rosto" (Ap 22.4; ver Ap 21.1)
Quem
é Deus?
OS
ATRIBUTOS DE DEUS
Sl
139.7,8 “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face”?
Se subir ao
céu,
tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também”.
A
Bíblia não procura comprovar que Deus existe. Em vez disso, ela declara a sua
existência e apresenta numerosos atributos seus. Muitos desses atributos são
exclusivos dEle, como Deus; outros existem em parte no ser humano, pelo fato de
ter sido criado à imagem de Deus.
ATRIBUTOS
EXCLUSIVOS DE DEUS.
(1)
Deus é onipresente — Ele está presente em todos os lugares a um só tempo. O
salmista afirma que, não importa para onde formos, Deus está ali (Sl 139.7-12;
cf. Jr 23.23,24; At 17.27,28); Deus observa tudo quanto fazemos.
(2)
Deus é onisciente — Ele sabe todas as coisas (Sl 139.1-6; 147.5). Ele conhece,
não somente nosso procedimento, mas também nossos próprios pensamentos (1Sm
16.7; 1 Rs 8.39; Sl 44.21; Jr 17.9,10). Quando a Bíblia fala da presciência de
Deus (Is 42.9; At 2.23; 1Pe 1.2), significa que Ele conhece com precisão a
condição de todas as coisas e de todos os acontecimentos exeqüíveis, reais,
possíveis, futuros, passados ou predestinados (1Sm 23.10-13; Jr 38.17-20). A
presciência de Deus não subentende determinismo filosófico. Deus é plenamente
soberano para tomar decisões e alterar seus propósitos no tempo e na história,
segundo sua própria vontade e sabedoria. Noutras palavras, Deus não é limitado
à sua própria presciência (ver Nm 14.11-20; 2Rs 20.1-7).
(3)
Deus é onipotente — Ele é o Todo-poderoso e detém a autoridade total sobre
todas as coisas e sobre todas as criaturas (Sl 147.13-18; Jr 32.17; Mt 19.26;
Lc 1.37). Isso não quer dizer, jamais, que Deus empregue todo o seu poder e
autoridade em todos os momentos. Por exemplo, Deus tem poder para exterminar
totalmente o pecado, mas optou por não fazer assim até o final da história
humana (ver 1Jo 5.19 nota). Em muitos casos, Deus limita o seu poder, quando o
emprega através do seu povo (2Co 12.7-10); em casos assim, o seu poder depende
do nosso grau de entrega e de submissão a Ele (ver Ef 3.20).
(4)
Deus é transcendente — Ele é diferente e independente da sua criação (ver Êx
24.9-18; Is 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9). Seu ser e sua existência são
infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Rs 8.27;
Is 66.1,2; At 17.24,25). Ele subsiste de modo absolutamente perfeito e puro,
muito além daquilo que Ele criou. Ele mesmo é incriado e existe à parte da
criação (ver 1Tm 6.16 nota).
A
transcendência de Deus não significa, porém, que Ele não possa estar entre o
seu povo como seu Deus (Lv 26.11,12; Ez 37.27; 43.7; 2Co 6.16).
(5)
Deus é eterno — Ele é de eternidade à eternidade (Sl 90.1,2; 102.12; Is 57.12).
Nunca houve nem haverá um tempo, nem no passado nem no futuro, em que Deus não existisse ou que não existirá; Ele não está
limitado pelo tempo humano (cf. Sl 90.4; 2Pe 3.8), e é, portanto, melhor
descrito como “EU SOU” (cf. Êx 3.14; Jo 8.58).
(6)
Deus é imutável — Ele é inalterável nos seus atributos, nas suas perfeições e
nos seus propósitos para a raça humana (Nm 23.19; Sl 102.26-28; Is 41.4; Ml
3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17). Isso não significa, porém, que Deus nunca altere
seus propósitos temporários ante o proceder humano. Ele pode, por exemplo,
alterar suas decisões de castigo por causa do arrependimento sincero dos
pecadores (cf. Jn 3.6-10). Além disso, Ele é livre para atender as necessidades
do ser humano e às orações do seu povo. Em vários casos a Bíblia fala de Deus
mudando uma decisão como resultado das orações perseverantes dos justos (e.g.,
Nm 14.1-20; 2Rs 20.2-6; Is 38.2-6; Lc 18.1-8).
(7)
Deus é perfeito e santo — Ele é absolutamente isento de pecado e perfeitamente
justo (Lv 11.44,45; Sl 85.13; 145.17; Mt 5.48). Adão e Eva foram criados sem
pecado (cf. Gn 1.31), mas com a possibilidade de pecarem. Deus, no entanto, não
pode pecar (Nm 23.19; 2Tm 2.13; Tt 1.2; Hb 6.18). Sua santidade inclui, também,
sua dedicação à realização dos seus propósitos e planos.
(8)
Deus é trino e uno — Ele é um só Deus (Dt 6.4; Is 45.21; 1Co 8.5,6; Ef 4.6; 1Tm
2.5), manifesto em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo (e.g., Mt 28.19;
2Co 13.14; 1Pe 1.2). Cada pessoa é plenamente divina, igual às duas outras; mas
não são três deuses, e sim um só Deus (ver Mt 3.17 nota; Mc 1.11 nota).
ATRIBUTOS
MORAIS DE DEUS. Muitas características do Deus único e verdadeiro,
especialmente seus atributos morais, têm certa similitude com as qualidades
humanas; sendo, porém, evidente que todos os seus atributos existem em grau
infinitamente superior aos humanos. Por exemplo, embora Deus e o ser humano
possuam a capacidade de amar, nenhum ser humano é capaz de amar com o mesmo
grau de intensidade como Deus ama. Além disso, devemos ressaltar que a
capacidade humana de ter essas características vem do fato de sermos criados à
imagem de Deus (Gn 1.26,27); noutras palavras, temos a sua semelhança, mas Ele
não tem a nossa; Ele não é como nós.
(1)
Deus é bom (Sl 25.8; 106.1; Mc 10.18). Tudo quanto Deus criou originalmente era
bom, era uma extensão da sua própria natureza (Gn 1.4,10,12,18,21,25,31). Ele
continua sendo bom para sua criação, ao sustentá-la, para o bem de todas as
suas criaturas (Sl 104.10-28; 145.9); Ele cuida até dos ímpios (Mt 5.45; At
14.17). Deus é bom, principalmente para os seus, que o invocam em verdade (Sl
145.18-20).
(2)
Deus é amor (1Jo 4.8). Seu amor é altruísta, pois abraça o mundo inteiro,
composto de humanidade pecadora (Jo 3.16; Rm 5.8). A manifestação principal
desse seu amor foi a de enviar seu único Filho, Jesus, para morrer em lugar dos
pecadores (1Jo 4.9,10). Além disso, Deus tem amor paternal especial àqueles que
estão reconciliados com Ele por meio de Jesus (ver Jo 16.27 ).
(3)
Deus é misericordioso e clemente (Êx 34.6; Dt 4.31; 2Cr 30.9; 'Sl 103.8; 145.8;
Jl 2.13); Ele não extermina o ser humano conforme merecemos devido aos nossos
pecados (Sl 103.10), mas nos outorga o seu perdão como dom gratuito a ser
recebido pela fé em Jesus Cristo.
(4)
Deus é compassivo (2Rs 13.23; Sl 86.15; 111.4). Ser compassivo significa sentir
tristeza pelo sofrimento doutra pessoa, com desejo de ajudar. Deus, por sua
compaixão pela humanidade, proveu-lhe perdão e salvação (cf. Sl 78.38).
Semelhantemente, Jesus, o Filho de Deus, demonstrou compaixão pelas multidões
ao pregar o evangelho aos pobres, proclamar libertação aos cativos, dar vista
aos cegos e pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4.18; cf. Mt 9.36; 14.14; 15.32;
20.34; Mc 1.41; ver Mc 6.34).
(5)
Deus é paciente e lento em irar-se (Êx 34.6; Nm 14.18; Rm 2.4; 1Tm 1.16). Deus
expressou esta característica pela primeira vez no jardim do Éden após o pecado
de Adão e Eva, quando deixou de destruir a raça humana conforme era seu direito
(cf. Gn 2.16,17). Deus também foi paciente nos dias de Noé, enquanto a arca
estava sendo construída (1Pe 3.20). E Deus continua demonstrando paciência com
a raça humana pecadora; Ele não julga na devida ocasião, pois destruiria os
pecadores, mas na sua paciência concede a todos a oportunidade de se
arrependerem e serem salvos (2Pe 3.9).
(6)
Deus é a verdade (Dt 32.4; Sl 31.5; Is 65.16; Jo 3.33). Jesus chamou-se a si
mesmo “a verdade” (Jo 14.6), e o Espírito é chamado o “Espírito da verdade” (Jo
14.17; cf. 1Jo 5.6). Porque Deus é absolutamente fidedigno e verdadeiro em tudo
quanto diz e faz, a sua Palavra também é chamada a verdade (2Sm 7.28; Sl
119.43; Is 45.19; Jo 17.17). Em harmonia com este fato, a Bíblia deixa claro
que Deus não tolera a mentira nem falsidade alguma (Nm 23.19; Tt 1.2; Hb 6.18).
(7)
Deus é fiel (Êx 34.6; Dt 7.9; Is 49.7; Lm 3.23; Hb 10.23). Deus fará aquilo que
Ele tem revelado na sua Palavra; Ele cumprirá tanto as suas promessas, quanto
as suas advertências (Nm 14.32-35; 2 Sm 7.28; Jó 34.12; At 13.23,32,33; ver 2Tm
2.13 nota). A fidelidade de Deus é de consolo inexprimível para o crente, e
grande medo de condenação para todos aqueles que não se arrependerem nem crerem
no Senhor Jesus (Hb 6.4-8; 10.26-31).
(8)
Finalmente, Deus é justo (Dt 32.4; 1Jo 1.9). Ser justo significa que Deus
mantém a ordem moral do universo, é reto e sem pecado na sua maneira de tratar
a humanidade (Ne 9.33; Dn 9.14). A decisão de Deus de castigar com a morte os
pecadores (Rm 5.12), procede da sua justiça (Rm 6.23; cf. Gn 2.16,17); sua ira
contra o pecado decorre do seu amor à justiça (Rm 3.5,6; ver Jz 10.7). Ele
revela a sua ira contra todas as formas da iniqüidade (Rm 1.18), principalmente
a idolatria (1Rs 14.9,15,22), a incredulidade (Sl 78.21,22; Jn 3.36) e o
tratamento injusto com o próximo (Is 10.1-4;Am 2.6,7). Jesus Cristo, que é
chamado o “Justo” (At 7.52; 22.14; cf. At 3.14), também ama a justiça e abomina
o mal (ver Mc 3.5; Rm 1.18 nota; Hb 1.9 ). Note que a justiça de Deus não se
opõe ao seu amor. Pelo contrário, foi para satisfazer a sua justiça que Ele
enviou Jesus a este mundo, como sua dádiva de amor (Jo 3.16; 1Jo 4.9,10) e como
seu sacrifício pelo pecado em lugar do ser humano (Is 53.5,6; Rm 4.25; 1Pe
3.18), a fim de nos reconciliar consigo mesmo (ver 2Co 5.18-21, notas). A
revelação final que Deus fez de si mesmo está em Jesus Cristo (cf. Jo 1.18; Hb 1.1-4); noutras palavras, se
quisermos entender completamente a pessoa de Deus, devemos olhar para Cristo,
porque nEle habita toda a plenitude da divindade (Cl 2.9).
Jesus
Cristo
Quem
é Jesus Cristo?
I.
A PRÉ-EXISTÊNCIA DE JESUS
A.
Assim como Deus é eterno, Jesus também o é:
Jo
1.1; Cl 1.17; Mq 5.2; Jo 17.3; Jo 8.58.
B.
Antes da fundação do mundo, Jesus planejou junto com o seu Pai, a salvação da
humanidade.
Deus
na sua onisciência viu, desde a eternidade, que o homem a ser criado, cairia em
pecado, sujeito à perdição eterna. Ele então preparou um caminho de salvação,
por meio do sacrifício de seu próprio Filho. Jesus participou e concordou e
desde então já estava disposto a dar a sua vida por nós. Por isto a Bíblia se
expressa: "O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo", Ap
13.8. A vida eterna é assim prometida "antes dos tempos dos séculos",
Tt 1.2, quando Deus nos elegeu para em Jesus sermos santos e irrepreensíveis,
Ef 1.4.
C.
Jesus participou da criação do mundo.
"
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se
fez", Jo1.3. "Todas as coisas subsistem por ele", Cl 1.17.
II.
A ENCARNAÇÃO DE JESUS
"Jesus,
Deus bendito eternamente", Rm 9.5, fez-se homem. Esse mistério chama-se
"encarnação". A Bíblia diz: "Grande é o mistério da piedade:
Aquele que se manifestou em carne", 1 Tm 3.16. A doutrina da encarnação de
Jesus excede tudo que o entendimento humano possa compreender, porém deste
milagre depende a substância do evangelho da salvação e a doutrina da redenção.
A.
Jesus se encarnou por meio duma virgem, através de concepção sobrenatural.
Quando
Deus, no dia da queda, prometeu um Redentor, revelou também de que maneira ele
viria ao mundo. Ele disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a
mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça,
e tu lhe ferireis o calcanhar", Gn 3.15. O profeta Isaías profetizou:
"Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e será o seu nome
Emanuel", Is 7.14. Quando, na plenitude dos tempos, Gl 4.4, o arcanjo
Gabriel comunicou a Maria que ela seria o instrumento da encarnação de Jesus,
disse-lhe: "em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás
o nome de Jesus", Lc 1.31. Maria respondeu: "Como se fará isto, visto
que não conheço varão?", Lc 1.34. E Gabriel lhe revelou como este milagre
aconteceria. Ele disse: "Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do
Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, pelo que também o Santo que de ti há de
nascer será chamado Filho de Deus", Lc 1.35. Com a palavra: "Eis aqui
a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a sua palavra", Lc 1.38, Maria
aceitou, e o milagre aconteceu! Ela estava grávida!
É
impossível explicar este milagre em termos biológicos. O médico Lucas registrou
este milagre no seu evangelho com fé e convicção, sem deixar uma sombra de
dúvida. "Pela fé entendemos" Hb 11.13.
B.
Jesus veio a este mundo por meio dum nascimento natural.
Ele
nasceu exatamente 9 meses após Maria haver concebido de modo sobrenatural,
"quando se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz", Lc 2.6.
Jesus nasceu, conforme a profecia, em Belém, Mq 5.2, e para isto Deus
providenciou que o alistamento decretado pelo imperador Augusto obrigasse José
e Maria a locomoverem-se de Nazaré na Galiléia até Belém, exatamente na época
de Maria dar à luz. Jesus nasceu como os demais homens nasceram. Houve, porém,
uma manifestação sobrenatural: Uma multidão de anjos cantaram, diante de um
grupo de pastores de ovelhas, louvores ao Messias que havia nascido, Lc 2.8-14.
C.
O verdadeiro Deus havia vindo ao mundo como um verdadeiro homem.
Foi
por meio deste milagre que "verbo se fez carne", Jo 1.14, e
"Deus introduziu no mundo o primogênito", Hb 1.6, e Jesus veio em
semelhança de carne, Rm 8.3, e "participou da carne e do sangue", Hb
2.14, "em tudo semelhante aos irmãos", Hb 2.17. Foi assim que ele
desceu do céu, Jo 6.33, 38, 38, 41, 42, 51, 58, e Deus lhe preparou um corpo,
Hb 10.5. A encarnação deu a Jesus condições de ser o Mediador entre Deus e
homens, 1 Tm 2.5, e ser misericordioso e fiel sumo sacerdote, para expiar o
pecado do povo, Hb 2.17. Sendo homem, podia fazer reconciliação pelos homens.
Sendo Deus a sua reconciliação fica com um inédito valor.
III.
JESUS - O VERDADEIRO DEUS
Não
é somente desde a eternidade, que Jesus é Deus, Jo1.1-3. Ainda depois que ele
"aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo", Fp 2.7, ele
continua sendo Deus verdadeiro, revelando "a glória do Unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade", Jo 1.14. As sagradas escrituras, que
incontestavelmente provam a sua deidade, foram escritas para que todos creiam
que "Jesus é o Cristo, e o Filho de Deus", Jo 20.36; 1 Jo 5.10. Vamos
mencionar algumas evidências que provam que Jesus é Deus verdadeiro.
A.
Jesus é chamado "Deus"
Deus,
Pai, o chamou "Deus"! "Do Filho diz: Ó Deus, o teu trono
subsiste", Hb 1.8. Duas vezes ele o chamou: "Meu Filho amado" Mt
3.17; Mc 9.7. Todo aquele, pois que nega que Jesus é o Filho de Deus, faz o
próprio Deus mentiroso, "porquanto não creu no testemunho que Deus de seu
Filho deu", 1 Jo 5.10.
O
anjo, enviado por Deus, chamou a Jesus "Filho de Deus", Lc 1.35.
"Chamá-lo-ão pelo nome Emanuel, que traduzido é Deus conosco", Mt
1.23. Quando Jesus havia nascido, os anjos cantaram louvores a
"Cristo-Senhor", Lc 2.11.
O
próprio Jesus se chamou "Deus". Quando os seus inimigos lhe
perguntaram: "És tu o Cristo, Filho de Deus bendito?", ele respondeu:
Eu o sou. Mc 14.61, 62. Ele chamou Deus de meu Pai, Mt 10.32; Jo 2.16; 10.37;
15.24 etc. Ele se chamou também "o Filho unigênito que está no seio do
Pai", Jo 1.18 e disse; "Quem me vê, vê o Pai", Jo 14.9; 12.45.
Para a mulher samaritana ele disse que era Messias, Jo 4.25, 26, notícia que se
espalhou em toda a cidade, Jo 4.29. Ele se chamou: Alfa e Ômega, o Princípio e
o Fim, o primeiro e o derradeiro, Ap 22.13, e "Eu sou", Jo 8.24, 28,
58; 13.59 (Comp. Êx 3.14).
Aquele
que nega a deidade de Jesus rejeita o próprio testemunho de Jesus e mostra
assim que é inspirado pelo espírito de Anticristo, 1 Jo 2.22, 23. Se Jesus
fosse, como os teólogos modernistas afirmam um produto da união entre Maria e
José ou com qualquer outro homem, o mundo não teria nenhum Salvador, e Jesus
seria um homem desacreditável, porque ele afirmou ser o Filho de Deus. Mas
glória a Jesus! Ele é Deus bendito eternamente, Rm 9.5.
O
ESPÍRITO SANTO
Quem
é o Espírito Santo?
A
DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO
At
5.3,4 “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para
que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?
Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que
formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”
É
essencial que as pessoas reconheçam a importância do Espírito Santo no plano
divino da redenção. Sem a presença do Espírito Santo neste mundo, não haveria a
criação, o universo, nem a raça humana (Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; Sl 104.30). Sem
o Espírito Santo, não teríamos a Bíblia (2Pe 1.21), nem o NT (Jo 14.26, 1Co
2.10) e nenhum poder para proclamar o evangelho (1.8). Sem o Espírito Santo,
não haveria fé, nem novo nascimento, nem santidade e nenhum cristão neste
mundo. Este estudo examina alguns dos ensinamentos básicos a respeito do Espírito
Santo.
A
PESSOA DO ESPÍRITO SANTO. Através da Bíblia, o Espírito Santo é revelado como
Pessoa, com sua própria individualidade (2Co 3.17,18; Hb 9.14; 1Pe 1.2). Ele é
uma Pessoa divina como o Pai e o Filho (5.3,4). O Espírito Santo não é mera
influência ou poder. Ele tem atributos pessoais, a saber: Ele pensa (Rm 8.27),
sente (Rm 15.30), determina (1Co 12.11) e tem a faculdade de amar e de
deleitar-se na comunhão. Foi enviado pelo Pai para levar os crentes à íntima
presença e comunhão com Jesus (Jo 14.16-18,26; ). À luz destas verdades,
devemos tratá-lo como pessoa, que é, e considerá-lo Deus vivo e infinito em
nosso coração, digno da nossa adoração, amor e dedicação (ver Mc 1.11,).
A
OBRA DO ESPÍRITO SANTO. (1) A revelação do Espírito Santo no AT. Para uma
exposição da operação do Espírito Santo no AT. (2) A revelação do Espírito
Santo no NT. (a) O Espírito Santo é o agente da salvação. Nisto Ele
convence-nos do pecado (Jo 16.7,8), revela-nos a verdade a respeito de Jesus
(Jo 14.16,26), realiza o novo nascimento (Jo 3.3-6), e faz-nos membros do corpo
de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo, recebemos o
Espírito Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co-participantes da natureza
divina (2Pe 1.4). (b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação. Na
conversão, o Espírito passa a habitar no crente, que começa a viver sob sua
influência santificadora (Rm 8.9; 1Co 6.19). Note algumas das coisas que o
Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica i.e., purifica, dirige e leva-nos a
uma vida santa, libertando-nos da escravidão ao pecado (Rm 8.2-4; Gl 5.16,17;
2Ts 2.13). Ele testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda-nos na
adoração a Deus (At 10.45,46; Rm 8.26,27) e na nossa vida de oração, e
intercede por nós quando clamamos a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em nós as
qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23; 1Pe 1.2). Ele é
o nosso mestre divino, que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13; 14.26; 1Co
2.10-16) e também nos revela Jesus e nos guia em estreita comunhão e união com
Ele (Jo 14.16-18; 16.14). Continuamente, Ele nos comunica o amor de Deus (Rm
5.5) e nos alegra, consola e ajuda (Jo 14.16; 1Ts 1.6). (c) O Espírito Santo é
o agente divino para o serviço do Senhor, revestindo os crentes de poder para
realizar a obra do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo
relaciona-se com o batismo ou com a plenitude do Espírito. Quando somos
batizados no Espírito, recebemos poder para testemunhar de Cristo e trabalhar
de modo eficaz na igreja e diante do mundo (1.8). Recebemos a mesma unção
divina que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (2.4; ver
1.5), e que nos capacita a proclamar a Palavra de Deus (1.8; 4.31) e a operar
milagres (2.43; 3.2-8; 5.15; 6.8; 10.38). O plano de Deus é que todos os
cristãos atuais recebam o batismo no Espírito Santo (At 2.39). Para realizar o
trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga dons espirituais aos fiéis da
igreja para edificação e fortalecimento do corpo de Cristo (1Co 12—14). Estes
dons são uma manifestação do Espírito através dos santos, visando ao bem de
todos (1Co 12.7-11).
(d)
O Espírito Santo é o agente divino que batiza ou implanta os crentes no corpo
único de Cristo, que é sua igreja (1Co 12.13) e que permanece nela (1Co 3.16),
edificando-a (Ef 2.22), e nela inspirando a adoração a Deus (Fp 3.3), dirigindo
a sua missão (13.2,4), escolhendo seus obreiros (20.28) e concedendo-lhe dons
(1Co 12.4-11), escolhendo seus pregadores (2.4; 1Co 2.4), resguardando o
evangelho contra os erros (2Tm 1.14) e efetuando a sua retidão (Jo 16.8; 1Co
3.16; 1Pe 1.2).
(3)
As diversas operações do Espírito são complementares entre si, e não
contraditórias. Ao mesmo tempo, essas atividades do Espírito Santo formam um
todo, não havendo plena separação entre elas. Alguém não pode ter (a) a nova
vida total em Cristo, (b) um santo viver, (c) o poder para testemunhar do
Senhor ou (d) a comunhão no seu corpo, sem exercitar estas quatro coisas. Por
exemplo: uma pessoa não pode conservar o batismo no Espírito Santo se não vive
uma vida de retidão, produzida pelo mesmo Espírito, que também quer conduzir
esta mesma pessoa no conhecimento das verdades bíblicas e sua obediência às
mesmas.
MATÉRIA 07 - ANGELOLOGIA: A DOUTRINA
DOS ANJOS
1.
Introdução - Ao nosso redor há um mundo espiritual poderoso, populoso e de
recursos superiores ao nosso mundo visível. Bons e Maus espíritos passam em
nosso meio, de um lugar para o outro, com grande rapidez e movimentos
imperceptíveis. Alguns desses espíritos se interessam pelo nosso bem estar,
outros, porém, estão empenhados em fazer-nos o mal. Muitas pessoas questionam
se existem realmente tais espíritos ou seres, quem são, onde se encontram e o
que fazem.
A
palavra de Deus é a única fonte de informação que merece confiança, e que
possui respostas para estas perguntas. Ela deixa claro que há outra classe de
seres superiores ao homem. Esses seres habitam nos céus e formam os exércitos
celestiais, a inumerável companhia dos servos invisíveis de Deus. Esses são os
anjos de Deus, os quais estão sujeitos ao governo divino, e o importante papel
que têm desempenhado na história da humanidade torna-os merecedores de
referência especial. Existem também aqueles, pertencentes a mesma classe de
seres, que anteriormente foram servos de Deus mas que agora se encontram em
atitude de rebelião contra seu governo.
A
doutrina dos anjos segue logicamente a doutrina de Deus, pois os anjos são
fundamentalmente os ministros da providência de Deus. Essa doutrina permite-nos
conhecer a origem, existência, natureza, queda, classificação, obra e destino
dos anjos.
2. A origem dos anjos - A época de sua criação não é
indicada com precisão em parte alguma, mas é provável que tenha se dado
juntamente com a criação dos céus (Gn 1:1 ). Pode ser que tenham sido criados
por Deus imediatamente após a criação dos céus e antes da criação da terra,
pois de acordo com Jó 38:4-7, rejubilavam todos os filhos de Deus quando Ele
lançava os fundamentos da terra. Que os anjos não existem desde a eternidade é
mostrado pelos versículos que falam de sua criação ( Ne 9:6 , Sl 148:2,5; Cl
1:16 ). Embora não seja citado número definido na Bíblia, acredita-se que a
quantidade de anjos é muito grande ( Dn 7:10; Mt 26:53; Hb 12:22 ).
3. A natureza dos anjos
3.1-
São seres espirituais e incorpóreos. - Os anjos são descritos espíritos, porque
diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e
físicas. Aparecem e desaparecem, e movimenta-se com uma rapidez imperceptível
sem usar meios naturais. Apesar de serem espíritos, têm o poder de assumir a
forma de corpos humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do
homem (Gn 19:1-3).
Que
os anjos são incorpóreos está claro em Ef 6.12, onde Paulo diz que "a
nossa luta não é contra a carne nem sangue, e sim contra os principados e
potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes". Outras referências: Sl 104:4;
Hb 1:7,14; At 19:12; Lc 7:21; 8:2; 11:26; Mt 8:16; 12.45. Não têm carne nem
ossos e são invisíveis ( Cl 1:16).
3.2-
São um exército e não uma raça. As Escrituras ensinam que o casamento não é da
ordem ou do plano de Deus para os anjos (Mt 22:30; Lc 20:34 -36 ), portanto não
se caracteriza uma raça. No Velho Testamento por cinco vezes os anjos são
chamados de "filhos de Deus" ( Gn 6:2,4; Jó 1:6; 2:1; 38:7 ) mas
nunca lemos a respeito dos "filhos dos anjos". Os anjos sempre são
descritos como varões, porém na realidade não tem sexo, não propagam sua
espécie ( Lc 20:34-35 ).
Várias
passagens das Escrituras indicam que há um número muito grande de anjos (Dn
7:10; Mt 26:53; Sl 68:17; Lc 2:13; Hb 12:22 ), e são repetidamente mencionados
como exércitos do céus ou de Deus. No Getsêmani, Jesus disse a um discípulo que
queria defendê-los dos que vieram prendê-lo: "Acaso pensas que não posso
rogar ao meu pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de
anjos"? ( Mt 26:53 ). Portanto, seu criador e mestre é descrito como
"Senhor dos Exércitos".
É
evidente que eles são criaturas e portanto limitados e finitos. Apesar de terem
mais livre relação com o espaço e o tempo do que os homens, não podem estar em
dois ou mais lugares simultaneamente.
3.3-
São seres racionais morais e imortais. Aos anjos são atribuídas características
pessoais; são inteligentes dotados de vontade e atividade. O fato de que são
seres inteligentes parece inferir-se imediatamente do fato de que são espíritos
(2 Sm 14:20; Mt 24:36 , Ef 3:10; 1 Pe 1:12; 2 Pe 2:11). Embora não sejam
oniscientes, são superiores aos homens em conhecimento (Mt 24:36) e por ter
natureza moral estão sob obrigação moral; são recompensados pela obediência e
punidos pela desobediência.
A
Bíblia fala dos anjos que permanecerem leais como "santos anjos" ( Mt
25:31; Mc 8:38; Lc 9:26; At 10:22; Ap 14:10) e retrata os que caíram como
mentirosos e pecadores (Jo 8:44; 1 Jo 3:8-10).
A
imortalidade dos anjos está ligada ao sentido de que os anjos bons não estão
sujeitos a morte (Lc 20:35-36), além de serem dotados de poder formando o
exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, sempre prontos para fazer o
que o Senhor mandar ( Sl 103:20; Cl 1:16; Ef. 1:21; 3:10; Hb 1:14) enquanto que
os anjos maus formam o exército de Satanás empenhados em destruir a obra do
Senhor (Lc 11:21; 2 Ts 2:9; 1 Pe 5:8 ).
Ilustrações
do poder de um anjo são encontradas na libertação dos apóstolos da prisão ( At
5:19; 12:7) e no rolar da pedra de mais de 4 toneladas que fechou o túmulo de
Cristo (Mt 28:2 )
4. A classificação dos anjos
4.1-
Anjos bons e anjos maus - Há pouca informação sobre o estado original dos
anjos. Porém no dia de sua obra criadora Deus viu tudo quanto fizera, e eis que
era muito bom. Pressupõe-se que todos os anjos tiveram um boa condição original
(Jo 8:44; 2 Pe 2:4; Jd 6). Os anjos bons são chamados "anjos eleitos"
(1 Tm 5:21) e evidentemente receberam graça suficiente para habilitá-los a
manter sua posição de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição
e agora são incapazes de pecar . São chamados também de "santos anjos ou
anjos de luz" (2Co 11:14). Sempre contemplam a face Deus (Lc 9:26), e tem
vida imortal ( Lc 20:36 ). Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus ( Ne
9:6; Fp 2:9-11; Hb 1:6; Jó 38:7; Is 6:3; Sl 103:20; 148:2 Ap 5:11).
4.2-
Quatro tipos de anjos bons:
1.
Anjos: Tanto no grego quanto no hebraico a palavra "anjo" significa
"mensageiro". São exércitos como seres alados (Dn 9:21; Ap 14:6) para
nos favorecer. Desde a entrada do pecado no mundo, eles são enviados para dar
assistência aos herdeiros da salvação (Hb 1:14). Eles se regozijam com a
conversão de um pecador (Lc 15:10), exercem vigilância protetora sobre os
crentes (Sl 34:7; 91:11), protegem os pequeninos (Mt 18:10), estão presentes na
igreja (1 Tm 5:21) recebem aprendizagem das multiformes riquezas da graça de
Deus (Ef 3:10; 1 Pe 1:12) e encaminham os crentes ao seio de Abraão (Lc
16:22,23). A idéia de que alguns deles servem de anjos da guarda de crentes
individuais não tem apoio nas Escrituras. A declaração de Mt 18:10 é geral
demais, embora pareça indicar que há um grupo de anjos particularmente
encarregado de cuidar das criancinhas. At 12:15 tampouco o prova, pois esta
passagem mostra apenas que, naquele período primitivo havia alguns, mesmo entre
discípulos, que acreditavam em anjos guardiões.
Embora
os anjos não constituam um organismo, evidentemente são organizados de algum
modo. Isto ocorre do fato de que ao lado do nome geral "anjo", a
Bíblia emprega certos nomes específicos para indicar classe de anjos. O termo
grego "angelos" (anjos = mensageiros ) também e freqüentemente
aplicado a homens (Mt 11:10; Mc 1:2; Lc 7:24; 9:52; Gl 4:14). Não há nas
Escrituras um nome geral, especificamente distintivo, para todos os seres
espirituais. Eles são chamados filhos de Deus, (Jó 1:6; 2:1) espíritos (Hb 1:14),
santos (Sl 89:5,7; Zc 14:5; Dn 8:13 ), vigilantes (Dn 4:13,17). Contudo, há
nomes específicos que indicam diferentes classes de anjos.
2.
Querubins: São responsáveis pela guarda da entrada do paraíso (Gn 3:24),
observam o propiciatório (Ex 25:18,20; Sl 80:1; 99:1; Is 37:16; Hb 9:5) e
constituem a carruagem de que Deus se serve para descer à terra (2 Sm 22:11; Sl
18:10). Como demonstração do seu poder de majestade, em Ez 1º e Ap 4º são
representados simbolicamente como seres vivos em várias formas. Mais do que
outras criaturas, eles foram destinados a revelar o poder, a majestade e a
glória de Deus, e a defender a santidade de Deus no jardim do Éden, no
tabernáculo, no templo e na descida de Deus à terra.
3.
Serafins: Mencionados somente em Is 6:2,6, constituem uma classe de anjos muito
próxima dos querubins. São representados simbolicamente em forma humana com
seis asas cobrindo o rosto, os pés e duas prontas para execução das ordens do
Senhor. Permanecem servidores em torno do trono do Deus poderoso, cantam
louvores a Ele e são considerados os nobres entre os anjos.
4.
Arcanjos: O termo arcanjo só ocorre duas vezes nas escrituras (1 Ts 4:16; Jd
9), mas há outras referências para ao menos um arcanjo, Miguel. Ele é o único a
ser chamado de arcanjo e aparece comandando seus próprios anjos (Ap 12.7) e
como príncipe do povo de Israel (Dn 10:13,21; 12.1). A maneira pela qual
Gabriel é mencionado também indica que ele é de uma classe muito elevada. Ele
está diante da presença de Deus (Lc 1:19) e a ele são confiadas as mensagens de
mais elevada importância com relações ao reino de Deus (Dn 8:16; 9:21).
Principados,
potestades, tronos e domínios: A Bíblia menciona certas classes de anjos que
ocupam lugares de autoridades no mundo angélico, como principados e potestades
(Ef 3:10; Cl 2:10), tronos (Cl 1:16), domínios (Ef 1:21; Cl 1:16 ) e poderes
(Ef 1:21 , 1 Pe 3:22). Estes nomes não indicam espécies de anjos, mas
diferenças de classe ou de dignidade entre eles. Embora em Ef 1:21 a referência
parece incluir tanto anjos bons quanto os maus, nas outras passagens essa
terminologia se refere definitivamente apenas aos anjos maus (Rm 8:38; Ef 6:12;
Cl 2:15).
Anjos
Maus
Os
anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e como o homem dotado de livre
escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora do céu
(2 Pe 2:4; Jd 6). O pecado, no qual eles e seu chefe caíram foi o orgulho.
Alguns tem pensado que a ocasião de rebelião dos anjos foi a revelação da
futura encarnação do Filho de Deus e a obrigação deles o adorarem.
Segundo
as Escrituras, os anjos maus passam o tempo no inferno (2 Pe 2:4) e no mundo,
especialmente nos ares que nos rodeiam. (Jo 12:31; 14:30; 2 Co 4:4; Ap
12:4,7-9). Enganando os homens por meio do pecado, exercem grande poder sobre
eles (2 Co 4:3,4; Ef 2:2; 6:11,12); este poder está aniquilado para aqueles que
são fieis a Cristo, pela redenção que ele consumou (Ap 5:9; 7:13,14).
Os
anjos não são contemplados no plano da redenção (1 Pe 1:12), mas no inferno foi
preparado o eterno castigo dos anjos maus (Mt 25:41).
Os
anjos maus são empregados na execução dos propósitos de Satanás, que são
opostos aos propósitos de Deus, e estão envolvidos nos obstáculos e danos
contra a vida espiritual e o bem estar do povo de Deus.
5. A queda dos anjos
5.1-
O fato da sua queda - Tudo nos leva a crer que os anjos foram criados em estado
de perfeição. No capitulo 1º de Gênesis, lemos sete vezes que o que Deus havia
feito era bom. No ultimo versículo deste capitulo lemos "Viu Deus tudo o
quanto fizera, e eis que era muito bom". Isso certamente inclui a
perfeição dos anjos em santidade quando originalmente criados. Algumas pessoas
acham que Ez 28:15 se refere a Satanás. Se for assim, ele é definitivamente
mostrado como tendo sido criado perfeito. Mas diversas passagens mostram alguns
dos anjos como maus (Sl 78:49; Mt 25:41; Ap 9:11; Ap 12:7-9). Isto se deve ao
fato de terem deixado seu próprio principado e habitação apropriada (Jd 6) e
pecado (2 Pe 2:4). Não há duvida que Satanás tenha sido o chefe da apostasia.
Is 14:12 e Ez 28:15-17 parece lamentar a sua queda.
5.2-
A época de sua queda - Nas Escrituras não há referência de quando ocorreu a
queda dos anjos, mas deixa claro que se deu antes da queda do homem, já que
Satanás entrou no jardim na forma de serpente e induziu Eva a pecar (Gn 3).
5.3-
A causa de sua queda. - De acordo com as Escrituras o universo e a criatura
eram originalmente perfeitos. A criatura tinha originalmente a capacidade de
pecar ou não. Ela foi colocada na posição de poder fazer qualquer uma das duas
coisas sem ser obrigada a optar por uma delas. Em outras palavras, sua vontade
era autônoma.
Portanto,
conclui-se que a queda dos anjos se deu devido a sua revolta deliberada e auto
determinada contra Deus. Grande prosperidade e beleza parecem ser apontadas
como possíveis causas. Em Ez 28:11-19, o rei de Tiro parece simbolizar Satanás
e diz-se que ele caiu devido a essas coisas.
Ambição
desmedida e o desejo de ser mais que Deus parecem ser outra causa. O rei da
Babilônia é acusado de ter essa ambição, ele também parece simbolizar Satanás
(Is 14.13-14).
Em
qualquer um dos casos o egoísmo, descontentamento com aquilo que tinha e o
desejo de ter tudo o que os outros tinham, foi a causa da queda de Satanás e de
outros anjos que o seguiram.
5.4-
O resultado de sua queda - Todos eles perderam a sua santidade original e se
tornaram corruptos em natureza e conduta (Mt 10:1; Ef 6:11-12; Ap 12:9);
Alguns
deles foram lançados no inferno e estão acorrentados até o dia do julgamento (2
Pe 2:4);
Alguns
deles permanecem em liberdade e trabalham em definida oposição à obra dos anjos
bons (Ap 12:7-9; Dn 10:12,13,20,21; Jd 9);
Pode
também ter havido um efeito sobre a criação original. A terra foi amaldiçoada
ao pecado de Adão (Gn 3:17-19) e a criação está gemendo por causa da queda (Rm
8:19-22). Não é improvável, portanto, que o pecado dos anjos tenha tido algo a
ver com a ruína da criação original no capítulo 1º de Gênesis;
Eles
serão, no futuro, atirados para a terra (Ap 12:8-9), e após seu julgamento (1
Co 6:3), no lago de fogo e enxofre (Mt 25:41; 2 Pe 2:4; Jd 6).
6.
Os demônios - As Escrituras não descrevem a origem dos demônios. Essa questão
parece ser parte do mistério que rodeia a origem do mal. Porém, as Escrituras
dão claro testemunho da sua existência real e de sua posição (Mt 12:26-28). Nos
Evangelhos aparecem os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas
pessoas, das quais se diz que têm demônios. Os efeitos desta possessão se
evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas
principalmente com o sistema mental e nervoso (Mt 9:33; 12:22; Mc 5:4,5). O
indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o espírito
fala através de seus lábios ou emudece à sua vontade; leva-o aonde quer e geralmente
o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força sobrenatural.
Quando
examinam as Escrituras, algumas pessoas ficam em dúvida se os demônios devem
ser classificados juntamente com os anjos ou não; mas não há dúvida de que na
Bíblia, há ensino positivo concernente a cada um dos dois grupos.
Ainda
que alguns falem em "diabos", como se houvesse muitos de sua espécie,
tal expressão é incorreta. Há muitos "demônios", mas existe um único
"diabo". Diabo é a transliteração do vocábulo grego "diabolos",
nome que significa "acusador" e é aplicado nas Escrituras
exclusivamente a Satanás. "Demônio" é a transliteração de
"daimon" ou "daimonion".
6.1-
A natureza dos demônios - São seres inteligentes (Mt 8:29,31; 1 Tm 4:1-3; 1 Jo
4:1 e Tg 2:19), possuem características de ações pessoais o que demonstra que
possuem personalidade (Mc 1:24; Mc 5:6,7; Mc 8:16; Lc 8:18-31);
São
seres espirituais (Lc 9:38,39,42; Hb 1:13,14; Hb 2:16; Mt 8:16; Lc 10:17,20);
São
reputados idênticos aos espíritos imundos, no Novo Testamento;
São
seres numerosos (Mc 5:9) de tal modo que tornam Satanás praticamente ubíquo por
meio desses seus representantes;
São
seres vis e perversos - baixos em conduta (Lc 9:39; Mc 1:27; 1 Tm 4:1; Mt 4:3);
São
servis e obsequiosos (Mt 12:24-27). São seres de baixa ordem moral, degenerados
em sua condição, ignóbeis em suas ações, e sujeitos a Satanás.
6.2-
As atividades dos demônios - Apossam-se dos corpos dos seres humanos e dos
irracionais (Mc 5:8, 11-13);
Afligem
aos homens mental e fisicamente (Mt 12:22; Mc 5:4,5);
Produzem
impureza moral (Mc 5:2; Ef 2:2);
7.
Satanás
7.1-
Sua origem - Alguns afirmam que Satanás não existe, mas observando-se o mal que
existe no mundo, é lógico que se pergunte: "Quem continua a fazer a obra
de Satanás durante a sua ausência, se é que ele não existe?"
Satanás
aparece nas Escrituras como reconhecido chefe dos anjos decaídos. Ele era
originalmente um dos poderosos príncipes do mundo angélico, e veio a ser o
líder dos que se revoltaram contra Deus e caíram. De acordo com as Escrituras,
Satanás era originalmente Lúcifer ("o que leva a luz"), o mais
glorioso dos anjos. Mas ele orgulhosamente aspirou a ser "como o
Altíssimo" e caiu "na condenação (Ez 28:12,19; Is 14:12-15). O nome
"Satanás" revela-o como "o adversário", não do homem em
primeiro lugar, mas de Deus. Ele investe contra Adão como a coroa da produção
de Deus, forja a destruição, razão pela qual é chamado Apolion (destruidor), Ap
9:11, e ataca Jesus, quando Este empreende a obra de restauração. Depois da entrada
do pecado no mundo ele se tornou "diabolos" (acusador), acusando
continuamente o povo de Deus, Ap 12:10. Ele é apresentado nas Escrituras como o
originador do pecado (Gn 3:1,4; Jo 8:44; 2 Co 11:3; 1 Jo 3:8; Ap 12:9; 20:2,10)
e aparece como reconhecido chefe dos que caíram (Mt 25:41; 9:34; Ef 2:2). Ele
continua sendo o líder das hostes angélicas que arrastou consigo em sua queda,
e as emprega numa desesperada resistência a Cristo ao seu reino. É também
chamado "príncipe deste mundo" (Jo 12:31; 14:30; 16:11) e até mesmo
"deus deste século" (2 Co 4:4). Não significa que ele detém o
controle do mundo, pois Deus é quem o detém, e Ele deu toda autoridade a
Cristo, mas o sentido é que Satanás tem sob controle este mundo mau, o mundo
naquilo em que está separado de Deus (Ef 2:2).
Ele
é mais que humano, mas não é divino; tem poder, mas não é onipotente; exerce
influência em grande escala, mas restrita (Mt 12:29; Ap 20:2), e está destinado
a ser lançado no abismo (Ap 20:10).
7.2-
Seu caráter:
Presunçoso
(Mt 4:4,5);
Orgulhoso
(1 Tm 3:6; Ez 28:17);
Poderoso
(Ef 2:2);
Maligno
(Jó 2:4);
Astuto
(Gn 3:1; 2 Co 11:3);
Enganador
(Ef 6:11);
Feroz
e cruel (1 Pe 5:8).
7.3-
Suas atividades:
1. A natureza das atividades:
Perturbar
a obra de Deus (1 Ts 2:18);
Opor-se
ao Evangelho (Mt 13:19; 2 Co 4:4);
Dominar,
cegar, enganar e laçar os ímpios (Lc 22:3; 2 Co 4:4; Ap 20:7,8; 1 Tm 3:7);
Afligir
e tentar os santos de Deus (1 Ts 3:5).
2.
O motivo de suas atividades: Ele odeia até a natureza humana com a qual se
revestiu o Filho de Deus. Intenta destruir a igreja porque ele sabe que uma vez
perdendo o sal da terra o seu sabor, o homem torna-se vítima em suas mãos
inescrupulosas.
3.
Suas atividades são restritas: Ao mesmo tempo em que reconhecemos que Satanás é
forte, devemos ter cuidado de não exagerar o seu poder. Para aqueles que crêem
em Cristo, ele já é um inimigo derrotado (Jo 12:31), e é forte somente para
aqueles que cedem à tentação. Apesar de rugir furiosamente ele é covarde (Tg
4:7). Não pode tentar (Mt 4:1), afligir (1 Ts 3:5), matar (Jó 2:6), nem tocar
no crente sem a permissão de Deus.
7.4-
Sua atuação - Não limita suas operações aos ímpios e depravados. Muitas vezes
age nos círculos mais elevados como "um anjo de luz" (2 Co 11:14).
Deveras, até assiste às reuniões religiosas, o que é indicado pela sua presença
no ajuntamento dos anjos (Jó 1:6), e pelo uso dos termos "doutrina de
demônios" (1 Tm 4:1) e "a sinagoga de Satanás" (Ap 2:9).
Freqüentemente seus agentes se fazem passar como "ministros de
justiça" (2 Co 11:15).
7.5-
Sua derrota: Deus decretou sua derrota (Gn 3:14,15). No princípio foi expulso
do céu; durante a grande tribulação será lançado da esfera celeste à terra (Ap
12:7-9); durante o milênio será aprisionado no abismo (Ap 20:1-3), e depois de
mil anos será lançado no lago de fogo (Ap 20:10). Dessa maneira a Palavra de
Deus nos assegura a derrota final do mal.
MATÉRIA 08 - BATALHA ESPIRITUAL
Introdução:
"Há
dois erros iguais e contrários em que nossa raça pode cair com respeito aos
diabos. Um é não acreditar na sua existência. O outro é acreditar e sentir um
interesse excessivo e insalubre neles." (C.S. Lewis, Screwtape Letters,
p.3)
Creio
que hoje mais do que nunca se cumprem estas palavras de C.S. Lewis, temos
igrejas que nem acreditam no diabo e por outro lado temos igrejas que acreditam
demais no diabo. Você está em guerra, não estamos vivendo uma vida de
Disneylândia espiritual, esta guerra acontece 24 horas por dia, Satanás não
descansa, não tira férias, não passa mais tarde.
Hoje
a Igreja vive uma diferente perseguição de Satanás, pois hoje ele está agindo
dentro da Igreja. Durante muitos anos ele agiu fora da Igreja, mandando matar
os cristãos, mas hoje ele está matando os cristãos com as mais variadas
heresias. Pastores estão exorcizando cidades, crentes estão sendo possuídos por
demônios.
“Para
que Satanás não alcance vantagem sobre nós”,
pois
não lhe ignoramos os desígnios." (2 Co 2:11)
I
- QUEM É O INIMIGO: Satanás e seus anjos
A.)
Terminologia bíblica: Satanás é achado em 7 livros do A.T., e por cada autor do
N.T.:
Satanás:
a.)
A.T. hb. satan, "adversário" do verbo "ficar em emboscada (como
inimigo); opor-se"; satã é usado 15 de 23 vezes para a pessoa de Satanás.
b.)
N.T. gg. satanás é quase sempre o grande adversário de Deus e do homem - o
Diabo; das 36 vezes, só três não se referem absolutamente à pessoa de Satanás.
(Mt 16:23; Mc 8:33: Jo 6:70).
Diabo:
gg. diábolos, 33 vezes, "caluniador, difamador".
Outros
nomes de Satanás: Nos nomes vemos o caráter de Satanás:
“O
grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás”,
"O
sedutor de todo mundo" Ap. 12:9;
"Acusador
dos nossos irmãos, Ap.12:10:
"Lúcifer"
ou "a estrela da manhã" Is.14:12 (cf. 2 Co 11:14: anjo de luz)
"Belzebu"
maioral dos demônios - Mt 12:24
"Maligno"
Mt 13:38
"Belial"
- "sem lei; anárquico; desordenado" 2 Co 6:15
"Tentador"
- Mt 4:3; 1 Ts 3:5
"Inimigo"
Mt 13:28,29
"Homicida"
Jo 8:44
"O
Pai da mentira" Jo 8:44
"O
deus deste século" - 2 Co 4:4
"O
Príncipe da potestade do ar" Ef. 2:2
"O
Príncipe deste mundo" Jo 14:30; 16:11
"O
Abadom" (Hb); "Apoliom" (gg) Ap. 9:11
destruidor;
exterminador" (Abadom = sheol ou hades 3 vezes; a morte 2 vezes;
provavelmente aqui "o anjo do abismo", o rei dos demônios.
Demônios,
gg. daímon 5 vezes: daimónion 60 vezes vb. daimonízomai 13 vezes: fora de 10
vezes, todos os usos ficam nos Evangelhos. Geralmente = seres espirituais e
maus (às vezes, deuses dos pagãos); provavelmente os demônios sãos os anjos de
Satanás que caíram com ele.
Os
demônios tem personalidade; inteligência (2 Co 11:3); vontade (2 Tm 2:26);
emoções (Ap 12:17)
Eles
sabem da sua condenação (Mt 8:29; Lc 8:28-31)
Alguns
já estão encarcerados no abismo e alguns destes serão libertados na grande
tribulação (2 Pe 2:4; Jd 6; Ap 9:14; 16:14: Lc 8:31, etc.)
Eles
conhecem a Jesus (Mt 8:29: Mc 1:24)
Eles
tem suas doutrinas e promovem doutrinas falsas (1Tm 4:1-3)
Podem
habitar em homens e animais (Mc 4:24; 5:13)
Eles
podem causar doenças (Mt 9:33; cf. Jo 2:7)
Alguns
poderosos enganam as nações (Dn 10:13; Ap 16:13,14; Is 24:21)
B.
Caráter e Atividade de Satanás:
1.)
A pessoa de Satanás (Ez 28:12,17; Is 14:12-15)
No
mundo antigo, um rei freqüentemente foi deificado e visto como o mediador entre
a sua cidade-país (i.é., Tiro, Babilônia, Roma) e o deus nacional. Nestas
passagens, os profetas falam não somente ao rei, mas ao deus-espírito atrás do
rei.
Satanás
foi criado “querubim da guarda ungido, o sinete da perfeição, formoso,
poderoso, mas finito”.
Ele
caiu por causa do orgulho (Is. 14:12-14; Ez 28:15-17 cf.. I Tm 3:6)
O
que Satanás tem, é dado, permitido e limitado pelo Deus soberano.
"O
Diabo acha que ele está livre; mas ele tem um freio na boca e Deus segura as
rédeas"(B.B. Warfield).
2.)
Posição de Satanás:
Ele
ainda tem acesso ao trono de Deus.
(Jo
1:6; 2:1; Zc 3:1-6; Lc 22:31; Ap 12:7-10)
Ele
reina sobre a hierarquia dos demônios.
(Mt
25:4; Ef 6:12: Ap 12:7)
Ele
reina sobre este mundo.
(Lc
4:5,6; 2 Co 4:3;4; Ef 2:1-3; I Jo 5:19-20)
3.)
Atividade do Diabo e seus anjos:
Tentar: (Gn 3:1; Mt 4:11;
16:23; Lc 22:31; At 5:3; I Co 7:5; I Tm 3:6,7; I Jo 2:16)
Confundir,
enganar, contrafazer, imitar ( I Co 10:20; 2 Co 4:3,4; 11:13-15 (anjo de luz);
2 Ts 2:9; Ap 16:13s; 20:3)
Destruir
- (Lc 8:12 (tirar a Palavra); I Pe 5:8; Ap 12:13-17)
Habitação:
"possessão demoníaca" não comunica bem o conceito do gg.
daimonizomenos (Mt 15:22) = "endemoninhado", que é um estado de
passividade humana causada pelos demônios; o controle de alguma forma dum
demônio (cf. Mt 12:22-28, 43-45)
Especificamente
contra os cristãos: tenta-os a mentir (At 5:3); à imoralidade (1 Co 7:5);
semeia o joio para enganar e atrapalhar (Mt 13:38s; 1 Ts 2:18); perseguição (Ap
2:10); difamação e calúnia (Ap 12:10); cria problemas físicos (2 Co 12:7-10)
Qual
a diferença entre Opressão Satânica e Possessão Demoníaca?
Possessão
é Demoníaca e Opressão é Satânica:
Na
Possessão a vítima é dominada pelo demônio, corpo, alma e espírito.
O
crente que estiver andando com Deus em fé e obediência não pode ser possuído de
um espírito demoníaco, cf: (Ap 3:20; Rm 12:1;2; II Co 5:17; Jo 3:3-5; Ef
1:13-14; Jo 14:23-30; Jo 14:16; II Co 2:16: 12-13; 1 Co 3:16-18; 1 Co 6:19-20;
Rm 8:9-10; 1 Jo 5:19; Jo 14:30).
Opressão
- todos os cristãos são alvos de Satanás para cairmos numa vida de pecado, por
isso muitos cristãos podem sofrer, cf. (E 6:13; Tg 4:7)
Obsessão
demoníaca - é um ataque mais intenso de ataque demoníaco (II Co 12:7-10).
II
- QUEM É O VENCEDOR? O poder do Sangue de Cristo
A.)
O que Cristo fez na cruz: 17 cumprimentos
"Porque
Jesus Cristo é Deus e homem, a Sua morte na cruz tem valor infinito para todos
que crêem" (F.Schaeffer)
Substituição:
Ele morreu no nosso lugar (Lv 1:4; Mt 20:28; Tm 5:6-8; 2 Co 5:15-21; 1 Pe 3:18)
Redenção:
pagou o preço para libertar-nos (At 20:28; Rm 3:24; Ef 1:7; 1 Pe 1:18-19)
Propiciação:
satisfez a ira santa de Deus contra os pecados (Rm 3:25; Hb 2:17; 1 Jo 2:2)
Reconciliação:
o homem pode ser amigo de Deus (Rm 5:10,11; 2 Co 5:18-21; Ef 1:10; 2:16)
Justificação:
a justiça de Cristo é imputada a nós (At 13:39; Rm 3:19-26; 5:9; 8:30,31; 2 Co
5:21; Ef 1:4)
Base
do perdão dos pecados antes da cruz (Rm 3:25; Hb 9:15; 10:1-14)
O
fim da lei Mosaica; agora há "a lei de Cristo", a lei do Espírito. Rm
3:19-28; 6:14; 8:2-4; 10:4; 13:8s; 2 Co 3:6-17: Gl 3:19-25; Fp 3:3; Cl 2:14; I
Jo 3:23)
Base
da adoção como filhos e herdeiros maduros - Rm 8:14-17; Gl 3:23-26; 4:1-7.
Base
da obra do Espírito Santo em nós - Jo 3:1-7; 16:8-11; I Co 12:13; Ef 1:13-14;
4:30; 5:18)
Base
da santificação - posicional e experimental - I Co 1:2; 6:11; Ef 5:26-27; I Ts
4:3; I Pe 1:15-16.
O
juízo da natureza pecaminosa: quebrou o poder controlador do pecado; podemos
viver vidas que agradam a Deus. Rm 6:1-14; Gl 5:13-25.
Base
do perdão dos pecados do crente: filhos que caem da comunhão com Deus devido ao
pecado. Rm 8:1s; I Jo 1:7; 2:2.
Jesus
é o primogênito do processo da morte, ressurreição, ascensão e glorificação que
nós seguiremos (I Co 15:12-23; Cl 1:18; I Ts 4:13-17: Hb 2:9-15; I Jo 3:1,2.)
Base
da redenção da natureza. Rm 8:18-22; Is 65:17-25; Ap 21:1s.
Base
da purificação das coisas no céu - Hb 9:22-24 (cf. 8:1-5; 9:11)
A
cruz é a base do juízo dos incrédulos - o dom da salvação rejeitado - Jo
16:8-11, cf. Jo 3:14-18,36; 2 Ts 1:6-11; Ap 20:11-15.
Na
cruz, o pecado, a morte e Satanás foram vencidos:
o
pecado - I Jo 5:18-19; cf. n.11 acima
a
morte - Jo 5:24-27; I Co 15:55-57; Hb 2:14-15; Ap 20:14
Satanás
e os demônios - Jo 12:31-33; Hb 2:14,15; Ap 20:10
B.
Os Juízos de Satanás e seus anjos:
Satanás
e os anjos perderam sua posição no céu (Ez 28:16)
Ele
foi julgado profeticamente no jardim do Éden
(Gn
3:16)
Cristo
veio a primeira vez para destruir as obras do maligno. (I Jo 3:8; 5:18; Cl
2:14,15)
Quando
Cristo voltar, Satanás receberá um castigo temporário dum mil anos no abismo
(Ap 20:1-3)
No
fim do milênio, no juízo final, Satanás e os seus anjos serão lançados no lago
de fogo e enxofre para eternidade. (Ap 20:10)
III
- COMO DEVEMOS LUTAR?
Três
passos à vitória
A.
Observações Iniciais:
1..
Satanás é feroz: "A razão pela qual muitos cristãos falham por toda vida é
esta: eles sub-estimam o poder do inimigo. Temos um inimigo terrível com quem
temos que lutar. Não deixa Satanás nos enganar. Pois assim estaremos mortos!
Isto é guerra. Quase tudo que nos rodeia (neste mundo) nos desvia de Deus. Não
saltamos do Egito ao trono de Deus num pulo só. Há um deserto, uma viagem, e há
inimigos na terra." (D.L.Moody, cf. I Pe 5:8)
2..
Satanás é finito: não é onipotente, onipresente ou onisciente. Geralmente, no
sentido direto, o diabo e os seus demônios não nos tentam diariamente. Claro, o
mundo está controlado espiritual e moralmente por satanás. Mas tentação vem
principalmente da nossa própria carne: cobiça, orgulho, concupiscência, falta
de autocontrole, etc. (Tg 1:13-16; 4:1-8)
3..
Satanás e os demônios são limitados por Deus. O Senhor os permitem ser ativos,
mas a graça que restrita não deixa-os fazer tudo que quiserem (Jó 1:6 , 2:7; Lc
22:31; 2 Co 12:7-9). Em qualquer situação. “... Deus é fiel, e não permitirá
que sejais tentados além das vossas forças... (mas) com a tentação vos proverá
livramento..." (I Co 10:13). Cristo, nosso Sumo-Sacerdote, constantemente
intercede por nós - Jo 17:15; Hb 7:25: I Jo 2:1-2.
Passo
Um: Pureza
1.
Cristo adquiriu nossa pureza na cruz. Apesar de falhas nas nossas vidas - das
quais satanás gosta de nos acusar (Zc 3:1-5; Ap 12:10) - somos posicionalmente
puros, vestidos na justiça de Jesus Cristo. Satanás não pode tocar nossa
salvação, nem nos separar do amor de Deus (Rm 8:38,39); temos uma posição de aceitação
e autoridade em Jesus Cristo. (Rm 8:1; Ef 1:6)
2..
Mas devemos buscar a santidade, experimentalmente realizando Sua chamada alta.
O pecado na vida nos destrói, abrindo a porta para opressão.
Seja
santificado pela Palavra - Jo 17:17: 2 Tm 3:16
Confessar
e renunciar tudo na nossa vida contra Deus - Ef 4:27; I Ts 4:3 cf. Êx 20:4-6.
Nada
disponhais para a carne - Rm 13:12-14
Chegai-vos
a Deus - Tg 4:8
Passo
dois: As armas de Deus
1..
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, cada peça tem propósito para lutar, e
sugere como satanás ataca.
O
largo cinto da verdade
A
couraça da justiça
Calçai
os pés com a preparação do evangelho
O
escudo da fé
O
capacete da salvação
2. A espada do Espírito = a Palavra de Deus (Mt 4:4)
3.
O poder conquistador da oração:
No
nome de Jesus - Jo 14:13,14'; 15:7;16; 16:23-27
Com
consciência pura - Tg 4:2,3; 5:16; I Jo 3:21s.
Poder
do Espírito Santo - Rm 8:26s; Ef 6:18; Jd 20s
Com
fé - Hb 11:1-6; Mc 11:22-24; Tg 1:5-8; 5:14,15
Com
perseverança - Ef 6:18; Cl 4:2; Lc 11:5-10
Às
vezes com jejum - At 13:2-3; 14:23; Mc 9:29
Passo
três: Como Vencer Satanás e os demônios
1..
Seja sempre sóbrio e vigilante - 1 Pe 5:8-9a
2..
Quando você confrontar a presença satânica, não seja tolo. Tome cuidado - Jd 9;
2 Pe 2:10s; At 19:12-17
3..
Reconheça a sua autoridade em Jesus Cristo - Lc 9:1; 10:1-20; At 5:16; 8:7; 16:16-18; I Jo 4:4;
Mc 16:17.
4..
Também; os demônios crêem e tremem - Tg 2:19
5..
Imediatamente, no nome de Jesus, peça que o Senhor quebre os poderes de Satanás
e os demônios e limpe a situação. Lembre-se que o Sangue de Cristo é a prova
que Satanás foi conquistado na cruz, e que o seu juízo foi selado.
6.
Em casos graves, ache outros irmãos logo que possível. Junte-se com eles para
orar e resistir ao maligno. Não tente exorcizar ou confrontar sozinho um
demônio, exceto quando é difícil de achar ajuda. Nos casos de habitação
demoníaca, seria sábio em procurar líderes cristãos que tem experiência nisso.
Entretanto, você, bem preparado, pode exorcizar sozinho.
7.
"Sujeitai-vos pois à Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós"(Tg
4:7)
"Eles,
pois o (Acusador) venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da
palavra do testemunho que deram, e mesmo em face de morte, não amaram a própria
vida". (Ap 12:11)
MATÉRIA 09 - ESCATOLOGIA: A DOUTRINA DA
ULTIMAS COISAS
Escatologia
significa Doutrina das Últimas Coisas e, portanto, tem como escopo o estudo das
profecias concernentes ao fim desta era e a volta de Cristo.
I.
A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
A)
Sua Realidade: Já no tempo dos apóstolos a segunda vinda de Cristo era negada
(IIPe.3:4), e ainda hoje encontramos pessoas que negam a realidade desta
doutrina. Por isso é necessário demonstrar, pelas Escrituras, a sua realidade.
Ela é estabelecida por vários testemunhos bíblicos:
1) Pelo Testemunho dos Profetas
(Zc.14:3-5; Ml.3:1; Ez.21:26,27).
2) Pelo Testemunho de João Batista
(Lc.3:3-6).
3) Pelo Testemunho de Cristo
(Jo.14:2,3).
4) Pelo Testemunho dos Anjos
(At.1:11).
5)
Pelo Testemunho dos Apóstolos (Mc.13:26; Lc.21:27; IJo.3:1-3; Tg.5:7;
IPe.1:7,13; ITs.4:13-18; Hb.9:27).
B) A Natureza da Segunda Vinda:
1) Não é Espiritual:
a) Como a vinda do
Espirito Santo no Pentecostes.
b) Como na conversão do
pecador.
c) Como na conversão do
mundo, pela expansão do cristianismo (Lc.18:8; IITs.2:13-12; ITm.4:1;
Lc.17:26-30).
2) É Literal:
a)
Pessoal e Corporal: A parousia indica presença pessoal (At.1:11; ITs.4:14-17).
A palavra parousia é usada nas seguintes passagens: (Mt.24:3,27,37,39;
ICo.1:8;15:23; ITs.2:19; ITs.3:13;4:15;5:23; IITs.2:1; Tg.5:7;
IIPe.1:16;3:4,12; IJo.2:28; e nas seguintes passagens referindo-se a homens:
(ICo.16:17; Fp.2:12; IICo.10:10).
b) Visível: A
apokalupsis indica a visibilidade da vinda do Senhor
(Ap.1:7,9-11; Mt.24:26,
27,30; Lc.21:27; Tt.2:13; IJo.3:2,3; Is.52:8; Os.5:15).
O
termo apokalupsis é usado nas seguintes passagens: (Rm.8:19; IITs.1:7;
IPe.1:7,13;4:13).
Obs.: O termo
epiphaneia (aparição, manifestação) é usado tanto para o primeiro advento
(IITm.1:10), como para o segundo (IITs.2:8; ITm.6:14; IITm.4:1,8;
Tt.2:13).
3) É Súbita (Ap.22:7,12,20;
Mt.24:27).
4) É Iminente, do ponto de vista
profético (Tt.2:13; Hb.9:28; ITs.1:9,10; Rm.13:11).
5) É Próxima, do ponto de vista
histórico (Lc.21:28; Mt.16:3;24:33;24:3).
6) Em duas Fases (Sf.2:3).
a) A primeira fase: O
arrebatamento da igreja, nos ares (ITs.4:16,17; Jo.14:3); a parousia..
b) A segunda fase: A
revelação ao mundo, na terra (IITs.1:7-9;2:7,8; Cl.3:4; Ap.1:7; Jl.3:11; ITs.3:11;
Zc.14:4,5; Jd.14).
7) Analogias: Há na Bíblia algumas
analogias interessantes a estes dois aspectos da segunda vinda.
a)
Davi: A volta de Davi da outra banda do Jordão depois de Abraão e seus
seguidores terem sido derrotados, a ida de Judá ao seu encontro, e a volta dos
dois juntos para Jesuralém (IISm.19:10-15,40; IISm.20:1-3).
b)
Joiada: A revelação particular de Joiada aos capitães e aos cários, e sua revelação
pública um pouco mais tarde (IIRs.11:4-12).
c)
Pedro: O encontro de Pedro com Jesus, andando sobre as águas. Pedro foi até
Ele, e os dois voltaram juntos para o barco (Mt.14:22-34).
d)
Paulo: Quando Paulo aproximou-se de Roma, os irmãos foram ao seu encontro e
todos voltaram juntos para a capital (At.18:15,16).
e)
Isaque: O encontro de Isaque com Rebeca (Gn.24). Neste trecho Abraão é um tipo
de um Rei que faria o casamento de seu Filho (Mt.22:2). O Servo anônimo um tipo
do Espirito Santo, que não fala de si mesmo, mas das coisas do Noivo para
conquistar a noiva (Jo.16:13,14), e que enriquece a noiva com presentes do
Noivo (ICo.12:7-11; Gl.5:22-23), e que traz a noiva ao encontro do Noivo
(At.13:4;16:6-7; Rm.8:11; ITs.4:14-17). Rebeca é um tipo da igreja, a virgem
noiva de Cristo (Gn.24:16; IICo.11:2; Ef.5:25-32). Isaque, um tipo do Noivo, a
quem não havendo visto, a noiva ama através do testemunho do Servo anônimo
(IPe.1:8), e que sai ao encontro de Sua noiva para recebê-la (Gn.24:63; ITs.4:14-17).
Estes incidentes não provam a teoria, mas ilustram a dupla natureza da volta de
Cristo.
8)
Pré-Tribulacional: A primeira fase (Ap.3:10).
9)
Pré-Milenista: A primeira e segunda fase (IITm.2:12).
C)
Os Sinais Precedentes da Segunda Vinda:
1)
Sinais nos Céus (Lc.21:25a).
2)
Sinais na Terra (Lc.21:25b; Mt.19:28;24:6-8).
a)
Terremotos (Mt.24:7).
b)
Pestes (Mt.24:7).
c)
Guerras e fome (Mt.24:7).
d)
Progresso científico (Dn.12:4; Na.2:4).
e)
Apostasia (ITm.4:1; IITm.4:1-4; IIPe.2:1,2).
f)
Tempos difíceis (IITm.3:1-5; Tg.5:1-8).
II. A TRIBULAÇÃO - Imediatamente após o
arrebatamento da igreja inicia-se um período de tempo, na terra, que a Bíblia
chama de tribulação.
A)
Tipos de Tribulação: Os teólogos se dividem em três diferentes correntes
1)
Mid-Tribulacionistas: Os defensores desta opinião acreditam que a igreja vai
passar pela primeira metade da tribulação, e será arrebatada no meio (mid) dos
dois períodos de três anos e meio cada. Seus defensores citam At.14:22 para
fundamentar esta opinião.
2)
pós-tribulacionistas: Estes acreditam que a igreja passará por todo o período
da tribulação, e será arrebatada apenas após a tribulação, por ocasião da
segunda vinda de Cristo. Eles não distinguem a segunda vinda em duas fases.
3)
Pré-Tribulacionistas: Os defensores desta doutrina acreditam que a igreja não
passará pela tribulação, pois será arrebatada antes que ela se inicie(Ap.3:10;
Rm.5:9; ITs.1:10;5:9)
B)
O Período da Tribulação: Segundo as Escrituras o período da tribulação é de
sete anos, um período que será abreviado por causa dos eleitos (Mt.24:22).
1) Identificado com a 70 semana: A
tribulação é também chamada de septuagésima semana de Daniel. Deus revelou a
Daniel que 70 semanas de anos (Ez.4:5,6; Gn.29:27; Lv.25:8; Dn.9:2,24) estavam
determinada sobre Israel. Estas 70 semanas inciaram-se com a volta de Neemias e
com a reconstrução dos muros e da cidade de Jerusalém (Dn.9:25; Ne.2:1-8). O
sacrifício de Cristo na cruz ocorreu depois da 69 semanas (Dn.9:25), bem como a
destruição de Jerusalém em 70 d.C. A última semana, ou seja a septuagésima,
mencionada em Dn.9:27, ainda não se cumpriu, demonstrando que há uma quebra na
sucessão das semanas, por um período de tempo indeterminado, entre a 69 e a 70
semana, período este reservado para os gentios (Lc.21:24).
2)
Dividido em dois Períodos: Esta última semana divide-se em dois períodos de
três anos e meio cada um.
a)
Anos: A expressão "um tempo, tempos e metade de um tempo"
(Dn.7:25;12:7; Ap.12:14) se refere a "um ano, dois anos e metade de um
ano", o que eqüivale a "três anos e meio".
b)
Meses: Este período de três anos e meio eqüivale ao período de "quarenta e
dois meses" mencionado na Bíblia (Ap.11:2;13:5).
c)
Dias: O mesmo período também identificado na Bíblia por dias: "1.260
dias" (Ap.11:3;12:6; Dn.12:11,12).
3)
A Primeira Metade da Tribulação:
a)
Aliança de Israel com o Anticristo (Dn.9:27; Jo.5:43; Is.28:14-18).
b)
As duas testemunhas (Ap.11;3).
4)
A Segunda Metade da Tribulação: Chamada de grande tribulação ou angústia de
Jacó (Mt.24:21; Jr.30:7; Dn.12:1).
a)
Perseguição aos judeus (Ap.11:2;12:6,14).
b)
Perseguição aos convertidos (Ap.7:13,14).
c)
A besta política, o Anticristo (Ap.13:1-10).
d)
A besta religiosa, o Falso Profeta (Ap.13:11-18).
e)
Os 144.000 judeus (Ap.7:4-8;14:1-5).
f)
Abominação desoladora (Dn.9:27;12:11; Mt.24:15; Ap.13:14,15; IITs.2:9).
III. O MILÊNIO
Depois
da tribulação Cristo voltará à terra com Seus santos e inaugurará o reino
milenial (Ap.20:2-7). A palavra millennium vem do latim mille e annus que
significa mil anos. O termo grego usado na Bíblia é chiliasm (quiliasmo).
A)
Tipos de Milênio:
1)
Amilenistas: Os que defendem esta posição não crêem na literalidade do reino
milenial. Para eles o milênio é uma realidade puramente espiritual, que se
estende do primeiro advento ao segundo advento de Cristo, período este que já
se completou quase 2.000 anos, e que culminará na grande tribulação para
restauração da igreja e o progresso do testemunho do evangelho.
2)
Pós-Milenistas: Tal como os amilenistas, os pós-milenistas colocam a segunda
vinda e o arrebatamento da igreja depois do milênio e da tribulação. eles
identificam a tribulação com a revolta de Gogue e Magogue (Ap.20:8,9). Os
pós-milenistas
acreditam que a história avança em direção à cristianização do mundo pela
igreja, e que haverá um milênio futuro de duração indeterminada.
3)
Pré-Milenistas: Para estes o milênio é futuro e literal de mil anos na terra,
que vem precedido pela tribulação, e é posterior a segunda vinda. Há dois tipos
de pré-milenismo, a saber:
a)
Pré-Milenismo Histórico: Colocam o milênio depois da tribulação, mas crêem que
a tribulação será um período breve e indeterminado de aflição.
b)
Pré-Milenismo Dispensacionalista: Estes vinculam a tribulação à 70 semana de
Daniel, e, assim, baseado nela, consideram a sua duração por um período de sete
anos.
B)
A Natureza do Milênio:
1)
Cristo Reinará (Zc.14:9).
2)
Davi Reinará (Ez.34:23,24;37:24; IICr.13:5; At.15:16).
3)
Os Crentes Reinarão (Dn.7:18; Ap.5:10).
4)
Haverá Justiça (Is.32:1; Sl.66:3;81:15; Zc.14:17-19).
5)
Haverá Conhecimento de Deus (Is.11:9; Jr.31:34).
6)
Haverá Paz (Is.2:4;9:6,7).
7)
Haverá Prosperidade (Is.35:1,2;51:3; Am.9:13).
8)
Haverá Longevidade de Vida (Is.65:20;33:24).
IV.
AS RESSUREIÇÕES
A) Ensinada pelo Antigo Testamento (Jó
19:25-27; Sl.16:9-11;17:15; Is.26:19; Os.13:14; IIRs.4:32-35;13:20,21
IRs.17:17-24; Dn.12:2).
B) Ensinada pelo Novo Testamento
(Jo.5:21,28,29; IPe.1:3 At.26:8,22,23;23:6-8; Jo.6:39,40,44,54;
Lc.14:13,14;20:35,36; ICo.15:22,23; ITs.4:14-16; Fp.3:11; Ap.20:4-6,13,14;
Jo.11:41-44; Lc.7:12-15;8:41,42,49-56; Mt.27:52,53; Mt.28; Jo.20).
C) A Natureza da Ressurreição:
1)
Universal (Jo.5:28,29).
2)
Dupla (Dn.12:2; Ap.20:4,5).
a)
A primeira ressurreição: Em cinco etapas:
-
Cristo: as primícias (ICo.15:23a; Mt.27:52,53).
-
Igreja: pré-tribulacionista (talvez representada por Enoque Hb.11:5;ICo.15:23b;
ITs.4:13-15).
-
Duas testemunhas: mid-tribulacionista (Ap.11:11).
-
Mártires da grande tribulação e santos do Antigo Testamento:
pós-tribulacionista (Dn.12:1; Is.26:19; Ez.37:12-14; Ap.20:4).
-
Salvos do milênio: pós-milenista.
b)
A segunda ressurreição (Jo.5:29b; Ap.20:5a,12-14).
D)
Características do Corpo Ressuscitado:
1)
Do Crente:
a)
Identificado com o corpo sepultado (Jó 19:25-27; Lc.24:31; At.7:55,56).
b)
Semelhante ao de Cristo (IJo.3:2).
c)
Real (Lc.24:39).
d)
Livre de limitações terrenas (Jo.20:19).
2)
Do Incrédulo: Mortal e corrupto (Mt.5:29;10:28; Ap.20:12,13;21:8; Gl.6:7,8).
V.
OS JULGAMENTOS:
A)
O Juiz:
1) Deus
(Rm.1:32;2:2,3,5,6;14:12; Sl.9:7,8;96:13).
2) Cristo (Rm.2:16;14:10-12;
At.17:31; Jo.5:22,23,27; IICo.5:10; At.10:42; IITm.4:1).
3)
Os Santos como Auxiliares (Sl.149:9; Ap.2:26;3:21; ICo.6:2,3).
B)
Natureza do Julgamento:
1)
Bema = Tribunal (ICo.4:5; Ap.22:12; ICo.3:13-15; Jo.5:24; IICo.5:10).
2)
Israel (Sl.50:1-7; Is.1:2,24,26; Ez.20:30-44; Jl.3:2; Ml.3:1,17; Mt.25:31,32;
Zc.14:1,2).
3)
Gentios (Sl.9:7,8;96:12,13; Zc.14:1,2; Mt.25:31,32).
4)
Besta e Falso Profeta (Ap.19:20).
5)
Anjos (Mt.25:41; ICo.6:3; Jd.6; IIPe.2:4).
6)
Satanás (Ap.20:10).
7)
Juízo Final = Trono branco (Ap.20:5a,11; At.24:14; Jo.5:29;
Ap.20:12,13,15;21:8; ICo.4:5;15:28; Hb.9:27; Rm.2:5,6; Mt.12:36; IICo.5:10).
MATÉRIA 10 - BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DA
BIBLIA
I.
REVELAÇÃO: É a operação divina que comunica ao homem fatos que a razão humana é
insuficiente para conhecer. É, portanto, a operação divina que comunica a
verdade de Deus ao homem (ICo.2:10).
A)
Provas da Revelação: O diabo foi o primeiro ser a pôr em dúvida a existência da
revelação: "É assim que Deus disse?" (Gn.3:1). Mas a Bíblia é a
Palavra de Deus. Vejamos alguns argumentos:
1)
A Indestrutibilidade da Bíblia: Uma porcentagem muito pequena de livros
sobrevive além de um quarto de século, e uma porcentagem ainda menor dura um
século, e uma porção quase insignificante dura mil anos. A Bíblia, porém, tem
sobrevivido em circunstâncias adversas. Em 303 a.D. o imperador Dioclécio decretou que todos os
exemplares da Bíblia fossem queimados. A Bíblia é hoje encontrada em mais de
mil línguas e ainda é o livro mais lido do mundo.
2)
A Natureza da Bíblia:
a)
Ela é superior: Ela é superior a qualquer outro livro do mundo. O mundo, com
sua sabedoria e vasto acúmulo de conhecimento nunca foi capaz de produzir um
livro que chegue perto de se comparar a Bíblia.
b)
É um livro honesto: Pois revela fatos sobre a corrupção humana, fatos que a
natureza humana teria interesse em acobertar.
c)
É um livro harmonioso: Pois embora tenha sido escrito por uns quarenta autores
diferentes, por um período de 1.600 anos, ela revela ser um livro único que
expressa um só sistema doutrinário e um só padrão moral, coerentes e sem contradições.
3)
A Influência da Bíblia: O Alcorão, o Livro dos Mórmons, o Zenda Avesta, os
Clássicos de Confúcio, todos tiveram influência no mundo. Estes, porém,
conduziram a uma idéia apagada de Deus e do pecado, ao ponto de ignorá-los. A
Bíblia, porém, tem produzido altos resultados em todas as esferas da vida: na
arte, na arquitetura, na literatura, na música, na política, na ciência etc.
4)
Argumento da Analogia: Os animais inferiores expressam com suas vozes seus
diferentes sentimentos. Entre os racionais existe uma presença correspondente,
existe comunicação direta de um para o outro, uma revelação de pensamentos e
sentimentos. Conseqüentemente é de se esperar que exista, por analogia da
natureza, uma revelação direta de Deus para com o homem. Sendo o homem criado à
Sua imagem, é natural supor que o Criador sustente relação pessoal com Suas
criaturas racionais.
5)
Argumento da Experiência: O homem é incapaz por sua própria força descobrir
que:
a)
Precisa ser salvo.
b)
Pode ser salvo.
c)
Como pode ser salvo.
d)
Se há salvação.
Somente
a revelação pode desvendar estes mistérios eternos. A experiência do homem tem
demonstrado que a tendência da natureza humana é degenerar-se e seu caminho
ascendente se sustêm unicamente quando é voltado para cima em comunicação
direta com a revelação de Deus.
6)
Argumento da Profecia Cumprida: Muitas profecias a respeito de Cristo se
cumpriram integralmente, sendo que a mais próxima do primeiro advento foi
pronunciada 165 anos antes de seu cumprimento. As profecias a respeito da
dispersão de Israel também, se cumpriram (Dt.28; Jr.15:4;l6:13; Os.3:4 etc); da
conquista de Samaria e preservação de Judá (Is.7:6-8; Os.1:6,7; IRs.14:15); do
cativeiro babilônico sobre Judá e Jerusalém (Is.39:6; Jr.25:9-12); sobre a
destruição final de Samaria (Mq.1:6-9); sobre a restauração de Jerusalém
(Jr.29:10-14), etc.
7)
Reivindicações da Própria Escritura: A própria Bíblia expressa sua
infalibilidade, reivindicando autoridade. Nenhum outro livro ousa fazê-lo.
Encontramos essa reivindicação nas seguintes expressões: "Disse o Senhor a
Moisés" (Ex.14:1,15,26;16:4;25:1; Lv.1:1;4:1;11:1; Nm.4:1;13:1; Dt.32:48)
"O Senhor é quem fala" (Is.1:2); "Disse o Senhor a Isaías"
(Is.7:3); "Assim diz o Senhor" (Is.43:1). Outras expressões
semelhantes são encontradas: "Palavra que veio a Jeremias da parte do
Senhor" (Jr.11:1); "Veio expressamente a Palavra do Senhor a
Ezequiel" (Ez.1:3); "Palavra do Senhor que foi dirigida a
Oséias" (Os.1:1); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel"
(Jl.1:1), etc. Expressões como estas são encontradas mais de 3.800 vezes no
Velho Testamento. Portanto o A.T. afirma ser a revelação de Deus, e essa mesma
reivindicação faz o Novo Testamento (ICo.14:37; ITs.2:13; IJo.5:10; IIPe.3:2).
B)
Natureza da Revelação: Deus se revelou de sete modos:
1)
Através da Natureza: (Sl.19:1-6; Rm.l:19-23).
2)
Através da Providência: A providência é a execução do programa de Deus das
dispensações em todos os seus detalhes (Gn.48:15;50:20; Rm.8:28; Sm.57:2;
Jr.30:11; Is.54:17).
3)
Através da Preservação: (Cl.1:17; Hb.1:3; At.17:25,28).
4)
Através de Milagres: (Ex.4:1-9).
5)
Através da Comunicação Direta: (Nm.12:8; Dt.34:10).
6)
Através da Encarnação: (Hb.1:1; Jo.8:26;15:15).
7)
Através das Escrituras: A Bíblia é a revelação escrita de Deus e, como tal,
abrange importantes aspectos:
a)
Ela é variada: Variada em seus temas, pois abrange aquilo que é doutrinário,
devocional, histórico, profético e prático.
b)
Ela é parcial: (Dt.29:29).
c)
Ela é completa: Naquilo que já foi revelado (Cl.2:9,10);
d)
Ela é progressiva: (Mc.4:28).
e)
Ela é definitiva: (Jd.3).
II.
INSPIRAÇÃO: É a operação divina que influenciou os escritores bíblicos,
capacitando-os a receber a mensagem divina, e que os moveu a transcrevê-la com
exatidão, impedindo-os de cometerem erros e omissões, de modo que ela recebeu
autoridade divina e infalível, garantindo a exata transferência da verdade
revelada de Deus para a linguagem humana inteligível (ICo.10:13; IITm.3:16;
IIPe.1:20,21).
A)
Autoria Dual: Com este termo indicamos dois fatos:
1)
Autoria Divina: Do lado divino as Escrituras são a Palavra de Deus no sentido
de que se originaram Nele e são a expressão de Sua mente. Em IITm.3:16
encontramos a referência a Deus: "Toda Escritura é divinamente
inspirada" (theopneustos = soprada ou expirada por Deus) . A referência
aqui é ao escrito.
2)
Autoria Humana: Do lado humano, certos homens foram escolhidos por Deus para a
responsabilidade de receber a Palavra e passá-la para a forma escrita. Em
IIPe.1:21 encontramos a referência aos homens: "Homens santos de Deus
falaram movidos pelo Espírito Santo" (pherô = movidos ou conduzidos). A
referência aqui é ao escritor.
B)
Inspiração ou Expiração? A palavra inspiração vem do latim, e significa
respirar para dentro. Ela é usada pela ARC. (Almeida Revista e Corrigida)
somente duas vezes no N.T. (IITm.3:16; IIPe.1:21). Este vocábulo, embora
consagrado pelo uso, e, portanto, pela teologia, não é um termo adequado, pois
pode parecer que Deus tenha soprado alguma espécie de vida divina em palavras humanas.
Em IITm.3:16 encontramos o vocábulo grego theopneustos que significa soprado
por Deus. Portanto podemos afirmar que toda a Escritura é soprada ou expirada
por Deus, e não inspirada como expressa a ARC. As Escrituras são o próprio
sopro de Deus, é o próprio Deus falando (IISm.23:2). Em IIPe.1:21 este vocábulo
se torna mais inadequado ainda, pois a tradução da ARC. transmite a idéia de
que os homens santos foram inspirados pelo Espírito Santo. O fato é que o homem
não é inspirado, mas a Palavra de Deus é que é expirada (Compare Jó.32:8; 33:4;
com Ez.36:27; 37:9). A ARA. (Almeida Revista e Atualizada), porém, apesar de
utilizar o termo inspiração em IITm.3:16, usa, com acerto, o verbo mover em
IIPe.1:21, como tradução do vocábulo grego pherô, que significa exatamente
mover ou conduzir.
Considerada
esta ressalva, não devemos pender para o extremo, excluindo a autoria humana da
compilação das Escrituras. Ela própria reconhece a autoria dual no registro
bíblico. Em Mt.15:4 está escrito que Deus ordenou enquanto que em Mc.7:10 diz
que foi Moisés quem ordenou. E muitas outras passagens há semelhantes a esta
(Compare Sl.110:1 com Mc.12:36; Ex.3:6,15 com Mt.22:31; Lc.20:37 com Mc.12:26;
Is.6:9,10; At.28:25 com Jo.12:39-41; Mt.1:22;2:15; At.l:16;4:25; Hb.3:7-11;
Hb.9:8;10:15) Deus opera de modo misterioso usando e não anulando a vontade
humana, sem que o homem perceba que está sendo divinamente conduzido, sendo que
neste fenômeno, o homem faz pleno uso de sua liberdade (Pv.16:1;19:21;
Sl.33:15;105:25; Ap.17:17). Desse mesmo modo Deus também usa Satanás (Compare
ICr.21:1 com IISm.24:1; IRs.22:20-23), mas não retira a responsabilidade do
homem (At.5:3,4), como também o faz na obra da salvação (Dt.30:19; Sl.65:4;
Jo.6:44).
C)
O Termo Logos: Este termo grego foi utilizado no N.T. cerca de 200 vezes para
indicar a Palavra de Deus Escrita, e sete vezes para indicar o Filho de Deus
(Jo.1:1,14; IJo.1:1;5:7; Ap.19:13). Eles são para Deus o que a expressão é para
o pensamento e o que a fala é para a razão, portanto o Logos de Deus é a
expressão de Deus, quer seja na forma escrita ou viva (Compare Jo.14:6 com
Jo.17:17).
1)
Cristo é a Palavra Viva: Cristo é o Logos, isto é, a fala, a expressão de Deus.
2)
A Bíblia é a Palavra Escrita: A Bíblia também é o Logos de Deus, e assim como
em Cristo há dois elementos (duas naturezas), divino e humano, igualmente na
Palavra de Deus estes dois elementos aparecem unidos sobrenaturalmente.
D)
Provas da Inspiração: Somos acusados de provar a inspiração pela Bíblia e de
provar a verdade da Bíblia pela inspiração, e, assim, de argumentar num círculo
vicioso. Mas o processo parte de uma prova que todos aceitam: a evidência.
Esta, primeiro prova a veracidade ou credibilidade da testemunha, e então
aceita o seu testemunho. A veracidade das Escrituras é estabelecida de vários
modos, e, tendo constatado a sua veracidade, ou a validade do seu testemunho,
bem podemos aceitar o que elas dizem de si mesmas. As Escrituras afirmam que
são inspiradas, e elas ou devem ser cridas neste particular ou rejeitadas em
tudo mais.
1)
O A.T. afirma sua Inspiração: (Dt.4:2,5; IISm.23:2; Is.1:10; Jr.1:2,9;
Ez.3:1,4; Os.1:1; Jl.l:1; Am.1:3;3:1; Ob.1:1; Mq.1:1).
2)
O N.T. afirma sua Inspiração: (Mt.10:19; Jo.14:26;15:26,27; Jo.16:13;
At.2:33;15:28; ITs.1:5; ICo.2:13; IICo.13:3; IIPe.3:16; ITs.2:13; ICo.14:37).
3)
O N.T. afirma a Inspiração do A.T.: (Lc.1:70; At.4:25; Hb.1:1, IItm.3:16;
IPe.1:11; IIPe.1:21).
4)
A Bíblia faz declarações científicas descobertas posteriormente: (Jó.26:7;
Sl.135:7; Ec.1:7; Is.40:22).
E)
Teorias da Inspiração: Podemos ter revelação sem inspiração (Ap.10:3,4), e
podemos ter inspiração sem revelação, como quando os escritores registram o que
viram com seus próprios olhos e descobriram pela pesquisa (IJo.1:1-4;
Lc.1:1-4). Aqui nós temos a forma e o resultado da inspiração. A forma é o
método que Deus empregou na inspiração, enquanto que o resultado indica a
conseqüência da inspiração. Portanto, as chamadas teorias da intuição, da
iluminação, a dinâmica e a do ditado, todas descrevem a forma de inspiração,
enquanto que a teoria verbal plenária indica o resultado.
1)
Teoria da Inspiração Dinâmica: Afirma que Deus forneceu a capacidade necessária
para a confiável transmissão da verdade que os escritores das Escrituras
receberam ordem de comunicar. Isto os tornou infalíveis em questões de fé e
prática, mas não nas coisas que não são de natureza imediatamente religiosa,
isto é, a inspiração atinge apenas os ensinamentos e preceitos doutrinários, as
verdades desconhecidas dos autores humanos. Esta teoria tem muitas falhas: Ela
não explica como os escritores bíblicos poderiam mesclar seus conhecimentos
sobrenaturais ao registrarem uma sentença, e serem rebaixados a um nível
inferior ao relatarem um fato de modo natural. Ela não fornece a psicologia
daquele estado de espírito que deveria envolver os escritores bíblicos ao se
pronunciarem infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto se desviam a
respeito dos fatos mais simples da história. Ela não analisa a relação
existente entre as mentes divina e humana, que produz tais resultados. Ela não
distingue entre coisas que são essenciais à fé e à pratica e àquelas que não
são. Erasmo, Grotius, Baxter, Paley, Doellinger e Strong compartilham desta
teoria.
2)
Teoria do Ditado ou Mecânica: Afirma que os escritores bíblicos foram meros
instrumentos (amanuenses), não seres cujas personalidades foram preservadas. Se
Deus tivesse ditado as Escrituras, o seu estilo seria uniforme. Teria a dicção
e o vocabulário do divino Autor, livre das idiossincrasias dos homens
(Rm.9:1-3; IIPe.3:15,16). Na verdade o autor humano recebeu plena liberdade de
ação para a sua autoria, escrevendo com seus próprios sentimentos, estilo e
vocabulário, mas garantiu a exatidão da mensagem suprema com tanta perfeição
como se ela tivesse sido ditada por Deus. Não há nenhuma insinuação de que Deus
tenha ditado qualquer mensagem a um homem além daquela que Moisés transcreveu
no monte santo, pois Deus usa e não anula as suas vontades. Esta teoria,
portanto, enfatiza sobremaneira a autoria divina ao ponto de excluir a autoria
humana.
3)
Teoria da Inspiração Natural ou Intuição: Afirma que a inspiração é
simplesmente um discernimento superior das verdades moral e religiosa por parte
do homem natural. Assim como tem havido artistas, músicos e poetas
excepcionais, que produziram obras de arte que nunca foram superadas, também em
relação às Escrituras houve homens excepcionais com visão espiritual que, por
causa de seus dons naturais, foram capazes de escrever as Escrituras. Esta é a noção
mais baixa de inspiração, pois enfatiza a autoria humana a ponto de excluir a
autoria divina. Esta teoria foi defendida pelos pelagianos e unitarianos.
4)
Teoria da Inspiração Mística ou Iluminação: Afirma que inspiração é
simplesmente uma intensificação e elevação das percepções religiosas do crente.
Cada crente tem sua iluminação até certo ponto, mas alguns têm mais do que
outros. Se esta teoria fosse verdadeira, qualquer cristão em qualquer tempo,
através da energia divina especial, poderia escrever as Escrituras.
Schleiermacher foi quem disseminou esta teoria. Para ele inspiração é "um
despertamento e excitamento da consciência religiosa, diferente em grau e não
em espécie da inspiração piedosa ou sentimentos intuitivos dos homens santos".
Lutero, Neander, Tholuck, Cremer, F.W.Robertson, J.F.Clarke e G.T.Ladd
defendiam esta teoria, segundo Strong.
5)
Inspiração dos Conceitos e não das Palavras: Esta teoria pressupõe pensamentos
à parte das palavras, através da qual Deus teria transmitido idéias, mas deixou
o autor humano livre para expressá-las em sua própria linguagem. Mas idéias não
são transferíveis por nenhum outro modo além das palavras. Esta teoria ignora a
importância das palavras em qualquer mensagem. Muitas passagens bíblicas
dependem de uma das palavras usadas para a sua força e valor. O estudo
exegético das Escrituras nas línguas originais é um estudo de palavras, para
que o conceito possa ser alcançado através das palavras, e não para que
palavras sem importância representem um conceito. A Bíblia sempre enfatiza suas
palavras e não um simples conceito (ICo.2:13; Jo.6:63;17:8; Ex.20:1; Gl.3:16).
6)
Graus de Inspiração: Afirma que há inspiração em três graus. Sugestão, direção,
elevação, superintendência, orientação e revelação direta, são palavras usadas
para classificar estes graus. Esta teoria alega que algumas partes da Bíblia
são mais inspiradas do que outras. Embora ela reconheça as duas autorias, dá
margem a especulação fantasiosa.
7)
Inspiração Verbal Plenária: É o poder inexplicado do Espírito Santo agindo
sobre os escritores das Sagradas Escrituras, para orientá-los (conduzi-los) na
transcrição do registro bíblico, quer seja através de observações pessoais,
fontes orais ou verbais, ou através de revelação divina direta, preservando-os
de erros e omissões, abrangendo as palavras em gênero, número, tempo, modo e
voz, preservando, desse modo, a inerrância das Escrituras, e dando à ela
autoridade divina.
a)
Observação Pessoal: (IJo.1:1-4).
b)
Fonte Oral: (Lc.l:1-4).
c)
Fonte Verbal: (At.17:18; Tt.1:12; Hb.1:1).
d)
Revelação Divina Direta: ( Ap.1:1-ll; Gl.1:12).
e)
Gênero: (Gn.3:15).
f)
Número: (Gl.3:16).
g)
Tempo: (Ef.4:30; Cl.3:13).
h)
Modo: (Ef.4:30; Cl.3:13).
i)
Voz: (Ef.5:18)
j)
Explicação dos itens e, f, g, h, i: A inspiração verbal plenária fica assim
estabelecida. Em Gn.3:15 o pronome hebraico está no gênero masculino, pois se
refere exclusivamente a Cristo (Ele te ferirá a cabeça...). Em Gl. 3:16 Paulo
faz citação de um substantivo hebraico que está no singular, fazendo, também,
referência exclusiva a Cristo. Em Ef.4:30 e Cl.3:13 o verbo perdoar
encontra-se, no grego, no modo particípio e no tempo presente, o que significa
que o perdão judicial de Deus realizado no passado, quando aceitamos a Cristo,
estende-se por toda a nossa vida, abrangendo o perdão dos pecados do passado,
do presente, e do futuro (IJo.1:9 trata do perdão do pecado doméstico e não do
judicial). Jesus Cristo reconheceu a inspiração verbal plenária quando declarou
que nem um til (a menor letra do alfabeto hebraico) seria omitido da
lei(Mt.5:18 e Lc.16:l7).
C)
O Termo Logos - Este termo grego foi
utilizado no N.T. cerca de 200 vezes para indicar a Palavra de Deus Escrita, e
7 vezes para indicar o Filho de Deus (Jo.1:1,14; IJo.1:1;5:7; Ap.19:13). Eles
são para Deus o que a expressão é para o pensamento e o que a fala é para a
razão, portanto o Logos de Deus é a expressão de Deus, quer seja na forma
escrita ou viva (Compare Jo.14:6 com Jo.17:17).
1) Cristo é a Palavra Viva: Cristo é o
Logos, isto é, a fala, a expressão de Deus.
2)
A Bíblia é a Palavra Escrita: A Bíblia
também é o Logos de Deus, e assim como em Cristo há dois elementos (duas
naturezas), divino e humano, igualmente na Palavra de Deus estes dois elementos
aparecem unidos sobrenaturalmente.
III.
ILUMINAÇÃO: É a influência ou ministério do Espírito Santo que capacita todos
os que estão num relacionamento correto com Deus para entender as Escrituras (I
Cor.2:12; Lc.24:32,45; IJo.2:27).
A
iluminação não inclui a responsabilidade de acrescentar algo às Escrituras
(revelação) e nem inclui uma transmissão infalível na linguagem (inspiração)
daquele que o Espírito Santo ensina.
A
iluminação é diferenciada da revelação e da inspiração no fato de ser prometida
a todos os crentes, pois não depende de escolha soberana, mas de ajustamento
pessoal ao Espírito Santo. Além disso, a iluminação admite graus podendo
aumentar ou diminuir (Ef.1:16-18; 4:23; Cl.1:9).
A
iluminação não se limita a questões comuns, mas pode atingir as coisas
profundas de Deus (ICo.2:10) porque o Mestre Divino está no coração do crente
e, portanto, ele não houve uma voz falando de fora e em determinados momentos,
mas a mente e o coração são sobrenaturalmente despertados de dentro (ICo.2:16).
Este despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito
que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (ICo.2:15), ao passo
que aquele que é carnal não pode receber as verdades mais profundas de Deus que
são comparadas ao alimento sólido (ICo.2:15;3:1-3; Hb.5:12-14).
A
iluminação, a inspiração e a revelação estão estritamente ligadas, porém podem
ser independentes, pois há inspiração sem revelação (Lc. 1:1-3; IJo.1:1-4);
inspiração com revelação (Ap.1:1-11); inspiração sem iluminação (IPe.1:10-12);
iluminação sem inspiração (Ef.1:18) e sem revelação (ICo.2:12; Jd.3); revelação
sem iluminação (IPe.1:10-12) e sem inspiração (Ap.10:3,4; Ex.20:1-22). E’ digno
de nota que encontramos estes três ministérios do Espírito Santo mencionados em
uma só passagem (ICo.2:9-13); a revelação no versículo 10; a iluminação no
versículo 12 e a inspiração no versículo 13.
IV.
AUTORIDADE: Dizemos que a bíblia é um livro que tem autoridade porque ela tem
influência, prestígio e credibilidade (quanto a pureza na transcrição ou tradução),
por isso deve ser obedecida porque procede de fonte infalível e autorizada.
A
autoridade está vinculada a inspiração, canonicidade e credibilidade, sem os
quais a autoridade da Bíblia não se estabeleceria. Assim, por ser inspirado,
determinado trecho bíblico possui autoridade; por ser canônico, determinado
livro bíblico possui autoridade, e por ter credibilidade, determinadas
informações bíblicas possuem autoridade, sejam históricas, geográficas ou
científicas.
Entretanto,
nem tudo aquilo que é inspirado é autorizado, pois a autoridade de um livro
trata de sua procedência, de sua autoria, e, portanto, de sua veracidade. Deus
é o Autor da Bíblia, e como tal ela possui autoridade, mas nem tudo que está
registrado na Bíblia procedeu da boca de Deus. Por exemplo, o que Satanás disse
para Eva foi registrado por inspiração, mas não é a verdade (Gn.3:4,5); o
conselho que Pedro deu a Cristo (Mt.16:22); as acusações que Elifaz fez contra
Jó (Jó.22:5-11), etc. Nenhuma dessas declarações representam o pensamento de
Deus ou procedem dEle (procedem apenas por inspiração), e por isso não têm
autoridade. Um texto também perde sua autoridade quando é retirado de seu
contexto e lhe é atribuído um significado totalmente diferente daquele que tem
quando inserido no contexto. As palavras ainda são inspiradas, mas o novo
significado não tem autoridade.
VI.
INERRÂNCIA OU INFALIBILIDADE: Inerrância significa que a verdade é transmitida
em palavras que, entendidas no sentido em que foram empregadas, entendidas no
sentido que realmente se destinavam a ter, não expressam erro algum.
A
inspiração garante a inerrância da Bíblia. Inerrância não significa que os
escritores não tinham faltas na vida, mas que foram preservados de erros os
seus ensinos. Eles podem ter tido concepções errôneas acerca de muitas coisas,
mas não as ensinaram; por exemplo, quanto à terra, às estrelas, às leis
naturais, à geografia, à vida política e social etc.
Também
não significa que não se possa interpretar erroneamente o texto ou que ele não
possa ser mal compreendido.
A
inerrância não nega a flexibilidade da linguagem como veículo de comunicação. É
muitas vezes difícil transmitir com exatidão um pensamento por causa desta
flexibilidade de linguagem ou por causa de possível variação no sentido das
palavras.
A
Bíblia vem de Deus. Será que Deus nos deu um livro de instrução religiosa
repleto de erros? Se ele possui erros sob a forma de uma pretensa revelação,
perpetua os erros e as trevas que professa remover. Pode-se admitir que um Deus
Santo adicione a sanção do seu nome a algo que não seja a expressão exata da
verdade?
Diz-se
que a Bíblia é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa. Se for
parcialmente falsa, como se explica que Deus tenha posto o seu selo sobre toda
ela? Se ela é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa, então a vida e a
morte estão a depender de um processo de separação entre o certo e o errado,
que o homem não pode realizar.
Cristo
declara que a incredulidade é ofensa digna de castigo. Isto implica na
veracidade daquilo que tem de ser crido, porque Deus não pode castigar o homem
por descrer no que não é verdadeiro (Sl. 119:140,142; Mt.5:18; Jo.10:35;
Jo.17:17). Aqueles que negam a infalibilidade da Bíblia, geralmente estão
prontos a confiar na falibilidade de suas próprias opiniões. Como exemplo de
opinião falível encontramos aqueles que atribuem erro à passagem de I Rs.7:23
onde lemos que o mar de fundição tinha dez côvados de diâmetro de uma borda até
a outra, ao passo que um cordão de trinta côvados o cingia em redor. Sendo assim, tem-se dito que a Bíblia faz o valor do Pi
ser 3 em vez de 3,1416. Mas uma vez que não sabemos se a linha em redor era na
extremidade da borda ou debaixo da mesma, como parece sugerir o versículo
seguinte (v.24) não podemos chegar a uma conclusão definitiva, e devemos ser
cautelosos ao atribuir erro ao escritor.
Outro
exemplo utilizado para contrariar a inerrância da Bíblia, encontra-se em I Co. 10:8 onde lemos que 23.000 homens morreram no
deserto, enquanto que Nm. 25:9 diz que morreram 24.000. Acontece que em Números
nós temos o número total dos mortos, ao passo que em I aos Coríntios nós temos
o número parcial que somado ao restante dos homens relacionados nos versículos
9 e 10, deverá contabilizar o total de 24.000.
A
inerrância não abrange as cópias dos manuscritos, mas atinge somente os
autógrafos, isto é, os originais. Desse modo encontramos os seguintes tipos de
erros nos manuscritos:
A)
Erros Involuntários: Cometidos pelos escribas do N.T. devido a sua falta ou
defeito de visão, defeitos de audição ou falhas mentais.
1)
Falhas de Visão: Em Rm.6:5 muitos manuscritos (MSS) tem ama (juntos), mas há
alguns que trazem alla (porém). Os dois lambdas juntos deram ao copista a idéia
de um mi. Em At.15:40 onde há eplexamenoc (tendo escolhido) aparece no Códice
Beza epdexamenoc (tendo recebido) onde o lambda maiúsculo é confundido com um
delta maiúsculo.
Há
também confusão de sílabas, como é o caso de I Tm.3:16 onde o manuscrito D traz
homologoumen ôs (nós confessamos que) em vez de homologoumenôs (sem dúvida).
O
erro visual chamado parablopse (um olhar ao lado) é facilitado pelo
homoioteleuton, que é o final igual de duas linhas, levando o escriba a saltar
uma delas, ou pelo homoioarchon, que são duas linhas com o mesmo início.
O
Códice Vaticano, em Jo. 17:15, não contém as palavras entre parênteses:
"Não rogo que os tires do (mundo, mas que os guardes do) maligno".
Consultando o N.T. grego veremos que as duas linhas terminavam de maneira
idêntica, em autos ek tou, no manuscrito que o escriba de B copiava.
Lc.
18:39 não aparece nos manuscritos 33, 57, 103 e b, devido a um final de frase
igual na sentença anterior no manuscrito do qual eles se derivam.
O
Códice Laudiano tem um exemplo no versículo 4 do Capítulo 2 do livro de Atos:
"Et repleti sunt et repleti sunt omnes spiritu sancto", sendo este em
caso de adição, chamado ditografia, que é a repetição de uma letra, sílaba ou
palavras.
2)
Falhas de Audição: Era de costume muitos escribas se reunirem numa sala
enquanto um leitor lhes ditava o texto sagrado. Desse modo o ouvido traía o
escriba até mesmo quando o copista solitário ditava a si próprio. Em Rm. 5:1
encontramos um destes casos, onde as variantes echômen e echomen foram
confundidas. I Pe.2:3 também apresenta um caso semelhante com as variantes
cristos (Cristo) e crestos (gentil), esta última encontrada nos manuscritos K e
L.
No
grego coinê as vogais e ditongos pronunciavam-se de modo igual dentro das
respectivas classes. É o caso de ICo.15:54 onde o termo nikos (vitória), foi
confundido por neikos (conflito), sendo que aparece em P46 e B como
"tragada foi a morte no conflito".
Em
Ap.15:6 onde se lê “vestido de linho puro” a palavra grega linon é substituída
por lithon nos manuscritos A e C "vestidos de pedra pura". Desse modo
uma só letra que o ouvido menos apurado não entendeu direito e que produziu
completa mudança de sentido, torna-se erro grosseiro e hilariante.
3)
Falhas da Mente: Quando a mente do escriba o traía, chegava a cometer erros que
variavam desde a substituição de sinônimos, como o caso da preposição ek por
apo, até a transposição de letras dentro de uma palavra, como o caso de
Jo.5:39, onde Jesus disse "porque elas dão testemunho de mim" (ai
marturousai) e o escriba do manuscrito D escreveu "porque elas pecam a
respeito de mim" (hamartanousai).
B)
Erros Intencionais: Erros que não se originaram de negligência ou distração dos
escribas, mas antes de suspeita de alteração, principalmente doutrinária.
1)
Harmonização: Ao copiar os sinópticos, o escriba era levado a harmonizar
passagens paralelas. E’ o caso de Mt.12:13 onde se lê "...estende a tua
mão. E ele estendeu; e ela foi restaurada como a outra". Em alguns
manuscritos de Marcos o texto pára em "restaurada", sendo que em
outros o escriba acrescentou as palavras "como a outra" para
harmonizá-lo com Mateus.
Outro
tipo de harmonização ocorre quando os escribas faziam o texto do N.T.
conformar-se com o A.T. Por exemplo, em Mc. 1:1 os escribas do W e Bizantinos
mudaram "no profeta Isaias" para "nos profetas" porque
verificaram que a citação não é só de Isaias.
2)
Correções Doutrinárias: Certo escriba, copiando Mt. 24:36 omitiu as palavras
"nem o Filho", pois o escriba sabia que Jesus era onisciente, e
deduziu que alguém havia cometido erro (Alefe, W, Bizantino).
Os
manuscritos da Velha Latina e da Versão Gótica apresentam como acréscimo, em
Lc. 1:3, a frase "e ao Espírito Santo" como "empréstimo" de
At.15:28.
3)
Correções Exegéticas: Passagens de difícil interpretação eram alvos dos
escribas que tentavam completar o seu sentido através de interpolação e
supressões.
Um
caso de interpolação encontra-se em Mt. 26:15 onde as palavras "trinta
moedas de prata" foram alteradas para "trinta estateres" nos MSS
D, a e b, afim de definir o tipo de moeda mencionada. Mais tarde outros
escribas (dos manuscritos 1, 209 e h) que conheciam os dois textos, juntaram-no
produzindo a frase "trinta estateres de prata".
4)
Acréscimos Naturais ou de Notas Marginais: Determinado leitor do Códice 1518
anotou nas margens de Tg. 1:5 a expressão êgeumatikês kai ouk anthrôpines (espiritual
e não humana). Quando este Códice foi copiado, o escriba dos manuscritos 603
incluiu esta expressão no texto: "Se alguém de vós tem falta de sabedoria
espiritual e não humana, peça-a a Deus...".
XI.
INTERPRETAÇÃO: É a elucidação ou explicação do sentido das palavras ou frases
de um texto, para torná-los compreensivos.
A
ciência da interpretação é designada hermenêutica, e, em razão de sua
abrangência, requer um estudo especial separado da Bibliologia.
MATÉRIA 11-HERMENÊUTICA
INTRODUÇÃO
|
Hermenêutica é a ciência e a arte que
estuda a interpretação da Bíblia. Ciência porque estabelece regras positivas
e invariáveis; arte porque suas regras são práticas. A Bíblia Sagrada é
diferente de qualquer outro livro secular. Ela contém o Livro e a Mensagem!
Como livro, ela contém 39 no Antigo Testamento, e 27 no Novo Testamento. Como
mensagem, ela é a Palavra de Deus. Suas escrituras são compostas de
histórias, profecias, poesias, enigmas, parábolas, romances, figuras e
biografias.
|
As principais ciências auxiliam no estudo das Escrituras:
As principais leis da Hermenêutica que auxiliam na interpretação
das Escrituras:
A parte que vem antes ou depois do
texto. Diz-se que não se deve interpretar um texto sem o auxílio do contexto,
para não se fazer um pretexto: Lc 19:28-44; At 8:30-31; Is 53:7.
Um texto deve ser auxiliado na sua
interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das
Escrituras Sagradas: Jo 19:18; Mc 15:27; Mt 27:38; Lc 23:39-43.
Os diferentes autores da Bíblia viveram
em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma
de apresentação de um determinado texto para um povo que vivia situações
diferentes, deve ser comparado com outros em tempo ou forma remota: Ef 5:22-27;
I Pe 2:5-10; Ct 8:5-10.
A interpretação do texto é aquilo que a
passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias que foram
escritas. O literalismo busca o que o texto quer dizer (Jo 21:6); o simbolismo
busca o que a figura quer dizer (Ap 3:20).
Um mesmo texto pode ser aplicado a
pessoas ou clãs vivendo épocas ou situações geográficas diferentes: Mt
13:24-30.
Num sentido filosófico, pode se dizer
que uma pessoa geme porque está doente. Ai está a lei da implicação – a
manifestação patente do latente. Se uma pessoa tem seu rosto plácido é porque o
coração está alegre. Como o batismo no Espírito Santo biblicamente é
evidenciado pelo crente falar em outras línguas, assim só se pode profetizar os
que receberam, de igual forma, a virtude desse Espírito: Mt 13:25; Ap 3:18-20.
0. Sempre tenha em sua mente as regras da sã Hermenêutica
(interpretação literal-gramatical-histórica, dentro da dispensação
e dentro do contexto textual e histórico).
Em última instância, todas as diferenças teológicas entre os crentes recaem em “Como interpretar a Palavra de Deus?”
Basicamente, há apenas 2 métodos de interpretação da Bíblia:
- Método alegórico: Cada pessoa atribui o sentido
que preferir às palavras de Deus, de modo que a autoridade final fica sendo o
homem, e não Deus!
- Método literal-gramatical-histórico: " Quando o sentido simples da Escritura faz senso comum, não procure nenhum outro sentido; portanto, tome cada palavra no seu significado literal - usual - ordinário - primário, a não ser que os fatos do contexto imediato, estudados à luz de passagens relacionadas e de verdades axiomáticas e fundamentais, claramente indiquem o contrário." (D. L. Cooper).
Obviamente, a interpretação literal-gramatical-histórica tem
espaço para linguagem figurada-poética ("Eu sou a porta", "os
montes ... romperão em cântico ... as árvores ... baterão palmas", etc.),
de significado óbvio e indiscutível, só não tem espaço para alegorismo
(associar leão à Inglaterra, confundir Israel e a Igreja, etc.).
Algumas chaves para o entendimento das Escrituras:
- Ser salvo 1 Co 2:14;Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
- Ler (estudar, conferir) diariamente At 17:11;Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.
- Interpretar literalmente (em harmonia com contexto e passagens correlatas) 2Pd 1:20; Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
- Saber dividir as Escrituras (que dispensação? dirigido a quem? dito por quem? etc.) 2Tm 2:15;Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
- Comparar Escritura com Escritura 1Co 2:13; As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
- Aplicar (por em prática); e pregar At 8:35. Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.
Sempre lembre as 10 regras básicas abaixo:
- Algumas profecias foram condicionais
(eg: Jonas, para Nínive);
- Profetas falam do futuro como se fosse presente ou passado;
- “Lei dos Picos”: um trecho pode dar a visão de 2 picos e esconder 1 vale entre eles (eg: Is 61:1-2; Jl 2:28-32);
- Profetas falam do futuro como se fosse presente ou passado;
- “Lei dos Picos”: um trecho pode dar a visão de 2 picos e esconder 1 vale entre eles (eg: Is 61:1-2; Jl 2:28-32);
O
espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar
boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a
proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos
presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da
vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;
E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.
E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.
“Lei do Duplo Cumprimento”: profecias podem ser cumpridas duplamente, a 1a. vez num sentido “menor” e incompleto (eg: a destruição de Jerusalém no ano 70) e a 2a. vez num sentido “maior” e completo (eg: a Grande Tribulação);
- “Lei da 1a. Referência”: o sentido símbolo, na Bíblia, é constantemente o da sua 1a. ocorrência (eg: fermento é sempre mal, pecado, hipocrisia, e isto explica a parábola do fermento, em Mt 13);
- “Lei da Recapitulação”: passagens sucessivas podem ser recapitulações, repetições de um mesmo fato sob diferentes ênfases e pontos de vista (eg: os 4 evangelhos; os sonhos de faraó; Gn 1:1 e os outros relatos da criação Gn 1:2-31 e 2:4-25; os 7 selos + 7 trombetas + 7 taças de Apocalipse., etc.);
- Nunca alicerce uma doutrina apenas sobre símbolos, tipos, parábolas, etc. E não procure explicar todos os seus detalhes, mas só os principais. E use-os não para inventar, mas sim para ilustrar doutrinas, já bem estabelecidas em trechos claros, literais, explícitos
- Sempre use os textos explícitos-claros-ordem para explicar os implícitos-escuros-exemplo. Não use estes para torcer e anular aqueles;
- Tudo o que foi cumprido até hoje o foi literalmente. Por que supor que não mais o será?
- Siga estas regras e siga o princípio de “Sola Scriptura”, sem se curvar demais aos comentários aos grandões (do passado e, ainda mais, de hoje).
1. Sempre Tenha as Perguntas Chave em Sua Mente
Eis algumas perguntas que se deve ter em mente ao ler cada parágrafo da Bíblia:
A. Quem está falandoestas palavras neste verso?É Deus Pai/Filho/Espírito Santo? É um profeta de Deus profetizando em nome de Deus? É um anjo de Deus? É um crente, sincero mas não inspirado? É um descrente? É um demônio?
B. Para quem as palavras deste parágrafo foram ditas? Para judeus na Dispensação da Lei? Para crentes da dispensação da Igreja? Para a Tribulação? Para o Milênio?
C.No capítulo de hoje, qual versículo mais tocou meu coração, minha vida? Sublinhe-o.
D. Qual é a idéia principal do capítulo?
E. O que o capítulo ensina a respeito de CRISTO? (Ele sempre será o centro de tudo).
F. Há um exemplo que devo seguir?
G. Há um erro que devo evitar?
H. Há alguma tarefa que devo realizar?
I. Há alguma promessa da qual me devo apropriar (isto é, crer)?
J. Há algum pecado que devo confessar?
2. Sempre Tenha um Plano de Estudo Definido
A. Estude uma palavra, o mais profundamente que puder. Usando um concordância, procure uma palavra e veja as várias maneiras como é usada na Bíblia. Por exemplo: a palavra coração dá um estudo muito interessante. Podemos notardeztipos de corações. Leia estes versículos e diga os tipos de corações que achar:
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Referência
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Texto
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Tipo de coração
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Mat 5:8
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Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
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Limpo
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Tia 4:8
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Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos,
pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.
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purificado
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Mar 10:5
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E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos
corações vos deixou ele escrito esse mandamento;
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Duro
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Luc 24:25
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E ele lhes disse: O néscios, e tardos de coração para crer tudo
o que os profetas disseram!
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Tardo
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Sal 57:7
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Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu
coração; cantarei, e darei louvores.
|
preparado (para servir e louvar)
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Jer 17:9
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Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso;
quem o conhecerá?
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enganoso
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Jer 20:9
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Então disse eu: Não me lembrarei dele, e não falarei mais no seu
nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus
ossos; e estou fatigado de sofrer, e não posso mais.
|
Ardente
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Eze 18:31
|
Lançai de vós todas as vossas transgressões com que
transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que
razão morreríeis, ó casa de Israel?
|
Novo
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Observação: Acima de tudo, o Espírito Santo será seu professor, você pondo muito tempo, muito esforço, muita oração, e muita submissão no estudo da Palavra. Depois disto, uma boa CONCORDÂNCIA é a melhor coisa que pode usar (se quiser e tiver uns rudimentos de Grego e Hebraico, use uma concordância nestes idiomas, como Strong`s [faz parte da Online Bible], mas isto não é realmente necessário se você tiver uma concordância exaustiva de uma fiel tradução da Palavra de Deus (Textos Massorético + Receptus)). Não dê muito crédito aos “Pais da Igreja” (geralmente foram hereges em muitas áreas!), nem a comentários, nem aos “super-intelectuais”.
B. Estude uma doutrina, o mais profundamente que puder. Descubra
tudo o que puder sobre doutrinas tais como; oração, inspiração, salvação,
santificação e assim por diante.
C. Estude capítulos e livros da Bíblia, o mais intensamente que puder
(seqüencialmente, capítulo por capítulo e verso por verso; Este é o melhor,
mais equilibrado método, que lhe trará maiores benefícios espirituais a você e
à igreja onde você prega ou ensina, é o método que deve ser preferido a maior
parte do tempo). Comece escolhendo um livro curto, tal como Gálatas. Use o
seguinte plano com cada capítulo:
* Descubra a idéia principal do capítulo. Dê ao capítulo um título, usando suas próprias palavras.
* Faça um esboço do capítulo, da maneira que achar que ele se desenvolve em torno da idéia principal.
* Descubra e sublinhe o versículo-chave do capítulo.
* Faça uma lista do que o capítulo ensina sobre CRISTO.
* Faça uma lista das maneiras em que o capítulo se aplica à sua vida.
Como dever de casa, leia o livro de Filipenses e prepare um estudo, usando o plano dado acima. Escreva suas respostas numa folha à parte, uma folha por capítulo.
D. Só use estes 3 métodos. Nunca leia e estude aleatoriamente (“onde a minha mão abrir”), ou só assuntos sensacionalistas, ou só “devocionais água com açúcar”, ou só “para poder defender a fé”, etc. Pior, não deixe de estudar com todo coração; Pior ainda, não deixe de estudar regularmente, a cada dia
MATÉRIA 12-GEOGRAFIA DE
ISRAEL.
A área de Israel, dentro das fronteiras e linhas de cessar-fogo,
inclusive os territórios sob o auto-governo palestino, é de 27.800 km2. Com sua
forma longa e estreita, o país tem cerca de 470 km de comprimento e mede 135 km em seu ponto mais largo. Limita-se com o
Líbano ao norte, a Síria a nordeste, a Jordânia a leste, o Egito a sudoeste e o
Mar Mediterrâneo a oeste.
A distância entre montanhas e planícies, campos férteis e
desertos, pode ser coberta em poucos minutos. A largura do país, entre o Mar
Mediterrâneo a oeste e o Mar Morto, a leste, pode ser cruzada de carro em cerca
de 90 minutos; e a viagem desde Metula, no extremo norte, a Eilat, o ponto mais
meridional, leva umas seis horas.
Aspectos Geográficos Israel pode ser dividido em quatro regiões geográficas: três faixas paralelas que correm de norte a sul e uma vasta zona, quase toda árida, na metade sul do país.
A planície costeira paralela ao Mediterrâneo, é formada por uma
faixa arenosa junto ao mar, flanqueada por terrenos férteis que avançam até 40 km em direção ao interior do país. No
norte, extensões de praia arenosa são às vezes pontuadas por calcário entalhado
e rochedos de arenito. Na planície costeira vive mais da metade dos 5,5 milhões
de habitantes de Israel e nela se situam os principais centros urbanos, portos
para navios de grande calado, a maior parte da indústria do país e grande parte
de sua agricultura e instalações turísticas.
Várias cadeias de montanhas acompanham o comprimento do país. No nordeste encontra-se o Planalto do Golan, com suas rochas de basalto, testemunhas de erupções vulcânicas no passado distante, que se ergue como uma parede íngreme a contemplar o Vale do Hula. As montanhas da Galiléia, em sua maioria compostas de rocha calcárea branda e dolomita, atingem altitudes entre 500 e 1.200 m acima do nível do mar. Pequenos córregos perenes e um índice pluviométrico relativamente elevado mantêm a cor verde da região durante todo o ano. Os habitantes da Galiléia e do Golan, cerca de 17% da população de Israel, trabalham sobretudo em agricultura, atividades turísticas e indústria leve.
O Vale do Jezreel, entre as montanhas da Galiléia e da Samaria, é
a região agrícola mais rica de Israel, cultivado por muitas comunidades cooperativas
(kibutzim e moshavim). As colinas arredondadas da Samaria e Judéia apresentam
um mosaico de cumes rochosos e vales férteis, pontilhados de pomares de velhas
oliveiras verde-prata. As encostas aterraçadas, lavradas por agricultores em
tempos imemoriais, incorporaram-se à paisagem natural. A população se concentra
principalmente em pequenos centros urbanos e grandes aldeias.
O Neguev, que constitui cerca da metade da superfície de Israel, é habitado apenas por 8% da população, concentrada em sua região setentrional. A economia se baseia sobretudo em agricultura e indústria. Mais para o sul, o Neguev se torna uma zona árida, caracterizada por pequenas colinas e planícies de arenito, cortadas por várias gargantas e wadis, nos quais as chuvas hibernais causam freqüentemente súbitas torrentes. Prosseguindo para o sul, a paisagem dá lugar a uma área de cumes rochosos desnudos, crateras, elevados platôs de clima seco e altas montanhas. Três crateras erosivas, a maior das quais com 8 km de largura e 35 km de comprimento, cortam profundamente a crosta terrestre, apresentando rica variedade de cores e tipos de rochas. Na ponta sul do Neguev, próximo a Eilat e ao Mar Vermelho, agudas elevações de granito cinza e vermelho são cortadas por gargantas secas e rochedos íngremes, cujas camadas de arenito resplandecem à luz do sol.
O Vale do Jordão e o Aravá, que acompanham o comprimento do país na fronteira oriental, são parte da Fenda Sírio-Africana, que dividiu a crosta terrestre há milhões de anos. Sua área setentrional é extremamente fértil, ao passo que o sul é semi-árido. Agricultura, pesca, indústria leve e turismo são as principais atividades econômicas da região. O Rio Jordão, que corre de norte a sul através desta fenda, desce mais de 700 m no seu curso de 300 km. Alimentado por regatos que descem do Monte Hermon, ele atravessa o fértil vale do Hula até o Lago Kineret (Mar da Galiléia), continuando a serpentear através do vale do Jordão até desembocar no Mar Morto. Embora se avolume durante a estação chuvosa no inverno, o rio é, de modo geral, estreito e pouco profundo.
O Lago Kineret, aninhado entre as montanhas da Galiléia e o
Planalto do Golan, situa-se a 212 m abaixo do nível do mar, tendo 8 km de largura e 21 km de comprimento. É o maior lago de Israel
e seu principal reservatório de água potável. Ao longo da costa do Kineret há
locais de importância histórica e religiosa, assim como colônias agrícolas,
empresas de pesca e pontos de atração turística.
O Aravá, a savana de Israel, inicia-se ao sul do Mar Morto e se
estende até o Golfo de Eilat. Apesar de suas condições climáticas - um índice
pluviométrico médio de menos de 25 mm e temperaturas que chegam a 40 no verão
- aí são cultivadas frutas e verduras fora da estação, sobretudo para
exportação, graças ao uso de sofisticadas técnicas agrícolas. O Golfo
sub-tropical de Eilat é famoso por suas águas azuis profundas, seus recifes de
coral e a exótica fauna marítima.
O Mar Morto
o ponto mais baixo da Terra, cerca de 400 m abaixo do nível do mar, situa-se ao sul
do Vale do Jordão. Suas águas, que têm o mais alto grau de salinidade e
densidade do mundo, são ricas em potássio, magnésio e bromo, assim como em sal
de cozinha e sais industriais. O ritmo natural de recuo do Mar Morto
acelerou-se nos últimos anos, devido a uma taxa muito alta de evaporação (1,6 m por ano), e a vários projetos de desvio
em alta-escala realizados por Israel e pela Jordânia, para atender às suas
necessidades de água, o que causou a redução de 75% da descarga de água. Em
conseqüência, o nível do Mar Morto baixou em cerca de 10,6 m desde 1960. Um projeto de ligação do Mar
Morto com o Mar Mediterrâneo através de um canal e sistema de tubulação, que
poderá devolver ao Mar Morto suas dimensões e nível naturais, está sendo
considerado.
Clima
O clima de Israel varia do temperado ao tropical, com muito sol.
Há duas estações distintas predominantes: o inverno chuvoso, de novembro a
maio, e um verão seco nos seis outros meses. As chuvas são relativamente
abundantes no norte e centro do país, bem mais raras no norte do Neguev e quase
inexistentes no extremo sul. As condições regionais são bastante variadas, com
verões úmidos e invernos amenos na região costeira; verões secos e invernos
moderadamente frios nas montanhas; verões quentes e secos e invernos agradáveis
no Vale do Jordão; e condições de clima semi-desértico o ano todo no Neguev. A
situação do clima varia desde a neve ocasional nas regiões elevadas, no
inverno, a dias de temperatura extremamente alta, por causa de ventos secos e quentes,
que sopram periodicamente no outono e primavera.
FONTE: //www.mfa.gov.il/MFAPR/ Web Site oficial do Governo de
Israel
MATÉRIA 13-ARQUEOLOGIA BÍBLICA.
A
Natureza e o Propósito da Arqueologia Bíblica.
A palavra arqueologia vem de duas palavras gregas, archaios e logos, que significam literalmente “um estudo das coisas antigas”. No entanto, o termo se aplica, hoje, ao estudo de materiais escavados pertencentes a eras anteriores. A arqueologia bíblica pode ser definida como um exame de artefatos antigos outrora perdidos e hoje recuperados e que se relacionam ao estudo das Escrituras e à caracterização da vida nos tempos bíblicos.
A
arqueologia é basicamente uma ciência. O conhecimento neste campo se obtém pela
observação e estudo sistemáticos, e os fatos descobertos são avaliados e
classificados num conjunto organizado de informações. A arqueologia é também
uma ciência composta, pois busca auxílio em muitas outras ciências, tais como a
química, a antropologia e a zoologia.
Naturalmente,
alguns objetos de investigação arqueológica (tais como obeliscos, tempos
egípcios e o Partenon em Atenas) jamais foram “perdidos”, mas talvez algum
conhecimento de sua forma e/ou propósito originais, bem como o significado de
inscrições neles encontradas, tenha se perdido.
Funções
da Arqueologia Bíblica
A
arqueologia auxilia-nos a compreender a Bíblia. Ela revela como era a vida nos
tempos bíblicos, o que passagens obscuras da Bíblia realmente significam, e
como as narrativas históricas e os contextos bíblicos devem ser entendidos.
A
Arqueoloia também ajuda a confirmar a exatidão de textos bíblicos e o conteúdo
das Escrituras. Ela tem mostrado a falsidade de algumas teorias de
interpretação da Bíblia. Tem auxiliado a estabelecer a exatidão dos originais
gregos e hebraicos e a demonstrar que o texto bíblico foi transmitido com um
alto grau de exatidão. Tem confirmado também a exatidão de muitas passagens das
Escrituras, como, por exemplo, afirmações sobre numerosos reis e toda a
narrativa dos patriarcas.
Não
se deve ser dogmático, todavia, em declarações sobre as confirmações da
arqueologia, pois ela também cria vários problemas para o estudante da Bíblia.
Por exemplo: relatos recuperados na Babilônia e na Suméria descrevendo a
criação e o dilúvio de modo notavelmente semelhante ao relato bíblico deixaram
perplexos os eruditos bíblicos. Há ainda o problema de interpretar o
relacionamento entre os textos recuperados em Ras Shamra (uma localidade na
Síria) e o Código Mosaico. Pode-se, todavia, confiantemente crer que respostas
a tais problemas virão com o tempo. Até o presente não houve um caso sequer em
que a arqueologia tenha demonstrado definitiva e conclusivamente que a Bíblia
estivesse errada!
Por
Que Antigas Cidades e Civilizações Desapareceram
Sabemos
que muitas civilizações e cidades antigas desapareceram como resultado do
julgamento de Deus. A Bíblia está repleta de tais indicações. Algumas
explicações naturais, todavia, também devem ser brevemente observadas.
As
cidades eram geralmente construídas em lugares de fácil defesa, onde houvesse
boa quantidade de água e próximo a rotas comerciais importantes. Tais lugares
eram extremamente raros no Oriente Médio antigo. Assim, se alguma catástrofe
produzisse a destruição de uma cidade, a tendência era reconstruir na mesma
localidade. Uma cidade podia ser amplamente destruída por um terremoto ou por
uma invasão. Fome ou pestes podiam despovoar completamente uma cidade ou
território. Nesta última circunstância, os habitantes poderiam concluir que os
deuses haviam lançado sobre o local uma maldição, ficando assim temerosos de
voltar. Os locais de cidades abandonadas reduziam-se rapidamente a ruínas. E
quando os antigos habitantes voltavam, ou novos moradores chegavam à região, o
hábito normal era simplesmente aplainar as ruínas e construir uma nova cidade.
Formava-se, assim, pequenos morros ou taludes, chamados de tell, com
muitas camadas superpostas de habitação. Às vezes, o suprimento de água se
esgotava, rios mudavam de curso, vias comerciais eram redirecionadas ou os
ventos da política sopravam noutra direção - o que resultava no permanente
abandono de um local.
A
Escavação de um Sítio Arqueológico
O
arqueólogo bíblico pode ser dedicar à escavação de um sítio arqueológico por
várias razões. Se o talude que ele for estudar reconhecidamente cobrir uma
localidade bíblica, ele provavelmente procurará descobrir as camadas de
ocupações relevantes à narrativa bíblica. Ele pode estar procurando uma cidade
que se sabe ter existido mas ainda não foi positivamente identificada. Talvez procure
resolver dúvidas relacionadas à proposta identificação de um sítio
arqueológico. Possivelmente estará procurando informações concernentes a
personagens ou fatos da história bíblica que ajudarão a esclarecer a narrativa
bíblica.
Uma
vez que o escavador tenha escolhido o local de sua busca, e tenha feito os
acordos necessários (incluindo permissões governamentais, financiamento,
equipamento e pessoal), ele estará pronto para começar a operação. Uma
exploração cuidadosa da superfície é normalmente realizada em primeiro lugar,
visando saber o que for possível através de pedaços de cerâmica ou outros
artefatos nela encontrados, verificar se certa configuração de solo denota a
presença dos resto de alguma edificação, ou descobrir algo da história daquele
local. Faz-se, sem seguida, uma mapa do contorno do talude e escolhe-se o setor
(ou setores) a ser (em) escavado (s) durante uma sessão de escavações. Esses
setores são geralmente divididos em subsetores de um metro quadrado para
facilitar a rotulação das descobertas.
A
Arqueologia e o Texto da Bíblia
Embora
a maioria das pessoas pense em grandes monumentos e peças de museu e em grandes
feitos de reis antigos quando se faz menção da arqueologia bíblica, cresce o
conhecimento de que inscrições e manuscritos também têm uma importante
contribuição ao estudo da Bíblia. Embora no passado a maior parte do trabalho
arqueológico estivesse voltada para a história bíblica, hoje ela se volta
crescentemente para o texto da Bíblia.
O
estudo intensivo de mais de 3.000 manuscritos do N.T. grego, datados do segundo
século da era cristão em diante, tem demonstrado que o N.T. foi notavelmente
bem preservado em sua transmissão desde o terceiro século até agora. Nem uma
doutrina foi pervertida. Westcott e Hort concluíram que apenas uma palavra
em cada mil do N.T. em grego possui uma dúvida quanto à sua genuinidade.
Uma
coisa é provar que o texto do N.T. foi notavelmente preservado a partir do
segundo e terceiro séculos; coisa bem diferente é demonstrar que os evangelhos,
por exemplo, não evoluíram até sua forma presente ao longo dos primeiros
séculos da era cristã, ou que Cristo não foi gradativamente divinizado pela
lenda cristã. Na virada do século XX uma nova ciência surgiu e ajudou a provar
que nem os Evangelhos e nem a visão cristã de Cristo sofreram evoluções até
chegarem à sua forma atual. B. P. Grenfell e A. S. Hunt realizaram escavações
no distrito de Fayun, no Egito (1896-1906), e descobriram grandes quantidades
de papiros, dando início à ciência da papirologia.
Os
papiros, escritos numa espécie de papel grosseiro feito com as fibras de juncos
do Egito, incluíam uma grande variedade de tópicos apresentados em várias
línguas. O número de fragmentos de manuscritos que contêm porções do N.T. chega
hoje a 77 papiros. Esses fragmentos ajudam a confirmar o texto feral encontrado
nos manuscritos maiores, feitos de pergaminho, datados do quarto século em
diante, ajudando assim a forma uma ponte mais confiável entre os manuscritos
mais recentes e os originais.
O
impacto da papirologia sobre os estudos bíblicos foi fenomenal. Muitos desses
papiros datam dos primeiros três séculos da era cristã. Assim, é possível
estabelecer o desenvolvimento da gramática nesse período, e, com base no
argumento da gramática histórica, datar a composição dos livros do N.T. no
primeiro século da era cristã. Na verdade, um fragmento do Evangelho de João
encontrado no Egito pode ser paleograficamente datado de aproximadamente 125
AD! Descontado um certo tempo para o livro entrar em circulação, deve-se atribuir
ao quarto Evangelho uma data próxima do fim do primeiro século - é exatamente
isso que a tradição cristã conservadora tem atribuído a ele. Ninguém duvida que
os outros três Evangelhos são um pouco anteriores ao de João. Se os livros do
N.T. foram produzidos durante o primeiro século, foram escrito bem próximo dos
eventos que registram e não houve tempo de ocorrer qualquer desenvolvimento
evolutivo.
Todavia,
a contribuição dessa massa de papiros de todo tipo não pára aí. Eles demonstram
que o grego do N.T. não era um tipo de linguagem inventada pelos seus autores,
como se pensava antes. Ao contrário, era, de modo geral, a língua do povo dos
primeiros séculos da era cristã. Menos de 50 palavras em todo o N.T. foram
cunhadas pelo apóstolos. Além disso, os papiros demonstraram que a gramática do
N.T. grego era de boa qualidade, se julgada pelos padrões gramaticais do
primeiro século, não pelos do período clássico da língua grega. Além do mais,
os papiros gregos não-bíblicos ajudaram a esclarecer o significado de palavras
bíblicas cujas compreensão ainda era duvidosa, e lançaram nova luz sobre outras
que já eram bem entendidas.
Até
recentemente, o manuscrito hebraico do A.T. de tamanho considerável mais antigo
era datado aproximadamente do ano 900 da era cristã, e o A.T. completo era
cerca de um século mais recente. Então, no outono de 1948, os mundos religioso
e acadêmico foram sacudidos com o anúncio de que um antigo manuscrito de Isaías
fora encontrado numa caverna próxima à extremidade noroeste do mar Morto. Desde
então um total de 11 cavernas da região têm cedido ao mundo os seus tesouros de
rolos e fragmentos. Dezenas de milhares de fragmentos de couro e alguns de
papiro forma ali recuperado. Embora a maior parte do material seja
extrabíblico, cerva de cem manuscritos (em sua maioria parciais) contêm porções
das Escrituras. Até aqui, todos os livros do A.T., exceto Éster, estão
representados nas descobertas. Como se poderia esperar, fragmentos dos livros
mais freqüentemente citados no N.T. também são mais comuns em Qumran (o local
das descobertas). Esses livros são Deuteronômio, Isaías e Salmos. Os rolos de
livros bíblicos que ficaram melhor preservados e têm maior extensão são dois de
Isaías, um de Salmos e um de Levítico.
O significado dos Manuscritos do
Mar Morto é tremendo. Eles fizeram recuar em mais de mil anos a história do
texto do A.T. (depois de muito debate, a data dos manuscritos de Qumran foi
estabelecida como os primeiros séculos AC e AD). Eles oferecem abundante
material crítico para pesquisa no A.T., comparável ao de que já dispunham há
muito tempo os estudiosos do N.T. Além disso, os Manuscritos do Mar Morto
oferecem um referencial mais adequado para o N.T., demonstrando, por exemplo,
que o Evangelho de João foi escrito dentro de um contexto essencialmente
judaico, e não grego, como era freqüentemente postulado pelos estudiosos. E
ainda, ajudaram a confirma a exatidão do texto do A.T. A Septuaginta,
comprovaram os Manuscritos do Mar Morto, é bem mais exata do que comumente se
pensa. Por fim, os rolos de Qumran nos ofereceram novo material para auxiliar
na determinação do sentido de certas palavras hebraicas.Adaptado do Artigo “Archeology” de Howard F. Vos, publicado no Wycliffe Bible Commentary
MATÉRIA 14-SEITAS E
HERESIAS.
Conceito: Uma seita é qualquer grupo que se afasta do ensino da
Palavra de Deus para divulgar suas próprias idéias religiosas.
Algumas Características Comum nas Seitas : Jesus não é o centro
das atenções.
Normalmente as seitas possuem outros deuses ou profetas e acabam
colocando Cristo em segundo plano. Tem outras fontes doutrinárias além da
Bíblia e crêem apenas em partes da Bíblia; consideram inspirados os escritos
dos seus fundadores e os colocam no mesmo nível da Bíblia. * Dizem serem os
únicos certos.
Geralmente ensinam o homem a desenvolver sua própria salvação.
"HERESIAS E SEITAS"
O mesmo espírito religioso que está por detrás de cultos como o
islamismo, o animismo (adoração de espíritos, englobando todas as formas de
umbanda), o espiritismo e outras manifestações religiosas, está também por
detrás de todas as seitas e heresias que surgiram no meio da Igreja no decorrer
da história. Na verdade, o diabo é especialista em variar suas armas no ataque
contra a Igreja.
A diferença entre o paganismo e o cristianismo é fácil de ser
detectada, mas o mesmo não acontece entre o cristianismo verdadeiro e alguns
movimentos heréticos. Nosso interesse aqui não é formar um painel acerca das
religiões que atuam ou atuaram no mundo, mas analisar principalmente algumas
heresias e seitas que surgiram no meio da Igreja. Para isso, precisamos
compreender primeiramente a diferença entre "heresia" e
"seita".
HERESIA
A palavra "heresia" vem do termo grego
"hairesis". Essa palavra é empregada no Novo Testamento com dois sentidos
principais: (1) seita, no sentido de facção ou partido, um corpo de partidários
de determinadas doutrinas (veja At 5:17; 15:5; 24:5; 26:5; 28:22); e (2)
opinião contrária à doutrina prevalecente, de cujo ponto de vista é considerada
heresia (veja 2 Pe 2:1). 1 Co 11:19; Gl 5:20
Nestes dois textos, o termo haireseis procura definir a atividade
facciosa ou partidária. No primeiro, o sentido negativo do termo
"partidos" é esclarecido pelo contexto: os aprovados são aqueles que
não tomam parte nos "partidos".No segundo, é traduzido como
"facções".
SEITA
Podemos compreender melhor o que são seitas se, em primeiro lugar,
verificarmos qual a diferença entre "seita" e "heresia".
"Por definição, um herege é um cristão professo que está
errado com relação a alguma verdade particular, ao passo que o ponto essencial
quanto às seitas é que elas absolutamente não são cristãs, e sim contrafações
do cristianismo.
"Em seu sentido mais genérico, seita é "devoção a uma
pessoa ou coisa particular, dedicada por uma corporação de adeptos".
Esta definição está na raiz de termos como "sectarismo",
e por esse ângulo tanto um partido político como uma torcida organizada de
futebol poderiam ser classificados como "seita".
Em nosso estudo, no entanto, estamos interessados em estudá-las de
uma perspectiva cristã e, nesse prisma, as seitas aparecem invariavelmente como
falsificações da fé cristã. Podemos dizer que as seitas, em sua maior parte,
são o produto final das heresias, ou seja, o resultado da fermentação herética na
massa da igreja.
Nem toda heresia culmina na formação de uma seita, mas toda seita
possui em seu sistema elementos heréticos.
PRINCIPAIS SEITAS E RELIGIÕES
BUDISMO - Sidarta Gautama
O Príncipe Gautama, também conhecido como BUDA, fundou o "Budismo"por volta do séc. V a.C. Diz a tradição que seu nascimento ocorreu por volta de 560 a.C. e o mesmo foi concebido com 40 dentes dizendo "Sou Senhor do Mundo"; e que seu pai, o Rei Suddhodana da Índia, queria evitar que o filho tivesse contato com o sofrimento do Mundo, o isolando no Castelo, até que ele saiu.
CONFUCIONISMO - K'Ong Fu-Tse (Confúcio)
Nasceu em Lu, na China, por volta do séc. V a.C. Disse ter obtido a Graça Celeste pois sua mãe quando gestante peregrinou à montanha Ni-Kieou, onde a vegetação se abriu e ela encontrou os 05 elementos, a saber: madeira, fogo, terra, metal, água; considerados popularmente como os responsáveis pela vida terrena; e encontrou também um unicórnio. Confúcio tentou anos chegar ao poder. Era sempre ouvido mas nunca conseguia.
TAOÍSMO - Lao-Tse
Nasceu na China, na província de Honan; segundo a tradição chinesa, veio com o nome de Li Erh (Lao-Tse significa "velho filósofo") por volta de 604 a.C.; "Tao" significa "caminho". Consta a História que ele encontrou seu contemporâneo Confúcio e o repreendeu por sua vaidade e ambição. Lao-Tse criou o Tao Teh-King, que é a "Bíblia"dos taoístas.
ISLAMISMO - Abulgasin Mohammad (Maomé)
Fundado por Maomé na antiga Arábia Saudita, um órfão que nasceu por volta de 570 d.C.; se casou com uma viúva rica de mais ou menos 20 anos mais velha. Inspirou o Corão (ou Alcorão), considerado a "Bíblia" dos maometanos. Este por sua vez, preserva boa parte do Livro de Gênesis da Bíblia Cristã, e, na verdade, é uma mescla de zoroastrismo, judaísmo, budismo, confucionismo e até porções do Novo Testamento. Os maometanos são descendentes de Ismael, filho de Abraão com a criada Agar.
RASACRUCIONISMO - Desconhecido
Um desconhecido que percorreu a Europa em 1597 d.C. com o intuito de criar uma sociedade às pesquisas de Alquimia, Pouco se sabe sobre ele, mas lhe atribuem o livro "A REFORMA GERAL DO MUNDO" publicado em 1614 d.C. que tem como personagem principal Christian Resenkreutz. O livro conta que ele foi enviado a um mosteiro. Um monge o leva à Terra Santa onde morreu na ilha de Chipre. Christan foi para Arábia e Egito e após para Europa. Com os conhecimentos das peregrinações, reuniu a ordem e morreu aos 150, porque quis!...
MAÇONARIA - Mescla de ritos populares e de denominações distintas iniciado na Inglaterra por volta de 1717 d.C.; Seus contribuintes foram anglicanos, huguenotes, pedreiros livres e pessoas insatisfeitas. O mistério é a base da crença, que mantém um sistema de auto-ajuda aos afiliados em troca de "outras" coisas.
HINDUÍSMO - Mescla de Ritos Populares iniciados no Japão, século VI a.C.
XINTOÍSMO - Mescla de Ritos Populares iniciados na Índia entre 2000 e 1500 a.C.
ESPIRITISMO - Hipolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foi em 1848 [ano], em Hydevislle, EUA, que as irmãs Margaret e Kate Fox afirmaram ver as mesas girando, e ouvir pancadas na casa em que moravam... Faziam perguntas e estas eram respondidas mediante estalidos de dedos. O Sr. Rivail, médico e professor francês, nascido em 1804 lançou a "Bíblia" dos espíritas "O Livro dos Espíritos" em 1857; tornou-se médium. Organizou em Paris a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Adotou o nome de Allan Kardec, alegando ser este o seu nome na outra encarnação. Morreu em 1869 arrependendo-se publicamente por ter escrito tal livro. No Brasil, eis alguns de seus seguidores desfarçados: Legião da Boa Vontade, Ordem Rosacruz, Racionalismo Cristão, Cultura Racional, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, etc.
VODU - Mescla de ritos africanos focado nas Antilhas que em 1803 d.C. foram levados em massa aos EUA onde teve uma certa Organização. Muito semelhante a Macumba e em certas seções há o assassinato de um indivíduo . Diz a crença que Vodu (ou Zumbi) era um deus que dominava à noite e protegia seus adeptos.
BAHAÍSMO - Mirzá Husayn Alí Nuri
Também conhecido como Baha Allah (Glória de DEUS), tal religião foi instituída pelo seu filho Sir Abdul-Bahá em 1894 d.C.; Na verdade, foi uma invenção islâmica de us dissidentes que queriam modificar pontos no Corão. Tais dissidentes eram liderados por Ali Muhammad que se denominava "A Porta" e muitos seguidores desta seita o consideravam uma espécie de "João Batista" para Baha Allah.
MORMONISMO - Joseph Smith Jr.
Nasceu em 1805 d.C. em Vermont/EUA. Influenciado por um livro fictício do Pastor Presbiteriano aposentado Salomão Spaulding que dizia que CRISTO após crucificação foi pregar onde é hoje os EUA e após afirmar que DEUS e CRISTO apareceram a ele dizendo para não ir a denominação nenhuma pois estavam todas corrompidas, publicou "O Livro dos Mórmons" ( a "Bíblia" deles) em 1830 d.C. que junto a "Um Livro de Mandamentos", forma a base da doutrina mórmom, também conhecida como Igreja de Jesus Cristo aos Santos dos Últimos Dias. Mudou-se para o Estado de Illinois onde adotou a poligamia, causando um cisma na seita (Smith teve 24 esposas e 44 filhos) e depois de vários problemas com a polícia, ele e o irmão Hiram Smith foram mortos a tiros por uma multidão enfurecida em 1844.
ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA - Guilherme Miller
Nos EUA, um fazendeiro, Batista, arrumou licença para pregar, embora tenha muita vontade, era ignorante e pouco instruído. Miller tomou Daniel 08:13-14 e ensinou daí que as 2300 tardes e 2300 noites são 2300 anos. Somou com o ano 457 a.C., data que Esdras chegou a Jerusalém e encontrou o ano 1843 d.C., o ano que segundo ele, CRISTO voltaria. Daí o título "Adventista", pelo grande ADVENTO. Passou o ano e nada aconteceu; Miller alegou erro ao usar o calendário hebraico em vez do romano. Remarcou para 22 de outubro de 1844. Nova decepção! Teve de fugir para sua fezenda, abandonou a "nova religião" e até pediu reconciliação aos Batistas. Apesar de tudo, seus seguidores continuaram, e a Sr. Hellen G White, que se tornou a nova prefetiza dos sabatistas, disse ter uma visão onde contemplava a Arca no Céu na qual ela viu as Tábuas dos Dez Mandamentos, sendo que na visão, o 4º Mandamento destacava-se dos demais; daí o "Sétimo Dia", formando Adventista do Sétimo Dia.
TESTEMIUNHAS DE JEOVÁ - Charles Taze Russel
Nascido em 1853 nos EUA, foi criado na Igreja Presbiteriana, passou para Congregacional e depois ingressou na Adventista, saindo logo depois. Em 1872, Russel conseguiu reunir um grupo de discípulos sem qualquer título e se auto-denominou Pastor. Usam a Bíblia para atrair leigos mas possuem a sua própria "Bíblia", adulterada. Afirmam ser a única Igreja certa e que CRISTO é apenas um dos Deuses!? Por isso, até Hitler os perseguiu na 2ª Guerra pela Europa.
CIÊNCIA CRISTÃ - Mary Baker Eddy
Nascida em 1821 nos EUA, quando jovem pertencia a Igreja Congregacional. Fundou a Igreja de Cristo Cientista (Eddyismo) que de ciência e de CRISTO não tem nada. Foi esta mulher influenciada por um relojoeiro que se dizia doutor, de nome Quimby, que era dado as práticas de ocultismo, psiquismo, espiritualismo.
TEOSOFIA - Helena Blavatsky
Mescla de religiões pagãs do Oriente, a Sra. Helena, de origem russa e descendente alemã, nasceu em 1831 e aos 17 anos casou-se com o General Czarista Blavatsky. Abandonando-o 03 meses após, era uma mulher explosiva. Tornou-se médium espírita e em suas andanças pelo mundo, teve contato com diversas religiões místicas. Subdividem a humanidade em 03 raças e 05 sub-raças e dizem que CRISTO está na 5º sub-raça.
PERFECT LIBERT (PL) - Tokoharu Miki
Uma imitação do Budismo. O Sr. Miki desde os 08 anos estava num monastério de Budismo no Japão. Aos 41 anos. Depois de diversas vezes tentando fundar a seita, conheceu mestre Kanada, que detinha 18 preceitos, somando a 03 de Miki formaram a base da religião, que se desfez em 1936 por desentendimentos internos. 02 anos após, Miki morre. Toruchira Miki, filho de Tokoharu, em 1946, pegando os 21 preceitos, resolveu ressucitar a seita.
IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL - Mokiti Okada
Okada nasceu no Japão e hoje é chamado de Meishu-Sama (Senhor da Luz). Embora os messiânicos existirem a mais tempo, somente em 1947a IMM foi reconhecida e oficializada pelo governo japonês. De Messias tal seita não tem nada! Não há qualquer referência do Senhor Jesus Cristo, nem do Espírito Santo, nem de nada vezes nada. Quando falam de DEUS, se referem a Meishu-Sama.
SEICHO-NO-IE - Masaharu Tanigushi
Após ter escrito o livro "Crítica a DEUS", onde Judas é o herói, Tanigushi, que nasceu em Kobe, no Japão, escreveu Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito), que com seu 1º número publicado em 1930, deu início a seita, afirmando ser Movimento de Iluminação da Humanidade. Afirmam que os ensinamentos de CRISTO na Judéia, Buda na Índia e o xintoísmo no Japão são manifestações do deus absoluto Amenominakanushi.
HARE KRISHNA - Krishna
Ramo do hinduísmo. No século I d.C., na Índia, o jovem Krishna, um condutor de carroças, declara-se encarnação do deus Brahma, até então um deus impessoal. Daí por diante, vários gurus dizem ser reencarnações de Krishna. Afirmam ser Krishna a "Suprema Personalidade de DEUS". Atuam pelo mundo, principalmente junto aos jovens, induzindo-os a largar a família e a sociedade, ter seus nomes trocados por termos hindus e passar a morar em galpões junto a outros adeptos.
MENINOS DE DEUS - David Brandt Berg
Fundada em 1970 por Berg, um evangelista da Aliança Cristã e Missionária nos EUA. Ele se dizia ter recebido de DEUS uma missão diferente e em 1968 iniciou entre hippies e viciados o seu trabalho. Sexo livre, ignorância bíblica, uma religião que "vale tudo". Seu slogan é "Todas as coisas são puras para os puros".
MOON - IGREJA DA UNIFICAÇÃO - Sun Myung Moon
Fundada na Coréia em 1954 por Moon, um milionário que nasceu na Coréia do Norte em 1920, de pais Presbiterianos. Tem a família como argumento e explicam: Adão e Eva falharam por causa do pecado; CRISTO e Maria Madalena por causa da morte de CRISTO antes do casar; agora está sendo levantada por Moon e sua esposa. Com isso, passam "por cima" de CRISTO e todos os ensinamentos da Bíblia.
O Príncipe Gautama, também conhecido como BUDA, fundou o "Budismo"por volta do séc. V a.C. Diz a tradição que seu nascimento ocorreu por volta de 560 a.C. e o mesmo foi concebido com 40 dentes dizendo "Sou Senhor do Mundo"; e que seu pai, o Rei Suddhodana da Índia, queria evitar que o filho tivesse contato com o sofrimento do Mundo, o isolando no Castelo, até que ele saiu.
CONFUCIONISMO - K'Ong Fu-Tse (Confúcio)
Nasceu em Lu, na China, por volta do séc. V a.C. Disse ter obtido a Graça Celeste pois sua mãe quando gestante peregrinou à montanha Ni-Kieou, onde a vegetação se abriu e ela encontrou os 05 elementos, a saber: madeira, fogo, terra, metal, água; considerados popularmente como os responsáveis pela vida terrena; e encontrou também um unicórnio. Confúcio tentou anos chegar ao poder. Era sempre ouvido mas nunca conseguia.
TAOÍSMO - Lao-Tse
Nasceu na China, na província de Honan; segundo a tradição chinesa, veio com o nome de Li Erh (Lao-Tse significa "velho filósofo") por volta de 604 a.C.; "Tao" significa "caminho". Consta a História que ele encontrou seu contemporâneo Confúcio e o repreendeu por sua vaidade e ambição. Lao-Tse criou o Tao Teh-King, que é a "Bíblia"dos taoístas.
ISLAMISMO - Abulgasin Mohammad (Maomé)
Fundado por Maomé na antiga Arábia Saudita, um órfão que nasceu por volta de 570 d.C.; se casou com uma viúva rica de mais ou menos 20 anos mais velha. Inspirou o Corão (ou Alcorão), considerado a "Bíblia" dos maometanos. Este por sua vez, preserva boa parte do Livro de Gênesis da Bíblia Cristã, e, na verdade, é uma mescla de zoroastrismo, judaísmo, budismo, confucionismo e até porções do Novo Testamento. Os maometanos são descendentes de Ismael, filho de Abraão com a criada Agar.
RASACRUCIONISMO - Desconhecido
Um desconhecido que percorreu a Europa em 1597 d.C. com o intuito de criar uma sociedade às pesquisas de Alquimia, Pouco se sabe sobre ele, mas lhe atribuem o livro "A REFORMA GERAL DO MUNDO" publicado em 1614 d.C. que tem como personagem principal Christian Resenkreutz. O livro conta que ele foi enviado a um mosteiro. Um monge o leva à Terra Santa onde morreu na ilha de Chipre. Christan foi para Arábia e Egito e após para Europa. Com os conhecimentos das peregrinações, reuniu a ordem e morreu aos 150, porque quis!...
MAÇONARIA - Mescla de ritos populares e de denominações distintas iniciado na Inglaterra por volta de 1717 d.C.; Seus contribuintes foram anglicanos, huguenotes, pedreiros livres e pessoas insatisfeitas. O mistério é a base da crença, que mantém um sistema de auto-ajuda aos afiliados em troca de "outras" coisas.
HINDUÍSMO - Mescla de Ritos Populares iniciados no Japão, século VI a.C.
XINTOÍSMO - Mescla de Ritos Populares iniciados na Índia entre 2000 e 1500 a.C.
ESPIRITISMO - Hipolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foi em 1848 [ano], em Hydevislle, EUA, que as irmãs Margaret e Kate Fox afirmaram ver as mesas girando, e ouvir pancadas na casa em que moravam... Faziam perguntas e estas eram respondidas mediante estalidos de dedos. O Sr. Rivail, médico e professor francês, nascido em 1804 lançou a "Bíblia" dos espíritas "O Livro dos Espíritos" em 1857; tornou-se médium. Organizou em Paris a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Adotou o nome de Allan Kardec, alegando ser este o seu nome na outra encarnação. Morreu em 1869 arrependendo-se publicamente por ter escrito tal livro. No Brasil, eis alguns de seus seguidores desfarçados: Legião da Boa Vontade, Ordem Rosacruz, Racionalismo Cristão, Cultura Racional, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, etc.
VODU - Mescla de ritos africanos focado nas Antilhas que em 1803 d.C. foram levados em massa aos EUA onde teve uma certa Organização. Muito semelhante a Macumba e em certas seções há o assassinato de um indivíduo . Diz a crença que Vodu (ou Zumbi) era um deus que dominava à noite e protegia seus adeptos.
BAHAÍSMO - Mirzá Husayn Alí Nuri
Também conhecido como Baha Allah (Glória de DEUS), tal religião foi instituída pelo seu filho Sir Abdul-Bahá em 1894 d.C.; Na verdade, foi uma invenção islâmica de us dissidentes que queriam modificar pontos no Corão. Tais dissidentes eram liderados por Ali Muhammad que se denominava "A Porta" e muitos seguidores desta seita o consideravam uma espécie de "João Batista" para Baha Allah.
MORMONISMO - Joseph Smith Jr.
Nasceu em 1805 d.C. em Vermont/EUA. Influenciado por um livro fictício do Pastor Presbiteriano aposentado Salomão Spaulding que dizia que CRISTO após crucificação foi pregar onde é hoje os EUA e após afirmar que DEUS e CRISTO apareceram a ele dizendo para não ir a denominação nenhuma pois estavam todas corrompidas, publicou "O Livro dos Mórmons" ( a "Bíblia" deles) em 1830 d.C. que junto a "Um Livro de Mandamentos", forma a base da doutrina mórmom, também conhecida como Igreja de Jesus Cristo aos Santos dos Últimos Dias. Mudou-se para o Estado de Illinois onde adotou a poligamia, causando um cisma na seita (Smith teve 24 esposas e 44 filhos) e depois de vários problemas com a polícia, ele e o irmão Hiram Smith foram mortos a tiros por uma multidão enfurecida em 1844.
ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA - Guilherme Miller
Nos EUA, um fazendeiro, Batista, arrumou licença para pregar, embora tenha muita vontade, era ignorante e pouco instruído. Miller tomou Daniel 08:13-14 e ensinou daí que as 2300 tardes e 2300 noites são 2300 anos. Somou com o ano 457 a.C., data que Esdras chegou a Jerusalém e encontrou o ano 1843 d.C., o ano que segundo ele, CRISTO voltaria. Daí o título "Adventista", pelo grande ADVENTO. Passou o ano e nada aconteceu; Miller alegou erro ao usar o calendário hebraico em vez do romano. Remarcou para 22 de outubro de 1844. Nova decepção! Teve de fugir para sua fezenda, abandonou a "nova religião" e até pediu reconciliação aos Batistas. Apesar de tudo, seus seguidores continuaram, e a Sr. Hellen G White, que se tornou a nova prefetiza dos sabatistas, disse ter uma visão onde contemplava a Arca no Céu na qual ela viu as Tábuas dos Dez Mandamentos, sendo que na visão, o 4º Mandamento destacava-se dos demais; daí o "Sétimo Dia", formando Adventista do Sétimo Dia.
TESTEMIUNHAS DE JEOVÁ - Charles Taze Russel
Nascido em 1853 nos EUA, foi criado na Igreja Presbiteriana, passou para Congregacional e depois ingressou na Adventista, saindo logo depois. Em 1872, Russel conseguiu reunir um grupo de discípulos sem qualquer título e se auto-denominou Pastor. Usam a Bíblia para atrair leigos mas possuem a sua própria "Bíblia", adulterada. Afirmam ser a única Igreja certa e que CRISTO é apenas um dos Deuses!? Por isso, até Hitler os perseguiu na 2ª Guerra pela Europa.
CIÊNCIA CRISTÃ - Mary Baker Eddy
Nascida em 1821 nos EUA, quando jovem pertencia a Igreja Congregacional. Fundou a Igreja de Cristo Cientista (Eddyismo) que de ciência e de CRISTO não tem nada. Foi esta mulher influenciada por um relojoeiro que se dizia doutor, de nome Quimby, que era dado as práticas de ocultismo, psiquismo, espiritualismo.
TEOSOFIA - Helena Blavatsky
Mescla de religiões pagãs do Oriente, a Sra. Helena, de origem russa e descendente alemã, nasceu em 1831 e aos 17 anos casou-se com o General Czarista Blavatsky. Abandonando-o 03 meses após, era uma mulher explosiva. Tornou-se médium espírita e em suas andanças pelo mundo, teve contato com diversas religiões místicas. Subdividem a humanidade em 03 raças e 05 sub-raças e dizem que CRISTO está na 5º sub-raça.
PERFECT LIBERT (PL) - Tokoharu Miki
Uma imitação do Budismo. O Sr. Miki desde os 08 anos estava num monastério de Budismo no Japão. Aos 41 anos. Depois de diversas vezes tentando fundar a seita, conheceu mestre Kanada, que detinha 18 preceitos, somando a 03 de Miki formaram a base da religião, que se desfez em 1936 por desentendimentos internos. 02 anos após, Miki morre. Toruchira Miki, filho de Tokoharu, em 1946, pegando os 21 preceitos, resolveu ressucitar a seita.
IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL - Mokiti Okada
Okada nasceu no Japão e hoje é chamado de Meishu-Sama (Senhor da Luz). Embora os messiânicos existirem a mais tempo, somente em 1947a IMM foi reconhecida e oficializada pelo governo japonês. De Messias tal seita não tem nada! Não há qualquer referência do Senhor Jesus Cristo, nem do Espírito Santo, nem de nada vezes nada. Quando falam de DEUS, se referem a Meishu-Sama.
SEICHO-NO-IE - Masaharu Tanigushi
Após ter escrito o livro "Crítica a DEUS", onde Judas é o herói, Tanigushi, que nasceu em Kobe, no Japão, escreveu Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito), que com seu 1º número publicado em 1930, deu início a seita, afirmando ser Movimento de Iluminação da Humanidade. Afirmam que os ensinamentos de CRISTO na Judéia, Buda na Índia e o xintoísmo no Japão são manifestações do deus absoluto Amenominakanushi.
HARE KRISHNA - Krishna
Ramo do hinduísmo. No século I d.C., na Índia, o jovem Krishna, um condutor de carroças, declara-se encarnação do deus Brahma, até então um deus impessoal. Daí por diante, vários gurus dizem ser reencarnações de Krishna. Afirmam ser Krishna a "Suprema Personalidade de DEUS". Atuam pelo mundo, principalmente junto aos jovens, induzindo-os a largar a família e a sociedade, ter seus nomes trocados por termos hindus e passar a morar em galpões junto a outros adeptos.
MENINOS DE DEUS - David Brandt Berg
Fundada em 1970 por Berg, um evangelista da Aliança Cristã e Missionária nos EUA. Ele se dizia ter recebido de DEUS uma missão diferente e em 1968 iniciou entre hippies e viciados o seu trabalho. Sexo livre, ignorância bíblica, uma religião que "vale tudo". Seu slogan é "Todas as coisas são puras para os puros".
MOON - IGREJA DA UNIFICAÇÃO - Sun Myung Moon
Fundada na Coréia em 1954 por Moon, um milionário que nasceu na Coréia do Norte em 1920, de pais Presbiterianos. Tem a família como argumento e explicam: Adão e Eva falharam por causa do pecado; CRISTO e Maria Madalena por causa da morte de CRISTO antes do casar; agora está sendo levantada por Moon e sua esposa. Com isso, passam "por cima" de CRISTO e todos os ensinamentos da Bíblia.
MATÉRIA 15-O CULTO BÍBLICO.
INTRODUÇÃO
Muitas vezes, as pessoas se perguntam por quê existem. Para quê
fomos criados? A Bíblia nos mostra que existimos para o louvor e glória de
Deus. Sendo este um fato espiritual, é natural concluirmos que o culto está
vinculado à nossa natureza. Nascemos com um "instinto cultual". Tal
afirmativa é endossada pelos historiadores, antropólogos e arqueólogos. Em
todas as civilizações de todos os tempos, encontra-se presente o fenômeno
chamado "culto". O culto é a expressão da fé. É o tributo de honra,
louvor e serviço àquele que se venera. Quem é "aquele" ? Bem... nesse
ponto as civilizações não se entendem. Os alvos do culto humano têm sido os
mais diversos possíveis. Há quem adore o sol, a lua, as estrelas, os rios, os
animais. Outros veneram o seu semelhante, vivo ou morto, ou imagens de sua
própria criação. Mais longe vão os que espiritualizam o culto : adoram
espíritos que são identificados por centenas ou milhares de nomes. Em muitos
povos foi constatada também a adoração a um "ser supremo", criador de
todas as coisas. Provavelmente, tais pessoas tiveram algum tipo de experiência
espiritual genuína. Entretanto, é através do povo de Israel que o criador se
apresentou à humanidade. Jesus disse : "Vós adorais o que não sabeis. Nós
adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus". (João 4:22).
Aleluia ! Aí está aquele que deve ser o alvo de culto de todo ser humano: o
Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Os judeus são o nosso ponto de referência
religiosa na história. Portanto, convém que nos dediquemos a conhecer aspectos
do seu culto que nos serão de grande utilidade no entendimento de nossas
práticas atuais.
Enquanto muitos se perdem em cultos vãos, adorando ao que não se
deve, a Bíblia nos mostra que Deus está à procura de verdadeiros adoradores.
Antes de buscar pregadores, intercessores, evangelistas, etc, o Senhor procura
pessoas que se dediquem a cultuá-lo. O culto a Deus está fundamentado no
conhecimento que se tem dele. À medida em que o conhecemos, o adoramos. O
verdadeiro culto é um relacionamento purificador e transformador com o Pai, o
Filho e o Espírito Santo.
Que o Senhor nos ajude a encontrar as diretrizes do culto que o
agrada. Esta questão é a principal. Normalmente, temos o hábito de fazer
avaliações dos cultos em que participamos. Depois dizemos : "Não gostei do
culto hoje", ou , "fiquei muito satisfeito com o culto". Falamos
como se o culto fosse dirigido a nós. Deus nos livre de usurparmos a glória que
lhe é devida. Que ele nos abençoe e que possamos ser encontrados como aqueles
que adoram ao Pai em espírito e em verdade.
A ESSÊNCIA DO CULTO BÍBLICO
Haverá, em meio às múltiplas maneiras de cultuar, um sine qua non
na adoração, um elemento que seja imprescindível? Cremos firmemente que há.
Jesus reafirmou o que Moisés, no Antigo Testamento, deixou claro: o primeiro
mandamento exige um amor a Deus, sem limites (Dt.6:4,5). Séculos depois que
Deuteronômio foi escrito, um intérprete da lei levantou esta pergunta para
Jesus: "Qual é o grande mandamento da lei?" Respondeu o Mestre:
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de
todo o teu entendimento"(Mt. 22:36-37). No texto original de Deuteronômio,
encontramos a palavra "força" em lugar de "entendimento". O
texto de Marcos (12:30) transcreve ambos, "entendimento" e
"força", na resposta de Jesus. O cristão, cuja mente e coração estão
voltados para o Criador e Pai Eterno, percebe nestas palavras de Jesus um
verdadeiro desafio, pois nelas estão a raiz, o tronco e o fruto da adoração.
Sem o incentivo do amor por Deus, o culto não passa de palha, pura
"casca", isento de qualquer valor. Pode até se tornar em culto a
Satanás. Uma adoração que se realiza sem o objetivo de expressar e aumentar
nosso amor por aquele "de quem, e por meio de quem e para quem, são todas
as coisas" (Rm.11:36), falha completamente. Deixa de ser culto a Deus,
pois carece da essência, que é o amor.
Ora, quando se trata de amor por pessoas amigas ou entes queridos
da família, não encontramos dificuldades em atender o sentido de amar. Mas,
como se há de amar a Deus, a quem "ninguém jamais viu"? (Jo.1:18)
Como havemos de colocar o Senhor no centro de nossas ambições? Ou, como
nutriremos a amizade que venhamos a oferecer a Deus, sendo nós pecadores,
enquanto Ele é Espírito infinito e mora em luz inacessível? Como faremos de
Deus o "Senhor absoluto" de nossa existência? Os cristãos, reunidos
em adoração a Deus, devem ter este objetivo como prioritário.
Culto verdadeiro requer amor de todo o coração
Para o hebreu, o coração, no sentido metafórico, representava o
centro da vida intelectual e espiritual. Associando-se de perto com a alma, o
leitor original de Deuteronômio teria pensado em seus sentimentos, suas
avaliações, sua vontade, todos emanando do coração. Esta realidade pessoal
emite emoções tais como alegria, pesar, tranqüilidade e ansiedade. Igualmente
alcança as áreas intelectuais tais como compreensão e conhecimento, e exerce o
poder de raciocinar ou lembrar. Diríamos, enfim, que coração e alma representam
o homem interior como um todo. Em seu coração o homem é responsável diante de
Deus, em todos os seus atos e palavras. Somente um coração inclinado para Deus
é capaz de adorá-lo, agradá-lo e amá-lo.
Tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, o amor que há
no coração é o alvo da busca de Deus. Ele se dirige ao coração porque ali está
a sede do amor. Prof. Bruce Waltke, do Regent College, no Canadá, lembra-nos
que antes de o Senhor mandar seu povo buscá-lo unicamente no lugar onde Ele
estabeleceria seu nome (Dt.12), Deus, em seis capítulos antecedentes (Dt.
6-11), exorta os israelitas a darem-se a si mesmos inteiramente ao Senhor.
"Circuncidai, pois, o vosso coração" (Dt. 10:16). Pois é no coração
que o Todo-poderoso toca, ao fazer contato conosco, "... aquela parte do
homem ... onde, em primeira instância, se decide a questão pró ou contra
Deus" (Gutbrod).
Por ser o coração essencialmente espiritual, mantendo o que resta
da imagem de Deus no homem caído, é possível amar àquele que não tem corpo
físico e nem existe ao alcance dos nossos cinco sentidos? Evidentemente, para
amarmos a Deus, precisamos crer que Ele se revelou através de palavras por Ele
inspiradas (II Tim. 3:16), e uma vez recebidas pelos profetas, homens por Ele
escolhidos, estes fizeram seus devidos registros. Contudo, sua revelação não se
limita à transmissão de conceitos comunicáveis por linguagem humana. Inclui
atos que claramente evidenciam seu amor e paciência para com seres que têm
negligenciado e ignorado as evidências do seu profundo interesse por eles.
Inclui convicção criada por Deus no coração que ele decide abrir (At.16:14),
para fazer brilhar a luz de sua personalidade (II Cor. 4:4,6). Resulta no
reconhecimento do testemunho do Espírito Santo de Deus "com o nosso
espírito que somos filhos de Deus" (Rm.8:16).
Enquanto Deus revela a si mesmo no íntimo do coração pela Palavra
lida e recebida, pelo reconhecimento de sua ação no mundo e pela comunicação
pessoal do Espírito residente, nós devemos responder em adoração a ele que
declara e aprofunda nosso amor.
Uma moça presa numa casa em chamas foi resgatada por um jovem
bombeiro que pôs sua própria vida em risco para retirá-la do incêndio. Ela
sentiu profunda responsabilidade de agradecer-lhe o ato sacrificial. Poucos
dias depois, a jovem, que foi resgatada, procurou o bombeiro para externar sua
gratidão. Eles conversaram, passearam, e, finalmente, acabaram se casando. Ela,
que devia a vida ao jovem bombeiro, passou a namorá-lo e, lentamente, um mero
sentimento de gratidão transformou-se num amor profundo. Pagou uma dívida de
vida com a oferta permanente do seu amor e mostrou sua alegria em conviver com
aquele que arriscou sua vida para lhe resgatar.
Assim Deus procura uma comunhão por meio da experiência verdadeira
com cada pessoa que experimentou passar da morte para a vida (Jo.5:24), pelo
sacrifício de Jesus Cristo. O novo adorador começa com um sentimento de
obrigação de servir a Deus no culto; vai aprendendo a amá-lo e progride até que
todo o seu coração se concentre na beleza da pessoa do Senhor: "Eis que
Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o Senhor Deus é a
minha força e o meu cântico... vós com alegria tirareis água das fontes da
salvação" (Is.12:2,3). Davi, no deserto de Judá, disse: "Ó Deus, tu
és meu Deus forte, eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti"
(Sl. 63:1). Desse modo se expressaram os que, na Antiga aliança, amavam a Deus.
É natural, para quem experimentou a "graça melhor do que a
vida" (Sl. 63:3), descobrir um eco semelhante no seu coração. Agostinho
afirmou, acertadamente, nas linhas bem conhecidas que deixou para a
posteridade: "O homem mantém-se agitado até encontrar seu descanso em
Deus".
O evangelho é deveras uma posição doutrinária, mas antes é um
relacionamento do cristão com Deus. "Se alguém me ama, guardará a minha
palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo.
14:23). "E nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (I Jo.4:19).
Porque na realidade, "cada indivíduo dá seu coração àquilo que considera
de máxima importância, e esta lealdade determina a direção e o conteúdo da sua
vida".
O general William Booth, fundador do Exército da Salvação, foi
indagado acerca do segredo do seu sucesso. Hesitou um instante e, com os olhos
cheios de lágrimas, respondeu: "Eu compartilharei o segredo. Deus tem se
apoderado de tudo que há em mim. Podem ter havido homens com maiores
oportunidades, mas desde o dia em que os pobres de Londres dominaram meu
coração e ganhei uma visão daquilo que Jesus Cristo podia fazer, determinei que
Deus teria tudo do que houvesse em William Booth. Se há algum poder no Exército
da Salvação, hoje, é porque Deus tem recebido toda a adoração do meu coração,
todo o poder da minha vontade e toda a influência da minha vida.
Concluímos que Deus nos quer como seus verdadeiros adoradores, por
nos amar profundamente ( I Jo. 4:8/16) . Seu mandamento singular requer que nós
o amemos de todo o coração e alma. Participar em todo e qualquer culto requer
primeiramente uma melhor aproximação dele em amor. Assim, a adoração da igreja
cumprirá seu objetivo se :
- O louvor focalizar sua dignidade, a beleza da sua pessoa e a perfeição do seus caráter. Deve, ainda, convidar todo homem a atribuir glória ao Pai maravilhoso (Sl. 46:10);
- A confissão do pecado que cometemos externar o reconhecimento da nossa indignidade e declarar nosso arrependimento pela rebelião contra a expressa vontade de Deus. Também, não deixa de ser um estímulo forte de amor, confiar no seu imediato e imerecido perdão (I Jo.1:9);
- Nossa oração procurar assimilar seus pensamentos; expressar petições de acordo com seus conhecidos desejos. Amor genuíno funde os desejos dos que buscam o Reino e a vontade única de Deus;
- A mensagem, ouvido ou lida, suscitar pensamentos de gratidão e encorajamento. Serão veículos de transformação de inimigos em amigos que a ele buscarão agradar (Jo.15:14,15);
- A música atrair o coração para a beleza de Deus revelada na criação, na redenção e na regeneração, refletindo assim a harmonia do universo, por ele criado.
Enfim, quando adoramos, só devemos ficar satisfeitos se
expressarmos o verdadeiro amor ou se nosso culto revelar toda a preciosidade do
Senhor, infundindo-a nos participantes.
Certamente, reconhecemos que nunca alcançaremos um amor perfeito
por Deus, à altura do amor que ele tem por nós, seus filhos. Se, como a Pedro,
ele nos perguntasse: "Amas-me mais do que estes?" (Jo.21:15),
estaríamos prontos a responder-lhe: "Sim, Senhor, tu sabes que te
amo", mesmo sabendo que o vocábulo da pergunta de Jesus seja agapas ( amor
sacrificial decidido), em contraste com a resposta philos (amor de amizade e
afeição). Amamos, mas não podemos confiar muito em nosso
amor, nem nos orgulhar por declarações petrinas. Há o risco de uma
lealdade falha.
O CULTO NO VELHO TESTAMENTO
A lei judaica determinava que os israelitas servissem a Deus na
vida de cada dia, observando os preceitos e as instruções; ou então , mediante
o culto celebrado em lugar sagrado e em hora regulamentada. Esta segunda forma,
na BÍblia e em muitos idiomas, é denominada "serviço divino". Não
apenas uma instituição humana, mas antes uma expressão institucional do
relacionamento recíproco entre Deus e o homem. Tanto do lado de Deus como do
homem opera-se um agir e um falar. O lugar especial e o tempo certo separam o
culto do dia a dia, bem como a presença do sacerdote como intermediário.
O serviço divino assim concebido foi introduzido como fruto maduro
da teofania sinaítica; ao pé do monte sagrado, o grupo, transfuga do Egito e em
caminho pelo deserto, experimentava pela primeira vez a sacralidade de um lugar
a par com a palavra de Javé precedente da aparição de Deus, funcionando Moisés
como medianeiro (Êx.19).
O CULTO PRÉ-MOSAICO
O culto é patrimônio comum do gênero humano. Em Gênesis 1 a 11 encontramos por duas vezes uma ação
litúrgica: os sacrifícios de Caim e Abel, e a oferta de Noé depois do dilúvio.
Conclui-se daí com direito ser o culto fenômeno essencialmente humano de acordo
também com as pesquisas da História das Religiões. Os sacrifícios descritos em
Gênesis 1 a 11 representam dois tipos diferentes quanto à sua
motivação. Caim e Abel ofereceram as primícias da lavoura e do rebanho, em ação
de graças e para impetrar a bênção para o futuro. Já o sacrifício de Noé teve
como fundo a salvação de perigo mortal. Os sobreviventes recomeçam sua vida
olhando para o Salvador a quem pertence a vida recém doada. Ambos os motivos
conservam seu valor até os tempos atuais. Honra-se ainda tanto o Deus benfeitor
como o Deus redentor, no ritmo das solenidades anuais , a par com as ações
cultuais motivados por ocasiões peculiares.
Os patriarcas celebraram o seu culto no seio da família nômade, em
lugares improvisados, no alto de um monte, debaixo de uma árvore frondosa,
junto a fonte de água. Alude-se apenas a um santuário a ser fundado futuramente
(Gn.28), marcando então a transição para outra forma de vida.
Na inexistência de tempos sagrados festejavam-se certas ocasiões
importantes, como a mudança das pastagens (antecipações da páscoa), o nascimento
de filhos, imposição do nome à criança. O pai funcionava como intermediário,
ele ou a mãe recebiam as palavras orientadoras e promissoras de Deus; o pai
administrava a bênção. O sacrifício é motivado por objetivo fortuito, não por
instituição regulamentada. A prece, igualmente, nasce da situação concreta
(Gn.12:15,32).
O CULTO E O TEMPO - O SÁBADO E AS FESTAS
A adoração, quando expressa em ritual, exige tempo. Sob o antigo
pacto, Deus fez provisão para períodos de tempo diários, semanais, anuais e
mesmo de gerações, para o cumprimento da obrigação de culto em Israel. O
sacrifício diário, o descanso do sábado ou do sétimo dia, os primeiros dias do
mês e as cinco festas anuais do período pré-exílico foram divinamente
determinados. "Tempos designados" (Num. 29:39) eram considerados
centrais na expressão da adoração a Deus em Israel, porque eventos passados,
nos quais Deus agira, nunca deveriam ser esquecidos.
O sábado, dia semanal de descanso e adoração é um exemplo
fundamental do tempo consagrado a Deus. Embora alguém tenha se referido ao
sábado como uma criação singular do gênio religioso hebraico e uma das
contribuições hebraicas mais valiosas à civilização da humanidade, a Bíblia
simplesmente atribui a santidade do sétimo dia à lei de Deus. Ele foi fundamentado
no descanso de Deus após a criação (Gn.1:1-2,3). O quarto mandamento impõe
rigidamente a sua observância. Ele foi tanto abençoado como santificado por
Deus (Ex.20:11). Sendo uma parte integral do pacto, Israel aceitou a
observância do sábado como um sinal exigido de submissão nacional a Deus
(Ex.31:13). Em resumo, esta festa semanal foi instituída para lembrar ao homem
a sua responsabilidade de adorar a Deus em tempos e lugares determinados, bem
como para proporcionar ao corpo físico o descanso necessário.
Apesar da cessação de toda obra, os sacerdotes continuavam o seu
serviço (Lv.24:8); a circuncisão era executada; o sábado, embora sendo apenas
uma observância semanal, foi incluído nas "festas fixas do Senhor"
(Lv.23:1-3), "uma convocação santa", não devendo ser profanada. Quer
visitando um profeta, quer participando da adoração no templo, os hebreus
encarregados de tal serviço o consideravam coincidente com a santidade do
sábado. Isaías desafiou os seus leitores a se desviarem dos seus próprios
prazeres e "se deleitarem no Senhor" (58:13). Muitos outros textos
poderiam ser citados para mostrar qual significado o dia deveria ter para os
israelitas (Sal.92).
Durante e após o exílio, a proeminência do sábado aumentou. O
surgimento da sinagoga aumentou ainda mais a centralidade da adoração no sábado
(Lc.4:16).
Por ocasião das festas anuais, em Israel e em muitas outras
religiões, as famílias visitavam o templo. Os vários elencos das festas, com
ligeiras modificações, são os seguintes : Êx.23:14-19, 34:18-26.
Originariamente festas cananéias, os israelitas as assumiram depois da sua
imigração para Canaã. De acordo com o ritmo anual celebravam-se as bênçãos
divinas da sementeira e da colheita. Somente a festa da Páscoa regride até a
época do nomadismo, refletindo as mudanças periódicas das pastagens, embora
recebendo novo conteúdo no tempo da saída do Egito (Êx.12).
As festas agrícolas de Canaã receberam uma dose de historicidade
em combinação com os eventos ocorridos entre Javé e o povo. E foi esta re-interpretação
que preservou as solenidades de sua total paganização, posto que também em
Israel permanecessem ligadas à lavoura. O caso mais eloqüente de um
historicização é a festa da Páscoa que se transformou em memória das origens de
Israel.
A páscoa lembra ainda outra evolução significativa do culto divino
em Israel. Na sua qualidade de festa pastoril, ela foi celebrada na intimidade
da família; crescendo, porém, a importância do templo em Jerusalém, todos os
festejos foram transferidos para lá, entre eles também a páscoa. Destruído o
templo, ou talvez já um pouco antes, a celebração desta festa voltou para a
família. Vê-se daí que as festas não dependiam exclusivamente do santuário.
Outra faceta da evolução era a coincidência direta com o objetivo
agrícola, como, por exemplo, a vindima. Tempos depois, sua data passou a
depender de calendário fixo e nem sempre simultâneo com o seu objetivo.
LUGAR SAGRADO - O TEMPLO
Na adoração do antigo Israel, o espaço sagrado era comparável em
importância, aos tempos divinamente designados. Deus escolheu locais especiais
para se revelar no decorrer da história vétero-testamentária. Especialmente
após o êxodo e a instituição da lei, o levantamento do tabernáculo significava
localizar a glória de Deus no Lugar Santo. Deus proibiu Israel de erigir
altares sacrificiais em qualquer lugar onde seu nome residisse (Dt.12:5) Nos
recessos inacessíveis do Santo dos Santos, aquele aposento santo, respeitável
primeiramente no tabernáculo e depois no templo onde Deus "residia",
ficavam o propiciatório e a arca que continha as tábuas da sua lei. Ali, o
sangue da expiação pelos pecados da nação era aspergido, no mais solene rito
anual de adoração (Lv.16). A adoração é o protocolo pelo qual se pode entrar na
presença divina.
O Santo dos Santos representa o monte Sinai, onde Deus se
encontrou com Moisés, dando-lhe sua palavra e mostrando-lhe a sua glória.
Assim, o tabernáculo e , posteriormente, o templo se tornaram extensões
históricas daquele encontro, o modelo de adoração para o povo eleito. O templo
era o único local de sacrifícios, consagrações e entrega de dízimos agradável a
Deus. Jesus mostrou grande respeito pelo templo, purificando-o para realçar sua
santidade. Contudo, apesar da identificação do templo com a "casa do
Pai", assim mesmo ele foi destinado à destruição. Jesus declarou que um
templo "não feito por mãos" estava destinado a tomar o lugar da
temível grandiosidade da arquitetura herodiana (Mc.14:58). O término do templo
ocorreria na associação da sua morte com a invasão romana. A ressurreição do
corpo de Jesus, então , criaria um templo de uma ordem distinta para o
substituir, um conceito compreensível aos discípulos depois da ressurreição
apenas com a ajuda do Espírito Santo.
O caráter sagrado do templo não era absoluto, isto é, não se
impunha a separação do ambiente considerado "profano", fora do lugar
santo; ele era entes funcional, na sua qualidade de fonte de bênçãos para o
país, retribuindo o país estas bênçãos em forma de ofertas para o culto do templo.
A santidade do templo teve a sua concretização quando os habitantes do país a
ele se dirigiram, retornando às suas casas repletos do que lá haviam recebido.
Este vaivém das casas para o templo e do templo para as casas perfaz um
elemento essencial do culto e da sacralidade. Nas procissões e nas
peregrinações, igualmente, revelava-se a consciência da santidade funcional da
casa de Deus. Já no templo concebido por Ezequiel, o caráter sacral é
diferente: a glória de Javé abandonara a sua habitação no meio do povo, juntamente
com a ameaça do juízo definitivo e voltaria somente para residir num templo
restaurado e com os ministérios purificados.
O SACRIFÍCIO
Considerando que o homem é pecador, ele precisa de um sacrifício
propiciatório para remover qualquer ofensa que o separe de Deus, de modo que
possa ter comunhão com seu Criador. Como "Moisés... se interpôs, impedindo
que sua cólera os destruísse" (Sal.106:23); assim o sacerdote e o pecador
sob a égide do Antigo Pacto se uniam para oferecerem a Deus uma vítima sacrificial
em propiciação. Seguindo as ordens divinas, os pecadores gozavam da bênção de
pecados cobertos (Sal.32:1) ou apagados (Is.43:25). Há, contudo, uma verdade
básica a ser lembrada. "Deus não é influenciado por meio de sacrifício
sacerdotal... É realmente o próprio Deus quem realiza o ato de perdão e
expiação, mas o culto sacerdotal é designado como resposta ao seu ato e como
testemunho da purificação do pecador.
Quatro tipos distintos de sacrifício eram prescritos:
1 - A oferta queimada, significando literalmente "aquilo que
ascende" (Lv.1:6,8-13). Ela produzia um "sabor de satisfação" de
modo que do altar, no tribunal da casa de Deus, um fogo perpétuo e o sacrifício
pudessem, duas vezes por dia, "simbolizar a resposta do homem à promessa
de Deus. Apenas o melhor animal, um macho sem mácula, podia ser oferecido, o
que sugere a máxima devoção. A imposição de mãos retratava a identificação
completa.
2 - A oferta de manjares era literalmente chamada uma
"dádiva". Oferecida junto com a oferta queimada e a oferta pacífica,
ela exigia "o sal da aliança do teu Deus" (2:13). A "porção
memorial", queimada com incenso ao Senhor, tinha como objetivo trazer a
aliança à lembrança de Deus. O simbolismo sugeria que Deus era o convidado de
honra.
3 - A oferta pacífica (Lv.3:7,11-14). Seguindo um ritual
preparatório idêntico àquele de quem apresentou a oferta queimada, o ofertante
comia o sacrifício com alegria diante do Senhor. Não era permitido que a festa
resultante durasse mais que um dia, para garantir que um número de amigos fosse
incluído. Ela expressava a plenitude e o bem-estar denotados pela paz de Deus,
compartilhada com sacerdotes e amigos.
4 - As ofertas pelo pecado e pela culpa (Lv.4:1-6,7). Distintas
das três festas anteriores que eram voluntárias, estas eram exigidas quando um
pecador quebrava a lei de Deus e tinha o seu relacionamento interrompido com o
Criador. Nem a congregação nem o Sumo sacerdote estavam sem pecado;
conseqüentemente, eles precisavam de sangue para ser aspergido diante do véu e
aplicado aos dois altares. Uma vez por ano o sangue expiatório tinha de ser
levado para dentro do véu. Os objetivos desse sacrifício eram a restauração da
comunhão e o acesso à presença de Deus.
O CULTO CRISTÃO NA IGREJA PRIMITIVA
O que sabemos do culto cristão nos dá uma idéia do modo como
aqueles cristãos do primeiro século percebiam e experimentavam sua fé. Com
efeito, quando estudamos o modo como a igreja antiga adorava, nós nos
apercebemos do impacto que sua fé deve ter tido para as massas depojadas que constituíam
a maioria dos fiéis.
Desde o princípio, a igreja cristã costumava se reunir no primeiro
dia da semana para "partir o pão". A razão pela qual o culto tinha
lugar no primeiro dia da semana era que nesse dia se comemorava a ressurreição
do Senhor. Logo, o propósito principal do culto não era chamar os fiéis à
penitência, nem fazê-los sentir o peso de seus pecados, mas celebrar a
ressurreição do Senhor e as promessas das quais essa ressurreição era a
garantia. ~E por isso que o livro de Atos descreve aqueles cultos dizendo que
" partindo o pão nas casas comiam juntos com alegria, e singeleza de
coração" (Atos 2:46) . A atenção naqueles cultos de comunhão não se
centralizava tanto nos acontecimentos de Sexta-feira santa como nos do domingo
de ressurreição. Uma nova realidade havia amanhecido, e os cristãos reuniam-se
para celebrá-la e fazerem-se participantes dela.
A partir de então e através de quase toda a história da igreja, a
comunhão tem sido o centro do culto cristão. E somente em época relativamente
recente que algumas igrejas estabeleceram a prática de se reunir para adorar
aos domingos sem celebrar a comunhão.
Além dos indícios que nos oferece o Novo Testamento e que são de
todos conhecidos , sabemos acerca do modo em que os antigos cristãos celebravam
a ceia do Senhor graças a uma série de documentos que perduraram até nossos
dias. Mesmo que não possamos entrar em detalhes acerca de cada um destes
documentos, e das diferenças entre eles, podemos assinalar algumas das
características comuns, que parecem ter formado parte de todas as celebrações
da comunhão.
A primeira delas, a que já nos aludimos anteriormente, é que a
ceia do Senhor era uma celebração. O tom característico do culto era o gozo e a
gratidão, e não a dor ou a compunção. No princípio, a comunhão era celebrada em
meio de uma refeição. Cada qual trazia o que podia, e depois da comida em
comum, celebravam orações sobre o pão e o vinho. Já em princípios do século
segundo, entretanto, e possivelmente devido, em parte, às perseguições e às
calúnias que circulavam acerca das "festas de amor" dos cristãos,
começou a se celebrar a comunhão sem o refeição em comum. Mas sempre se manteve
o espírito de celebração dos primeiros anos.
Pelo menos a partir do século segundo, o culto de comunhão constava
de duas partes. Na primeira liam-se e comentavam-se as Escrituras, faziam-se
orações e cantavam-se hinos. A segunda parte do culto começava geralmente com o
ósculo da paz. Logo alguém trazia o pão e o vinho para frente e os apresentava
a quem presidia. Em seguida, o presidente pronunciava uma oração sobre o pão e
o vinho, na qual se recordavam os atos salvíficos de Deus e se invocava a ação
do Espírito Santo sobre o pão e o vinho. Depois se partia o pão, os presentes
comungavam, e se despediam com a benção. Naturalmente, a esses elementos comuns
acrescentavam-se muitos outros em diversos lugares e circunstâncias.
Outra característica comum do culto nesta época é que só podia
participar dele quem tivesse sido batizado. Os que vinham de outras congregações
podiam participar livremente, sempre e quando estivessem batizados. Em alguns
casos, era permitido aos convertidos que ainda não tinham recebido o batismo
assitir à primeira parte do culto - isto é, as leituras bíblicas, as homilias e
as orações - mas tinham que se retirar antes da celebração da ceia do Senhor
propriamente dita.
Outro dos costumes que aparece desde muito cedo era celebrar a
ceia do Senhor nos lugares onde estavam sepultados os fiéis já falecidos. Esta
era a função das catacumbas. Alguns autores dramatizaram a "igreja das
catacumbas", dando a entender que estas eram lugares secretos em que os
cristãos se reuniam para celebrar seus cultos escondidos das autoridades. Isto
é um exagero. Na realidade as catacumbas eram cemitérios e sua existência era
conhecida pelas autoridades, pois não eram só os cristãos que tinham tais
cemitérios subterrâneos. Mesmo que em algumas ocasiões os cristãos tenham
utilizado algumas das catacumbas para se esconder dos seus perseguidores, a
razão pela qual se reuniam nelas era que ali estavam enterrados os heróis da
fé.
OS BATISMOS
Segundo já foi dito anteriormente, só quem havia sido batizado
podia estar presente durante a comunhão. No livro de Atos, vemos que tão logo
alguém se convertia era batizado. Isto era possível na primitiva comunidade
cristão, onde a maioria dos conversos vinha do judaísmo, e tinha, portanto,
certo preparo para compreender o alcance do Evangelho. Mas conforme a igreja
foi incluindo mais gentios tornou-se cada vez mais necessário um período de
preparo e de prova antes da ministração do batismo. Este período recebe o nome
de " catecumenato" , e no princípio do século terceiro durava uns
três anos. Durante este tempo, o catecúmeno recebia instrução acerca da
doutrina cristã, e tratava de dar mostras em sua vida diária da firmeza de sua
fé. Por fim, pouco tempo antes do seu batismo, era examinado - às vezes em
companhia de sues padrinhos - e eram admitidos na classe dos que estavam
prontos para serem batizados.
Em geral, o batismo era ministrado uma vez ao ano, no domingo da
ressurreição, ainda que logo e por diversas razões se começou a ser ministrado
em outras ocasiões.
A PRÁTICA DA ADORAÇÃO
Deus mandou que seu povo, sob a Antiga Aliança, cumprisse ao pé da
letra todas as suas instruções a respeito da adoração. Ele advertiu Moisés
sobre a construção do Tabernáculo. Tinha de ser " segundo a tudo o que eu
te mostrar para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis"
(Êx.25:9). Os detalhes que Deus comunicou ao chefe da nação foram dados para
que o povo não se desviasse em nenhum ponto da vontade estipulada por Deus. O
temor de Deus arraigado no coração do piedoso israelita , não permitia que ele
desobedecesse conscientemente qualquer regrinha que regulamentava o ritual dos
cultos (Dt.6:1,2). Foi Deus quem planejou a participação dos sacerdotes e
levitas no culto que Ele mandou que oferecessem (Nm. 8:1 I Cr. 9:33 23:5 II Cr.
29:25, etc.) .
Após a leitura do Antigo Testamento, estranhamos o fato de não
descobrirmos no Novo Testamento regras explícitas para nos informar que tipo de
culto Deus quer. Numerosas pesquisas, feitas com o intuito de descobrir as
diretrizes que devem reger a forma de adoração realmente neo-testamentária,
criam pouca convicção além daquela formada na cabeça do estudioso. Ele
descobre, geralmente, o que procura. Tudo isto poderia levar-nos a desvalorizar
a prática nos cultos da igreja primitiva. Mesmo assim, cremos que é válido
examinar as indicações sobre as formas de adoração nos escritos dos apóstolos.
Após o derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecoste, a
igreja de Jerusalém " perseverava na doutrina dos apóstolos e na comunhão,
no partir do pão e nas orações" (At.2:42). Este verso nos traz um breve
esboço dos componentes do culto primitivo. As práticas sob a tutela dos
apóstolos fornecem-nos um fundamento geral, mas seguro. Adoração, para manter o
padrão apostólico, deve se aprimorar no ensino, comunhão, celebração da ceia e
oração.
A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS
Adoração e doutrina apóiam-se mutuamente, porque um culto
oferecido na ignorância evapora (Jo.4:22 At.17:23), carece de substância e de
verdade. Doutrina não significa apenas granjear informação. Não foi uma aula
bíblica acadêmica que os apóstolos ministraram , mas ensinamentos junto com
apelos aos discípulos para que acatassem as diretrizes do Senhor. Quando
igrejas do século XX dão uma ênfase exagerada à transmissão da informação e não
à sua expressão, elas promovem depressão espiritual.
Jesus convocou os seus discípulos a " discipularem todas as
nações" (Mt. 28:19). O primeiro passo foi o batismo que representava um
compromisso público, total, com Deus Pai , Deus Filho e Deus Espírito. Em
seguida, Jesus ordenou aos apóstolos que ensinassem aos futuros discípulos da
segunda geração a " guardar todas as coisas" que Ele ensinara a seus
seguidores. Esses ensinos foram exemplos práticos em torno de uma nova
compreensão do relacionamento com Deus.
Dentro do culto primitivo, os novos discípulos recebiam a
orientação sobre a vida consagrada, que glorifica a Deus (I Pd.1:16). Quando os
assistentes novatos no culto da igreja de Jerusalém ou Antioquia ouviam pela
primeira vez : " vinde a mim todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas
almas" (Mat.11:28), certamente sentiram o impulso do Espírito para
renovarem sua confiança em Jesus, e queriam entender num sentido prático o que
significaria levar o "jugo suave" do Senhor.
A adoração, na prática, deve dar lugar central à palavra de Deus
porque ele assim ordena. "Pregue a Palavra" (II Tm.4:2) representa a
preocupação de Paulo com a igreja de Éfeso. Um homem que almeja o pastorado
precisa ter uma qualidade que lhe recomende a conduzir os cristãos num culto
verdadeiro. Ele deve ser apto para ensinar. Ensino requer entendimento,
explicação, relacionamento entre o ouvinte e o Pai.
COMUNHÃO - A CEIA DO SENHOR
Junto com o serviço da palavra, a primeira igreja da história
perseverava na comunhão (At.2:42). Lucas explica algo mais a respeito desta
comunhão nos versos subseqüentes. Os crentes ficavam juntos indica que estavam
juntos como família de Deus, isto é, regularmente, e tinham tudo em comum.
Marshall sugere que " não seria surpreendente... que pelo menos um outro
grupo contemporâneo judaico, a seita de Cunrã, adotasse este modo de
vida."
A adoração genuína conduz-nos à lembrança de que não somos de nós
mesmos. Fomos comprados por preço infinitamente alto. Conseqüentemente, somos
escravos de Deus e dos membros do Seu Corpo. Ações de graça pelo sacrifício do
Filho de Deus incitam os filhos beneficiados a indagar como se desincumbir da
obrigação imposta. Que presente digno devemos trazer para o altar cristão?
O pano de fundo da eucaristia cristã descobre-se na refeição da
Páscoa. Esta celebração consistia de duas partes : primeira, "enquanto
comiam", e segunda, "depois de cear" (I Cor.11:24). O que Jesus
insistiu originalmente era repetido como duas partes de uma refeição maior -
ágape ou " festa de amor", com a intenção de beneficiar os cristão
mais carentes da igreja. Esta refeição, que substituiu a Páscoa dos judeus, era
tomada diária ou semanalmente. Percebe-se pela leitura de I Cor. 11:17-22, que
esta refeição era a " Ceia do Senhor", que reunia todos os membros da
família de Deus. além de relembrar a morte de Jesus e a inauguração da Nova
aliança, a Ceia confirmava, de maneira inconfundível, que todos os
participantes tinham uma vida em comum. Ricos e pobres, livres e escravos,
todos se comprometiam diante de Deus a ter e manter uma responsabilidade mútua,
uns pêlos outros.
O caráter dessa refeição não se evidencia somente numa
dramatização do sacrifício único do Filho de Deus pêlos nossos pecados, mas era
também uma demonstração da adoração que tem implicações horizontais. Daí, o
veemente protesto de Paulo, em Corinto, diante da negação na prática da
comunhão que a ceia devia demonstrar. "... não é a ceia do Senhor que
comeis. Porque ao comerdes, cada um toma antecipadamente a sua própria
ceia" (I Cor. 11:20). Agindo assim, profanavam o Corpo de Cristo formado
pela morte e ressurreição. Comiam e bebiam juízo para si.
Os cristãos que comem juntos no culto são integrados num corpo
comparável ao corpo humano. Uma vida ou personalidade ocupa a unidade física
humana, de tal forma que nenhuma parte pode se desligar sem prejuízo para as
outras, nem podem desprezar uma à outra, nem devem ter inveja.
AS ORAÇÕES
Um dos elementos que têm destaque no culto da igreja primitiva é a
oração. O judeu do primeiro século dificilmente podia imaginar um culto sem
orações, pelo menos na sinagoga. Conseqüentemente, era natural que os primeiros
cristãos continuassem essa prática, ainda que com algumas modificações. A
importância básica das orações é notada no nome "lugar de oração"
(At.16:13). Em Filipos, uma colônia romana, não havia os dez homens necessários
para formar uma sinagoga, mas havia um lugar de orações, onde mulheres se
reuniam. Paulo e Silas não sentiram nenhum embaraço ao participarem desse
primeiro culto "ecumênico", transformando o que antes era
especificamente judaico em culto cristão. Daquele local foi feito um palco para
anunciar o evangelho.
Jesus ensinou que a oração deve ser particular (Mat.6:6) e
pessoal. Ele pouco falou sobre oração em comunhão com outros irmãos , com
exceção da famosa afirmativa: "Se dois dentre vós, sobre a terra,
concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhes-á
concedida por meu Pai que está nos céus"(Mat.18:19), relacionada com o
contexto de disciplina na igreja. Sua própria prática foi de orar sozinho, num
monte ou lugar afastado (Lc.6:12).
Ainda que pensando num sentido mais geral, a oração se distingue
da adoração pela preocupação do suplicante com suas necessidades, enquanto a
adoração conceitua a alma sobre seu Deus. Um comentário puritano sobre o Salmo
107 dizia: "A miséria instrui maravilhosamente a pessoa na arte de
orar".
Mas as orações bíblicas valorizam a comunhão com Deus. Como
aparelhos complicados, projetados para uma função particular, deixamos de
alcançar o objetivo de nossa existência fora da comunhão que a oração cria.
Egoísmo, soberba e murmuração aniquilam a comunhão. Somos, então como quem
tenta martelar um prego com sabonete. Orar de verdade quer dizer abandonar a
rebelião e aceitar a reconciliação. Jesus quis ensinar, acerca da oração , a
verdade incomparavelmente preciosa de que Deus deseja nossa comunhão. Ele nos
ama mais do que um pai humano é capaz (Lc.11:11-13). Ele deseja ouvir as nossas
necessidades e supri-las (Mat.7:7-11). Amar a Deus acima de todo objeto por ele
criado só pode significar que ele quer ser conhecido e desejado pelas suas
criaturas. Por isso, as orações dos santos são qualificadas como o incenso que
enche os vasos de ouro nas mãos dos 24 anciãos que rodeiam o trono do Senhor do
universo (Apc.5:8). O altar de incenso do propiciatório simbolizava o prazer
com que Deus recebia os louvores e petições do seu povo.
O CÂNTICO NO NOVO TESTAMENTO
Surpreendentemente encontramos poucas referências ao cântico no
Novo Testamento. Os evangelistas relatam que Jesus cantou um hino (Mat.26:30
Mac.14:26) após a celebração da Páscoa. Paulo e Silas "cantavam louvores a
Deus" na prisão em Filipos, na contundente ocasião após seu espancamento e
antes do terremoto que abriu as portas da prisão. Acreditamos que essa música
evangelística concorreu para a conversão do carcereiro (At.16:25). O autor de
Hebreus cita Salmo 22:22 : "Cantar-te-ei louvores no meio da
congregação" (2:12). Paulo cita o Salmo 18:49: "... cantarei louvores
ao teu nome"(Rm.15:9).
Mas, ainda que referências à música sejam raras no Novo
Testamento, seguramente o soar de vozes em louvor a Deus teve muito destaque
nos cultos dos primórdios da igreja. "Cânticos espirituais"
(Cl.3:16), surgiram, provavelmente, por inspiração imediata do Espírito Santo.
W.Lock identifica tais composições como semelhantes a alguns cânticos
preservados no Novo Testamento. No Apocalipse, várias referências aos cânticos
dos adoradores celestiais revelam características de exultação e júbilo na
contemplação da vitória retumbante de Deus e Seu Filho sobre todas as forças do
maligno.
Os "salmos" (Cl.3:16) provavelmente são os mesmos do
Antigo Testamento, amados por nós e lidos em nossos cultos. Ocasionalmente cantamos
porções de alguns salmos. Nas igrejas que se reuniam nas casas, no primeiro
século, o entoar de salmos deve ter sido comum, "formando parte do culto
religiosos e da fraternidade cristã". Nas sinagogas, os judeus cantavam
salmos, como também os essênios do Mar Morto.
Os "hinos" também, provavelmente, referem-se aos hinos
de louvor a Deus e a Cristo, compostos espontaneamente por cristãos no momento
do culto, ou em outras horas. McDonald escreve: "É de se esperar a priori,
que um movimento que suscitou tanta emoção, lealdade e entusiasmo, encontre
expressão em cântico". Avivamentos e despertamentos religiosos, com o
passar dos séculos, estimularam o louvor por meio da música; seria estranho se
no primeiro século não houvesse aparecido expressões musicais para tornar a
adoração mais real e agradável.
Estas três palavras, "salmos, hinos e
cânticos"(Cl.3:16), tomadas juntas, descrevem de modo global o âmbito da
adoração expressa pela música e estimulada pelo Espírito. O termo
"espirituais" refere-se a todas as formas de expressão de louvor
contidas nos três termos, ainda que não possamos precisar as formas exatas da
expressão musical.
O CULTO E OS DONS ESPIRITUAIS
Passando a descrição do culto em Atos para Romanos e I Coríntios,
descobrimos que o exercício dos dons do Espírito deve ser encarado como uma
expressão de culto a Deus. Somente no caso dos dons serem motivados por amor
genuíno pelos irmãos e por Deus é que podemos encaixá-los no quadro de um culto
genuíno, "em Espírito e em verdade".
Paulo lembra aos romanos que a oferta de seus corpos a Deus é um
ato de adoração espiritual, se, contudo, esses mesmos corpos estiverem sujeitos
ao Cabeça para servir, profetizar, ensinar, exortar, contribuir, presidir e
exercer misericórdia (Rm.12:1-8). Certamente a lista pode ser estendido para
incluir todo e qualquer ministério. A vida do cristão, se não se isolar da
família de Deus, nem se separar do próprio Senhor, expressará adoração nas
reuniões ou nas atividades do dia a dia.
A significação dos cultos nos quais a congregação se reunia
alcançou relevância particular na concentração de vozes louvando e ensinando
juntas, com corações sedentos, aprendendo e aplicando a palavra. Era um ocasião
apropriada para o treinamento dos santos para servirem a Deus dentro e fora das
reuniões. Os dons de apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre cooperam e
fecundam no centro do culto para encorajar o bom ajustamento, o auxílio de toda
junta e a cooperação de cada parte, o que "efetua o seu próprio aumento
para a edificação de si mesmo em amor"(Ef.4:16).
O CULTO NA IGREJA COMPARADO AO CULTO JUDAICO
O cristianismo é bipolar pela sua própria natureza. Esses dois
polos são o conteúdo da fé, fundamentado na sua mensagem revelada, e a adoração
prática, através da qual o cristão e Deus mantêm comunhão. Ambos os polos não
são fortalecidos repelindo-se ou ignorando-se, mas são vitalizados por apoio
mútuo. A avaliação de W.Tozer sobre a adoração do cristianismo evangélico como
"a jóia perdida" reflete a dicotomia insalubre entre a verdade
proclamada e a vitalidade da adoração, hoje. Podemos criticar a observação:
"Em toda a parte os cristãos estão perdendo o interesse, passando a
simplesmente simular na igreja", pois milhares de protestante, católicos e
cristãos ortodoxos estão satisfeitos em participar de maneiras vazias, porém
rígidas, com apenas uma vaga percepção do conceito bíblico de adoração em
Espírito e em verdade.
De um modo geral, os cristão não estão consciente de que sua
adoração reflete a teologia prática da comunidade onde estão inseridos. O cunho
puritano no dito "a finalidade principal do homem é glorificar a Deus e
gozá-lo para sempre" é inequívoco. Os puritanos focalizaram o significado
da existência inteira do homem em glorificar a Deus e deleitar-se em sua
comunhão , porque este era o único resultado prático de suas crenças. A
adoração centralizada no homem tende a negar a realidade do coração que
confessamos. De um lado, a lei ameaça deslocar a graça como o motivo
fundamental para se adorar a Deus. Tanto o hábito quanto a busca da paz
espiritual devem ser suspeitos quando procuramos uma base lógica e bíblica para
a adorar a Deus. Em resumo, a liturgia é teologia representada, a resposta
humana a Deus e ao seu favor. As formas persistem enquanto o conteúdo evapora ou
muda o seu centro de Deus para o homem. Assim, o liberalismo nega realidade de
um Deus que está presente. Fazendo assim, não pode evitar de transmutar as
verdades religiosas em mitos. O resultado é visto em toda parte na
secularização do "pós-cristão que atingiu a maioridade". A teologia
da libertação procura contextualizar a adoração num programa de ação
sócio-político. Assim, o despertamento da consciência torna-se identificável
com a percepção de Deus no processo da história.
Os evangélicos têm tendência de separar a centralidade do senhorio
de Cristo, biblicamente fundamentada, do viver cotidiano, de modo que a
adoração se torna, com efeito, compartimentada em cápsulas de uma hora de
duração, não sendo levado em consideração quão importante pode ser o ato de se
"invocar o nome do Senhor juntos". Mas o Novo Testamento projeta uma
visão de adoração que invade toda a vida com a presença e a glória de Deus. O
objetivo desse estudo é mostrar, através de um exame dos conceitos de tempo,
templo, sacrifício e sacerdócio, como o Novo Testamento refundiu as formas
vétero-testamentárias da adoração sem anular a importância da reunião da
igreja.
CONCLUSÃO
A Bíblia apresenta a questão do culto de Gênesis a Apocalipse. Das
ofertas de Caim e Abel até a adoração dos seres celestiais. No transcorrer da
história bíblica, Deus vem ensinando o seu povo a cultuá-lo. No Velho
Testamento, as formas exteriores do culto eram as mais enfatizadas. Percebemos
que elas tinham um objetivo didático afim de trazer à percepção humana
realidades espirituais. No Novo Testamento, a utilização de tais recursos fica
reduzida a um número bem pequeno. Na Nova Aliança, o culto é, antes de tudo,
uma forma de vida. Seja o comer, o beber, o falar, tudo deve ser feito para a
glória de Deus. Não obstante, as reuniões da igreja, que chamamos de cultos,
têm grande importância nesse contexto. Elas constituem o culto coletivo,
oportunidade de comunhão e ensino. Sua ênfase é espiritual e não tanto ritual.
Assim sendo, dependemos do Espírito Santo para realizarmos um culto aceitável
diante de Deus. Em outras palavras, o culto verdadeiro é aquele cuja essência
provém do próprio Deus e a ele retorna.
MATÉRIA 16-HISTÓRIA DA
IGREJA CRISTÃ.
INTRODUÇÃO
A Igreja Cristã nasceu no momento em que Jesus convocou Seu
primeiro discípulo para a obra de Deus (ver Jo 1.35-51). Jesus chamava, e as
pessoas vinham se agregar ao Grupo Santo. A história da vida do Mestre nós bem
a conhecemos, através dos Evangelhos e demais livros do Novo Testamento. Mas, o
que aconteceu quando o Cabeça da Igreja deixou este mundo?
Atos 1.6-12 nos fala da ascensão do Senhor e nos reporta que a
Igreja perseverava unânime em oração. Ora, sabemos que é impossível buscar a
presença do Senhor sem a ação do Espírito. O Evangelho de João nos diz que o
Espírito já havia sido dado aos discípulos antes do Pentecoste, diretamente por
Jesus ressurreto (Jo 20.22). Sob o poder e ação do Espírito esses mesmos
discípulos escolheram Matias, como substituto para Judas Iscariotes, o traidor.
Cinqüenta dias depois da Páscoa, na festa do Pentecoste, o
Espírito foi outorgado à Igreja de maneira plena, para não somente conduzi-la à
Salvação e à Glória com o eterno Pai, mas, sobretudo, lhe dar poder para
testemunhar de Cristo.
A História da Igreja Cristã se divide, pois, em dois períodos
aparentemente distintos, mas, na realidade, praticamente não há diferença entre
eles. O primeiro nos fala dos atos de Jesus e de Seus seguidores, até o dia em
que Ele foi elevado às alturas (At 1.2). Sem que houvesse descontinuidade, no
segundo período, Jesus age através do Espírito Santo. É isso que Lucas quis
dizer na introdução ao livro de Atos. O Pentecoste foi o cumprimento da
Promessa, conforme o relato do mesmo Lucas, em seu Evangelho (Lc 24.49). A
Igreja, que já era nascida do Espírito, recebeu a Sua plenitude, o
"batismo de poder" de que nos falam os pais reformados. Tinha o
Espírito, orou unânime, e o Espírito foi derramado em Sua plenitude.
O Pentecoste nos mostra quão grandiosa é a bênção decorrente de
uma Igreja unânime em oração. Milhares foram batizados, a Igreja cresceu,
prosperou e testemunhou de Cristo: em Jerusalém, na Judéia e Samaria e até os
confins da terra, conforme a promessa de Jesus em At 1.8.
Às vezes, no
curso da História da Igreja, houve momentos em que nos é difícil ver a ação do
Espírito Santo de Deus. Em alguns períodos parecerá que toda a Igreja abandonou
por completo a fé bíblica. Contudo, devemos nos lembrar que a História da
Igreja é também a história dos atos de pessoas pecadoras como nós e, se
abrirmos bem os nossos olhos, e olharmos para a História com os óculos da fé,
veremos que, nos momentos mais escuros da história eclesiástica, nunca faltaram
aqueles que preservaram a chama santa e ajudaram a conduzir a Igreja no caminho
certo. E dentre os que preservaram a fé certamente estão inseridos os
reformadores do século XVI.
No início do século XIV, apesar das vozes de protesto dos verdadeiros crentes, a liderança da Igreja Romana teimava em manter a Arca da Fé fora dos rumos estabelecidos pelas Sagradas Escrituras. Diante de tal situação, surgiram vozes de protesto, propugnando por uma reforma na Igreja. Essas vozes ou foram insuficientes ou foram caladas pela fogueira. Mas o Deus Todo-Poderoso, por sua Providência, tal como já havia operado por ocasião da vinda de Cristo, criou as condições necessárias para que a Reforma pudesse subsistir.
No início do século XIV, apesar das vozes de protesto dos verdadeiros crentes, a liderança da Igreja Romana teimava em manter a Arca da Fé fora dos rumos estabelecidos pelas Sagradas Escrituras. Diante de tal situação, surgiram vozes de protesto, propugnando por uma reforma na Igreja. Essas vozes ou foram insuficientes ou foram caladas pela fogueira. Mas o Deus Todo-Poderoso, por sua Providência, tal como já havia operado por ocasião da vinda de Cristo, criou as condições necessárias para que a Reforma pudesse subsistir.
Assim é, como
diz João Calvino no livro IV das Institutas, quando necessário, Deus pode
suscitar apóstolos e evangelistas para intervir soberanamente na vida da
Igreja. Para Calvino, o grande reformador Martinho Lutero é um exemplo típico
de apóstolo de Jesus Cristo, e através de quem a pureza do Evangelho recuperou
a sua honra.
Lutero, em 1505, com 22 anos, resolveu tornar-se um monge agostiniano. Sua justificativa para tal ato foi a de que o caminho mais adequado para a salvação era através da vida monástica.
Lutero, em 1505, com 22 anos, resolveu tornar-se um monge agostiniano. Sua justificativa para tal ato foi a de que o caminho mais adequado para a salvação era através da vida monástica.
Mas, no
convento, Lutero não encontrou a paz de espírito desejada. O sentimento de
culpa pelo pecado e a sensação de estar sempre debaixo da ira divina fez com
que ele se excedesse em jejuns, vigílias e flagelações; além do quê, procurava
seu confessor a toda hora. Em 1512, para tentar minorar a angústia do futuro
reformador, seu superior, Staupitz, mandou que ele fosse lecionar Filosofia e
Teologia na nova universidade de Wittenberg, recebendo, para o exercício do
cargo, o título acadêmico de doutor em teologia.
No ano seguinte,
enquanto lia a Carta aos Romanos, Lutero deparou-se com o texto "O justo
viverá por fé" (Rm 1.17 b) e concluiu que a "justiça de Deus"
não se refere ao fato de que Deus castigue os pecadores; mas, que a justiça do
justo não é obra sua, mas um dom ou dádiva de Deus. O crente vive pela fé, não
porque seja justo em si mesmo, ou porque cumpra as exigências da justiça
divina, mas porque Deus lhe dá esse dom. A fé não é uma qualidade do homem,
pela qual ele mereça uma recompensa da parte de Deus.
A justificação pela fé, pela qual o homem recebe o perdão gratuito
de Deus, não pressupõe a indiferença de Deus diante do pecado. Pelo contrário,
Deus é santo, e o pecado lhe causa repugnância. O cristão é, ao mesmo tempo,
justo e pecador. Ele não deixa de ser pecador quando é justificado. Pelo
contrário, quem recebe a justificação pela fé descobre, em si mesmo, o quanto é
pecador, e não por ser justificado é que deixa de pecar. Finalmente, a
justificação não é ausência do pecado, mas o fato de que Deus nos declara
justos ainda que em meio ao nosso pecado. Esta é a verdade da justificação pela
fé; e contra esta verdade, e acima dela, pairava o ensino da igreja romana que
o homem pode alcançar a salvação pelas obras. Nessa época, Lutero ainda não
tinha percebido que sua grande descoberta se opunha a todo o sistema de
penitências da Igreja Católica.
Por mais de quatro anos, Lutero trabalhou em Wittenberg sem romper
com a igreja. Até que, em 1517, apareceu, nas cercanias da cidade, um homem
chamado João Tetzel, enviado para vender indulgências emitidas pelo papa.
Tetzel afirmava, entre outras coisas, que os aqueles que comprassem as indulgências
por ele vendidas, ficariam mais limpos que Adão antes de pecar. Essas
indulgências, em última análise, ofereciam diminuição das penas do purgatório,
até para os parentes já mortos ("tão pronto a moeda caísse no cofre, a
alma saía do purgatório"). Ao saber do fato, Lutero se indignou, uma vez
que o tráfico das indulgências estava desviando o povo do ensino a respeito de
Deus e do pecado, enfraquecendo seriamente a vida moral do povo. Decidiu,
então, enfrentar tão grande erro e abuso.
Nas universidades medievais, era costume apor-se, em lugares
públicos, a defesa ou ataque de certas opiniões. Esses escritos eram chamados
de "teses", nas quais se debatiam as idéias e se convidavam todos os
interessados para uma discussão acadêmica. No dia 31 de outubro de 1517,
véspera do dia de Todos os Santos, quando muita gente comparecia à igreja do
castelo de Wittenberg, Lutero afixou, nas portas dessa igreja, 95 teses que
deviam servir de base para um debate acadêmico, onde atacou principalmente a
prática das indulgências, declarando que estas não tinham poder para remover a
culpa ou afetar a situação das almas no purgatório; e que o cristão arrependido
tinha o perdão vindo diretamente de Deus. Segundo Lutero, se era verdade que o
papa tinha poderes para tirar uma alma do purgatório, ele tinha que utilizar
esse poder, não por razões triviais como a necessidade de fundos para construir
uma igreja, mas simplesmente por amor, e assim fazê-lo gratuitamente (tese 82).
A venda de indulgências que Lutero atacou havia sido autorizada pelo papa, em troca de que a metade do produto fosse enviada para os cofres da Igreja. Com esse dinheiro, o papa Leão X sonhava com o término da Basílica de São Pedro. Sobre este assunto Lutero ainda declarou: "... o certo é que o papa deveria dar o seu próprio dinheiro aos pobres de quem os vendedores de indulgências tiravam, mesmo que para isso tivesse que vender a Basílica de São Pedro" (tese 51). A grande basílica, que é hoje o orgulho da Igreja romana, foi uma das causas indiretas da reforma protestante.
As teses negavam, ainda, o pretenso poder de a igreja de ser mediadora entre o homem e Deus e de conferir perdão aos pecadores. A resposta da Igreja Romana foi rápida e violenta, visto que Lutero havia mexido em uma das maiores fontes de receita da Igreja.
Diante das teses e da repercussão que elas alcançaram, o papa intimou Lutero a comparecer a Roma para se justificar. Ora, isso significaria morte certa. Lutero não escaparia da fogueira. Por providência divina, o Eleitor da Saxônia protegeu seu súdito, ordenando que o caso fosse discutido na Alemanha. No debate que se seguiu, Lutero foi mais longe ainda, declarando que o papa não tinha autoridade divina e que os concílios eclesiásticos não eram infalíveis. Essas afirmações configuraram um rompimento definitivo com a Igreja Católica Romana.
A venda de indulgências que Lutero atacou havia sido autorizada pelo papa, em troca de que a metade do produto fosse enviada para os cofres da Igreja. Com esse dinheiro, o papa Leão X sonhava com o término da Basílica de São Pedro. Sobre este assunto Lutero ainda declarou: "... o certo é que o papa deveria dar o seu próprio dinheiro aos pobres de quem os vendedores de indulgências tiravam, mesmo que para isso tivesse que vender a Basílica de São Pedro" (tese 51). A grande basílica, que é hoje o orgulho da Igreja romana, foi uma das causas indiretas da reforma protestante.
As teses negavam, ainda, o pretenso poder de a igreja de ser mediadora entre o homem e Deus e de conferir perdão aos pecadores. A resposta da Igreja Romana foi rápida e violenta, visto que Lutero havia mexido em uma das maiores fontes de receita da Igreja.
Diante das teses e da repercussão que elas alcançaram, o papa intimou Lutero a comparecer a Roma para se justificar. Ora, isso significaria morte certa. Lutero não escaparia da fogueira. Por providência divina, o Eleitor da Saxônia protegeu seu súdito, ordenando que o caso fosse discutido na Alemanha. No debate que se seguiu, Lutero foi mais longe ainda, declarando que o papa não tinha autoridade divina e que os concílios eclesiásticos não eram infalíveis. Essas afirmações configuraram um rompimento definitivo com a Igreja Católica Romana.
Aberta assim a luta, o Reformador prosseguiu sem temor, agindo com
muita rapidez. O que mais chocou a Igreja Católica foi sua afirmativa de que
nem o papa, nem os sacerdotes tinham poderes sobrenaturais. Ora, caso essa
idéia encontrasse apoio e adesão, a Igreja sofreria um tremendo golpe em sua
autoridade. E Isso aconteceu. Essa é a razão pela qual Lutero é, ainda hoje,
considerado, por alguns setores mais ortodoxos da Igreja Católica, como o
herege destruidor da unidade da Igreja, um javali selvagem que penetrou na
vinha do Senhor (bula "exsurge domine). Lutero passou então a provar que
todos os cristãos são sacerdotes, tendo acesso à presença de Deus mediante a fé
em Cristo. Negou que somente o papa pudesse interpretar as Escrituras. Estas,
disse ele, podiam ser interpretadas por qualquer crente sincero. Em vista de
suas afirmações, o povo viu que qualquer pessoa podia ser verdadeiramente
cristã sem ter a necessidade de prestar obediência ao papa.
Como era de se esperar, Lutero foi excomungado pelo papa, mas esse
ato só seria tornado efetivo após a aprovação pelo parlamento alemão, chamado
"Dieta", que foi convocado para se reunir, em 1521, na cidade de
Worms. Na Dieta, Lutero foi instado pelo imperador a se retratar de seus atos e
livros que escrevera, ao que respondeu: "É impossível retratar-me, a não
ser que me provem que estou errado, pelo testemunho das Escrituras... Minha
consciência está alicerçada na Palavra de Deus. Assim Deus me ajude. Amém".
Diante das palavras de Lutero, houve grande confusão. De um lado, os
partidários do papa, que gritavam: "à fogueira com ele"; e de outro,
seus compatriotas alemães fizeram um escudo humano para protegê-lo, retirando-o
do ambiente. O Parlamento decretou Lutero fora da lei e a destruição de seus
escritos, mas os alemães o protegeram, escondendo-o em um castelo amigo.
Durante o período em que esteve recluso, Lutero aproveitou para traduzir a
Bíblia para o alemão, cujas cópias foram colocadas nos bancos das igrejas. Os
dotes musicais de Lutero o impeliram a redigir, baseado no salmo 46, a letra daquele que viria a ser o hino da
Reforma: "Castelo Forte é o Nosso Deus"
Lutero fez da Palavra de Deus o ponto de partida e a autoridade
final de sua teologia. Como professor das Sagradas Escrituras, a Bíblia tinha
para ele grande importância. A Palavra de Deus, na realidade, transcendia o
revelado na Bíblia, pois ela é nada menos que Deus mesmo, a segunda pessoa da
Trindade, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Cf. Jo 1). Sim, essa
Palavra se encarnou em Jesus Cristo, que, por sua vez, é a revelação máxima de
Deus e sua máxima ação. Em Jesus, Deus se nos deu a conhecer e, como Cristo,
venceu os poderes do maligno, que nos sujeitavam. A revelação de Deus é também
a vitória de Deus. A Bíblia é, então, a Palavra de Deus porque nela Jesus
Cristo chega até nós.
Para Lutero, a autoridade final está no Evangelho, na mensagem de
Jesus Cristo, que é a Palavra de Deus encarnada. Visto que a Bíblia dá um
testemunho mais fidedigno desse Evangelho do que a igreja corrompida do papa, a
Bíblia tem autoridade sobre a Igreja.
A teologia de Lutero nos diz ainda que é possível ter certo conhecimento de Deus por meios puramente racionais ou naturais. Este conhecimento permite ao ser humano saber que Deus existe, e distinguir entre o bem e o mal. Porém, esse não é o verdadeiro conhecimento de Deus. A Deus não se conhece como quem usa uma escada para subir ao telhado. Todos os esforços da mente humana para elevar-se ao céu e conhecer a Deus são totalmente inúteis. Esses esforços nos conduzem à teologia da Glória. Tal teologia pretende ver Deus como ele é, em sua própria glória, sem ter em conta a enorme distância que separa o ser humano de Deus. O que a teologia da glória faz, no final das contas, é pretender ver a Deus naquelas coisas que nós humanos consideramos mais valiosas e, portanto, fala do poder de Deus, da glória de Deus, da bondade de Deus. Porém, tudo isto não é mais do que fazer Deus à nossa própria imagem e pretender que Deus seja como nós mesmos desejamos que Ele seja. O fato é que Deus, em Sua revelação, se nos dá a conhecer de um modo muito distinto. A suprema revelação de Deus tem lugar na cruz de Cristo e, portanto, em lugar da teologia da glória, é necessário que o crente siga o caminho da teologia da cruz. O que essa teologia busca é ver Deus, não onde nós queremos vê-Lo, nem como nós desejamos que Ele seja, mas sim onde Deus se revela, e como Ele mesmo se revela, isso é, na cruz. Ali, Deus se manifestou na debilidade, no sofrimento e no escândalo. Ou seja, Deus atua de modo radicalmente distinto do que se poderia esperar. Deus, na cruz, destrói todas as nossas idéias pré-concebidas da glória divina.
A teologia de Lutero nos diz ainda que é possível ter certo conhecimento de Deus por meios puramente racionais ou naturais. Este conhecimento permite ao ser humano saber que Deus existe, e distinguir entre o bem e o mal. Porém, esse não é o verdadeiro conhecimento de Deus. A Deus não se conhece como quem usa uma escada para subir ao telhado. Todos os esforços da mente humana para elevar-se ao céu e conhecer a Deus são totalmente inúteis. Esses esforços nos conduzem à teologia da Glória. Tal teologia pretende ver Deus como ele é, em sua própria glória, sem ter em conta a enorme distância que separa o ser humano de Deus. O que a teologia da glória faz, no final das contas, é pretender ver a Deus naquelas coisas que nós humanos consideramos mais valiosas e, portanto, fala do poder de Deus, da glória de Deus, da bondade de Deus. Porém, tudo isto não é mais do que fazer Deus à nossa própria imagem e pretender que Deus seja como nós mesmos desejamos que Ele seja. O fato é que Deus, em Sua revelação, se nos dá a conhecer de um modo muito distinto. A suprema revelação de Deus tem lugar na cruz de Cristo e, portanto, em lugar da teologia da glória, é necessário que o crente siga o caminho da teologia da cruz. O que essa teologia busca é ver Deus, não onde nós queremos vê-Lo, nem como nós desejamos que Ele seja, mas sim onde Deus se revela, e como Ele mesmo se revela, isso é, na cruz. Ali, Deus se manifestou na debilidade, no sofrimento e no escândalo. Ou seja, Deus atua de modo radicalmente distinto do que se poderia esperar. Deus, na cruz, destrói todas as nossas idéias pré-concebidas da glória divina.
Apesar de seu protesto contra as doutrinas comumente aceitas, e de
sua rebeldia contra as autoridades da igreja romana, Lutero sempre pensou que a
Igreja era parte essencial da religião cristã, repetindo o aforismo de Cipriano
de Cartago (Extra ecclesia, nula salus – fora da igreja, não há salvação). Em
sua eclesiologia, a communio sanctorum ou comunhão dos santos, preconizada pelo
Credo dos Apóstolos, não contemplava apenas uma comunhão direta do indivíduo
com Deus, mas uma vida cristã no meio de uma comunidade de fiéis.
Lutero também combateu o clericalismo na Igreja, pois a Escritura
diz que todos os cristãos são sacerdotes (cf. 1 Pe 2.9), podendo, assim,
comunicar-se, pela oração, diretamente com o Criador. Mas, isto não quer dizer
que cada crente deva isolar-se em si mesmo; pois o ser sacerdote não contempla
somente uma relação interpessoal homem-Cristo. O sacerdócio do crente é
universal, ou seja, cada crente é sacerdote de seu irmão, estando capacitado a
se apresentar diante de Deus para orar por seus irmãos em Cristo e para lhes
ensinar as maravilhas do Evangelho. Este sacerdócio comum de todos em benefício
de todos une a igreja, pois nenhum cristão pode dizer que é cristão sem aceitar
a honra e a responsabilidade do sacerdócio. Mas, em contraposição ao citado
benefício e privilégio, há a responsabilidade e o serviço decorrente. A unidade
e igualdade em Cristo devem ser demonstradas pelo amor mútuo e cuidado de uns
pelos outros. Isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho. Assim como
uma pessoa não pode nascer de si mesmo ou se autobatizar, da mesma forma não se
pode servir a Deus sozinho.
Para quem estava
acorrentado durante séculos, a liberdade tende a ser confusa e até certo ponto
perigosa, porque as pessoas, de uma maneira geral, não têm a justa medida dos
limites de sua própria liberdade, ou direito. E isso, na sociedade medieval,
gerou muitos conflitos, alguns dos quais enfraqueceram politicamente a Reforma.
Em 1529, tendo recebido reforços daqueles que desistiram, por medo, de apoiar a Reforma, reuniu-se, na cidade de Spira, nova Dieta, para deliberar sobre os últimos acontecimentos que agitavam a nação alemã. A maioria católica decidiu pelo impedimento de qualquer propaganda da Reforma. Contra isso, os do partido de Lutero protestaram, razão pela qual, daí por diante, os seguidores da Reforma são geralmente chamados de "Protestantes".
Em 1529, tendo recebido reforços daqueles que desistiram, por medo, de apoiar a Reforma, reuniu-se, na cidade de Spira, nova Dieta, para deliberar sobre os últimos acontecimentos que agitavam a nação alemã. A maioria católica decidiu pelo impedimento de qualquer propaganda da Reforma. Contra isso, os do partido de Lutero protestaram, razão pela qual, daí por diante, os seguidores da Reforma são geralmente chamados de "Protestantes".
No ano seguinte, em Augsburgo, os reformados luteranos expuseram
sua teologia, através de uma Confissão, que é considerada a Carta Magna da
Reforma Luterana, da qual podemos extrair cinco princípios básicos: 1) só a Escritura,
2) só a Fé, 3) só Cristo, 4) só a Graça e 5) Sacerdócio Universal. A ordem
conforme foram apresentados não indica uma maior importância de um sobre os
demais, visto que cada um deles tem a ver com os desvios ou erros em que a
Igreja Católica havia incidido ao longo de mil e quinhentos anos.
A Dieta de Augsburgo deu um ultimato aos protestantes, o que valeu
por uma declaração de guerra, que finalmente eclodiu em 1546, pouco depois da
morte de Lutero, que faleceu aos sessenta e três anos.
Ao olharmos para a Reforma com os olhos da fé e não com a ótica do
século, como alguns líderes evangélicos hoje o fazem, à luz da influência de
livros de história geral, os quais estão impregnados de doutrinas sociais e
econômicas, a entendemos como tendo sido um movimento essencialmente religioso.
Não há dúvida de que sempre houve uma semente santa na Igreja, mantida pelo
Espírito Santo, o toco a que se refere o profeta Isaías (Is 6.13). Esse toco
contém uma brasa eterna, o Corpo de Cristo. A Reforma foi um reavivamento dessa
brasa, cuja chama de testemunho se espalhou por toda a terra. Mas uma coisa
fica bem clara: a reforma não se produziu porque Lutero, Zuínglio e Calvino, os
principais reformadores do século XVI, se propuseram a isso, mas porque chegou
o momento oportuno de Deus.
Hoje, nós, os filhos da Reforma, estamos comemorando 486 anos. Ao
longo de nossa história houve momentos de plena obediência a Deus e Sua
Palavra, assim como períodos de ênfase excessiva em valores puramente humanos.
Épocas em que setores do protestantismo, por influência de doutrinas deletérias
racionalistas, se afastaram dos ideais dos reformadores, a ponto de romper com
uma das essências da fé cristã que é a crença na divindade de Cristo. Doutrinas
estranhas à Palavra de Deus, à toda hora estão batendo à nossa porta. Cabe a
nós, os atalaias da fé reformada, vigiar e orar, para que o inimigo de nossas
almas não nos pegue desprevenidos e nos peneire. Nos dias atuais, mais do que
nunca, é preciso que nos mantenhamos fiéis ao aforismo de autoria do reformado
holandês Gisbertus Voetius, à época do Sínodo de Dort: "Ecclesia
reformata, semper reformanda", que muitos têm traduzido equivocadamente,
mas que quer dizer: Igreja Reformada sempre se mantendo fiel aos princípios da
Reforma. Que as comemorações do dia da Reforma nos façam sempre relembrar que
ela, à luz da Palavra de "Deus, estabeleceu princípios, não costumes, e
que esses princípios não podem nem dever ser levianamente considerados pela
igreja que se diz reformada. Mantenhamos, pois, a sã doutrina dos reformadores,
reverenciando aqueles apóstolos de Jesus Cristo, por meio de quem a pureza do
Evangelho recuperou a sua honra.
SUPLEMENTO TEOLÓGICO SOBRE
A HISTÓRIA DA IGREJA
O panorama que se nos apresenta no cenário religioso moderno seja
talvez uma das muitas razões que nos levou a fazer um acurado e profundo estudo
da Igreja do Novo Testamento, assim como o seu posterior desenvolvimento
histórico. Portanto são dois assuntos de importância:
(1)
A
forma e modelo da Igreja do Novo Testamento e...
(2)
Seu
posterior desenvolvimento dentro da história.
E nesse estudo histórico comprovamos, com surpresa, que já a
partir do segundo século a grande
maioria da Igreja trilhou o caminho da apostasia. Era, sem lugar a dúvidas, as
palavras do apóstolo Paulo que estavam tendo seu cumprimento: “Eu sei que, depois da minha partida, entre
vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vos
mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os
discípulos atrás deles”. Atos 20:29-30.
Todo historiador que procura pesquisar os primeiros 500 anos da
Igreja concorda com o fato de que realmente aconteceu esse lamentável quadro de
apostasia e desvio da verdade.
Estes eventos históricos
devem ser sucessivamente colocados diante do povo honesto, para que Deus, de
alguma maneira, através do ensino desses tristes fatos possa mover o coração de
alguns para corrigir os desvios, endireitar as veredas e se esforçar na
restauração.
Uma lembrança que a Bíblia insiste em fazer: "Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos de muitas
gerações: pergunta a teu pai e ele te informará, aos teus anciãos e eles te
dirão" - Deuteronômio 32:7. Devemos voltar ao passado para examinar
acuradamente os fatos e assim comprovar como eram os acontecimentos reais, e
aprender com os apóstolos como era a Igreja que Jesus fundou.
Um longo e exaustivo trabalho poderia ser apresentado usando o
grande acervo de documentos em nossos arquivos, mas isso seria cansativo e
erudito demais. Um trabalho, quem sabe, de uma tese posterior. O propósito,
portanto, desta disciplina é outro, é apresentar, uma síntese, um resumo dos
fatos principais, retendo as idéias básicas. Tendo em vista apresentar de forma
clara os fatos como eles são, sem procurar encobrir a verdade por mais dura e
triste que seja.
O plano e estrutura desta
disciplina:
O plano desta disciplina é fácil de se ver. Ele é dividido em três partes, cada uma
desenvolvendo um tema determinado e específico, o que facilita o estudo
individual ou em grupo. Pensamos fazer assim, pois, é importante o estudo e a
compreensão de uma parte para logo em seguida passar para a segunda parte.
O desejo do autor:
É o desejo do autor que esta disciplina desperte a consciência
espiritual de alguns para a grande
necessidade de voltar às origens do Evangelho simples, humilde e transformador
que era ensinado e pregado nos primórdios da fé. Desejamos que estas
linhas sejam para o seu estudo, orientação e crescimento na Palavra de Deus.
Uma vez que desejamos apresentar apenas a verdade contida nas Sagradas
Escrituras.
Acreditamos ser a Bíblia a autêntica Palavra de Deus, a qual foi
escrita para nosso conhecimento e aperfeiçoamento na fé, conforme afirmam as
seguintes passagens:
“Na verdade fez Jesus
diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram registradospara que creiais que Jesus é o Cristo, o
Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome”. João
20:30-31.
“Fiel é a Palavra e digna
de inteira aceitação”. 1ª Timóteo 4:9.
A mensagem de Deus está completa na Bíblia e nos fornece todo o
necessário para nossa vida e salvação. Não precisamos de qualquer revelação ou
nova doutrina, senão unicamente as diretrizes de Cristo e dos apóstolos.
Algumas considerações que são importantes em relação com a Igreja.
Em primeiro lugar faremos uma breve resenha do Império Romano, pois foi neste
cenário histórico que a Igreja se desenvolveu, estudamos alguma coisa também
das leis e processos da legislação romana para compreender melhor o julgamento
ao qual Jesus foi submetido e as razões pelas quais a igreja foi perseguida
pelo Império.
- 0 que conhecemos hoje como "Cristianismo" ou religião cristã começou com Cristo entre os anos 25 e 30 da nossa era, dentro dos limites do Império Romano. Este foi um dos maiores impérios que o mundo tem conhecido em toda a sua história.
- O Império Romano abrangia quase a totalidade do mundo conhecido e habitado. Nessa época Tibério César era o seu imperador.
- Quanto à religião o Império Romano era pagão. Tinha uma religião politeísta, isto é, de muitos deuses. Alguns eram deuses que representavam as forças da natureza e outros deuses eram imaginários. Havia muitos devotos e adoradores desses deuses. Não era simplesmente uma religião do povo, mas também do Império. Era uma religião oficial. Estabelecida pela lei e protegida pelo governo.
Apresentamos a seguir uma síntese do Império Romano, para um
panorama bíblico que fornece dados históricos e culturais para compreender o
ambiente em que se desenvolveu a Igreja.
IMPÉRIO ROMANO
(27 a.C. a 476 d.C.)
Depois de um século de lutas civis, o mundo romano estava desejoso
de paz. Octavius Augustus se encontrou na situação daquele que detém o poder
absoluto num imenso império com suas províncias pacificadas e em cuja capital a
aristocracia se encontrava exausta e debilitada. O Senado não estava em
condições de opor-se aos desejos do general, detentor do poder militar. A
habilidade de Augustus - nome adotado por Octavius em 27 a.C. - consistiu em conciliar a tradição
República de Roma com a de monarquia divinizada dos povos orientais do império.
Conhecedor do ódio ancestral dos romanos à instituição monárquica, assumiu o
título de imperador, por meio do qual adquiriu o Imperium, poder moral que em
Roma se atribuía não ao rei, mas ao general vitorioso. Sob a aparência de um
retorno ao passado, Augustus orientou as instituições do estado romano em
sentido oposto ao republicano. A burocracia se multiplicou, de forma que os
senadores se tornaram insuficientes para garantir o desempenho de todos os
cargos de responsabilidade. Isso facilitou o ingresso da classe dos cavaleiros
na alta administração do império. Os novos administradores deviam tudo ao
imperador e contribuíam para fortalecer seu poder. Pouco a pouco, o Senado -
até então domínio exclusivo das antigas e grandes famílias romanas - passou a
admitir italianos e, mais tarde, representantes de todas as províncias. A
cidadania romana ampliou-se lentamente e somente em 212 d.C. o imperador Marcus
Aurelius Antoninus, dito Caracalla, reconheceu todos os súditos do império. O
longo período durante o qual Augustus foi senhor dos destinos de Roma, entre 27 a.C. e 14 d.C., caracterizou-se pela paz
interna (Pax Romana), pela consolidação das instituições imperiais e pelo
desenvolvimento econômico. As fronteiras européias foram fixadas no Reno e no
Danúbio, completou-se a dominação das regiões montanhosas dos Alpes e da
Península Ibérica e empreendeu-se a conquista da Mauritânia.
Imperador Octavius Augustus.
O maior problema, porém, que permaneceu sem solução definitiva,
foi o da sucessão no poder. Nunca existiu uma ordem sucessória bem definida,
nem dinástica nem eletiva. Depois de Augustus, se revezaram no poder diversos
membros de sua família. A história salientou as misérias pessoais e a
instabilidade da maior parte dos imperadores da Dinastia Julius-Claudio como
Caius Julius Caesar Germanicus, Calígula, imperador de 37 a 41 d.C., e Nero, de 54 a 68 d.C. É provável que tenha havido
exagero, pois as fontes históricas que chegaram aos tempos modernos são de
autores que se opuseram de frente a tais imperadores. Mas se a corrupção e a
desordem reinavam nos palácios romanos, o império, solidamente organizado,
parecia em nada se ressentir. O sistema econômico funcionava com eficácia,
registrava-se uma paz relativa em quase todas as províncias e além das
fronteiras não existiam inimigos capazes de enfrentar o poderio de Roma. Na
Europa, Ásia e África, as cidades, bases administrativas do império, cresciam e
se tornavam cada vez mais cultas e prósperas. As diferenças culturais e sociais
entre as cidades e as zonas rurais que as cercavam eram enormes, mas nunca
houve uma tentativa de diminuí-las. Ao primitivo panteão romano juntaram-se
centenas de deuses e, na religião como no vestuário e em outras manifestações
culturais, difundiram-se modismos Egípcios e Sírios. A partir de suas origens
obscuras na Judéia, o cristianismo foi-se aos poucos propagando por todo o
império, principalmente entre as classes baixas dos núcleos urbanos. Em alguns
momentos, o rígido Monoteísmo de Judeus e cristãos se chocou com as
conveniências políticas, ao opor-se à divinização, mais ritual que efetiva, do
imperador. Registraram-se então perseguições, apesar da ampla tolerância
religiosa de uma sociedade que não acreditava verdadeiramente em nada. O
império romano só começou a ser rígido e intolerante em matéria religiosa
depois que adotou o cristianismo como religião oficial, já no século IV. O
século II, conhecido como o Século dos Antoninus, foi considerado pela
historiografia tradicional como aquele em que o Império Romano chegou a seu
apogeu. De fato, a população, o comércio e o poder do império se encontravam em
seu ponto máximo, mas começavam a perceber-se sinais de que o sistema estava à
beira do esgotamento. A última grande conquista territorial foi a Dácia e na
época de Trajanus (98-117 d.C.) teve início um breve domínio sobre a
Mesopotâmia e a Armênia. Depois dessa época, o império não teve mais forças
para anexar novos territórios.
A da causa da decadência de Roma. Apesar da paz interna e da
criação de um grande mercado comercial, a partir do século II não se registrou
nenhum desenvolvimento econômico e provavelmente também nenhum crescimento
populacional. A Itália continuava a registrar uma queda em sua densidade
demográfica, com a emigração de seus habitantes para Roma ou para as longínquas
províncias do Oriente e do Ocidente. A agricultura e a indústria se tornavam
mais prósperas quanto mais se afastavam da capital. No fim do século II,
começou a registrar-se a decadência. Havia um número cada vez menor de homens
para integrar os exércitos, a ausência de guerras de conquista deixou
desprovido o mercado de escravos e o sistema econômico, baseado no trabalho da
mão-de-obra escrava, começou a experimentar crises em conseqüência de sua
falta, já que os agricultores e artesãos livres haviam quase desaparecido da
região ocidental do império. Nas fronteiras, os povos bárbaros exerciam uma
pressão crescente, na tentativa de penetrar nos territórios do império. Mas se
terminaram por consegui-lo, isso não se deveu a sua força e sim à extrema
debilidade de Roma. O século III viu acentuar-se o aspecto Militar dos
Imperadores, que acabou por eclipsar todos os demais. Registraram-se diversos
períodos de anarquia militar, no transcurso dos quais vários imperadores
lutaram entre si devido à divisão do poder e dos territórios. As fronteiras
orientais, com a Péseia, e as do norte, com os povos germânicos, tinham sua
segurança ameaçada. Bretanha, Dácia e parte da Germânia foram abandonadas ante
a impossibilidade das autoridades romanas de garantir sua defesa. Cresceu o
banditismo no interior, enquanto as cidades, empobrecidas, começavam a
fortificar-se, devido à necessidade de defender-se de uma zona rural que já não
lhes pertencia. O intercâmbio de mercadorias decaiu e as rotas terrestres e
marítimas ficaram abandonadas. Um acelerado declínio da população ocorreu a
partir do ano 252 d.C., em conseqüência da peste que grassou em Roma. Os
imperadores Aurelianus, regente de 270 a 275 d.C., e Diocletianus, de 284 a 305 d.C., conseguiram apenas conter a
crise. Com grande energia, o último tentou reorganizar o império, dividindo-o
em duas partes, cada uma das quais foi governada por um Augusto, que associou
seu governo a um Caesar (César), destinado a ser o seu sucessor. Mas o sistema
da Tetrarquia não deu resultados. Com a abdicação de Diocletianus, teve início
uma nova guerra civil. Constantino I favoreceu o cristianismo, que
gradativamente passou a ser adotado como religião oficial. O desgaste do mundo
romano era tal que a antiga divisão administrativa se transformou em divisão
política a partir de Theodosius, imperador de 379 a 395 d.C. O último a exercer sua
autoridade sobre todo o império. Este adotou a Ortodoxia Católica como religião
oficial, obrigatória para todos os súditos, pelo edito de 380 d.C. Theodosius I
conseguiu preservar a integridade imperial tanto ante a ameaça dos bárbaros
quanto contra as usurpações. No entanto, sancionou a futura separação entre o
Oriente e o Ocidente do império ao entregar o governo de Roma a seu filho
Honorius, e o de Constantinopla, no Oriente, ao primogênito, Arcadius. A parte
oriental conservou uma maior vitalidade demográfica e econômica, enquanto que o
império ocidental, no qual diversos povos bárbaros efetuavam incursões, umas
vezes como atacantes outras como aliados, se decompôs com rapidez. O rei godo
Alarico saqueou Roma no ano 410 d.C. As forças imperiais, somadas às dos
aliados bárbaros, conseguiram, entretanto uma última vitória ao derrotar Átila
nos Campos Catalaúnicos, em 451 d.C. O último imperador do Ocidente foi Romulus
Augustus, deposto por Odoacrus no ano 476d.C., data que mais tarde viria a ser
vista como a do fim da antigüidade. O império oriental prolongou sua
existência, com diversas vicissitudes, durante um milênio, até a conquista de
Constantinopla pelos Turcos, em 1453.
AS DINASTIAS E OS
IMPERADORES DE ROMA

DINASTIA DOS JULIUS E
CLAUDIUS
(27 a.C. a 68 d.C.)
DINASTIA
DOS FLAVIUS E ANTONINUS
(68 a 193 d.C.)

DINASTIA DOS SEVERUS
(193 a
235 d.C.)

IMPERADORES MILITARES E
USURPADORES
(235 a
284 d.C.)

TETRARQUIA
(284 a
307 d.C.)

CASA DE CONSTANTINUS I O
GRANDE
(307 a
392 d.C.)

CASA DE THEODOSIUS I E FIM
DO IMPÉRIO
(392 a
476 d.C.)
DIREITO ROMANO: "AÇÕES
DA LEI"
INTRODUÇÃO.
Três períodos abrangeram a história do processo civil romano,
compreendendo cada um seu sistema processual típico:
1º. Processo das ações da
lei.
2º. Processo formulário.
3º. Processo extraordinário.
Essa delimitação é apenas convencional, pois apesar das três fases
específicas e distintas, em momentos de mudança, coexistiram dois sistemas
processuais diferentes até que o mais antigo caísse em desuso.
Em nosso estudo abordaremos o sistema das ações da lei, utilizado
no direito pré-clássico. Porém, antes disso, a fim de um melhor entendimento da
matéria, faz-se necessário o conhecimento de alguns conceitos e da evolução
histórica do processo civil romano.
PROCESSO CIVIL ROMANO.
O Processo civil romano (Jus actionum) era o conjunto de regras
que o cidadão romano deveria seguir para realizar seu direito.
Para os romanos o vocábulo Jus
encerrava, também, o sentido que os modernos emprestam a direito subjetivo, ou
seja, faculdade ou poder permitido e garantido pelo direito positivo. O direito
subjetivo é tutelado pela ação (actio)
que, no sentido restrito que ainda hoje lhe atribuem, nada mais é do que
atividade processual mediante a qual o particular procura concretizar a defesa
dos direitos, pondo em movimento o aparelho judiciário do Estado. Para isso
executa uma série de atos jurídicos ordenados, o processo.
Direito e ação eram conceitos estritamente conexos no sistema
jurídico romano. O romano concebia e enunciava o direito mais sob o aspecto
processual que material. Durante toda a época clássica, o direito romano era
mais um sistema de actiones e de meios processuais do que de direitos
subjetivos. Hoje, temos um conceito genérico de ação; em Roma, a cada direito
correspondia uma ação específica.
CARACTERÍSTICAS DAS AÇÕES
DA LEI.
O mais antigo dos sistemas de processo civil romano é o das ações
da lei (legis actiones), do qual a
maior parte das informações provém das Institutas de Gaius.
As ações da lei eram instrumentos processuais exclusivos dos
cidadãos romanos tendo em vista a guarda de seus direitos subjetivos previsto
no ius quiritarium, e este sistema
processual possuía uma estrutura individualizada para situações expressamente
reconhecidas. O processo nesta época histórica era marcado pela extrema rigidez
de seus atos, onde as ações tomavam a forma da própria lei, conservando-se
imutáveis como esta.
Durante este período, o direito em Roma vinha de hábitos,
costumes, e o conhecimento das regras jurídicas eram monopólio dos sacerdotes, que
detinham o conhecimento do calendário e das normas jurídicas. Conjugavam-se o
ius e o faz, ou seja, o elemento laico e o elemento religioso. Cercada de
formalismo, solenidade e oralidade, com um ritual de gesto e palavras
pré-estabelecidas.
A justiça romana passa por um processo de secularização, provocada
por alguns aspectos como:
a) pela Lei das XII tábuas, consolidando o direito consuetudinário antigo;
b) pela bipartição do procedimento;
c) pela criação do pretor urbano em 367 a.C.
d) por dois personagens: Appius Claudius, o Cegus (cônsul em 307 e
296 a.C.) e seu escriba Gneo Flavius, que tornou público aos cidadãos
os formulários das ações da lei, antes, detidos apenas pelos pontífices e pelo
rex, únicos conhecedores das palavras sacramentais de cada actio.
. a dívida do tribunus aerarii em relação ao soldo (stipendium) do soldado;
. a dívida das
pessoas responsáveis para contribuir com a compra e manutenção do cavalo para
com o soldado de cavalaria;
. a dívida do
comprador de animal para com o vendedor;
. a dívida do
locatário de um animal de carga em relação ao locador desde que este animal
estivesse destinado a sacrifício religioso;
. a dívida do
contribuinte para com o publicano no tocante aos impostos.
O apossamento extra judicial dos bens do devedor não conferia
direito de uso da coisa ao credor, mas somente de mantê-la em seu poder até que
fosse honrada a dívida.
LEGADO DE ROMA
A civilização romana foi original e criadora em vários campos: o
Direito Romano, codificado no século VI, ao tempo do imperador Justinianus,
constituiu um corpo jurídico sem igual nos tempos antigos e forneceu as bases
do direito da Europa medieval, além de ter conservado sua vigência, em muitas
legislações, até os tempos modernos. As estradas romanas, perfeitamente
pavimentadas, uniam todas as províncias do império e continuaram a facilitar os
deslocamentos por terra dos povos que se radicaram nas antigas terras imperiais
ao longo dos séculos, apesar de seu estado de abandono. Conservaram-se delas
grandes trechos e seu traçado foi seguido, em linhas gerais, por muitas das
grandes vias modernas de comunicação. As obras públicas, tais como pontes,
represas e aquedutos ainda causam impressão pelo domínio da técnica e o poderio
que revelam. Muitas cidades européias mostram ainda em seu conjunto urbano os
vestígios das colônias romanas que foram no passado. Se, em linhas gerais, a
Arte Romana não foi original, Roma teve o mérito de haver sabido transmitir à
posteridade os feitos dos artistas gregos. Os poucos vestígios que sobreviveram
da pintura romana mostram que as tradições gregas continuavam vivas. Os temas
indicam a crescente preocupação religiosa, a serviço dos imperadores
divinizados; referem-se, principalmente, à imortalidade da alma e à vida de
além-túmulo. O cristianismo se valeu do Império Romano para sua expansão e
organização e depois de vinte séculos de existência são evidentes as marcas
deixadas por ele no mundo romano. O latim, idioma que a expansão romana tornou universal,
está na origem das atuais línguas românicas, tais como o espanhol, o italiano,
o português, o francês, o catalão e o romeno. Depois de quase dois mil anos,
pode-se ainda falar de um mundo latino de características bem diferenciadas.
![]()
Aquedutos, fontes, templos e vias - detalhe em maquete da antiga
Roma
|
ARTE ROMANA
Roma é um dos centros culturais mais importantes do Ocidente e boa
parte de seus monumentos remonta à antiguidade. Caius Mecenas, conselheiro do
imperador Augustus, que reinou no final do século I a.C., foi o primeiro dos
grandes patronos da arte. Em sua época surgiram o conhecedor de arte e o
turista em busca de tesouros culturais e, pela primeira vez, os artistas
obtiveram o mesmo prestígio que políticos e soldados. Arte romana é o conjunto
das manifestações culturais que floresceram na península itálica do início do
século VIII a.C. até o século IV d.C., quando foram substituídas pela arte
cristã primitiva. As criações artísticas dos romanos, sobretudo a arquitetura e
as artes plásticas, atingiram notável unidade, em conseqüência de um poder
político que se estendia por um vasto império. A civilização romana criou
grandes cidades e a estrutura militar favoreceu as construções defensivas, como
fortalezas e muralhas, e as obras públicas (estradas, aquedutos, pontes etc.).
O alto grau de organização da sociedade e o utilitarismo do modo de vida romano
foram os principais fatores que caracterizaram sua produção artística.
COLISEU
![]() |
Vista lateral do Coliseu -
detalhe em maquete da antiga Roma.
"Enquanto o Coliseu se
mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma cairá e se
acabará o mundo". A profecia do monge inglês Venerável Beda dá a
medida do significado que teve para Roma o anfiteatro Flávio, ou Coliseu
(Colosseo em italiano), nome que alude a suas proporções grandiosas. O Coliseu
ergue-se no lugar antes ocupado pela Domus Aurea, residência do imperador Nero.
Sua construção foi iniciada por Vespasianus por volta do ano 70 da era cristã.
Titus inaugurou-o em 80 e a obra foi concluída poucos anos depois, na época de
Domitianus. A grandiosidade desse monumento testemunha o poderio e o esplendor
de Roma na época dos Flávios, família a que pertenciam esses imperadores. O
edifício inicial, de três andares, comportava mais de cinqüenta mil
espectadores. Dois séculos depois, sua capacidade foi ampliada para quase
noventa mil, quando os imperadores Severus Alexander e Gordianus III
acrescentaram um quarto pavimento. O Coliseu foi construído em mármore, pedra
travertina, ladrilho e tufo (pedra calcária com grandes poros). Sua planta é
elíptica e os eixos medem aproximadamente 190 por 155m. A fachada se compõe de
arcadas decoradas com colunas dóricas, jônicas e coríntias, de acordo com o
pavimento. Os assentos são de mármore e a cavea, escadaria ou arquibancada,
dividia-se em três partes, correspondentes às diferentes classes sociais: o
podium, para as classes altas; as maeniana, setor destinado à classe média; e
os portici ou pórticos, para a plebe e as mulheres. A tribuna imperial ou
pulvinar ficava no podium e era ladeada pelos assentos reservados aos senadores
e magistrados. Por cima dos muros ainda se podem ver as mísulas que sustentavam
o velarium, grande cobertura de lona destinada a proteger do sol os
espectadores.

MOEDA ROMANA
As moedas romanas oferecem uma visão única da antiga vida romana,
porque eram usadas diariamente por todos, do imperador ao mais simples cidadão
de Roma ou de alguma Província e Colônia do Império. As moedas nos mostram
muito sobre o que era importante para o povo romano: como eles celebravam suas
festas, seus feriados, ocasiões religiosas e seus deuses; como os imperadores
queriam ser vistos pelo seu povo através das "virtudes" cunhadas em
suas moedas; além de nos dar excelentes retratos dos imperadores, de suas
esposas e filhos, dos famosos edifícios e templos há muito tempo transformados
em ruínas.
COMO ERAM FEITAS AS MOEDAS
ROMANAS:
Durante o império romano as moedas eram "golpeadas". Não
havia nenhum processo de cunhagem através de máquinas ou algum processo
sistemático, cada moeda era "golpeada à mão". Primeiro o gravador
criava dois punções feitos em bronze, um para o verso (onde aparecem comumente
as "efígies" dos imperadores) e um para o reverso (onde aparecem as
"propagandas" da época). O gravador esculpia os desenhos da moeda
através de entalhes feitos nos punções. O punção do verso era colocado em uma
mesa, então um disco de metal, que normalmente era aquecido, era colocado sobre
ele. O punção reverso era colocado em cima do disco de metal e era então
"golpeado" por um martelo.
BIBLIOGRAFIA
- ALVES, J. C. M. - Direito Romano; Editor Borsoi, RJ, 1965, vol.
1, c. XVII E XVIII.
- TRICI, J. R. C.; AZEVEDO, L.C. - Lições de História do Processo
Civil Romano; Ed. Revista dos Tribunais, c. 3,4 e 5
-
JÚNIOR,
J. CRETELLA - Curso de Direito Romano; 19ª edição; Ed. Forense; Rio, 1995.
Consideremos brevemente o
mundo judaico na época de Jesus.
- O povo judeu deste período não constituía propriamente uma nação separada, uma vez que se encontravam judeus espalhados através de todo o Império. Eles tinham ainda o seu templo em Jerusalém e ali vinham adorar a Deus; estavam, pois, até orgulhosos de sua religião. Mas, semelhantemente aos pagãos encheram-se de formalismo e perderam seu poder.
A Igreja e seu panorama
histórico.
- A Igreja de Cristo em seus primórdios não procurou secularizar-se, nem buscar qualquer apoio de qualquer governo. Ela não procurou destronar a César. Disse Jesus: "Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:19-22; Marcos 12:17; Lucas 20:20). Sendo uma religião espiritual, não visava rivalizar com os governos terrenos. Seus aderentes, ao contrário, eram ensinados a respeitar todas as leis civis, como também os governos. (Romanos 13:1-7, Tito 3:1, I Pedro 2:13-16). Havia, portanto, uma clara distinção entre igreja e estado. Isso permaneceu assim nos primeiros três séculos.
- A seguir, desejamos chamar sua atenção para algumas das características ou sinais da Igreja de Cristo - a religião cristã. Neste curso vamos traçar uma linha através destes 21 longos séculos, e com especial atenção, vamos nos concentrar nos 1.200 anos, conhecidos pelos historiadores como anos de trevas espirituais e estagnação intelectual. Foram estes 1.200 anos os que marcaram o estabelecimento definitivo de um sistema religioso opositor da verdade. Verdade que foi muitas vezes escurecida e terrivelmente desfigurada. Não obstante haverá sempre alguma característica indelével, alguns poucos fieis, esparsos. Alguns fatos lamentáveis de perseguição, mas, que nos deixarão de sobreaviso, cuidadosos e suplicantes para que esses fatos não voltem a se repetir. Encontraremos dos opositores da verdade muita hipocrisia como também muita farsa.
PARTE 1
|
1. A Igreja do Novo Testamento.
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A história da Igreja é o mais interessante estudo que pode ser
encontrado em qualquer literatura, não só para aprender sobre a origem e missão
da Igreja, como também de suas lutas e triunfos.
A Igreja é a instituição pela qual Jesus Cristo deu sua vida, foi
por ela que Jesus morreu na cruz. Jesus curou muitos doentes, que possivelmente
tiveram outras doenças, envelheceram e morreram. Jesus também ressuscitou a
muitos, os quais voltaram a morrer. Porém, o único que permaneceu foram Seus ensinos deixados para a Instituição da
qual ele falou que o inferno não prevaleceria contra ela. Isto demonstra o
lugar que a igreja ocupa no coração do Salvador. Além disso, dada à importância
que Jesus Cristo deu a Sua Igreja é impossível ficar indiferente diante do
lamentável quadro apresentado nos dias de hoje pelos professos seguidores do
Mestre Jesus. Talvez a maioria pense que a Igreja sempre foi assim, do jeito
que a vemos hoje, da forma e maneira em que as denominações a apresentam, isso
acontece porque se está ocultando do povo a forma e maneira em que a Igreja do
Novo Testamento era.
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2. O Propósito da
Investigação.
|
Nosso primeiro alvo será para obter uma clara compreensão do que e como era a
Igreja de Cristo na época do Novo Testamento. Se nos pudermos identificar como
era a Igreja do Novo Testamento teremos então o modelo de Igreja que Jesus
estabeleceu, e poderemos medir por esse modelo a organização, culto e adoração
da igreja moderna.
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
CERTAS
Se atravessando os séculos encontramos um grupo ou grupos de pessoas
fugindo à observância destas características distintivas e enunciando outras
coisas além das doutrinas fundamentais, então devemos tomar cuidado.
- Cristo, o autor da religião cristã, reuniu seus seguidores numa organização, a que chamou "Igreja". E aos discípulos competia a tarefa de organizar e expandir essa organização com uma metodologia chamada de: "fazer discípulos". Em primeiro lugar percebemos que há UMAUTOR para a organização da Igreja, e se esse Criador da Organização chamada Igreja é Jesus, poderíamos discutir que ela é imperfeita? Poderíamos alegar que o que Jesus fez precisa se “modernizar”, porque já está ultrapassada? Acreditamos que a Organização estabelecida por Jesus e pelos apóstolos é perfeita e não necessita que homens venham a colocar defeitos e ter assim argumentos para acrescentar “modernização”.
- Nesta organização chamada “Igreja de Cristo” (Romanos 16:16), de acordo com o Novo Testamento e com a prática dos apóstolos, desde cedo foram criadas algumas classes de oficiais para o exercício da liderança: pastores ou presbíteros ou anciãos (Atos 20:17, etc.); diáconos (Atos 6:1-6; 1 Timóteo 3:8); evangelistas (Atos 21:8; Efésios 4:11; 2 Timóteo 4:5); mestres (1 Coríntios 12:29; Efésios 4:11). O pastor era também chamado "bispo". Todos eram escolhidos pela Igreja, e para servirem à Igreja. A finalidade e propósito destes chamados: “encargos de ministério” serão estudados em detalhes.
- As Igrejas Locais no seu governo e disciplina eram centralizadas como podemos perceber na decisão que devia ser tomada somente por Jerusalém (veja em Atos 15). A história comprova que a Igreja que tinha sede centralizada em Jerusalém teve que mais tarde competir com uma outra organização centraliza em Roma, com certeza uma ficou desmerecida e outra prevaleceu. Era Jerusalém contra Roma. Vamos estudar esta luta entre a transigência com o mundo, de um lado, e a fé e coragem para manter a pureza da fé por outro lado, em detalhes na Segunda parte desta disciplina.
- À Igreja de Cristo foram dadas duas ordenanças, e somente duas, o Batismo e a Ceia do Senhor. São memoriais e perpétuas. Ordenanças da Igreja serão analisadas à luz do Novo Testamento.
- Somente os "Salvos" eram recebidos para ser membros das Igrejas. (Atos 2:47). Eram salvos unicamente pela graça, sem qualquer obra da lei (Efésios 2:5, 8, 9). Os salvos e eles somente deviam ser imersos em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo (Mateus 28:19). E unicamente os que eram recebidos e batizados participavam da Ceia do Senhor, sendo esta celebrada somente pela Igreja.
- Somente as Escrituras Sagradas e, em realidade, o Novo Testamento são a única regra de fé e de vida, não somente para a Igreja como organização, mas também para cada crente como indivíduo.
- Cristo Jesus, O fundador da Igreja e O Salvador de seus componentes, é o seu único sacerdote e rei, seu Senhor e legislador e único cabeça da Igreja. Esta executava simplesmente a vontade do Seu Senhor expressa em suas leis completas como inseridas no Novo Testamento, nunca a Igreja legislou ou emendou ou abrigou velhas leis (do Velho Testamento) ou formulou novas.
- A religião de Cristo era individual, pessoal e puramente voluntária. Sem nenhuma compulsão física ou governamental. A fé era uma matéria de exame individual e de escolha pessoal. "Escolhei" é a ordem das Escrituras.
- Note bem! Nem Cristo nem os Seus apóstolos deram em qualquer tempo aos seus seguidores designações como "Católico". Jesus Cristo chamou "discípulo" ao indivíduo que o seguia. Dois ou mais seguidores eram chamados "discípulos", uma mulher que seguia os ensinamentos de Jesus era chamada de “discípula” (Atos 9:36). A assembléia de discípulos, quer em Jerusalém ou Antioquia ou outra qualquer parte era chamada "Igreja". O conjunto de todas as Igrejas era denominado assim: “Igrejas de Cristo” (Romanos 16:16). Isto significa que a organização geral era denominada: “IgrejadeCristo”. Se nos acreditamos que Cristo é Deus, e que Ele resgatou Sua Igreja com seu próprio sangue, então não há nenhuma contradição em Paulo chamar a Igreja de Cristo como “Igreja de Deus” (Atos 20:28). A Igreja é de Cristo, é de Deus, pois foi Ele que diz: “edificarei a minha Igreja...” (Mateus 16:18), portanto, nada mais justo de que esse nome: Igreja de Cristo, que lembra as primeiras palavras de Jesus em relação a Sua organização.
Tinha a Igreja de Cristo um modelo ou padrão a ser seguido? Esse é
nosso alvo nesta pesquisa histórica e principalmente bíblica. Nosso alvo é
justo, honesta nossa intenção e santo nosso propósito, pois se pudermos
determinar com exatidão o modelo e padrão da Igreja Primitiva, então nos
teremos uma visão do modelo e padrão de Igreja pela qual Jesus deu Sua vida. E
se esse é um modelo e padrão a ser imitado, devemos imitar. Nesta pesquisa
inicial queremos saber se havia esse modelodeIgreja,
com um culto e adoração que servisse de paradigma, isto é, de modelo. Uma
organização e administração estabelecida pelos apóstolos e da qual não pudessem
se desviar. Queremos saber se qualquer inovação acrescentada a esse modelo seria possível e ao mesmo tempo
permitido. Ou se qualquer acréscimo era visto pelos apóstolos como apostasia.
INÍCIO DA APOSTASIA
A formação do cristianismo e a sua propagação como religião
histórica foi resultado exclusivo do testemunho e da interpretação da pessoa de
Jesus Cristo. Notar este fato é essencial à orientação da obra de evangelização
e missionária em qualquer tempo e lugar. O Cristianismo implantou-se e
propagou-se pelo método que Jesus Cristo mesmo seguiu no Seu exemplo e ensino. Os discípulos, por exemplo,
eles foram escolhidos e treinados por Jesus para que dessem muito fruto e fruto
que fosse permanente. Os discípulos tiveram convívio com Jesus, essa
experiência, mais tarde foi interpretada pelo Espírito Santo e tornou-se vida e
poder neles. A tarefa dos discípulos era a de serem testemunhas de Jesus em
Jerusalém, na Judéia, em Samaria e até os confins da terra. Este era também o
método e o programa geográfico para
a sua obra. É mediante o testemunho e a interpretação da pessoa de Jesus Cristo
feita pelos apóstolos e outros cristãos que o Cristianismo se estabeleceu e é,
nesta mesma base, a nosso ver, que a história da Igreja precisa ser estudada.
Destacamos sempre a palavra “ensino”,
como método eficaz para o estabelecimento da Igreja de Cristo.
Você comprovará neste estudo que a tônica da mensagem era a
didática, o ensino e exposição da palavra em forma de estudo bíblico. Quando a
igreja, a partir do segundo século em diante perdeu a metodologia por Jesus
para seu crescimento, então se enveredou pelo caminho da apostasia. Quando a
igreja começou a usar outros métodos e deixou o ensino da Palavra como
prioridade, se perdeu no método especulativo.
Mateus 4:23 demonstra que a prioridade no ministério de Jesus era
o ensino, pois Mateus coloca esta metodologia em primeiro lugar, (veja o texto
paralelo em Mateus 9:35).
O longo discurso registrado em Mateus capítulos 5, 6 e 7,
conhecido como “Sermão da Montanha”, na verdade não é um “sermão”, pois se
prestamos atenção Mateus declara o seguinte: “E, abrindo a sua boca os ensinava, dizendo:” (Mateus 5:2).
Portanto, o método empregado por Jesus na montanha não é de um “sermão” e sem o
de um Mestre ensinando. As palavras ali registradas são a apresentação de um
ensino, na forma de um estudo bíblico, um ensinamento (veja Mateus 5:2 e
compare com Mateus 5:19). Principalmente notamos que na narrativa que Mateus
faz dos capítulos 5, 6, e 7 faz questão de deixar claro que se trata de método
de ensino de princípio a fim (veja para o início Mateus 5:2 e para o final, Mateus
7:29) – De princípio a fim é ensinamento e não um sermão.
Em Mateus 11:1 de novo o apóstolo, ao narrar as atividades de
Jesus coloca em primeiro lugar o ministério de ensino – Compare com Mateus
13:54.
Em Mateus 22:16, podemos ver o reconhecimento que as pessoas fazem
do ministério de Jesus, e de novo deixa claro que era o ensino.
Finalmente, devemos ponderar o trecho que é conhecido como a
“Grande Comissão” Mateus 28:19-20. A ordem dos fatos é:
1.- Fazei discípulos.
2.- Batizando-os.
3.- Ensinando-os.
Notamos de novo a ordem para que os seguidores de Jesus, aqueles
que deveriam continuar o trabalho da Igreja não poderiam inventar “moda” e
criar outros métodos diferentes.
A Igreja de Cristo, aquela que Ele fundou, segue a mesma
orientação dada pelo Seu Mestre, dando prioridade e a devida importância ao
ensino das verdades bíblicas. Aqui se comprova uma tarefa enorme, a tarefa de
ensinar o povo de Deus. Ministrar não apenas belos sermões, mas principalmente,
e acima de tudo ENSINAR. Mais estudo e menos diversão.
Na declaração de Jesus: “ser-me-eis
testemunhas” (Atos 1:8) está implicitamente revelado que o Cristianismo
essencial é o Cristo implantado no coração dos homens através da sua
experiência com Jesus, esta obra interior, que em palavras mais bíblicas
pode-se chamar de “Justificação pela Fé”,
ao ser interpretada pelo Espírito Santo tem como resultado natural o testemunho
cristão. Portanto, o testemunho cristão, que era o impulso e motivação dos
crentes do primeiro século, era a alegria de ser justificado.
Cristianismo consiste primariamente na presença do próprio Cristo
nos cristãos, logo em seguida no ensinamento de doutrina, e só depois a
instituição. É pela obra do Espírito Santo que Jesus foi feito Cristo e Senhor.
Pela interpretação e divulgação
deste fato pelos apóstolos surgiu o Cristianismo como religião histórica. O
Cristianismo essencial ou histórico, repitamos, é o Jesus da história como
Cristo nos homens.
Este fato nem sempre tem recebido de nós a devida atenção. Para
compreendermos a situação do Cristianismo em qualquer período da história,
precisamos verificar o destaque que nele foi dado à pessoa de Jesus Cristo.
Também, se desejamos avivar nosso trabalho de testemunho, precisamos dar a
devida atenção à pessoa de Jesus Cristo. Precisamos distinguir entre o
Cristianismo essencial ou histórico e o Cristianismo “moderno” que muitas vezes
procuramos implantar nos homens. O método e êxito para isto não depende de
formularmos uma doutrina ou teologia de evangelização, nem do aperfeiçoamento
dos nossos meios de comunicação. Tudo isto, certamente, tem o seu lugar ou
utilidade. O método essencial, porém,
deve ser ensinar as pessoas através de nosso próprio testemunho do que
significa Jesus Cristo para nós. Freqüentemente proclamamos hoje, como
Igreja, uma mensagem de justificação, em essência, Justificação pela Fé, o que
é básico e essencial. Mas, que sentido exato tem esta afirmação para nos mesmo
e para o mundo? Que testemunho de interpretação nos poderíamos então dar e
realmente damos sobre essa mensagem tão diferenciada e importante? Temos uma
experiência de justificação?
Desejamos aqui despertar a atenção dos alunos para este assunto,
mas não podemos examinar em pormenores a sua importância. Chamamos a atenção
para que, no estudo sobre a história da Igreja, verifiquemos o lugar que a
pessoa de Cristo tem tido nos vários períodos da história. Abordamos, aqui,
apenas o destaque que a pessoa de Jesus Cristo teve na propagação do
Cristianismo no período do Novo Testamento.
1.
A Propagação do Cristianismo em Jerusalém. O Cristianismo como realidade histórica
surgiu definitivamente em Pentecostes, se bem que ao certo ela já estava
organizada de forma embrionária durante o ministério de Jesus. O
desenvolvimento começou com a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e com
a interpretação que estes fizeram depois da pessoa de Jesus com quem tiveram
convívio durante o seu ministério. No Pentecostes os apóstolos tornaram-se e
passaram a atuar como testemunhas de
Jesus Cristo e do que Deus fizera com Ele. Eram Testemunhas, por exemplo, de
que Deus o ressuscitou dos mortos. Este testemunho dos apóstolos inicialmente
era acompanhado pelas maravilhas com que Deus glorificou o Seu Filho.
Como resultado da obra do Espírito Santo nos apóstolos e do testemunho
que estes deram de Jesus Cristo, surgiu em Jerusalém uma nova comunidade
espiritual cujas características estão descritas em Atos 2:42-47 e 4:32-34. Os
que creram em Jesus Cristo formaram esta Comunidade que foi denominada
“Igreja”. A formação da Igreja era um movimento espontâneo, era fruto da sua
experiência interpretada. Essa Comunidade é que mais tarde foi chamada Igreja de Cristo (Romanos 16:16). Esse nome estava em completo acordo
com o testemunho essencial dos cristãos, eles testemunhavam da obra de Jesus em favor deles, e de como
o JesusHomem, era o Cristo anunciado pelos profetas, eles
anunciavam o Cristo que os tinha justificado pela obra na realizada e consumada
na cruz. O testemunho dos apóstolos e o crescimento da Igreja inicialmente eram
acompanhados pelos sinais operados por Deus como, por exemplo, a cura do coxo
junto à porta do templo, cuja finalidade era glorificar a Jesus Cristo. A
Igreja cresceu até que a cidade de Jerusalém toda tinha conhecimento da
doutrina sobre a salvação por meio da Justiça de Deus (Atos 5:28).
Os adversários admitiram que a causa do movimento estava no fato
de que os discípulos haviam estado com Jesus (Atos 4:13). Isto revela que o que
estava em foco na pregação era a pessoa de Jesus que era o Cristo predito nas
Escrituras Hebraicas. Inevitavelmente surgiu a oposição dos que eram
responsáveis pela crucificação de Jesus e de quem os discípulos testemunhavam
que tinha sido ressuscitado por Deus. O Cristianismo histórico surgiu e
propagou-se como resultado do testemunho que os apóstolos deram de Jesus
Cristo. A Igreja primitiva era espontânea e espiritual e não um efeito de
atividades de entretenimento para os membros, ou seja, a espiritualidade não
era imposta por leis e mandamentos, mas por causa de vida de Jesus em cada
membro. Sobre a atuação dos
apóstolos, a narrativa era a seguinte: “E
todos os dias, no templo (dos judeus) e nas casas, não cessavam
de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo” (Atos 5:42) – Um destaque
devemos fazer sobre esta passagem. Três palavras em destaques: templo, casas e ensinar.
Os primeiros discípulos não construíam templos, esta palavra é usada aqui para
se referir ao grande templo
dos judeus, o que nos leva a acreditar que a narrativa de Atos 5 está situada
antes da destruição do Templo judaico no ano 70 d. C. O trabalho missionário
era concentrado nas casas,
pois as reuniões da igreja primitiva seguia esse modelo, desde que eles
acreditavam que não mais Deus habitava em templos feitos de mãos humanas (Atos
7:48 e 17:24) e a ênfase da atividade missionária dos discípulos era o ensino, em especial anunciando a
salvação provida mediante a fé em Jesus Cristo. O centro do movimento e das
atividades dos primeiros discípulos era Cristo. A expansão do Cristianismo em
Jerusalém trouxe perseguição por parte dos adversários, que culminou com a
morte de Estevão. Em face das perseguições o Cristianismo passou a se propagar
fora de Jerusalém e o nome de Jesus Cristo foi divulgado em toda parte.
2.- A propagação do
Cristianismo na Judéia e Samaria. Quanto ao destaque à pessoa de Jesus
Cristo na propagação do Cristianismo na Judéia e Samaria e na obra missionária
de Paulo até o final do período da história do livro de Atos, vamos mencionar
apenas alguns exemplos desta propagação sem entrar em pormenores. Disperso
devido às perseguições em Jerusalém, Filipe chegou a Samaria, e pregava ali a
“Cristo”. Os samaritanos, que já conheciam a Jesus, ouvem agora de Felipe que
esse Jesus era o Cristo. Depois disso, Filipe, divinamente dirigido,
encontrou-se com um etíope que, na sua viagem de regresso para a sua terra, lia
a Escritura Hebraica, e lhe ensinou a correta interpretação do texto da Bíblia,
ou seja, fez uma exegese correta e anunciou “a Jesus”. Filipe ensinou sobre a
pessoa histórica de Jesus como cumprimento da profecia que o etiope estava
lendo. O etiope creu e se converteu. Na conversão de Saulo no caminho de
Damasco aparece em grande destaque a ação da própria pessoa de Cristo
glorificado junto a Saulo. Aparece a ele como “Jesus” histórico. Aparece também
junto a Ananias instando-o para ir orientar a Saulo com referência ao que ele
devia fazer. Logo depois, Saulo começou a ensinar
em Damasco que Jesus era o filho de Deus. O que se vê nestes casos é o destaque
ao ensinodafé, ensino centralizado na pessoa de Jesus como Filho de Deus.
Igualmente, também, a pessoa de Jesus foi o ensino ministrado por Pedro na casa de Cornélio, quando o
Cristianismo transcendeu as fronteiras da nacionalidade. Pedro fez um estudo de
como Jesus de Nazaré, ungido de Deus com virtude, andou fazendo o bem (Atos
10:38) como fora crucificado e ressuscitado e como todos aqueles que aceitassem
essa dádiva divina de salvação em Cristo receberiam a justificação. Este estudo bíblico sobre a ação salvadora de Deus em
Cristo foi o ponto máximo no ensino
de Pedro na casa de Cornélio quando o Cristianismo passou para o meio dos
gentios. Notamos que o Cristianismo se expandia como resultado direto do ensino
das verdades bíblicas relativas a Jesus e não de programas que visam apenas
divertir e entreter multidões.
3.- A Propagação do
Cristianismo até os Confins da Terra. Na propagação do Cristianismo
também entre os gentios em geral, a única mensagem ensinada pelos crentes em toda parte era a pessoa de Jesus
Cristo. Sem entrar em minúcias, chamamos a atenção dos alunos apenas para
alguns casos concretos. Quando, por exemplo, Lucas fala dos crentes dispersos
pelas perseguições em Jerusalém (Atos 8:1), ele fala que alguns varões chíprios
e cirenenses ensinavam aos
gregos em Antioquia e como fruto desses ensinos
grande número se converteu ao Senhor (Atos 11:20-21 e 24). Foi na base destes ensinamentos que se implantou o
Cristianismo em Antioquia e foi constituída ali a Igreja. Também pela mesma
razão os discípulos em Antioquia foram chamados de “cristãos”. A Igreja de
Cristo que estava em Antioquia pouco depois se tornou um centro de expansão
missionária, pois era fundamentada sobre um alicerce correto, essa base era o ensino correto e apropriado da
Justificação pela Fé em Cristo, mensagem essa que alegrou o coração dos
gentios, que viram a inutilidade das obras tanto para o judaísmo como para todo
o sistema religioso pagão. Os missionários que saíram de Antioquia estavam sob
a orientação do Espírito Santo (Atos 13:1-3). É digno de destaque saber que quando
Paulo e Barnabé regressaram de sua primeira viagem relataram (fizeram um
relatório) de como Deus tinha aberto aos gentios “a porta da fé” (Atos 14:27).
Na história da obra missionária de Paulo, temos muitos exemplos de
como, em momentos especiais e marcantes no seu trabalho, ele apresentou a
mensagem da Justificação pela Fé na pessoa de Jesus Cristo. Ao carcereiro de
Filipos disse, por exemplo, “Crê no
Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16:31). A Igreja de Cristo em
Filipos era composta de crentes em “Jesus Cristo” (Filipenses 1:1), isto é
digno de nota, pois a conversão era a Cristo Jesus e não a qualquer sistema de
doutrinas. Em Tessalônica Paulo ensinou que convinha que o Cristo padecesse e
ressuscitasse dos mortos. Explicou que “esse Jesus é o Cristo” (Atos 17:3).
Depois, no areópago de Atenas, o ponto culminante da mensagem de Paulo foi o
ensino de que Deus destinou um varão que foi ressuscitado dos mortos. Também no
seu longo ministério em Corinto, o único assunto de sua pregação era Cristo e esse
crucificado. Em sua defesa perante o rei Agripa, Paulo afirmou que o seu ensino era que Cristo devia
padecer e que Ele era o primeiro a ressurgir dos mortos, e que devia anunciar
essa mensagem somo se fosse uma luz para o povo judaico e aos gentios.
Verificamos, portanto, que no ensinamento
de Paulo e dos cristãos primitivos em geral, era a ação salvadora de Deus na
pessoa de Jesus Cristo. E que foi por meio dessa qualidade de ensino que o Cristianismo
penetrou e implantou-se nos principais centros do império romano. Foi nesta
base que a expansão do Cristianismo chegou ao ponto máximo na sua marcha
essencialmente didática e sem problemas de natureza especulativa. No ensino dos apóstolos e dos
outros cristãos do primeiro século até esta altura a pessoa de Jesus Cristo e
de Sua obra salvadora eram apresentadas como fatos de experiência sem qualquer
tentativa para interpretações doutrinárias e especulativas. O ensino e a didática, como já
comprovamos, eram essencialmente o testemunho de como a Justificação era uma
realidade pessoal dos cristãos, o
testemunho cristão era em essência a experiência da justificação.
Na parte final do primeiro século da era cristã, porém, em face
das provações e desânimo causados pelas perseguições, muitos cristãos de origem
judaica começaram a enfraquecer na fé e a se inclinar para voltar ao judaísmo,
esse movimento de volta ao judaísmo, tão combatido por Paulo nas Epístolas aos
Romanos, aos Efésios e em especial aos Gálatas, foi conhecido na história como
“judaizante”.
Diante dessa situação, surgiu então, a necessidade de uma defesa
do Cristianismo e de exaltar a salvação cristã em contraste com o judaísmo. É a
situação refletida no Livro aos Hebreus, por exemplo. Sua finalidade e didática é fortalecer os crentes
e mostrar o final do velho sistema de culto e ritos judaicos. Nela pode-se ver
claramente o ensino da
superioridade da Nova Aliança, portanto, do cristianismo sobre o judaísmo.
No final do primeiro século, o Cristianismo histórico na revelação
do Apocalipse aparece com suas formas e atividades externas estabelecidas como
sejam, por exemplo: A observância do Domingo como dia do Senhor (Apocalipse
1:10), a posição das igrejas comparadas a castiçais de ouro, o que demonstra o
valor de cada uma, apesar dos problemas que cada uma enfrentavam, cada igreja
local identificada como tendo uma liderança composta e nunca uma única pessoa,
uma liderança responsável comparada a um “anjo”. O Cristianismo apresenta-se
organizado e em condições de prosseguir como religião histórica. Além da
situação já existente, a revelação de Cristo a João prediz também as coisas que
ainda hão de acontecer e a necessidade de a Igreja de Cristo ouvir a mensagem
de Jesus através dos seus pastores sob a orientação do Espírito Santo. Porém, o
mais descuidado na leitura de Apocalipse, é que desde o início podemos notar o
claro ensino da Justificação pela Fé o que torna o último Livro do Novo
Testamento também um Livro de didática espiritual e salvadora (veja como
exemplo: Apocalipse 1:5-6 e 22:11, 14, 21 – Desde o início até o fim o tema do
Livro também é a experiência da justificação pela fé, os benefícios do sangue
de Cristo e a graça divina)
A partir do segundo século, com o desaparecimento dos apóstolos e
da influência pessoal dos cristãos primitivos, começaram a surgir entre alguns
líderes do Cristianismo, em face de perseguições e heresias, várias tendências
de interpretar criticamente ou em termos racionais a pessoa de Jesus Cristo,
para Ele poder ter a capacidade de operar a Justificação provida por Deus. Eram
tendências despertadas pela filosofia e idéias religiosas pagãs. Mesmo assim,
durante esta transição para o método especulativo, perdurou ainda por algum
tempo o ensino correto sobre o tema e a apresentação do testemunho de cristãos
que tinham a experiência da justificação em suas vidas. Isto significava, que
mesmo nos primórdios da Igreja de Cristo, enquanto de maneira progressiva era
introduzida uma outra forma de salvação, muitos fieis permaneceram do lado da
verdade. A obra salvadora de Jesus no primeiro século ainda não era
interpretada de forma doutrinária, mas de maneira prática. Os cristãos
primitivos (do primeiro século) apenas aplicavam à vida os benefícios da
Justificação, sem se perguntar “como se explica essa doutrina?”. A morte e a vida
de Cristo era aplicada na vida como benefícios de Deus ao homem e essa
aplicação prática era o ponto máximo e único do ensino teológico, é dessa forma
que podemos extrair das Cartas de Paulo para a Igreja. (1 Coríntios 15:3-4). A
fé era a base e alicerce da salvação.
Porém, a partir do segundo século, começou a surgir em algumas
igrejas o ensino de uma interpretação
da pessoa de Cristo. Ao invés de apenas acreditar na obra salvadora, muitos
começaram a analisar criticamente essa obra de redenção. E no intuito de
explicar se inicia um sem número de especulações. Por exemplo: Foi então que se
começou a perguntar se Jesus Cristo era divino ou humano; se era Filho de Deus
ou era filho do homem, e como essas idéias podiam ser harmonizadas. Esta
mudança no interesse, no pensamento e no ensino é maior do que podemos
imaginar, as mudanças foram se ampliando até que culminou num sistema “cristão”
que ensinava a salvação pelas obras.
Mencionaremos algumas causas e como isso aconteceu: Quando o
ensino apostólico passou para o ensino dos séculos posteriores foi óbvio que
não só o ensino original foi se perdendo, como também a influência do
verdadeiro cristianismo. Precisamos reafirmar que esta tendência crítica surgiu
em face de heresias, umas negando, por exemplo, a divindade de Jesus Cristo, e
outras negando sua humanidade. Havia necessidade de doutrinar as igrejas em
face de tais problemas e outros semelhantes, vindos de fora. Quando, porém, o
cristão precisa se defender contra os ataques do mundo, ou quando ele precisa
defender aquilo em que crê em face de desafio das heresias, ele corre o perigo
de abandonar a sua fé genuína e pessoal e se enveredar para a especulação. O ensino realmente cristão era um
testemunho prático da fé em Cristo e não uma resposta doutrinária à perguntas
dos que em Jesus não acreditam. No
ensino cristão, jamais a exposição doutrinária está isolada do testemunho da fé
e da experiência pessoal com Cristo.
Nos primeiros séculos depois do período apostólico, até 320 d. C.,
por exemplo, os teólogos, embora já tivessem os seus pensamentos despertados
para assuntos de controvérsias cristológicas, mantiveram ainda uma posição
genuinamente evangélica com referência à pessoa e obra de Jesus Cristo. Jesus
Cristo continuou a ser crido e ensinado como o único e suficiente mediador
entre Deus e os homens. A sua morte na cruz era considerada fato essencial na
obra redentora. O sofrimento de Cristo era considerado vicário e Sua vida
substitutiva.
Os escritos dos teólogos deste período geralmente pouca referência
fazem à idéias especulativas. Não havia ainda esforços para se formar algum
sistema de teologia. Também os assuntos básicos do Cristianismo ainda não eram
estudados em profundidade ou exaustivamente. A aceitação da pessoa e obra de
Jesus Cristo era essencialmente prática. Clemente de Roma diz, por exemplo, que
o sangue de Cristo foi derramado para a nossa salvação e trouxe a graça de Deus
e a chamada ao arrependimento dirigido ao mundo inteiro. A morte de Cristo
traz, diziam os teólogos, a salvação e a vida eterna. Era o período da expansão
do cristianismo, esse era o “poder de Deus”, era o evangelho de Cristo para
salvação (Romanos 1:16). Era simples, singelo, sem ostentação, nem “shows para
arrastar multidões”. Nessa época, que agora passaremos a chamar de “Cristianismo Histórico”, as Igrejas de Cristo atuavam na maior
humildade, com apenas um testemunho pessoal, era a demonstração do poder do
evangelho que podia transformar um pecador em uma pessoa que desfrutava dos
benefícios da Justificação pela Fé, esse ensino transformou o mundo de então e
abalou o Império Romano.
Já explicamos que o Cristianismo Histórico apresentava um ensino simples sobre a condição
do homem sem Deus, e a solução provida na obra salvadora de Jesus, era essa a
única ênfase, nada havia de interpretação especulativa. Como resultado desse ensino simples, humilde e
singelo o Cristianismo Histórico estendeu suas fronteiras e chegou a predominar
no Império Romano.
Porém, e isto é lamentável, e também um tremendo ensinamento para
nossos dias, algumas igrejas começaram a sofrer neste período, depois da morte
dos apóstolos, depois do segundo século, a influência de tendências para o
sacramentalismo com reuniões cheias de programações, cerimônias e paramentos,
dando demasiada importância ao batismo, ao ascetismo, obras externas como
atributos de salvação e a perda da visão da Justificação pela Fé. Por exemplo:
A celebração da missa é mais uma encenação que um culto cristão, veja como
Martinho Cochêm descreve o cerimonial no livro: Explicação da Missa, página 40
– “O sacerdote durante uma só missa
benze-se 16 vezes, volta-se para o povo outras 16 vezes, beija o altar 8 vezes,
levanta os olhos 11 vezes, 10 bate no peito, ajoelha-se outras 10 vezes e junta
as mãos 54 vezes. Faz 21 inclinações com a cabeça e 7 vezes com os ombros,
inclina-se 8 vezes e beja a oferta 36 vezes! Põe as mãos sobre o peito 11 vezes
e oito vezes olha para o céu, faz 11 rezas em voz baixa e 13 em voz alta,
descobre o Cálix e o cobre novamente 5 vezes e muda de lugar 20 vezes!”.
Veja como o desvio da fé se iniciou quando movimentos de cenário
começaram a substituir as singelas reuniões de ensino da Palavra. A fé se
perdeu quando o culto era uma programação para entreter as pessoas e não para
ensinar as pessoas.
Tudo isso começou a enfraquecer a fé e a vitalidade inicial,
aquilo que no Apocalipse é chamado de “primeiro
amor” (Apocalipse 2:4). O “primeiro
amor” era a fé cristã como aceitação da graça de Deus.
Devemos notar com cuidado que esta
religião especulativa e cheia de cerimônias tomou corpo, muito mais quando sua
Sede se estabeleceu em Roma, em contradição com a Sede de Jerusalém.
Sabemos pela leitura atenta de Atos, que as Igrejas de Cristo, em seus
primórdios tinham como organização centralizada a cidade de Jerusalém, é
importante notar que o relato de Atos 8:1 explica assim: “e fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava
em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto
os apóstolos”. Os apóstolos deveriam permanecer em Jerusalém, apesar da
grande perseguição, pois Jerusalém era a Sede da organização e ali deveria
permanecer a liderança. Durante o primeiro século, enquanto os apóstolos
estavam ainda vivos a hierarquia da Igreja de Cristo repousava sobre uma
liderança tríplice, veja com atenção Gálatas 2:9 – “E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as
colunas...”. Note-se com atenção que quem está fazendo este
reconhecimento é Paulo, ele que muito bem poderia querer, dada a sua importância,
estabelecer um ministério individual. Mas, pelo contrário notamos que ele se
reportou à liderança de Jerusalém para dar o seu relatório e solucionar o
problema criado com o ensino da Justificação pela Fé aos gentios (Atos 15 –
todo o capítulo). Sim! No ano 49 d.C., foi preciso que eles se reunissem em
Jerusalém para resolver questões que afetavam os cristãos em geral. O relato de
Atos nos diz que, depois duma consideração aberta, “então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos (Presbíteros), com toda a
igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a
Antioquia, a saber Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os
irmãos”. A Igreja aqui
mencionada é o reconhecimento que havia uma única Igreja, cuja sede estava em
Jerusalém. Nesta reunião notamos também que quem falou foi Pedro (Atos 15:7), que como vimos formava parte da liderança
tríplice, assim como também quem falou dando sua opinião foi Tiago (Atos 15:13), um dos
outros apóstolos da diretoria geral. Após a resolução, a Bíblia relata que essa
resolução deveria ser aceita por todas as igrejas locais que estavam sob a
jurisdição de Jerusalém (Atos 15:23; 16:4). Evidentemente os três apóstolos
serviam como órgão diretor para as congregações dispersas das Igrejas de Cristo
(Romanos 16:16). Então, visto que aquela tríplice liderança em Jerusalém era o
modelo cristão primitivo para a supervisão geral sobre todos os discípulos. Se
a Igreja desejar seguir o padrão e modelo original, ele é indicado com clareza
nas páginas do Novo Testamento. A Igreja não pode se perder na busca de outros
modelos a não ser aquele que Jesus estabeleceu para sua Igreja. Desde que a
Igreja estava em formação, enquanto Jesus ainda estava com seus discípulos já
tinha estabelecido essa hierarquia (Veja com atenção Mateus 17:1; Mateus 26:37
e Marcos 5:37).
Devemos ainda destacar que depois que os perguntaram ao Salvador: “... Dize-nos, quando serão essas coisas, e
que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Mateus 24:3. Como
resposta a essa pergunta, o primeiro que Jesus lhes disse foi: “Acautelai-vos
que ninguém vos engane” Mateus 24:4 – E a continuação lhes explica que o engano
consistiria num engano religioso; assim, o sinal era caracterizado pelo maior
engano que o mundo já viu! Portanto, o engano religioso seria o primeiro e mais
importante sinal para indicar as cousas que aconteceriam após a morte dos
apóstolos. As conseqüências de ser enganados pela falsa religião são muito
piores do que ser vítimas da fome, enfermidade ou guerra. A conseqüências são
de valor eterno. Jesus advertiu dizendo que seriam enganados “se for possível”
até os escolhidos, os próprios eleitos (Mateus 24:24).
De acordo com o Livro de Apocalipse essa falsa religião, o grande
engano, teria muita autoridade e uma adoração mundial ou universal (“Deu-se-lhe
ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os
que habitam sobre a terra” Apocalipse 13:7-8).
PRINCIPAIS
DATAS DO CRISTIANISMO
|
DATAS
|
F A T O S H I S T Ó R I C O S
|
|
155
|
Morre queimado Policarpo, bispo de Esmirna.
|
|
100/165
|
Justino, o Mártir, um dos apologistas do cristianismo.
|
|
160/320
|
Tertuliano, advogado cartaginês, notável apologista do
cristianismo.
|
|
313
|
Publicação do Edito de Milão, pelo Imperador Constantino, pondo
fim à era de perseguições.
|
|
325
|
Concílio de Nicéia I: condenou o arianismo. Aprovou o Credo de
Nicéia.
|
|
340/420
|
Jerônimo, traduziu a Bíblia para a o latim (Vulgata).
|
|
381
|
Concílio de Constantinopla I: definiu a divindade do Espírito
Santo.
|
|
385/405
|
Período em que Jerônimo traduz a Vulgata.
|
|
401
|
Início do gradativo fortalecimento do papado e da Igreja
Católica Romana que se estende por toda Idade Média.
|
|
431
|
Concílio de Éfeso: condenou o nestorianismo. Define a unidade
pessoal de Cristo.
|
|
451
|
Concílio de Calcedônia: condenou o monofisismo. Define as duas
naturezas de Cristo.
|
|
553
|
Concílio de Constantinopla II: condena os erros de Orígenes.
|
|
680
|
Concílio de Trulano (em Constantinopla).
Trulano II ou Qüinissexto (692), considerado como complementação dos dois anteriores, condenou o monotelismo. |
|
787
|
Concílio de Nicéia II. Condena a veneração de imagens.
|
|
1096/1291
|
Período das Cruzadas.
|
|
1140/1217
|
Pedro Valdo, pré-reformador. (Valdenses)
|
|
1198
|
Papa Inocêncio III institui “os inquisidores da fé contra os
albigenses”. Considerados hereges, o extermínio começou no ano de 1209 e se
estendeu por vinte anos.
|
|
1328/1384
|
João Wyclif ou Wycliffe, pré-reformador.
|
|
1369/1415
|
João Huss, pré-reformador, herói da Boêmia, morto na fogueira
por decisão do Concílio de Constança.
|
|
1419
|
Nasce João de Wesselus ou Wessel, pré-reformador.
|
|
1452/1499
|
Jerônimo (Girolamo) Savonarola, pré-reformador.
|
|
1469/1536
|
Erasmo de Roterdam, humanista.
|
|
1479
|
O pré-reformador João de Wessália, notável doutor de teologia em
Erfurt, morre na prisão.
|
|
10/11/1483
|
Nasce Martinho Lutero, líder da Reforma Religiosa do Século XVI,
comemorada no dia 31 de outubro.
|
|
17/07/1505
|
Martinho Lutero ingressa na ordem dos agostinianos.
|
|
1511-1553
|
Serveto, médico e teólogo espanhol, preso, condenado e queimado
em Genebra.
|
|
31/10/1517
|
Dia da Reforma Religiosa. Lutero prega na porta da Igreja de Wittenberg suas famosas 95 teses.
|
|
1491/1556
|
Inácio de Loyola, fundador da Sociedade de Jesus (jesuítas),
braço da Igreja católica na contra-reforma.
|
|
1492/1559
|
Meno Simons, o mais célebre líder dos anabatistas. Daí vem o
termo "menonitas".
|
|
1505/1572
|
John Knox, reformador da Escócia, funda, em 1560, a Igreja que viria a chamar-se
Presbiteriana.
|
|
10/07/1509
1564 |
João Calvino, reformador, pastor em Genebra. Pai do calvinismo.
|
|
31/10/1517
|
Reforma Religiosa do Século XVI. Nesta data, Lutero afixa as 95
teses à porta da Igreja de Wittenberg, recomendando as Sagradas Escrituras
como base da fé cristã.
|
|
10/03/1557
|
Realiza-se, no Rio de Janeiro, o primeiro culto reformado no
Brasil. Pregou o pastor Pierre Richier.
|
|
21/03/1557
|
Organizada a primeira igreja evangélica do Brasil e da América
do Sul.
|
|
08/01/1560
|
Morre Jan Laski, reformador polonês. Participou da tradução da
Bíblia para o polonês, publicada em 1563.
|
|
1560
|
João Knox funda, na Escócia, a Igreja Presbiteriana, também
chamada Reformada ou Calvinista, sob inspiração do sistema doutrinário e
eclesiástico de João Calvino.
|
|
1560/1609
|
Jacobus Arminius, teólogo holandês, O arminianismo sustenta que
os benefícios da graça são oferecidos a todos.
|
|
1565
|
Falece o reformador suíço Guilherme Farel.
|
|
24/08/1572
|
Noite de São Bartolomeu.
|
|
1577
|
Fórmula da Concórdia, credo firmado pelos luteranos que
delimitava a o pensamento teológico calvinista e luterano, perpetuando a
separação dos grupos.
|
|
1666-1686
|
Felipe Jacó Spener, líder do Pietismo.
|
|
1624/1647
|
George Fox, fundador da seita dos quaquers.
|
|
1631/1705
|
Felipe Jacó Spener, líder do Pietismo
|
|
1643/1648
|
Reúne-se a Assembléia de Westminster e elabora conhecida
confissão de fé
|
|
1661
|
Fundada em Londres a primeira igreja Anabatista da Inglaterra.
|
|
1685
|
Nasce o Pietismo, grande despertamento espiritual após a
Reforma, e que durou cerca de meio século.
|
|
1700-1760
|
Conde Nicolau von Zinzendorf, fundador da comunidade dos
moravianos.
|
|
1701
|
Início do trabalho missionário mundial.
|
|
1703/1758
|
Jonathan
Edwards.
|
|
17/06/1703
22/03/1791 |
John Wesley, fundador do Metodismo.
|
|
1714/1770
|
George Whitefield
|
|
1732
|
Os morávios enviam Hans Egede à Groelândia, dando início ao
movimento de missões estrangeiras.
|
|
24/05/1738
|
Data da experiência máxima de João Wesley.
|
|
1735/1743
|
Primeiro grande avivamento da História da Igreja.
|
|
1735/1811
|
Robert Raikes, jornalista inglês, criador da Escola Dominical.
|
|
12/05/1739
|
Wesley começa a pregar ao ar livre, em Bristol.
|
|
1747
|
Charles e John Wesley visitaram a Irlanda pela primeira vez.
|
|
1761/1834
|
William Carey, missionário na Índia.
|
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1805/1844
|
Joseph Smith criador da seita dos mórmons.
|
|
1832/1905
|
Hudson Taylor, missionário na China
|
|
1761/1834
|
William Carey, o pai das missões modernas.
|
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1837-12/12/1899
|
Moody, avivalista
|
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1774
|
Primeira Conferência Metodista na Foundery (Londres).
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20/07/1780
|
Começa a funcionar na Inglaterra a primeira escola dominical,
fundada por Robert Raikes.
|
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1792
|
Sociedade Missionária Batista é criada por William Carey.
|
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1792/1875
|
Finney, notável avivalista.
|
|
1813-1873
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David Livingstone, missionário escocês na África, para onde
seguiu em 1840.
|
|
05/05/1813
11/11/1855 |
Soren Aabye Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês,
considerado como o primeiro representante da filosofia existencialista.
|
|
1832/1905
|
James Hudson Tailor, missionário na China.
|
|
1852/1916
|
Charles Taze Russel, fundador a seita conhecida como Testemunhas
de Jeová.
|
|
19/08/1855
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Fundada a primeira EBD no Brasil, em Petrópolis, RJ, por Roberto
Kalley e sua esposa.
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23/08/1884
30/07/1976 |
Rudolf Bultman, um dos expoentes da Teologia da Dialética.
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1886/1968
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Karl Bart, teólogo suíço.
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1889/1966
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Emil Brunner, um dos maiores nomes da teologia do século XX,
comandou Teologia da Dialética.
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1898
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Os Gideões Internacionais, instituição que se dedica à
distribuição de Bíblias, é fundada nos EUA.
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1900
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Charles Parham funda a Escola Bíblica Betel, em Topeka, Kansas,
EUA, onde foram ensinadas as doutrinas que se tornaram o núcleo do movimento
pentecostal mundial.
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25/02/1902
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Nasce em Estrasburgo o teólogo Oscar Culman.
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1906/1945
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Dietrich Bonhoeffer, teólogo e mártir luterano alemão.
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09/04/1906
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Nasce o movimento pentecostal na famosa Rua Azuza, 312, onde se
localizava a Azuza Street Mission, em Los Angeles, EUA.
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1908/2001
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Richard Wurbrand, criador da Missão A Voz dos Mártires.
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07/11/1918
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Nasce Billy Graham, notável pregador batista.
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18/04/1926
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Nasce o Jürgen Moltman, teólogo.
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15/01/1929 04/04/1968
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Martin Luter King, eloqüente pastor batista americano, combateu
a segregação racial, morreu assassinado.
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1931
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Nasce David Wilkerson, criador do Ministério Desafio Jovem.
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23/08/1948
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Fundado, em Amsterdam, Holanda, o Conselho Mundial de Igrejas.
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1960
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Loren Cunnigham funda, nos Estados Unidos, a JOCUM, Jovens Com
Uma Missão.
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1966
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Nasce a renovação carismática (RCC) nos Estados Unidos, na
Duquesne University of Holy Spirit, em Pittsbourgh,
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ALGUNS PERSONAGENS REVELANTES DA HISTÓRIA DA IGREJA
CHARLES
FINNEY (1792-1875)

Nasceu de uma família descrente e se criou num lugar onde os
membros da igreja conheciam apenas a formalidade fria dos cultos. Tornou-se um
advogado que, ao encontrar nos seus livros de jurisprudência muitas citações da
Bíblia, comprou ume exemplar com a intenção de conhecer as Escrituras. Eis um trecho
de sua biografia: Ao ler a Bíblia, ao assistir às reuniões de oração, e
ouvir os sermões do senhor Galé, percebi que não me achava pronto a entrar nos
céus... Fiquei impressionado especialmente com o fato de as orações dos
crentes, semana após semana, não serem respondidas. Li na Bíblia “pedi e
dar-se-vos-á”. Li, também, que Deus é mais pronto a dar o Espírito Santo aos
que lho pedirem, do que os pais terrestres a darem boas coisas aos filhos.
Ouvia os crentes pedirem um derramamento do Espírito Santo e confessarem,
depois, que não o receberam. Exortavam uns aos outros a se despertarem para
pedir, em oração, um derramamento do Espírito de Deus e afirmavam que assim
haveria um avivamento com a conversão de pecadores... Foi num domingo de 1821
que assentei no coração resolver o problema sobre a salvação da minha alma e
ter paz com Deus. (...) Fui vencido pela convicção do grande pecado de eu
envergonhar-me se alguém me encontrasse de joelhos perante Deus, e bradei em
alta voz que não abandonaria o lugar, nem que todos os homens da terra e todos
os demônios do inferno me cercassem. O pecado parecia-me horrendo, infinito.
Fiquei quebrantado até o pó perante o Senhor. Nessa altura, a seguinte passagem
me iluminou: “ Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração”.
A conversão de Finney e o seu imediato batismo no Espírito Santo,
contados em sua biografia, são impressionantes. O amor a Deus, a fome de sua
Palavra, a unção para testemunhar e anunciar do Evangelho vieram sobre ele no
dia de sua entrega a Jesus. Imediatamente, o advogado perdeu todo o gosto pela
sua profissão e tornou-se um dos mais famosos pregadores do Evangelho.
Eis o segredo dos grandes pregadores, nas palavras do próprio
Finney: Os meios empregados eram simplesmente pregação, cultos de oração, muita
oração em secreto, intensivo evangelismo pessoal e cultos para a instrução dos
interessados. Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que, às vezes,
orava realmente sem cessar. Achei, também, grande proveito em observar
freqüentemente dias inteiros de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar
inteiramente sozinho com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro do
templo.
Conta-se acerca deste pregador que depois de ele pregar em
Governeur, no Estado de New York, não houve baile nem representação de teatro
na cidade durante seis anos. Calcula-se que somente durante os anos de 1857 e
1858, mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pelo ministério de
Finney. Na Inglaterra, durante nove meses de evangelização, multidões também se
prostraram diante do Senhor enquanto Finney pregava.
Descobriu-se que mais de 85 pessoas de cada 100 que se convertiam
sob a pregação de Finney permaneciam fiéis a Deus; enquanto 75 pessoas de cada
cem, das que professaram conversão nos cultos de algum dos maiores pregadores,
se desviavam. Parece que Finney tinha o poder de impressionar a consciência dos
homens sobre a necessidade de um viver santo, de tal maneira que produzia fruto
mais permanente.
CHARLES
SPURGEON (1834-1892)

Conhecido como o “príncipe dos pregadores”, aos 19 anos já era
pastor na Park Street Chapel, em Londres. A princípio um luar muito amplo, para
mil e duzentas pessoas, porém freqüentado por um pequeno grupo de fiéis. Em
poucos meses o prédio não comportava mais a multidão e eles se mudaram para um
outro auditório que comportava quatro mil e quinhentas pessoas! A Igreja então
resolveu alugr o Surrey Music Hall, o prédio mais amplo, imponente e magnífico
de Londres, construído para diversões públicas. O culto inaugural deu-se em 19
de outubro de 1856. Quando o culto começou, o prédio no qual cabiam 12.000
pessoas estava superlotado e havia mais 10.000 fora que não puderam entrar!
Uma terrível catástrofe ocorreu neste dia. Ao início do culto,
pessoas diabólicas se levantaram gritando “ Fogo! Fogo!”, provocando um grande
alvoroço e um saldo de sete pessoas mortas e vinte e oito gravemente feridos.
Isto não impediu que o interesse pelos cultos até aumentasse. Em março de 1861
sua Igreja concluiu a construção do Metropolitan Tabernacle, local que
comportava uma média de 5.000 pessoas a cada culto dominical, isto perdurando
pelos próximos 31 anos. Pregou em cidades de toda a Inglaterra e noutros países:
Escócia, Irlanda, Gales, Holanda e França. Pregava ao ar livre e nos maiores
edifícios, em média oito a doze vezes por semana!
Spurgeon publicou inúmeros livros. Milhares de sermões seus foram
publicados e traduzidos para diversas línguas. Além de pregar constantemente a
grandes auditórios e de escrever tantos livros, esforçou-se em vários outros
ramos de atividades. Inspirado pelo exemplo de Jorge Muller, fundou e dirigiu o
orfanato de Stockwell. Reconhecendo a necessidade de instruir os jovens chamados
por Deus a proclamar o Evangelho, fundou e dirigiu o Colégio dos Pastores. A
oração fervorosa era um hábito em sua vida. Contava com trezentos intercessores
que, todas as vezes que pregava, mantinham-se em súplica.
DWIGHT LYMAN
MOODY (1837-1899)
Um total de quinhentas mil almas ganhas para Cristo, é o cálculo
da colheita que Deus fez por intermédio de seu humilde servo. Moody nasceu em 5
de fevereiro de 1837, o sexto filho de nove, numa pobre família do Connecticut,
EUA. Sua mãe ficou viúva com os filhos ainda pequenos, o mais velho tinha 12 e
ela estava grávida de gêmeos quando o marido morreu. Sua mãe foi uma crente
fiel e soube instruir seus filhos no Caminho. Aos vinte e quatro anos, logo
após casar-se, em Chicago, Moody deixou um bom emprego para trabalhar todos os
dias no serviço de Cristo, sem ter promessa de receber um único centavo. Tendo
trabalhado com Escolas Bíblicas e evangelização em Chicago, atuou também junto
aos soldados durante a Guerra Civil. Teve uma tremenda experiência numa viagem a
Inglaterra. Visitou Spurgeon no Metropolitan Tabernacle e impressionou-se.
Também contatou Jorge Muller e o orfanato em Bristol. Nesta mesma viagem, o que
mais impressionou Moody e o levou a buscar definitivamente uma experiência mais
profunda com Cristo foram estas palavras proferidas por um grande ganhador de
almas de Dublim, Henrique Varley: O mundo ainda não viu o que Deus fará com,
para e pelo homem inteiramente a Ele entregue. Um terrível incêndio que
praticamente destruiu Chicago, em 1871, também foi um divisor de águas na vida
de Moody. Nesta época ele teme uma marcante experiência com o Espírito Santo.
Voltou a pregar na Inglaterra posteriormente e Deus o usou para inflamar os
corações.. Na Escócia, multidões buscaram ao Senhor. Na Irlanda, maravilhas
também ocorreram, com conversões de multidões ao Senhor. Para termos idéia,
esta viagem culminou com quatro meses de cultos em Londres. Moody pregava
alternadamente em quatro centros. Realizaram-se 60 cultos no Agricultural Hall,
aos quais um total de 720.000 pessoas assistiram; em Bow Road Hall, 60 cultos,
aos quais 600.000 assistiram; em Camberwell Hall, 60 cultos, com a assistência
de 480.000; Haymarket Opera House, 60 cultos, 330.000; Vitória Hall, 45 cultos,
400.000 assistentes. Retornou aos EUA em 1875, sendo reconhecido como o mais
famoso pregador do mundo, continuando a ser um humilde servo de Deus. Durante
um período de 20 anos dirigiu campanhas com grandes resultados nos Estados
Unidos, Canadá e México. Em diversos lugares as campanhas duraram até seis
meses. Transcrevo um depoimento de um dos assistentes a um dos cultos
promovidos por Moody: Nunca jamais me esquecerei de certo sermão que Moody
pregou. Foi no circo de Forepaugh durante a Exposição Mundial. Estavam
presentes 17.000 pessoas, de todas as classes e de todas as qualificações. O
texto do sermão foi: “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia
perdido”. Grandiosa era a unção do pregador; parecia que estva em íntimo
contacto com todos os corações daquela massa de gente. Moody disse
repetidamente: “Pois o Filho do homem veio - veio hoje ao Circo Forepaugh para
procurar e salvar o que se perdera”. Escrito e impresso isso parece um sermão
comum, mas as suas palavras, pela santa unção que lhe sobreveio, tornaram-se
palavras de espírito e de vida.
JOHN WESLEY (1703-1791)
Foi um instrumento poderoso nas mãos de Deus para um grande
avivamento no século XVIII. Nascido em Epworth, Inglaterra, numa família de
dezenove irmãos! Em 1735 foi para a Geórgia como missionário aos índios norte-americanos,
não chegando a ministrar aos índios, mas sim aos colonos na Geórgia. Durante
uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou profundamente
impressionado com um grupo de morávios a bordo do navio. A fé que tinham diante
do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley constantemente durante a
sua juventude) predispôs Wesley à fé evangélica dos morávios. Retornou à
Inglaterra em 1738. Numa reunião de um grupo morávio na rua Aldersgate, em 24
de maio de 1738, ao escutar uma leitura tirada do prefácio de Lutero ao seu
comentário de Romanos, Wesley sentiu seu coração aquecido de modo estranho.
Embora os estudiosos discordem entre si quanto à natureza exata dessa
experiência, nada dentro de Wesley ficou sem ser tocado pela fé que acabara de
receber. Depois de uma viagem rápida para a Alemanha para visitar a povoação
moravia de Herrnhut, voltou para a Inglaterra e, juntamente com George
Whitefield, começou a pregar a salvação pela fé. Essa “nova doutrina” era
considerada redundante pelos sacramentalistas da Igreja Oficial que achavam que
as pessoas já eram suficientemente salvas em virtude de seu batismo na
infância. Em 1739, John Wesley foi a Bristol, onde surgiu um reavivamento entre
os mineiros de carvão em Kingswood. O reavivamento continuou sob a liderança
direta dele durante mais de cinqüenta anos. Viajou cerca de 400.000 km, por todas as partes da Inglaterra,
Escócia, País de Gales e Irlanda, pregando cerca de 40.000 sermões. Sua
influência se estendeu à América do Norte. O metodismo veio a tornar-se uma
denominação após a morte de Wesley.
JONATHAN EDWARDS (1703-1758)
Grande pregador dos EUA, ingressou no ministério em 1726. Seu
primeiro pastorado foi em Northampton, Massachusetts, onde serviu até 1750. Foi
contemporâneo e atuante num grande despertamento espiritual e tido por alguns
como o maior teólogo da América do Norte. Era pregador excelente, com célebres
sermões publicados: Deus Glorificado na Dependência do Homem (1731), Uma
Luz Divina e Sobrenatural (1733) e o mais famoso, Pecadores nas Mãos de
um Deus Irado (1741). Sobre o sermão mais famoso, baseou-se em Deuteronômio
32:35. Depois de explicar a passagem, acrescentou que nada evitava que os
pecadores caíssem no inferno, a não ser a própria vontade de Deus. Afirmou que
Deus estava mais encolerizado com alguns dos ouvintes do que com muitas pessoas
que já estavam no inferno. Disse que o pecado era como um fogo encerrado dentro
do pecador e pronto, com a permissão de Deus, a transformar-se em fornalhas de
fogo e enxofre, e que somente a vontade de Deus indignado os guardava da morte
instantânea. Continuou, então, aplicando ao texto ao auditório: Aí está o
inferno com a boca aberta. Não existe coisa alguma sobre a qual vós vos possais
firmar e segurar... há, atualmente, nuvens negras da ira de Deus pairando sobre
vossas cabeças, predizendo tempestades espantosas, com grandes trovões. Se não
existisse a vontade soberana de Deus, que é a única coisa para evitar o ímpeto
do vento até agora, seríeis destruídos e vos tornaríeis como a palha da eira...
O Deus que vos segura na mão, sobre o abismo do inferno, mais ou menos como o
homem segura uma aranha ou outro inseto nojento sobre o fogo, durante um
momento, para deixa-lo cair depois, está sendo provocado ao extremo... Não há que
admirar, se alguns de vós com saúde e calmamente sentados aí nos bancos,
passarem para lá antes de amanhã... O sermão foi interrompido pelos gemidos
dos homens e os gritos das mulheres; quase todos ficaram de pé ou caídos no
chão. Durante a noite inteira a cidade de Enfield ficou como uma fortaleza
sitiada. Teve início um dos maiores avivamentos dos tempos modernos na Nova
Inglaterra.
MARTINHO LUTERO (1483-1546)
Era um destacado monge agostiniano, doutor em teologia e pregador
na cidade de Wittemberg, quando ocorreu uma grande transformação em sua vida.
Ele mesmo contou: Desejando ardentemente compreender as palavras de Paulo,
comecei o estudo da Epístola aos Romanos. Porém, logo no primeiro capítulo
consta que a justiça de Deus se revela no Evangelho (vs 16 e 17). Eu detestava
as palavras “a justiça de Deus”, porque conforme fui ensinado, eu a considerava
como um atributo do Deus santo que o leva a castigar os pecadores. Apesar de
viver irrepreensivelmente, como monge, a consciência perturbada me mostrava que
era pecador perante Deus. Assim odiava a um Deus justo, que castiga os
pecadores... Senti-me ferido de consciência, revoltado intimamente, contudo
voltava sempre ao mesmo versículo, porque queria saber o que Paulo ensinava.
Contudo, depois de meditar sobre esse ponto durante muitos dias e noites, Deus,
na sua graça, me mostrou a palavra “o justo viverá da fé”. Vi então que a
justiça de Deus, nessa passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus
pela fé, como dádiva. Então me achei recém nascido e no Paraíso. Todas as
Escrituras tinham para mim outro aspecto; perscrutava-as para ver tudo quanto
ensinam sobre a justiça de Deus. Antes, estas palavras eram-me detestáveis;
agora as recebo com o mais intenso amor. A passagem me servia como a porta do
Paraíso. Em outubro de 1517, Lutero afixou à porta da Igreja do Castelo de
Wittemberg as 95 teses, o teor das quais é que Cristo requer o arrependimento e
a tristeza pelo pecado e não a penitência. Lutero afixou as teses para um
debate público, na porta da igreja, como era costume nesse tempo. Estas teses,
escritas em latim, foram logo traduzidas para o alemão, holandês e espanhol.
Logo, estavam na Itália, fazendo estremecer os alicerces de Roma. Foi desse ato
de afixar as 95 teses que nasceu a Reforma. Um ano depois de afixar as teses,
Lutero era o homem mais popular em toda a Alemanha. Quando a bula de
excomunhão, enviada pelo Papa, chegou a Wittemberg, Lutero respondeu com um
tratado dirigido ao Papa Leão X, exortando-o, no nome do Senhor, a que se arrependesse.
A bula do Papa foi queimada fora do muro da cidade de Wittemberg, perante
grande ajuntamento do povo. Lutera era um erudito em hebraico e grego, o que
facilitou sua grande obra, a tradução da Bíblia para o alemão. Ele mesmo
escreveu para o seu povo: Jamais em todo o mundo se escreveu um livro mais
fácil de compreender do que a Bíblia. Comparada aos outros livros, é como o sol
em contraste com todas as demais luzes. Não vos deixeis levar a abandona-la sob
qualquer pretexto. Se vos afastardes dela por um momento, tudo estará perdido;
podem levar-vos para onde quer que desejem. Se permanecerdes com as Escrituras,
sereis vitoriosos. Depois de abandonar o hábito de monge, Lutero resolveu
deixar por completo a vida monástica, casando-se com Catarina von Bora, freira
que também saíra do claustro, e geraram seis filhos.
Como trabalho de complementação a este arquivo deverá enviar para
a Faculdade sob o código de pesquisa história10 o seguinte:
Ø
Mais
um ou dois personagens que você acredite que são relevantes na história da
Igreja.
Ø
Deverá
pesquisar e encontrar as 95 Teses de Lutero e enviar para a Faculdade.
INICIO DE ALGUMAS
DENOMINAÇÕES NO MUNDO E SEUS FUNDADORES
|
Ano |
Pais/Denominação |
Fundador(es) |
|
606
|
Roma - Católica |
Primeiro Papa, Bonifácio |
|
1520
|
Alemanha – Luterana |
Martinho Lutero |
|
1534
|
Inglaterra – Anglicana |
Rei Henrique VIII |
|
1536
|
Suíça – Presbiteriana |
João Calvino |
|
1580
|
Inglaterra – Congregacional |
Roberto Browne |
|
1739
|
Inglaterra – Metodista |
João Wesley |
|
1827
|
EUA - Igreja de Cristo |
Alexandre Campbell |
|
1830
|
EUA – Mórmon |
Joseph Smith |
|
1843
|
EUA – Adventista |
William Miller |
|
1884
|
EUA - Testemunhas de Jeová |
Charles Taze Russell |
|
1903
|
EUA - Pentecostal |
A. J. Tomlinson |
|
1906
|
EUA-O movimento pentecostal |
Em 1906, no dia 9 de abril, na
famosa rua Azuza, 312, onde se localizava a Azuza Street Mission, em Los
Angeles, com Willian J. Seymour, tem início o movimento pentecostal atual. O
primeiro batizado com o Espírito Santo fora um menino de 8 anos. Outros, da
Igreja do Nazareno e de outras igrejas foram sendo batizado |
|
1914
|
EUA - Assembléia de Deus |
Um grupo de Pentecostais |
|
1918
|
EUA - Evangélica Quadrangular |
Aimee Semple McPherson |
INICIO DE ALGUMAS
DENOMINAÇÕES NO BRASIL E SEUS FUNDADORES
|
Igreja
Presbiteriana
|
O missionário
americano Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867) chegou ao Rio de janeiro em
12 de agosto de 1863. Foi ele quem trouxe o presbiterianismo ao Brasil e
fundou aqui a Igreja Presbiteriana que teve sua primeira comunidade local no
Rio de Janeiro (1865). Simonton também foi um dos fundadores do primeiro
jornal evangélico do Brasil, chamado Imprensa Evangélica, em 24 de outubro de
1864
|
|
Congregação
Cristã
|
Fundada em
1909/1910, por Louis Francescon, imigrante italiano radicado no Brasil.
|
|
Assembléia
de Deus
|
Fundada em 18
de junho de 1911, no Pará, por Gunnar Vingren e Daniel Berg, imigrantes
suecos, dissidentes batistas.
|
|
Igreja
Batista Independente
|
Tem origem no
trabalho da Missão de Örebro, Suécia, com a chegada do missionário Erik
Jansson, em 1912 ao Rio Grande do Sul. Em 1952 foi organizada a Convenção das
Igrejas Batistas Independentes, com sede em Campinas, SP, onde tem seu
seminário
|
|
Igreja
Presbiteriana Conservadora do Brasil
|
Em 11/02/1940,
após dois anos de debates sobre a doutrina relacionada às "penas
eternas", a 2ª IPI de São Paulo tornou-se a Igreja Presbiteriana
Conservadora de São Paulo.
Seu órgão oficial é o Presbiteriano Conservador. |
|
Igreja do
Evangelho Quadrangular
|
Fundada em São
Paulo, em 15 de novembro de 1951, por Harold Williams. Foi a primeira a
admitir pastoras
|
|
Igreja
Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo
|
Fundada em São
Paulo, em 1950/1955, por Manuel de Mello.
|
|
Igreja da
Nova Vida
|
Fundada por
Robert McAllister, em Botafogo, Rio de Janeiro, 1955
|
|
Igreja
Internacional da Graça
|
R.R. Soares
|
|
Igreja
Pentecostal Deus é Amor
|
Organizada em
3 de junho de 1962, em São Paulo, por David Miranda.
|
|
Igreja
Presbiteriana Renovada do Brasil
|
Organizada em
1975, em Maringá, PR, fruto da fusão de duas outras igrejas pentecostais: a
IPIR e a ICP. Detém a marca Aleluia.
|
|
Igreja
Universal do Reino de Deus
|
Fundada em 9
de setembro de 1977, por Edir Macedo, no Rio de Janeiro. Atua fortemente na
política
|
|
Igreja
Renascer em Cristo
|
Organizada em
1986, detém a marca Gospel, no Brasil
|
MATÉRIA 17-FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DA
IGREJA.
O QUE É A IGREJA
A Igreja de Deus existe e está presente no mundo. O Senhor Jesus
falou dela, quando disse aos discípulos que “edificaria Sua igreja” (Mateus
16.13-20). Os Reformadores se preocuparam em entender e definir a Igreja. Essa
preocupação se encontra refletida nas confissões de fé adotada pelas Igrejas
após a Reforma protestante. Podemos definir a Igreja como sendo a comunhão de
todos os que foram chamados por Deus, mediante a Sua Palavra, e que recebem a
Cristo como Salvador e Senhor, que conhecem e adoram a Deus Pai, Filho e
Espírito Santo, em verdade, e que participam pela fé dos benefícios gratuitos
oferecidos por Cristo. A Igreja é una, ou seja, só existe uma. Ao mesmo tempo,
ela é universal, está espalhada pelo mundo todo, e têm pessoas de todas as
tribos, povos, e raças (Apocalipse 7.9-10). Isto não quer dizer que a Igreja é
do tamanho do mundo. Existe uma diferença radical entre a Igreja e o mundo. A
Igreja está no mundo, mas não é dele. A Igreja de Deus sempre existiu e sempre existirá.
Deus sempre teve e terá um povo para Si, para o adorar em espírito e em
verdade.
A Igreja de Deus, porém, atravessou duas fases históricas
distintas. No período antes de Cristo ela estava em geral resumida à nação de
Israel, e funcionava com rituais, símbolos e ordenanças determinadas por Deus,
como figuras e tipos de Cristo. Com a vinda de Cristo, estas cerimônias foram
abolidas, e agora adoramos a Deus de forma mais simples. Porém, é a mesma
Igreja no Velho e no Novo Testamentos. Antes de Cristo, os crentes do Antigo
Testamento se salvaram pela fé no Messias que haveria de vir. Depois de Cristo,
somos salvos pela fé no Messias que já veio.
A Igreja de Deus, mesmo sendo una e indivisível, existe agora em
duas partes. A Igreja militante, composta dos crentes vivos neste mundo, que
ainda estão lutando contra a carne, o pecado, o mundo e Satanás. E a Igreja
triunfante, composta daqueles fiéis que, tendo vencido a luta, já partiram
deste mundo, e hoje desfrutam do triunfo na presença de Deus (Hebreus
12.22-23). Estas duas partes da Igreja de Deus se unirão na Vinda do Senhor
Jesus, quando houver a ressurreição dos mortos, e nosso encontro com o Senhor,
para com Ele ficarmos para sempre, e com nossos irmãos de todas as épocas e de
todas as partes do mundo (1 Tessalonicenses 4.16-18).
A Igreja militante se expressa aqui neste mundo por meio de
igrejas particulares. São a organização e estruturação local dos fiéis que se
reúnem num mesmo lugar regularmente, para cultuar a Deus, serem instruídos em
Sua Palavra e celebrar os sacramentos. As igrejas organizadas têm membros a
elas afiliados, direção e liderança espiritual e administrativa, promovem
cultos de adoração, celebram os sacramentos, anunciam o Evangelho e praticam
boas obras.
Elas têm um aspecto estrutural e organizacional, mas jamais devem
ser consideradas como um clube ou uma empresa. Estas igrejas locais podem ser
mais ou menos puras, dependendo de quão pura é a pregação do Evangelho que
ocorre ali, a celebração correta dos sacramentos e o exercício da disciplina
entre seus membros.
É tarefa de cada igreja particular reformar-se continuamente à luz
da Palavra de Deus, procurando cada vez mais se aproximar do ideal bíblico. São
os princípios que são imutáveis, não as formas organizacionais e externas. Deve
manter comunhão com igrejas evangélicas irmãs — afinal, ela não é única neste
mundo! Deve zelar pela pureza da pregação, da celebração dos sacramentos e pela
vida espiritual e moral de seus membros. Que Deus nos dê graça para podermos
fazer tudo isto!
Podemos distinguir quatro padrões gerais, embora muitos grupos não
se enquadrem exatamente em nenhum deles.
Episcopal
É o governo por meio de bispos (episkopoi). É a ordem adotada pelas igrejas anglicana, luterana, metodista (esta com modificações). Um ministério triplo é mantido, abrangendo bispos, pastores (principalmente o clero local, que exerce a liderança nas igrejas e nas paróquias) e diáconos/diaconisas, que trabalham como auxiliares da igreja. Na prática, os diáconos são quase sempre pastores-aprendizes. Só os bispos podem ordenar outros para o ministério e eles traçam a sucessão através dos séculos. Este sistema não tem como reivindicar base bíblica, no sentido de que o Novo Testamento apresente alguma exigência indiscutível quanto ao assunto. Os estudiosos de todas as tradições aceitam hoje a idéia de que os termos episkopos (bispo) e prebyteros (ancião) são equivalentes no Novo Testamento (At 20.17,28; Fp 1.1; Tt 1.5,7). Assim sendo, a idéia da palavra bispos no Novo Testamento não é em geral aquela encontrada no sistema episcopal. Eles eram oficiais da igreja local, havendo quase sempre alguns servindo na mesma igreja, segundo o modelo dos anciãos do Antigo Testamento, na sinagoga judaica.
Por outro lado, as igrejas episcopais destacam dois fatores
significativos como apoio ao sistema. Primeiro, a presença de ministérios na
igreja primitiva que transcendiam os da igreja local. Os apóstolos são o
exemplo supremo neste caso; os profetas parecem Ter às vezes atuado nesse
sentido. Timóteo, Tito e Tiago são vistos como exemplos especiais dessa
terceira dimensão do ministério do Novo Testamento, desde que foram claramente
investidos de responsabilidade sobre várias igrejas. Segundo, não pode haver
dúvida de que a ordem de ministério tríplice retroceda quase até a era
apostólica, sendo em meados do segundo século o padrão praticamente universal
para o ministério cristão. Quando a igreja teve de enfrentar a perseguição
extrema e a heresia em seu próprio meio, ela reforçou sua liderança oficial,
principalmente o episcopado, a fim de fazer frente a esses desafios. Trata-se,
portanto, de uma forma de ministério que provou ser de considerável valor para
a igreja no decorrer dos séculos.
Presbiteriano
O governo por meio de anciãos (presbyteroi) caracteriza as igrejas Reformada e Presbiteriana em todo o mundo e, com certas modificações episcopais, o Metodismo. Os anciãos se reúnem geralmente num corpo central, como uma assembléia nacional, e nos presbitérios locais, com jurisdição sobre territórios geograficamente menores. Uma forma de presbiterianismo também opera onde uma igreja local é administrada por um grupo de líderes nomeados. Esta forma reivindica autorização bíblica direta, baseada no padrão do Novo Testamento, onde presbíteros são nomeados nas igrejas locais. Esses líderes aparecem consultando os apóstolos no Concílio de Jerusalém, em Atos 15. Entre os presbíteros na congregação local, um pode ser escolhido como presbítero-mestre, para administrar a Palavra e os sacramentos, à parte dos outros presbíteros administradores, que participam da liderança com ele (1 Tm 5.17). Em termos gerais, o governo é quase sempre exercido por um sistema de presbitérios, sínodos e concílios. O presbiterianismo também reconhece o direito de cada igreja participar da escolha dos pastores. Os diáconos realizam um ministério de apoio, ligado aos assuntos administrativos da igreja. De modo diferente dos episcopais, todos os pastores têm formalmente o mesmo status.
Congregacional (Independente)
É o governo através da igreja local em conjunto, seguido pelas
igrejas batistas, congregacionais, pentecostais e outras igrejas independentes.
A igreja local é a unidade básica: nenhum líder ou organização pode exercer
qualquer autoridade sobre ela. Todas as decisões são tomadas por toda a igreja;
o pastor, os diáconos e os presbíteros (se houver) acham-se no mesmo nível que
os demais membros. Cada igreja local tem liberdade para interpretar a vontade
de Deus sem interferência de outras igrejas ou grupos, embora na prática a
maioria das igrejas independentes se una com outras de interesse comum. A
ordenação para o ministério pode ser efetuada sem o envolvimento de outras
igrejas, apesar de isso ser raro na prática; muitos congregacionalistas
consideram essencial uma representação mais abrangente. O ministério é
geralmente duplo, com pastores e diáconos, embora em alguns casos o pastor
divida a responsabilidade espiritual com vários presbíteros. Algumas igrejas do
tipo congregacional põem em dúvida a validade da idéia de nomear um determinado
indivíduo para ministrar na congregação local.
Os congregacionalistas se baseiam no significado da igreja local
no Novo Testamento. Como vimos, a Escritura faz uso da mesma linguagem,
relativa à natureza da igreja, tanto para se referir à igreja local como à
igreja universal. Além disso, não existe no Novo Testamento qualquer evidência
quanto à imposição de grupos mais amplos ou oficiais de fora sobre a vida da
igreja local, excetuando-se evidentemente os apóstolos ou seus representantes pessoais,
como Tito e Timóteo. Subjacente a isso, acha-se a convicção de que a liderança
de Cristo na igreja implica sua presença imediata entre o povo e o poder de
transmitir a sua vontade sem a mediação de qualquer outro agente, quer pessoal
ou corporativo.
Na prática, o congregacionalismo reconhece o valor da comunhão
mútua e da cooperação entre as igrejas, embora não a ponto de restringir a
suprema liberdade do grupo local para agir conforme a vontade do Senhor,
segundo o seu discernimento.
Católico-Romano
O catolicismo é essencialmente uma expressão histórica específica do episcopalianismo. Existem sérios desvios das normas bíblicas em sua compreensão da igreja. O aspecto singular da organização católica é a primazia do Bispo de Roma, o Papa. A Igreja Católica difere outrossim das igrejas reformadas em seu conceito de um sistema eclesiástico sacerdotal, também encontrado nas igrejas ortodoxas do oriente e em algumas igrejas anglicanas.
Católico-Romano
O catolicismo é essencialmente uma expressão histórica específica do episcopalianismo. Existem sérios desvios das normas bíblicas em sua compreensão da igreja. O aspecto singular da organização católica é a primazia do Bispo de Roma, o Papa. A Igreja Católica difere outrossim das igrejas reformadas em seu conceito de um sistema eclesiástico sacerdotal, também encontrado nas igrejas ortodoxas do oriente e em algumas igrejas anglicanas.
Este breve resumo mostra que nem o sistema episcopal, nem o presbiteriano, nem o congregacional pode reivindicar o apoio total das Escrituras, embora isso possa ser negado por alguns, em cada tradição. Não queremos sugerir com isso que a evidência bíblica deva ser posta de lado e o assunto seja decidido em bases pragmáticas. Mas, a fim de nos identificarmos com o corpo de Cristo, precisamos unir-nos a um desses grupos, e um mínimo de compromisso com suas estruturas é algo essencial para dar significado à nossa adesão. Devemos reconhecer, entretanto, os limites assim como a extensão de nossas convicções em assuntos que não contradigam claramente o ensino bíblico e exercer aquele respeito mútuo fraternal que é o sinal que distingue o povo de Deus (Jo 13.14s).
Este artigo é parte integrante do portal http://www.textosdareforma.net/
MATÉRIA 18-MINISTÉRIOS ECLESIÁSTICOS.
INTRODUÇÃO
Alguns animais vivem totalmente isolados. Não se associam nem com outros da sua própria espécie, exceto, com a mãe no primeiro período da vida e com a companheira (o) durante o cio. O ser humano, ao contrário, é gregário. Vive em grupos. Tal associação é necessária a fim de alcançar objetivos que, individualmente, não seriam possíveis. Além disso, a própria natureza humana sente necessidade do companheirismo e do amor. Depois de haver criado Adão, Deus disse : "Não é bom que o homem esteja só." Quem insiste em se isolar luta contra o bom senso e torna-se infeliz. Como disse Salomão, aquele que se separa insurge-se contra a verdadeira sabedoria. (Pv.18:1).
Contudo, viver em grupo tem também seus problemas e cria novas necessidades. O primeiro problema é a direção a ser tomada. Se são muitos os componentes do grupo, muitas são as cabeças e diversas as opiniões. Por isso, são necessários os líderes. Não para fazer a sua própria vontade, mas para interpretar a vontade do grupo e viabilizar sua execução. Esta é uma dura tarefa. Exige sabedoria e bom senso, porque pode ser que o grupo esteja enganado quanto aos seus propósitos. Por isso, o líder precisa ter capacidade e preparação superior a média do grupo, a fim de poder conduzi-lo de modo eficaz. Outra necessidade que surge com o grupo é divisão de tarefas. É preciso identificar habilidades, talentos e atribuir responsabilidades.
A liderança é necessária em qualquer empreendimento coletivo. A igreja não é uma excecão. O líder da igreja é , em última instância, o Senhor Jesus. Ele é a cabeça da igreja. (Ef.1:20-23). Entretanto, os homens ainda precisam de líderes visíveis; precisam de modelos humanos e direção humana, uma vez que nem sempre estão aptos a ouvir a ordem direta de Deus. Por isso, Deus instituiu ministérios na igreja. O que é um ministério ? Quais são os ministérios estabelecidos por Deus ? Tal liderança é ainda necessária nos nossos dias ? Como está a realidade das igrejas em relação a tudo isso ?
Neste estudo procuraremos respostas a essas questões. Precisamos obtê-las urgentemente, pois a indefinição nesse assunto tem causado problemas diversos na obra de Deus e dificultado a expansão do seu Reino.
MINISTÉRIO
Entre outras informações, o dicionário da língua portuguesa nos diz que ministério é "trabalho ou serviço na igreja". Biblicamente, entendemos que todo serviço cristão que se desempenha de modo contínuo é um ministério. Desde a liderança até tarefas operacionais permanentes. Um trabalho eventual não pode ser assim considerado. Eis aí um fator que serve até para diferenciar ministérios e dons espirituais.
Existem quatro termos gregos que se relacionam ao vocábulo "ministro" e "ministério". São eles :
Huperetai
leitourgos
sunergon
diakonos
Paulo emprega quase que invariavelmente, diakonos. O termo aparece, nas quatro formas, 25 vezes no Novo Testamento.
A forma "diakonia" aparece 24 vezes, sendo traduzida por :
- Distribuição de serviço, socorro, serviço, ministério ou administração.
Os ministérios de liderança apresentados no Novo Testamento são :
- Apóstolos
- Profetas
- Evangelistas
- Pastores (bispos, presbíteros)
- Mestres (Efésios 4:11)
Os diáconos são apresentados como auxiliares. Eles não dirigem a igreja local, mas são responsáveis por algumas áreas. (At.6).
Ministério é serviço. Logo, o ministro é um servo. Algumas vezes, o apóstolo Paulo usou o termo (doulos), que significa escravo. "Onde está pois a jactância ?" O Verdadeiro espírito do ministro, não deve ser a ambição carnal de mandar ou ser servido, mas encarnar o que Jesus sempre fez no seu ministério terreno, que foi "não ser servido, mas servir". (Mc.10:45).
Quando os discípulos disputavam entre si para saber quem era o maior, Jesus "os chamou para junto de si e disse-lhes : sabeis que os que são considerados governadores dos povos, têm-nos sob seu domínio, e sobre eles seus maiores exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; quem quiser ser o primeiro entre vós, será servo de todos." (Mc.10:41-44).
Apesar das especificações bíblicas, as igrejas e denominações estabelecem alguns ministros e desprezam ou ignoram os demais.
Os Metodistas têm bispos e pastores.
Os Presbiterianos, Assembléia de Deus e outras igrejas pentecostais têm pastores, diáconos e presbíteros.
Os Batistas têm somente pastores e diáconos.
Na seqüência, procuraremos explicitar alguns detalhes de cada um dos ministérios supracitados.
APÓSTOLOS
O nome que designa o primeiro ministério estabelecido na igreja (I Cor.12:28) é de origem grega () e significa "enviado", ou seja, um indivíduo que executa serviço especial, agindo em nome e pela autoridade de quem o enviou.
O maior de todos os apóstolos é o próprio Senhor Jesus, que foi enviado pelo Pai para executar sua obra na terra. (Heb.3:1 Jo.4:34). Para que essa obra fosse continuada após sua ascensão, Jesus escolheu doze homens. (Mt.10:1-2 Jo.20:21). Um deles, Judas Iscariotes, o traiu e foi substituído por Matias. (At.1:16-26). Tais homens foram equipados pelo Senhor com autoridade, poder para operar milhagres, ousadia para pregar, etc. Tudo isso, mediante a operação do Espírito Santo que lhes fora dado (At.1:8). toda essa "munição" tinha por objetivo capacitá-los a desbravar todas as frentes por onde iam e aí estabelecerem a igreja de Jesus Cristo. Muitos cristãos afirmam que o ministério apostólico não existe mais. Entretanto, observamos que, além dos doze, o Senhor levantou outros apóstolos no período do Novo Testamento, como, por exemplo, Paulo e Barnabé. (At.14:14). Por quê ele não o faria ainda hoje, quando muitos povos estão ainda por serem alcançados pelo evangelho ?
O apóstolo não é um cacique ou um papa. Donald Gee diz : "Esse ministério exigia praticamente que um apóstolo reunisse quase todos os outros ministérios num só homem. Assim, ele participava da inspiração do profeta, fazia a obra de um evangelista, conhecia o pastoral "cuidado de todas as igrejas", devia ser apto para ensinar, ao passo que, atendendo `a administração de negócio, seguia o exemplo do Senhor em não se esquivar dos deveres de um diácono, quando fosse necessário."
Possivelmente, muitos dos missionários da atualidade sejam, de fato, apóstolos de Jesus. Outros há que, por não terem ido a terras distantes, não são assim reconhecidos, mas estão desempenhando esse ministério em sua própria "Jerusalém" (At.1:8), e receberão do Senhor o devido galardão.
PROFETAS
O profeta é a pessoa que recebe a mensagem diretamente de Deus e a transmite ao povo. Esse anúncio pode ser uma revelação, uma admoestação, ou uma predição.
Muitos profetas existiram na história de Israel. Sua presença é constante no Velho Testamento, apontando o caminho para o povo de Deus. Sua importância era grande pois, como afirmou Salomão, "Sem profecia o povo se corrompe". (Pv.29:18). No Novo Testamento, Deus continuou levantando profetas. O primeiro foi João Batista, que veio no estilo dos profetas antigos, assemelhando-se , sobretudo, a Elias. (Lc.1:76 Mt.11:9-14 Mc.11:32). Seu papel foi preparar o caminho para o profeta maior - Jesus, que, por sua vez, levantou outros profetas para orientar a igreja que surgia. No Novo Testamento, existem menções a esse ministério, havendo muitos deles em Jerusalém, Antioquia, Corinto, e outras cidades. (At.13:1 At.11:27 I Cor.14:29).
O profeta não é um mero pregador da palavra, um mestre da Bíblia, nem um preditor de futuro. O profeta é um ministro de Cristo. Não apela para os poderes da lógica, erudição, oratória, psicologia, igorância ou misticismo. Sua mensagem pode vir através de uma pregaçao, mas não necessariamente.
EVANGELISTAS
É uma pessoa dotada de capacidade especial para pregar o evangelho. Alguns usam esse título apenas em relação aos escritores dos quatro evangelhos. A Bíblia, no entanto, cita ainda Filipe e Timóteo como evangelistas. (At.21:8 II Tm.4:5).
Todos os cristãos podem e devem anunciar o evangelho. Todavia, a maioria não é capaz de fazer uma pregação propriamente dita. O evangelista é um pregador, e faz isso com maestria, habilidade, e poder que lhe são conferidos pelo Espírito Santo especialmente para esse fim. Evidentemente, nem todo pregador é evangelista. É bom frisarmos também que o trabalho do evangelista não se restringe à pregação, mas abrange também o evangelismo pessoal.
Consideramos que todo apóstolo é um evangelista, mas nem todo evangelista é apóstolo. O ministério apostólico é mais abrangente e extrapola os limites da igreja local.
PASTORES
Voltando à origem do termo, um pastor é a pessoa que cuida de um rebanho de ovelhas. Seu trabalho vai desde a procura do melhor alimento para elas, até a defesa contra ladrões ou animais selvagens que possam atacá-las. Abel foi o primeiro pastor de ovelhas. Os patriarcas - Abraão, Isaque e Jacó - foram pastores. Esse trabalho era muito comum no meio dos israelitas e outros povos antigos. O próprio Davi, que veio a ser rei de Israel, cuidava de ovelhas quando era jovem, e percebeu que, da mesma forma, Deus cuidava dele e de seu povo. Ao reconhecer esse fato, Davi escreveu o conhecido Salmo 23 : "O Senhor é o meu pastor e nada me faltará".
Em muitos outros textos da Bíblia, o termo "pastor" é utilizado em referência a Deus e aos líderes do seu povo. (Sl.100:3 Jr.23:1-2). No Novo Testamento, esse título já era usado normalmente como o usamos hoje. Jesus disse de si mesmo : "Eu sou o bom pastor". (Jo.10:11). O termo grego para pastor é (poimén).O ministério do pastor na igreja tem as atribuições que vimos no início : alimentar, cuidar, proteger, defender, conduzir. Esse é um ministério lindo. Dos cinco ministérios de Efésios 4:11, o pastor é o que está mais próximo da ovelha, mais comprometido e mais atencioso para com ela. Nos nossos dias, constatamos que existem pastores demais. Quando, porém, conhecemos muitos desses ministros, percebemos que não são, de fato, pastores. Podem até ter um dos outros ministérios bíblicos, mas, por uma distorção tradicional e histórica da igreja, receberam o título de pastor. Isto é , algumas vezes, prejudicial, pois muitos líderes vivem se esforçando para serem o que não são e deixam de fazer aquilo para que foram chamados.
O trabalho do pastor na igreja, não é somente batizar, celebrar casamentos , funerais, pregar sermões, mas, de acordo com Ef.4:11-16 :
- Aperfeiçoar os santos para o desempenho do serviço de cada membro do Corpo de Cristo.
- Edificar o corpo de cristo que é a igreja.
Outros títulos utilizados para o pastor no Novo Testamento são : bispo e presbítero.
Bispo - vem do grego (episkopos). Indica, não ofício, mas função, o trabalho específico de um pastor dotado de visão administrativa, um superintendente. Ele não faz todo o trabalho, mas organiza, providencia tudo e depois supervisiona. O termo episkopos era dado àquele que tinha a função de vigiar, fiscalizar, principalmente as embarcações. Os gregos e os romanos usavam este termo para designar superintendentes de obras profanas ou sagradas. O bispo como pastor tem a responsabilidade de ver que o serviço seja bem feito. Não se encontra no Novo Testamento o uso do vocábulo bispo no sentido de um oficial eclesiástico que tem autoridade sobre os outros ministros do evangelho.
Presbítero - significa velho, ancião. Na primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé, na ida fizeram trabalho evangelístico e público; no retorno, em cada cidade por onde passaram reuniram os convertidos, organizaram igrejas e ordenaram presbíteros (At.14:21-23). Deveriam ser homens de certa idade, firmes na fé, inabaláveis no amor e constantes na obra do Senhor. Eles foram eleitos pela igreja para desempenhar funções pastorais na palavra, nos batismos, na celebração das ceias, etc.
O ministério pastoral surgiu no livro de Atos. Em Jerusalém surgiu o primeiro rebanho pela obra do Espírito Santo. Constituído de 120 pessoas, no princípio, aumentou para 3.120; foi crescendo sempre até chegar a "dezenas de milhares" (At.21:20). No princípio, os doze cuidavam de tudo. Houve problemas e os doze cuidaram da oração e da palavra e outros homens passaram a ser designados para outras tarefas. O trabalho do Senhor foi além de Jerusalém e chegou até Antioquia da Síria. Antioquia organizou trabalhos no continente. Em cada cidade havia presbíteros. Na era apostólica encontramos pluralidade de pastores em cada igreja (Fp.1:1). Os presbíteros recrutados entre os convertidos das igrejas, deveriam ser homens de negócios e de trabalho. Alguns se dedicaram grandemente ao trabalho do Senhor e passaram a dar tempo integral ao ministério e o apóstolo Paulo mandou dar a esses homens, salários dobrados (I Tm.5:17). Pelo retrato que a Bíblia guarda de alguns pastores, homens transformados pelo Espírito Sando, cheios da graça do Senhor, revestidos de poder, conduta exemplar, irrepreensíveis, consagrados, dedicados exclusivamente ao ministério da palavra, bons chefes de família, sérios, operosos e humildes, encontramos reprodução perfeita hoje em muitos obreiros que se sacrificam por Cristo, colocam o Reino de Deus acima de tudo e constituem a galeria daqueles que vivem para glorificar o Senhor. A Bíblia alinha nessa imortal galeria de pastores reais, Tiago, o irmão do Senhor que foi pastor da igreja em Jerusalém. Paulo e Barnabé somaram ao dom apostolar o dom pastoral. Um modelo de pastor nos tempos modernos foi no século passado Charles H. Spurgeon, do famoso Tabernáculo de Londres e milhares de outros famosos ou que viveram na sombra do anonimato, mas realizaram o imortal trabalho de conduzir almas a Cristo e apascentá-las com paciência e amor.
MESTRES
Deus disse : "O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento". (Os.4:6). Essa afirmação nos mostra claramente a importância do ensino da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo disse que não queria que os coríntios fossem ignorantes a respeito dos dons espirituais (I Cor.12:1). Certamente, Deus não quer que sejamos ignorante acerca de nenhuma das doutrinas bíblicas, pois isso poderia significar a nossa destruição. Por esse motivo, ele estabeleceu mestres, ou doutores, na igreja. Estes, são pessoas que possuem o dom da palavra do conhecimento e da sabedoria. (I Cor.12:8). Além disso, possuem capacidade intelectual e facilidade de comunicação.
Atualmente, o nome que damos a quem exerce esta função é o de "professor". Entretanto, o professor não é tratado com a mesma importância, honra e respeito que o mestre recebia nos tempos bíblicos. Provavelmente, trata-se de um problema ligado à conjuntura político-social do nosso tempo, ou, especificamente, da nossa nação, onde a educação é relegada a último plano. A Bíblia valoriza o mestre, como acontecia na comunidade judaica. Acima de tudo, vemos que Deus os valoriza e os estabeleceu na igreja. Esse homens desempenham uma nobre função, carregam uma grande responsabilidade (Tg.3:1), que só não é maior do que o galardão que os aguarda na eternidade . (Dn.12:3).
TRABALHO MINISTERIAL EM EQUIPE
Os apóstolos e profetas são os alicerces da igreja, sendo Jesus a principal pedra de esquina. (Ef.2:20-22). Os evangelistas são aqueles que buscam o material para a construção. (Mat.22:9). Os mestres são os edificadores. Os pastores são os que zelam pelo "Edifício de Deus". (Hb.13:17 I Cor.3:5-17).
Essa ilustração nos dá uma idéia aproximada de como é a integração do trabalho dos cinco ministérios.
DIÁCONOS
Outro ministério que figura no Novo Testamento é o dos diáconos. Sua primeira menção se encontra em Atos dos Apóstolos, no capítulo 6, quando, devido às murmurações dos cristãos helenistas, foram escolhidos sete homens para a direção do trabalho social da igreja de Jerusalém.
Hoje em dia, há pessoas que questionam a utilidade dos diáconos em nossas igrejas. Conta-nos o autor de uma de nossas fontes bibliográficas o seguinte :
"Depois duma semana passada no Estado de Virgínia, onde falara numa reunião de diáconos, recebi uma carta da esposa dum diácono que exercia esse ofício numa igreja batista rural. Lera uma reportagem daquela escola de diáconos no jornal da localidade e queria saber se ainda havia razão plausível para a continuação de tal ofício. Haverá algum serviço particular que o diácono possa prestar numa igreja rural com um número reduzido de membros ? Dizia ela que o marido era fiel cristão no serviço da igreja, mas que o ser ele diácono não significava coisa alguma. Na resposta, assegurei-lhe que o ofício de diácono é escriturístico e , quando bem compreendido, oferece uma oportunidade real de servir à igreja."
Que significa para a igreja o ofício de diácono ? Em que afetaria o seu programa, se , por deliberação geral e por amor à paz esse ofício fosse abolido ? Em muitas igrejas batistas a cessação desse ofício seria mera formalidade. E mui possivelmente, algumas igrejas até recebessem com entusiasmo essa mudança. Bom número de diáconos e pastores acham mesmo que nossas igrejas seriam melhor servidas por outros oficiais e comissões eclesiásticas. E tais irmãos não são herejes, nem reacionários; em sua maior parte, estão sinceramente procurando fazer progredir o reino de Deus.
Temos, portanto, que pesar cuidadosamente as situações que vêm provocando esse questionamento. E devemos dar-lhe uma resposta sincera, inteligente e escriturística. Por isso, vamos analisar algumas questões que se formam sobre o assinto :
- Primeiro : O mundo em que vivemos é diferente. Quais as condições que levaram o povo pensante a levantar a questão da necessidade de diáconos ? Antes de tudo, temos que reconhecer o desconcertante contraste entre o mundo do primeiro século e o do século XX. Enorme distância separa o mundo em que a Igreja Primitiva deliberou sobre a necessidade de homens para servirem às mesas deste nosso mundo em que as igrejas hoje lutam por Cristo. O ritmo de hoje é muitíssimo mais acelerado. Nas nossas igrejas atuais vemos refletida a complexidade da vida hodierna. O crescimento das grandes cidades, o desenvolvimento das igrejas em tamanho e número, a multiplicidade das organizações eclesiásticas, bem como as vastas beneficências que as igrejas desejam oferecer ao povo. Tudo isso exige novos métodos de trabalho, organizações modernas e de crescente eficácia. Num mundo como este em que vivemos, mui facilmente nos confundimos no que respeita ao lugar do diácono na igreja.
- Segundo : O ofício do diácono tem sido mal interpretado. Em muitas igrejas está mal definido e mal compreendido o ofício do diácono e o serviço que ele deve prestar. Boa parte dos batistas têm uma idéia errônea acerca do que o diácono deve fazer. Que significa para a igreja o ofício do diácono ? Qual a responsabilidade do diácono ? que função exerce ele ? Se precisamos de diáconos em nossas igrejas hoje, certamente precisamos também reestimar, reapreciar e reapreender o serviço que eles devem prestar.
- Terceiro : muitos choques têm acontecido entre pastores e diáconos. Às vezes assumem a feição de verdadeiros conflitos, e com isso muito se prejudica a influência e a obra dessas igrejas. Alguns pastores acham que não podem trabalhar com seus diáconos. Então, às vezes, ouvimo-los dizer : "Sei muito bem o que devo fazer. Se meus diáconos não concordarem comigo, levarei o caso à congregação, e a assembléia que resolva." Uma situação dessas é, de fato, bem desagradável, e denota enfermidade espiritual. Em algumas igrejas, o diaconato já foi abolido devido a essas desavenças.
Existem igrejas cujos diáconos se apropriaram duma autoridade muito contrária aos ensinos do Novo Testamento. Existe um complexo de "junta", e um pensamento generalizado de que os diáconos é que são os "diretores" da igreja. Nada mais distanciado da índole batista. e do esquema neo-testamentário que esta idéia. Onde prevalecer este errôneo conceito, inevitavelmente surgirão aqueles que afirmam não haver necessidade alguma de diáconos. Sim, a verdade é esta - não precisamos, nas nossas igrejas, de tais diáconos, nem de juntas diaconais dessa espécie.
- Quarto : há muitos outros que servem na igreja. Nas nossas igrejas de hoje há muita gente que ocupa posições de responsabilidade. São professores de Escola Dominical, diretores de departamentos, presidentes de uniões, presidentes de organizações missionárias, membros de corais, e outras atividades afins. Muitas vezes essas pessoas dão muito mais tempo de serviço à igreja do que mesmo os diáconos. Nas igrejas grandes das cidades, o número de irmãos eleitos excede, às vezes, de quinhentos, ou mais, além dos eleitos por classe, ou unidades, e dos que servem por nomeação. E nessas igrejas , o número de diáconos muitas vezes não chega a cinqüenta.
Haverá necessidadede um ofício que dê honra a uns poucos, quando a vasta maioria do povo que realiza a obra das igrejas não está incluída nesse ofício ? Certamente os diáconos não fazem mais jus a essa honra do que os outros, e , no entanto, se lhes confere honra especial por um serviço não específico. Acresce notar que certa revista aconselha que se contitua em diácono a todo aquele que exerce algum ofício na igreja, seja homem, seja mulher. Tal idéia, para muitos batistas, toca às rais do ridículo, mas é certo o raciocínio que a sustenta. Fazem-se até comparações nada aconselháveis entre o grupo chamado dos diáconos e o dos outros obreiros ativos da igreja.
De fato, as dificuldades são reais, e o problema não pode ser esquecido. Muita gente está perguntando qual a necessidade desse ofício. O bem-estar espiritual da igreja exige uma resposta. A maioria dos batistas sente que o diaconato é parte inseparável da vida batista. Mas, as razões da sua existência devem ser claras, concisas, escriturísticas e práticas.
PRECISAMOS AINDA DOS DIÁCONOS ?
Sim ! É a resposta mais adequada. Precisamos dos diáconos em nossas igrejas atuais tanto quanto deles precisaram os da primitiva igreja de Jerusalém. A compreensão exata e o emprego adequado do diaconato constitui resposta clara para os problemas vitais que hoje desafiam as igrejas e , às vezes, emperram o seu glorioso avanço.
O diaconato é um modelo neo-testamentário. O motivo principal que nos faz reconhecer a necessidade da existência do diaconato em nossas igrejas hoje deve ser apresentado em primeiro lugar, pois que todo o resto se relaciona com ele. Precisamos dos diáconos hoje, porque esse ofício é parte inseparável do modelo da igreja neo-testamentária. "Modelo Neo-Testamentário" é uma frase mui significativa para nós, batistas, que gostamos de chamar nossas igrejas de igrejas do Novo Testamento e que não nos filiamos a nenhuma outra sorte de igreja. Estamos perfeitamente convictos de que a igreja precisa derivar suas doutrinas, organização e métodos, e sua comissão igualmente, das páginas do Novo Testamento. Assim, o programa da igreja deve ser organizado em plena harmonia e inteira consonância com os ensinos do Livro Sagrado. Foi a direção do Espírito Santo que levou as igrejas do Novo Testamento a criar o diaconato. A sabedoria divina trouxe à luz o diaconato, dando-lhe existência, e ele tem, assim, uma finalidade divina.
Será que admitimos o diaconato por mera tradição ? Absolutamente, não. No estudo deste ofício, três coisas são verdadeiras e mui significativas quanto à igreja neo-testamentária. Primeira - aquela igreja estava fundada sobre uma relação íntima, a de pecadores salvos, com um Deus santo, por meio de Jesus Cristo. Assim, a igreja não é primeiramente um companheirismo, e sim uma afinidade, cuja pedra fundamental é a confissão duma fé pessoal em Jesus. Em segundo lugar, a igreja é uma organização que salienta a grande responsabilidade que temos para com Deus. E, finalmente, a sua origem divina torna eternos tanto o seu significado como a sua utilidade. Os programas, os planos e a estratégia de Deus nunca ficam fora de tempo ou da moda.
Quais os fatos históricos que devemos considerar aqui ? Relembremos as tormentas que davam contra a igreja primitiva em Jerusalém. Os judeus parecia estarem convencidos de que a morte de Jesus poria fim aos seus problemas teológicos. Achavam que uma vez morto o Chefe dos nazarenos, seus seguidores logo se dispersariam. Algum tempo depois, no entanto, perceberam que eles ganhavam vida nova, vida esta , oriunda da certeza de haverem estado com Jesus, pois testemunhavam que Jesus ressuscitara. Veio o pentecoste, e , com este o poder de Deus e o crescimento da igreja. Uma das questões que foram levantadas contra a igreja foi em relação ao tratamento que davam às viúvas, aos órfãos e aos necessitados. Os crentes helenistas da congregação reclamavam, dizendo que as viúvas hebréias estavam sendo melhor contempladas que as outras. Foi nesse impasse que o Espírito Santo apresentou aos doze uma solução: separariam sete homens de certas habilidades e lhes confiariam os problemas da distribuição. E assim, por sugestão do Espírito Santo, foram eleitos pela congregaçào os sete, para acudir a quaisquer outras necessidades da igreja. "Então os doze convocaram a multidão dos discípulos e lhes disseram : Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação... aos quais constituamos sobre este importante negócio. Nós, porém, perseveraremos na oração e no ministério da palavra. (Atos 6:2-4).
No livro de Atos aqueles homens não recebem o nome de diáconos. São quase sempre chamados de "os sete". Contudo, há acordo geral em que a eleição daqueles sete varões qualificados significa realmente o início do diaconato como um cargo na igreja. É no terceiro capítulo da primeira carta a Timóteo que aparecem cuidadosamente esboçadas por Paulo as qualificações dos que deveriam servir à igreja como diáconos. Também no início de sua carta aos Filipenses, lemos isto : "Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos". (Filipenses 1:1). Temos aqui forte base escriturística para afirmar que, começando na igreja de Jerusalém, o ofício do diaconato se desenvolvera com a aprovação e a bênção do Espírito Santo.
Deve-se dintinguir entre a obra que o diácono realiza e o ofício em que é investido. O esquecimento desta distinção tem acarretado muitos mal-entendidos acerca do diaconato, porque não existe uma obra que seja feita exclusivamente pelos diáconos, isto é, não há nenhum serviço que ele faça de que outros não possam participar. Essa distinção entre a obra e a posição que ele ocupa origina-se do Novo Testamento, onde encontramos a palavra grega empregada tanto para significar "ministro" como para significar "servo". Tal palavra é usada na maior parte das vezes não para determinar aquele que tem uma posição ou exerce um ofício na igreja, ainda que vejamos claramente, pelas cartas paulinas, existir esse ofício. (Fp.1:1 I Tm.3:8 e 3:12). O Novo Testamento emprega a mesma palavra para se referir em geral a cristãos, como servos, e também a oficiais particularmente separados para um determinado serviço. O diácono tem uma responsabilidade toda especial para com o serviço, mas serve à igreja na mesma base em que são chamados a servir todos os mais cristãos.
Dado que o ofício apareceu pela orientação da sabedoria de Deus, claro está que só deve desaparecer quando dele nos vierem instruções bem claras. O que se faz necessário é uma redescoberta do ofício, um novo estudo das Escrituras a esse respeito, e uma reconsagração no sentido de melhor se avaliar esta criação da vontade divina. O Novo Testamento, de fato, oferece a resposta certa à pergunta sobre a necessidade de diáconos em nossos dias.
Os diáconos foram instituídos com os seguintes objetivos :
- Deixar desembaraçados os ministros para se dedicarem à oração e ao estudo e ensino da palavra de Deus.
- Promover a paz na igreja ao preencher uma carência que estava gerando conflitos.
- Promover o bem-estar dos crentes que seriam beneficiados com o seu serviço.
- Reforçar a liderança da igreja.
CONCLUSÃO
A Bíblia nos apresenta diversos ministérios eclesiásticos. Se Deus os estabeleceu, é porque eles são necessários e indispensávis. O que se vê, entretanto, é que apenas o ministério pastoral é valorizado atualmente. Creio que os outros ministérios existem, mas não são reconhecidos. Quando são, parecem estar em um nível bem abaixo do pastorado, e talvez até abaixo do diaconato. As igrejas , em geral, não investem na formação nem na remuneração de outros ministros. Por exemplo : os evangelistas, exceto os grandes vultos internacionais, não são vistos como ministros, a não ser que sejam também pastores.
Quem perde com tudo isso ? A própria igreja. O que vemos em muitas delas ? A liderança está centralizada nas mãos de um homem - o pastor. A igreja torna-se então um retrato desse líder. Se limita aos seus limites e se especializa em suas especialidades e dons. Daí o fato de existirem igrejas "especializadas" em cura, ou expulsão de demônios, ou profecias, ou libertação de viciados, etc. Isto não é ruim. O mal está do outro lado da moeda. Uma igreja "especializada" em curas normalmente é deficiente no ensino da Palavra de Deus. Aí começam os problemas e surgem as heresias. Para evitar esse tipo de situação Deus estabeleceu ministérios vários e distintos na igreja. Precisamos valorizar cada um deles. É necessário descobrir aqueles que os possuem, investir na formação e na remuneração desses ministros. A liderança deve ser praticada pela equipe ministerial. A igreja que assim fizer, será equilibrada, crescerá naturalmente e terá saúde espiritual.
MATÉRIA 19-A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.
BÊNÇÃO DE DEUS, RESPONSABILIDADE NOSSA
O objetivo deste artigo é chamar a atenção para o valor e
importância que devemos dar à escola dominical.
Fundada na Inglaterra pelo jornalista evangélico Robert Raikes, em
1780, a escola dominical foi uma criação que deu certo. Tão certo
que os primeiros missionários que aqui chegaram procuraram organizá-la
imediatamente. O casal Robert e Sarah P. Kalley fundou a primeira escola
dominical no Brasil em 19 de agosto de 1855. E a escola dominical existe até
hoje!
Não é por acaso que a escola dominical existe até hoje. Ela é
parte integrante da Igreja do Senhor Jesus Cristo, de quem temos a promessa de
que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16.18). A
escola dominical é uma bênção de Deus com características próprias, isto é, por
mais que uma pessoa participe dos cultos e das atividades da semana de sua
igreja, tem coisa que só será aprendida na escola dominical.
Infelizmente não são poucas as pessoas que fazem opções em
detrimento da escola dominical. Será que essas pessoas sabem o quanto estão
perdendo? Pense bem: Ausentando-se da escola dominical quem perde as bênçãos de
Deus é você.
A RESPONSABILIDADE DO ALUNO
O segredo de uma escola dominical dinâmica e eficaz depende, e
muito, do aluno. E como deve ser o aluno da escola dominical? Qual o perfil do
aluno ideal? Antes de respondermos essas perguntas, é importante dizer que por aluno
ideal não nos referimos, propriamente, a um ser extraordinário: brilhante,
gênio, super intelectual. Não, o aluno ideal é antes de tudo uma pessoa bem
intencionada. Como assim? Ele é dedicado: Assíduo, pontual, responsável. Vai à
escola dominical com prazer e não para dizer simplesmente "estou
aqui", "cheguei" ou "agora o superintendente não vai pegar
no meu pé". O verdadeiro aluno da escola dominical não pensa assim. Ele
faz a lição de casa. Lê a Bíblia e sua revista; anota suas dúvidas e vem
disposto a colaborar seriamente na sala de aula.
É lamentável quando o aluno vai à escola dominical sem ter
estudado durante a semana; sem sua Bíblia e/ou sem revista. E olha que eu não
estou falando dos pequeninos, e sim, de gente grande mesmo! Pode parecer
grosseiro de minha parte, mas muitas vezes eu me ponho a pensar: "O que
alguém que não leva Bíblia, revista (ou algo semelhante), e que não estuda em
casa vai fazer na escola dominical?". Aprender? Duvido! Não se pode
aprender quando o básico é menosprezado.
De uma coisa precisamos estar cientes: 50% ou mais do bom
desempenho do professor numa sala de aula depende de seus alunos. É o que eu
costumo dizer aos meus alunos, sem querer jogar sobre eles a responsabilidade
que cabe a mim.
Quando o aluno não se prepara em casa, conforme já mencionamos
acima, ele perde a oportunidade de contribuir com algo mais. Contribuindo ganha
a classe e o professor também. Muitos dos alunos que ficam calados durante a
exposição do professor cometem o erro (para não dizer "pecado") da negligência
semanal. É preciso que você aluno reverta esse quadro se porventura está
sendo negligente; pois quantas vezes a culpa de uma aula má dada recai sobre o
professor quando na realidade o culpado é outro. É claro que o professor tem
suas responsabilidades, como veremos adiante, mas nenhum professor, a menos que
esteja doido, teria coragem de se colocar diante de uma classe sem que
estivesse adequadamente preparado.
Seja professor, ou seja aluno, ambos devem fazer tudo para a
glória de Deus.
A RESPONSABILIDADE DO PROFESSOR
O bom professor é aquele que almeja a excelência do ensino e se
empenha em alcançá-la. Tem que ser como o apóstolo Paulo exortou: "...o
que ensina, esmere-se no fazê-lo" (Rm 12.7). Paulo recomenda àquele
que ensina a dedicação total desse ministério. Dedicação que resultará num
progresso constante do professor, quer seja em relação à habilidade no ensino e
crescimento espiritual de seus alunos; quer seja em relação a sua própria vida
cristã.
O professor da escola dominical deve ser o primeiro a viver o que
ensina. A classe nunca deve ser subestimada (muito menos a dos pequeninos). Ela
saberá se o professor está sendo sincero no que diz. Como também saberá se o
professor se preparou adequadamente para a aula. Fazer pesquisas de última hora
e preparar a aula às pressas nunca dá certo. Quando o professor não se esforça
para fazer o melhor, ele não apenas desrespeita seus alunos como peca contra
Deus.
Além de viver o que ensina, o bom professor conhece seus alunos.
Ele nunca deve acreditar que basta, por exemplo, pegar a revista e ensinar o
que está ali, por melhor que seja o seu trabalho de pesquisa. O professor da
escola dominical deve conhecer a sua classe, cada um de seus alunos. É
importante que o professor conheça seus alunos, até mesmo para uma transmissão
mais natural e eficaz de sua aula.
Quanto ao preparo e a exposição da aula propriamente dito, os
editores dos Estudos BíblicosDidaquê apresentam sugestões preciosas que
ajudarão em muito os professores da escola dominical. Com ligeiras adaptações
passo a transcrevê-las:
- Utilizar sempre a Bíblia como referencial absoluto.
- Elaborar pesquisas e anotações, buscando noutras fontes subsídios para a complementação das lições.
- Planejar a ministração das aulas, relacionando-as entre si para que haja coerência e se evite a antecipação da matéria.
- Evitar o distanciamento do assunto proposto na lição.
- Dinamizar a aula sem monopolizar a palavra oferecendo respostas prontas.
- Relacionar as mensagens ao cotidiano dos alunos, desafiando-os a praticar as verdades aprendidas.
- No final da aula, despertar os alunos quanto ao próximo assunto a ser estudado, mostrando-lhes a possibilidade de aprenderem coisas novas e incentivando-os a estudar durante a semana.
- Depender sempre da iluminação do Espírito Santo, orando, estudando e colocando-se diante de Deus como instrumento para a instrução de outros.
- Verificar a transformação na vida dos alunos, a fim de avaliar o êxito de seu trabalho.
Duas coisas, pelo menos, têm levado muita gente a perder o
interesse pela escola dominical hoje em dia, ou seja, a falta de criatividade
do professor e dinâmica das aulas. Professor: Faça de sua aula algo
interessante; seja criativo, gaste tempo nisso. Criatividade e dinamismo são,
em boa parte, o segredo do sucesso do professor eficaz.
É necessário que o professor da escola dominical veja seu trabalho
como o ministério que Deus lhe deu e que, por isso mesmo, precisa ser realizado
da melhor maneira possível. "... o que ensina, esmere-se no
fazê-lo" (Rm 12.7).
E A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
A responsabilidade dos pais crentes com a escola dominical é
dupla. Em primeiro lugar, os pais precisam ser assíduos e freqüentes na escola
dominical. Os pais que vão somente ao culto vespertino, achando que faltar na
escola dominical não tem tanto problema, certamente deixarão de progredir como
deveriam na vida cristã. A presença dos pais na escola dominical é
imprescindível, pois, afinal de contas, nós pais somos (bem ou mal) modelos
para os nossos filhos.
Em segundo lugar, os pais precisam levar seus filhos à escola
dominical. Gostaria de dar a esse segundo ponto uma atenção especial, visto que
está diretamente relacionado ao anterior. Portanto, vamos entender a coisa da
seguinte maneira: por que os pais precisam estar na escola dominical? De um
lado, porque todos precisam aprender mais e mais das verdades do Senhor; por
outro lado, por causa dos filhos. Perdoe-me a batida na mesma tecla mas isso é
importante. Os filhos desejam e precisam ver nos pais a seriedade no trato com
a escola dominical. E isso, por si só, deve ser motivo de reflexão para os pais
, pois os pais precisam, pela vida e pela palavra, mostrar aos filhos que a
escola dominical é um importante veículo de crescimento espiritual.
Geralmente as crianças não apreciam levantar cedo para ir à escola
dominical. Boa parte delas já faz isso durante a semana. Porém, os pais devem
passar para os filhos que a escola de domingo também é especial por uma série
de razões. Erra o pai ou a mãe que acha que não deve levar sua criança à escola
dominical, apenas porque ela está cansada por estudar durante a semana, ou
porque brincou demais no sábado ou foi dormir tarde por causa daquela festa na
igreja. Esse é um tipo de compaixão que não procede. É nessa hora que os pais,
amigavelmente, devem mostrar aos filhos que a escola dominical é especial para
toda a família.
Lembro-me de um fato ocorrido em uma igreja da qual fui pastor.
Quando perguntei a uma irmã porque não trouxe o filho, que na época devia ter
cinco anos de idade, ela me respondeu: "Ele não quis vir". Eu não sei
como está ou por onde anda aquele que agora é um rapaz. Receio que ele tenha
seguido o caminho de seus irmãos mais velhos que abandonaram a igreja porque a
mãe comodamente aceitava o fato de que eles não quiseram vir.
Papai e mamãe, levem seus filhos à escola dominical, tenham eles
vontade ou não. Cumpram as suas responsabilidades como um dia prometeram a Deus
quando levaram seus filhos para serem batizados ou apresentados. Pois, como no
caso daquela mãe, amanhã poderá ser tarde de mais para chorar o que podia ser
evitado ontem.
E A RESPONSABILIDADE DO SUPERINTENDENTE
O superintendente da escola bíblica dominical é muito mais que uma
simples pessoa que faz a abertura e encerramento da escola dominical e promove
a comemoração de algumas datas importantes e eventos especiais. O
superintendente ou diretor(a) da EBD é o irmão ou irmã em Cristo designado(a)
pela igreja para administrar a escola dominical com competência e seriedade,
visando a edificação e a maturidade do corpo de Cristo.
Antes de tudo, o superintendente deve ser alguém verdadeiramente
compromissado com Deus e a igreja. Deve ser exemplo dos fiéis, não neófito, mas
pessoa qualificada para comandar o corpo de Cristo. Deve ser assíduo e pontual
no cumprimento de seus deveres, irrepreensível na moral, são na fé, prudente no
agir, discreto no falar e exemplo de santidade de vida. Qualidades que devem
acompanhar, no mínimo, todo crente, e principalmente aquele que recebeu a graça
da liderança; a saber: pastor, presbítero, diácono, professor, etc.
Além disso, o superintendente deve ser uma pessoa preparada academicamente.
Destaco a palavra "academicamente" de propósito. O que isso quer
dizer? Quer dizer que o superintendente não precisa necessariamente ser um expert
em educação cristã, mas precisa ter noção do que ela significa e representa.
Afinal de contas, é com professores que o superintendente está lidando e é a
qualidade do bom ensino que ele estará supervisionando. Pensando nisso, um
experiente diretor de escola dominical escreveu aos superintendentes: "Os
seus professores ensinam com qualidade? Ou estão se repetindo diante da classe?
Preparam devidamente a lição, ou já se acostumaram aos improvisos?". E
continua: "Que os seu professores não se contentem com o preparo já
conseguido. Incentive-os a ler, a estudar, a pesquisar, a descobrir novas
metodologias, a se tornarem especialistas não apenas no currículo e na aula a
ser ministrada, como também na pedagogia e na didática".
Como eu disse, o superintendente não precisa ser um especialista,
mas é necessário que tenha algum conhecimento pedagógico. Se tiver experiência
como professor, melhor ainda.
Some-se a isto a visão do superintendente. Se o superintendente
pensar administrativa e pedagogicamente, o que é ideal, ele não apenas saberá
conduzir a igreja bem, no sentido de unidade de propósitos, mas também zelará
pelo aperfeiçoamento de seus professores. Promoverá encontros, congressos e uma
série de eventos que ajudarão na formação e reciclagem dos professores.
O superintendente é o carro-chefe da escola dominical que, em
comum acordo com o pastor, melhorará toda a escola dominical quando melhorar
seus professores. Quando se investe na liderança da escola dominical todo mundo
sai ganhando.
Finalmente, mas não menos importante, o superintendente precisa
ser dinâmico a fim de dinamizar sua escola dominical. Para isso precisa se
atualizar e se inteirar do trabalho de outros superintendentes. Deve ser uma
pessoa inovadora, com idéias saudáveis que revigoram a escola dominical. Eu
acredito na escola dominical porque, como dissemos no início deste artigo, é
uma bênção de Deus e por isso deu certo. Entretanto, a escola dominical precisa
passar por um processo constante de revitalização. Meu irmão superintendente:
torne a sua escola dominical dinâmica, criativa, bíblica e funcional. Algo que
dá gosto de se vê e participar. Promova, juntamente com seu pastor e
professores, o vigor e a saúde da escola dominical através da motivação de seus
alunos. Evite a rotina, a monotonia e aquela mesmice insuportável. As aulas da
escola dominical devem ser prazerosas. Da criança ao adulto que levantam cedo
para ir à igreja, a escola dominical deve ser algo que valha a pena por causa
do conteúdo e didática do ensino e (por que não?) por causa do agradável local
de estudo. Olhe com carinho para tudo isso e Deus, com certeza, o recompensará.
A RESPONSABILIDADE DO PASTOR
Como ministro do evangelho, sei que não são poucas e nem pequenas
as responsabilidades do pastor. Comecemos com algumas de suas atribuições.
Compete ao pastor: orar com o rebanho e por este; apascentá-lo na doutrina
cristã; exercer as suas funções com zelo; orientar e superintender as
atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de
Deus; prestar assistência pastoral; instruir os neófitos, dedicar atenção à
infância e à mocidade, bem como aos necessitados, aflitos, enfermos e
desviados; governar.
Escrevendo aos efésios, diz o grande pastor e apóstolo Paulo:
"E ele mesmo (Jesus) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao
aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação
do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um
lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha
dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Ef 4.11-15).
Pelo que podemos perceber das atribuições e vocação do pastor, o
ensino (no mais amplo sentido do termo) é a característica prioritária do
ministério pastoral. O zelo e a responsabilidade doutrinária do pastor o tornam
necessariamente ligado à escola dominical. Ele é o superintendente ex-officio
da escola dominical. Por isso mesmo, ao pastor nunca jamais deve faltar a
informação necessária acerca do que está sendo ensinado na escola dominical.
Para isso, o superintendente deve ser seu maior aliado. Um verdadeiro braço
direito na condução da igreja. O superintendente que não estiver disposto a
andar com o seu pastor não conseguirá promover a paz e a unidade no corpo de
Cristo. Enfim, o pastor precisa saber o que os professores ensinam ao
seu rebanho, quem ensina e como se ensina. Esta informação ele
adquirirá primeiramente com o superintendente e através das constantes reuniões
com o conselho de ensino.
O pastor deve ser um verdadeiro conselheiro no meio de seus
auxiliadores. Diálogo é fundamental. É imprescindível que o pastor e a
liderança da escola dominical falem uma só língua e se ajudem mutuamente,
conforme recomenda Paulo em 1 Coríntios 1.10: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome
de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma cousa, e que não haja
entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental
e no parecer". A escola dominical agradece!
Ademais, pela experiência e formação pastoral que tem, o pastor
precisa estar atento às carências de seus professores e superintendente. Ele
deve zelar pelo aprimoramento de sua escola dominical investindo pesado em sua
liderança. Precisa indicar e sugerir bons livros, mostrando a importância e
valor da leitura. Também, é necessário que o pastor incentive a sua liderança a
participar de e a promover eventos educacionais. Acredite: O pastor é a chave
que abre a porta do sucesso da escola dominical. Se você, pastor, tiver visão
pedagógica, além de administrativa é claro, ninguém segurará sua escola
dominical. O Espírito Santo gosta de pessoas assim e quer usar pessoas assim.
Além disso, é necessário que o pastor tenha propósitos permanentes
e bem definidos para a escola dominical. Quais devem ser os objetivos do pastor
para a escola bíblica dominical? São basicamente estes: 1) promover a
edificação da igreja na Palavra para o serviço, 2) ganhar vidas para Cristo e
discipulá-las e 3) formar líderes capacitadores.
MATÉRIA 20-DISCIPULADO.
INTRODUÇÃO
A classe de novos convertidos na Escola Dominical é uma expressão ou extensão do amplo Ministério do Discipulado.
A classe de novos convertidos na Escola Dominical é uma expressão ou extensão do amplo Ministério do Discipulado.
O Discipulado é um ministério pessoal, ilimitado e flexível. É uma
das formas mais rápidas de aumentar o número de batismos e aprofundar a
qualidade de vida dos que são alcançados para Cristo.
Antes de conhecer as peculiaridades de sua classe e os métodos
mais adequados a serem adotados, o ensinador de Novos Crentes precisa saber de
antemão o que significa ser discípulo. Quem não é discípulo não pode fazer
discípulos!
A palavra
"discípulo", mathetés, é usada 269 vezes nos Evangelhos e em Atos.
Significa pessoa "ensinada" ou "treinada", aluno, aprendiz.
(Texto-base: Mt 28.19,20.)
Nos Evangelhos, Jesus define a palavra discípulo de cinco maneiras:
1) Discípulo é um crente que está envolvido com a Palavra de Deus de maneira contínua (Jo 8.31).
Nos Evangelhos, Jesus define a palavra discípulo de cinco maneiras:
1) Discípulo é um crente que está envolvido com a Palavra de Deus de maneira contínua (Jo 8.31).
2) Discípulo é
aquele que ama sacrificialmente, sem medir esforços (Jo 13.35; 1 Jo 3.16).
3) Discípulo é alguém que permanece diariamente em união frutífera com Cristo (Jo 15.8).
4) Discípulo é aquele que assume a sua cruz e segue a Cristo (Lc 14.27).
5) Discípulo é aquele que renuncia tudo que tem (Lc 14.33).
I. O PERFIL DOS ALUNOS
3) Discípulo é alguém que permanece diariamente em união frutífera com Cristo (Jo 15.8).
4) Discípulo é aquele que assume a sua cruz e segue a Cristo (Lc 14.27).
5) Discípulo é aquele que renuncia tudo que tem (Lc 14.33).
I. O PERFIL DOS ALUNOS
Quem são seus alunos? Naturalmente são novos convertidos. A diferença e a ênfase está justamente nisto: não são alunos comuns.
1. São como crianças recém-nascidas em Cristo que precisam ser identificadas logo após o nascimento.
O pecador se arrepende; o Espírito Santo o regenera (novo nascimento) = conversão.
Devem ser recepcionados imediatamente após a conversão e identificados, através da "Ficha de identificação e triagem".
Na triagem:
- Oferece literatura;
- Orienta sobre os principais trabalhos da igreja;
- Orienta quanto a matrícula na EBD: ideal orientadores para cada faixa (crianças, adolescentes, jovens e adultos).
Qual a finalidade da identificação?
- Ter como localizá-los.
- Conhecer a realidade de seus alunos.
Sondagem ® Coleta de dados ® Conhecimento da realidade ®
Diagnóstico ® Estratégia de Trabalho (Nome, endereço, data de nascimento, data
da decisão, origem religiosa, sua relação com a comunidade, histórico familiar,
nível sócio-econômico, cultura, necessidades pessoais, limitações físicas;
perguntas dos tipo: É a primeira vez que está se decidindo? Está vindo de outra
igreja? Qual? Quanto tempo esteve por lá?).
- Elaborar programa de assistência.
- Formar comissões de visitadores (que atendam as peculiaridades dos decididos: idade, sexo, formação etc.)
"A
salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos." Billy
Graham
Você precisa conhecê-los realmente! Vamos fazer um teste? Pense em três novos convertidos de sua igreja.
Você precisa conhecê-los realmente! Vamos fazer um teste? Pense em três novos convertidos de sua igreja.
- Sabe o nome deles?
- Pode lembra-se onde eles moram?
- Sabe a data do aniversário deles?
- Sabe como vão indo nos estudos ou no trabalho?
- Mantém boas relações com suas famílias?
- Conhece algum problema em particular?
- O que poderia dizer sobre seu testemunho cristão?
- Há alguma coisa especial de que necessitam?
- Quando foi que aceitaram a Cristo?
2. São pessoas especiais que requerem atenção especial.
a) São totalmente dependentes espiritualmente.
- Só conseguem digerir os
aspectos mais simples das verdades espirituais.
"Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tão pouco ainda agora podeis" (1 Co 3.1-3). - Precisam ser alimentadas por outrem.
- Têm dificuldade em falar (de explicarem a razão da fé).
b) Falta-lhes
um senso adequado de valores.
Agarram-se a detalhes sem importância, em vez de aprenderem o que tem realmente valor.
(Eles se escandalizam facilmente; se apegam a rudimentos de doutrinas; podem criar dogmas)
- O professor deve apresentar a Cristo como Senhor e não apenas como Salvador (senhorio de Cristo Mt 16.24). Muitos querem as bênçãos do Salvador mas não o aceitam como Senhor. Precisamos aceitar o senhorio de Cristo (diferente da Confissão Positiva).
- O professor deve apresentar a real proposta do evangelho. Livrar o homem da perdição eterna (diferente do Evangelho da Prosperidade).
3. São pessoas
carentes que requerem cuidados especiais.
a)"Alimentação" adequada (leite racional).
a)"Alimentação" adequada (leite racional).
Não haverá crescimento espiritual independente da Palavra de Deus.
"Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (1 Pe 2.2).
Quando o homem aceita a Cristo torna-se nova criatura, ou seja, nasce de novo. Não se pode administrar à criança recém-nascida alimentos sólidos, antes, o leite materno.
O novo convertido precisa conhecer as doutrinas básicas da salvação. Portanto, inicialmente, deve afastar-se de assuntos complexos e especulativos.
A princípio, a criança é alimentada pelos outros; mais tarde, começa a alimentar-se por conta própria e finalmente, quando adulta, passa a alimentar outros.
Um dos alvos do fazedor de discípulos é ensinar o discípulo a alimentar-se, de forma que ele possa, mais tarde alimentar também outros.
b) "Meio-ambiente" propício (lar espiritual).
Não haverá crescimento espiritual fora do contexto da comunhão cristã.
"Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Ef 4.13).
Observando as palavras de Paulo em Efésios 4.13 - "Até que todos cheguemos..." verificamos que o meio ambiente propício ao crescimento espiritual é encontrado no contexto da comunhão cristã (lar espiritual, família espiritual).
Não é suficiente o contato que o professor tem com o aluno durante a aula na Escola Dominical. O professor deve proporcionar um meio-ambiente propício para um inter-relacionamento com outros crentes onde se compartilham idéias, verdades aprendidas na Palavra, aspirações, e onde haja compreensão.
c) Precisam de um referencial no novo grupo de convivência.
Geralmente a primeira referência do novo convertido na igreja é o professor (discipulador) de sua classe na Escola Dominical.
ENSINO DINÂMICO PARA OS NOVOS CONVERTIDOS PARTE II
II. O PERFIL DO PROFESSOR
Em linhas gerais, o professor da classe de novos convertidos precisa ser um crente fiel, espiritual e seguro conhecedor das doutrinas bíblicas, além de ter comprovada capacidade para ensinar.
Conhecimentos teológicos mínimos: Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, Trindade, homem, pecado, soteriologia: (regeneração, redenção, expiação, propiciação, justificação, santificação).
Formação pedagógica, se possível.
1. Pré requisitos gerais.
a) Vocação autêntica.
A vocação floresce no próprio cerne da personalidade. Significa a propensão fundamental do espírito, sua inclinação geral predominante para um determinado tipo de vida e de atividade, no qual encontrará plena satisfação e melhores possibilidades de auto-realização.
- Sociabilidade. A educação e o ensino são fenômenos de interação psicológica e social; temperamentos egocêntricos, fechados, incapazes de abrir e manter contatos sociais comum certo calor e entusiasmo, não estão talhados para a função do magistério; este exige comunicabilidade e dedicação à pessoa dos educandos e aos seus problemas.
- Amor paedagogicus. Simpatia e interesse natural pelos alunos e desejo de auxiliá-los nos seus problemas e anseios.
- Geralmente a escolha de um professor favorito se baseia num relacionamento pessoal e não na capacidade para ensinar. Os alunos se lembram dos professores que mostraram interesse especial e cuidam delas antes de se lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória.
- Apreço e interesse pelos valores da inteligência e da cultura. O professor que realmente tem vocação para o magistério é naturalmente um estudioso, um leitor assíduo, com sede de novos conhecimentos capaz de se entusiasmar pelo progresso da ciência e da cultura.
b) Aptidões específicas.
São atributos ou qualidades pessoais que exprimem certa disposição natural ou potencial para um determinado tipo de atividades ou de trabalho.
(Saúde, equilíbrio mental e emocional, órgãos de fonação, visão e audição em boas condições; boa voz: firme, agradável, convincente; linguagem fluente, clara e simples; autoconfiança e presença de espírito; naturalidade e desembaraço; firmeza e desembaraço; imaginação, iniciativa e liderança; habilidade de criação; boas relações humanas.)
c) preparo especializado.
O conhecimento amplo e sistemático da matéria ou da respectiva área de estudo é condição essencial e indispensável para a eficiência do magistério cristão.
2. Pré requisitos específicos.
a) Ser chamado por Deus para o ministério do ensino (Ef 4.11,12). (Pedir a classe para ler o texto)
Os professores da EBD são freqüentemente escolhidos pelos líderes e não vocacionados por Deus. Os vocacionados têm esmero (dedicação): "...se é ensinar, haja dedicação ao ensino" (Rm 12.7b).
Esmero significa integralidade de tempo no ministério - estar com a mente, o coração e a vida nesse ministério. Ser professor é diferente de ocupar o cargo de professor.
b) Ter um relacionamento vital e real com Jesus Cristo.
O que representa este relacionamento?
Cristo é seu salvador pessoal; salvo-o de todo o pecado e é também Senhor e dono da sua vida.
c) Esforçar-se em seguir o exemplo de Jesus.
Jesus é o maior pedagogo de todos os tempos; usou todos os métodos didáticos disponíveis para ensinar.
d) Reconhecer a importância da sua tarefa e encará-la com seriedade.
Qual importância?
Quando um
investimento espiritual é feito em outra vida, você participa de toda a glória
das recompensas espirituais que serão colhidas através da vida, para
sempre.
O apóstolo Paulo disse aos tessalonicenses: "Vós sois a nossa glória e nosso gozo" (1 Ts 2.20).
Por que seriedade? Por causa do juízo: "...meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo" (Tg 3.1).
e) Lealdade.
O apóstolo Paulo disse aos tessalonicenses: "Vós sois a nossa glória e nosso gozo" (1 Ts 2.20).
Por que seriedade? Por causa do juízo: "...meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo" (Tg 3.1).
e) Lealdade.
No apoio ao pastor; na assistência aos cultos; na participação no sustento financeiro.
f) Disposição de aprender.
O homem é um ser educável e nunca acaba de aprender. Aprendemos com os livros; com nossos alunos; aprendemos enquanto ensinamos. "Não há melhor maneira de aprender do que tentar ensinar outra pessoa." Quando não sabe uma resposta, é melhor ser honesto e dizer que não sabe.
g) Saber planejar suas aulas.
Ter objetivos claros e definidos em cada etapa do ensino.
- O que pretendo alcançar (Objetivos)
- Como alcançar (Métodos e recursos)
- Em quanto tempo (cronograma)
- O que fazer e como fazer (Procedimentos de ensino)
- Como avaliar o que foi alcançado (Avaliação)
h) Entender o processo de aprendizagem.
- Até o séc XVI, a prender era memorizar.
- Séc XVII, fórmula de "Comenius": compreensão, memorização, aplicação.
- Hoje, a apdz é um processo: lento, gradual e complexo - aprender é modificar o comportamento.
i) Conhecer
variados métodos de ensino. (ver 3º ponto do seminário)
j) Ensinar com motivação.
j) Ensinar com motivação.
O professor não motiva, incentiva.
Deve saber e dominar o que vai ensinar. Conhecer bem a Palavra, o
currículo e a lição daquele dia. Este conhecimento deve fazer parte de sua
experiência.
l) Despertar o aluno para a salvação e o crescimento espiritual.
"Ele está se tornando semelhante a Cristo?"
m) Viver o que ensina.
n) Ser crente integrado à sua igreja: presença nos cultos e atividades da igreja; dizimista; manter-se distante dos ventos de doutrinas; eticamente correto.
ENSINO DINÂMICO PARA OS NOVOS CONVERTIDOS PARTE III
III. O MÉTODO DE ENSINO
1. O ensino deve, em primeiro lugar, objetivar um plano de cultivo de resultados, ou seja, a integração dos novos crentes.
a) Levar o novo convertido a alcançar a certeza de salvação.
Três passos para levar o novo convertido a ter certeza de salvação:
- Levar o convertido a confiar no caráter de Deus.
- Deus não pode mentir (Tt 1.2). O caráter de Deus é o fundamento para que a pessoa alcance a certeza de vida eterna.
- Levar o convertido a compreender com clareza as promessas de salvação feitas por Deus (Jo 5.24; Ap 3.20).
- Levar o convertido a entender claramente as condições estabelecidas por Deus para alguém ser salvo.
O pecador precisa se arrepender (Is 55.7).
O pecador precisa confessar seus pecados (1 Jo 1.9).
O pecador precisa crer em Jesus (Jo 5.24).
O pecador precisa invocar o nome do Senhor (Rm 10.13).
b) Doutrinar o novo crente para que seja batizado conscientemente.
- Necessidade do batismo
- Valor e significado
- Forma bíblica do batismo (imersão)
- Ceia, finalidade
- Para quem foi instituída a ceia
- Igreja (origem, natureza, missão e destino)
c) Doutrinar o novo batizado para que adquira firmeza doutrinária
e se integre na comunhão da igreja.
- Crente e sua nova natureza
- Comportamento do cristão
- Vida devocional
- Mordomia cristã
- Testemunho
2. O ensino deve
atender às dificuldades de compreensão peculiares ao novo convertido.
a) Linguagem.
a) Linguagem.
A linguagem deve ser comum entre o professor e o aluno. O novo convertido não está familiarizado com a linguagem evangélica.
b) Comunicação.
Quais são os principais problemas de comunicação entre professores e alunos?
O método é definido através de padrões de comunicação: unilateral, bilateral e multilateral.
- O professor está mais preocupado em expor a matéria (transmitir conhecimento).
- O professor utiliza conceitos ou termos que ainda não existem na experiência dos alunos novos convertidos.
- O professor não se preocupa em aumentar o vocabulário de seus alunos.
- O professor coloca tantas idéias em cada exposição que somente algumas delas são compreendidas e retidas.
- Alguns professores falam rápido demais ou articulam mal as palavras. Outros, em voz baixa e tom monótono.
- O professor não utiliza meios visuais para comunicar conceitos ou relações que exigem apresentação gráfica.
- professor tem suas idéias tão mal ou perfeitamente organizadas, que não há lugar para a imaginação criativa dos alunos.
c) Cultura Bíblica.
O conhecimento que possuem a respeito de Deus geralmente é alheio às Escrituras. Não compreendem a história, a geografia, os costumes dos personagens bíblicos e sua aplicação para os nossos dias.
d) Temas teológicos e doutrinários da Bíblia.
O novo convertido não está habituado a expressões como: Regeneração, Justificação, Redenção, Expiação, Arrebatamento da Igreja, Milênio, Escatologia etc.
e) Noções de tempo, espaço e circunstância no plano bíblico.
Neste aspecto quais providências o professor deve tomar em relação a ministração do conteúdo da matéria?
3. O ensino deve ser planejado e não improvisado.
O professor deve preparar-se profundamente para a aula (2 Tm 2.15).
a) Através da oração.
A oração é o segredo do poder no ensino (Mc 1.35; Lc 5.16).
b) Com propósito preestabelecido.
O professor deve estabelecer os objetivos da lição.
c) Através de estudo diário.
O professor deve preparar suas lições com antecedência. Ou seja, diariamente, do início ao término da semana.
d) Material de estudo mínimo necessário.
- A Bíblia. Se possível, todas as legítimas versões em português.
- Dicionário Bíblico
- Gramática da Língua Portuguesa
- Concordância Bíblica
- Chave Bíblica (resumo dos livros)
- Manuais de Doutrina
- Comentários
- Atlas Bíblico
- Didática Aplicada
- Apontamentos individuais
CONCLUSÃO
O Discipulado propicia à igreja local maduros líderes centralizados em Cristo e orientados para a Palavra.
O Discipulado propicia à igreja local maduros líderes centralizados em Cristo e orientados para a Palavra.
Nem todo discipulador é professor da Classe de Novos Convertidos.
Mas, todo professor de Novos Convertidos deve ser um discipulador em potencial.


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